Como a vida moderna é atravessada por valores eurocentrados, nos preparamos por meio de
competências também modernas, comprometidas com a diferença colonial hierarquizante marcada
pela exclusão de outras vozes. E não é uma preparação para que aprendamos a ouvir essas outras vozes,
mas uma preparação para tolerá-las e superá-las na medida em que nos esforcemos por modernizá-las.
E assim, escolarmente, modernizamos a experiência da infância, da negritude, da indigenidade,
das sexualidades não-hegemônicas, das culturas não-eurocentradas. Acolhemos a todas na tentativa
de gerar uma articulação moderna, que a tudo respeita, mas também a tudo assimila, se esforçando
por modernizar tudo com o que entra em contato. E, nesse cenário, a receptividade da diferença é a
tentativa de superá-la, de conciliá-la com o ideal moderno, que aparece como o mais interessante.
NASCIMENTO, F. W.; BOTELHO, D. Currículo de filosofia brasileiro entre discursos coloniais: a colonialidade e a educação.
Revista Sul-Americana de Filosofia e Educação – RESAFE. n. 14, p. 80, maio-outubro de 2010 (adaptado).
A partir da problemática apresentada no texto, é possível depreender a importância do papel da escola na
contemporaneidade, sendo uma das tarefas do professor no ensino de Filosofia, na perspectiva dos autores,