Leia o trecho abaixo:
“Todos os dias da semana, acabada a oração, se dirá logo uma missa que a possam ouvir os índios
antes de irem a suas lavouras (...) a qual acabada se ensinarão aos índios em voz alta as orações
ordinárias: a saber, Padre-Nosso, Ave-Maria, Credo, Mandamento da Lei de Deus, e da Santa Madre
Igreja; e os Sacramentos, acto de contrição, e confissão, geralmente os diálogos do catecismo breve,
em que se contém os mistérios da fé. Acabada esta doutrina irão todos os nossos para a Escola (...)
aonde os mais hábeis, se ensinarão a ler e escrever, e havendo muitos se ensinarão também a cantar,
e tanger instrumentos para beneficiar os ofícios divinos; e quando menos se ensinará a todos a
doutrina cristã...”.
(Pe. Antonio Vieira, Regulamento de Aldeias e de Missões, séc. XVII, apud Beozzo, 1983, p. 196)
Refletindo sobre os significados do excerto acima e a forma como o professor de Ensino Religioso, na
contemporaneidade, poderá propor suas aulas de acordo com os parâmetros atualizados da BNCC
(Base Nacional Curricular Comum), analise as assertivas abaixo:
I. A função do texto em epígrafe de Vieira pode ter a função de evidenciar a articulação da escola à
catequese no passado colonial brasileiro. Assim, é possível utilizar o excerto para o estudo de
histórias de tradições religiosas no Brasil.
II. Uma possibilidade de trabalho do professor, com o trecho citado, corresponde em identificar, com
os estudantes, os ritos e suas funções em diferentes manifestações e tradições religiosas, estando
de acordo com as habilidades escritas na BNCC.
III. O professor também pode trabalhar a epígrafe de Vieira para atingir a habilidade da BNCC de
discutir como filosofias de vida, tradições e instituições religiosas podem influenciar diferentes
campos da esfera pública (política, saúde, educação, economia).
IV. Segundo a BNCC, a percepção das diferenças para compreender o outro corresponde à noção de
identidade que é encontrada, também, na epígrafe de Vieira. Esse entendimento possibilita a
distinção entre o “eu” e o “outro”, “nós” e “eles”, cujas relações dialógicas são mediadas por
referenciais simbólicos (representações, saberes, crenças, convicções, valores), sendo
necessários à construção das alteridades.
Quais estão corretas?