Considerando as especificidades das estéticas romântica e realista e suas consequências na caracterização
dos personagens, bem como na configuração e na posição dos narradores, associe os títulos dos romances e
seus respectivos autores aos trechos correspondentes.
1. Memórias de um sargento de milícias, Manuel Antônio
de Almeida
2. Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de
Assis
3. O crime do padre Amaro, Eça de Queirós
( ) “Cresci; e nisso é que a família não interveio; cresci
naturalmente, como crescem as magnólias e os
gatos. Talvez os gatos são menos matreiros, e,
com certeza, as magnólias são menos inquietas do
que eu era na minha infância. [...] Desde os cinco
anos merecera eu a alcunha de ‘menino diabo’;
e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos
mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto,
traquinas e voluntarioso.”
( ) “Tornou-se muito medroso. Dormia com lamparina,
ao pé de uma ama velha. As criadas de resto feminizavam-no; achavam-no bonito, aninhavam-no no
meio delas, beijocavam-no, faziam-lhe cócegas, e
ele rolava por entre as saias, em contato com os
corpos, com gritinhos de contentamento. Às vezes,
quando a senhora marquesa saía, vestiam-no de
mulher, entre grandes risadas; ele abandonava-se,
meio nu, com os seus modos lânguidos, os olhos
quebrados, uma roseta escarlate nas faces.”
( ) “Passemos por alto sobre os anos que decorreram
desde o nascimento e batizado do nosso memorando, e vamos encontrá-lo já na idade de sete anos.
Digamos unicamente que durante todo este tempo
o menino não desmentiu aquilo que anunciara
desde que nasceu: atormentava a vizinhança com
um choro sempre em oitava alta; era colérico; tinha
ojeriza particular à madrinha, a quem não podia
encarar, e era estranhão até não poder mais.”
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de
cima para baixo, é
Segundo Afrânio Coutinho, o fragmento “Notas de
Teoria literária”:
“A ficção distingue-se de história e da biografia, por estas
serem narrativas de fatos reais. A ficção é produto da
imaginação criadora, embora, como toda arte, suas raízes
mergulhem na experiência humana. Mas o que a distingue
das outras formas de narrativa é que ela é uma
transfiguração ou transmutação da realidade, feita pelo
espírito do artista, este imprevisível e inesgotável
laboratório. A ficção não pretende fornecer um simples
retrato da realidade, mas antes criar uma imagem da
realidade, uma reinterpretação, uma revisão. É o
espetáculo da vida através do olhar interpretativo do artista,
a interpretação artística da realidade”.
(Afrânio Coutinho. Notas de Teoria Literária). O fragmento apresentado acima confirma a concepção
de que a narrativa de ficção, embora tenha origem na
experiência real, seja uma transfiguração da realidade,
a exemplo das seguintes criações do Romance
brasileiro: 1) Machado de Assis, em Memórias póstumas de
Brás Cubas, que dá voz a um defunto, que narra,
logo no primeiro capítulo, os pormenores de sua
morte.
2) Graciliano Ramos, em Vidas Secas, que
pretendendo manter indícios do Simbolismo,
afastou-se dos princípios literários românticos.
3) Guimarães Rosa, em Grande Sertão Veredas,
que optou por transfigurar não apenas traços da
realidade, mas entrou pela área linguística e a
reinterpretou também.
4) Clarice Lispector, em A hora da Estrela, que, fiel
à ficção, questiona sua própria habilidade para
compor uma narração no gênero ‘romance’.
Estão corretas