As Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Infantil (DCNEI, Resolução CNE/CEB
nº 5/2009), em seu Artigo 4º, definem a criança como “sujeito histórico e de direitos, que, nas
interações, relações e práticas cotidianas que vivencia, constrói sua identidade pessoal e coletiva,
brinca, imagina, fantasia, deseja, aprende, observa, experimenta, narra, questiona e constrói sentidos
sobre a natureza e a sociedade, produzindo cultura” (BRASIL, 2009). Analise as situações abaixo:
Ana Júlia tem 2 anos de idade e brinca na frente do espelho, grande e preso na parede na sua
altura. Ao seu alcance estão acessórios para que ela possa colocar e tirar sem precisar de auxílio,
ainda que encontre alguma dificuldade. O professor se mantém por perto, a incentivando a
continuar experimentando os acessórios, sem interferir diretamente na sua exploração. Ana Júlia
se observa no reflexo, faz caretas e dá risada. Sua experiência é interrompida quando Rafael, da
mesma idade, se aproxima e lhe arranca uma tiara da mão, e observa sua reação como se a
desafiasse. Ana Júlia começa a chorar e se aproxima do Rafael com a mãozinha levantada. O
professor se aproxima para mediar, guardando os acessórios utilizados na brincadeira, evitando
assim uma briga desnecessária e que se machuquem. O professor oferece outro brinquedo a eles,
que por sua vez esquecem o ocorrido e retomam a rotina.
Gustavo tem 5 anos de idade e faz parte do espectro autista. Sua comunicação é restrita a um
vocabulário pequeno, mas entende tudo, principalmente quando o chamam e o convidam para
determinadas brincadeiras e interações. A sua turma está no pátio escolar, manuseando água e
terra à vontade. Também há galhos, pedras, sementes e folhagens variadas, o que enriquece o faz
de conta das crianças. Gustavo não brinca com água e terra pois não gosta de se sujar. O professor
estica um pano no pátio para que ele possa sentar junto com a turma, e oferece a ele alguns desses
elementos naturais secos. A coleção é organizada e reorganizada por Gustavo de algumas formas:
empilhar, enfileirar, contar e jogar para o alto. Algumas crianças se aproximam, pois se interessam
pela brincadeira de Gustavo. Gustavo se agita, gesticula e demonstra ficar incomodado com a
presença das outras crianças. O professor pede que as outras crianças não mexam nos elementos,
respeitando a organização do Gustavo. Elas retornam para a caixa de areia e a brincadeira segue.
De que modo, nas situações descritas, essa criança definida no enunciado se manifesta e é respeitada
na ação do professor na sequência?