A questão refere-se ao fragmento da crônica de João Ubaldo Ribeiro.
Com mais de 50 anos de escrevinhação nas costas, descobri algumas ideias que muita gente faz da vida de um
escritor. Por exemplo, tem quem ache que os escritores, notadamente entre eles mesmos, só falam difícil, uma
proparoxítona para abrir, uma mesóclise para dar classe e um tetrassílabo para arrematar. “Em teu parecer, meu
impertérrito amigo”, perguntaria eu ao Rubem Fonseca, durante nosso almoço periódico, “abater-se-á hoje, sobre a
nossa urbe, uma formidanda intempérie?” Ao que o Zé Rubem reagiria com uma anástrofe, um mais-que-perfeito
fazendo as vezes do imperfeito do subjuntivo e uma aliteração final show de bola, coisa de craque mesmo. “Augure do
tempo fora eu, pressagiá-lo-ia libentissimamente”, responderia ele. “Todavia, de tal não me trato.” E assim iríamos
almoço afora, discutindo elevadíssimos assuntos, em linguagem só compreensível por indivíduos especiais.
Fonte: João Ubaldo Ribeiro. Vida de escritor. O Estado de S. Paulo, 3 jul. 2011. Disponível em:
https://www.google.com/search?q=http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,vida-de-escritor.htm&authuser=2. Acesso em: 14 mar. 2026.
Com base na leitura do fragmento apresentado, assinale a alternativa incorreta no que se refere aos recursos
utilizados pelo autor para a construção do efeito de humor.