Esaú e Jacó

Ora, aí está justamente a epígrafe do livro, se eu lhe quisesse pôr alguma, e não me ocorresse outra. Não é somente um meio de completar as pessoas da narração com as ideias que deixarem, mas ainda um par de lunetas para que o leitor do livro penetre o que for menos claro ou totalmente escuro.

Por outro lado, há proveito em irem as pessoas da minha história colaborando nela, ajudando o autor, por uma lei de solidariedade, espécie de troca de serviços, entre o enxadrista e os seus trebelhos.

Se aceitas a comparação, distinguirás o rei e a dama, o bispo e o cavalo, sem que o cavalo possa fazer de torre, nem a torre de peão. Há ainda a diferença da cor, branca e preta, mas esta não tira o poder da marcha de cada peça, e afinal umas e outras podem ganhar a partida, e assim vai o mundo.

ASSIS, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1964 (fragmento). O fragmento do romance Esaú e Jacó mostra como o narrador concebe a leitura de um texto literário. Com base nesse trecho, tal leitura deve levar em conta

O fragmento do romance Esaú e Jacó mostra como o narrador concebe a leitura de um texto literário. Com base nesse trecho, tal leitura deve levar em conta

Chegança

Eu atraquei

num porto muito seguro,

céu azul, paz e ar puro,

botei as pernas pro ar. [...]

Mas de repente

me acordei com a surpresa:

uma esquadra portuguesa

veio na praia atracar.

Da grande nau,

um branco de barba escura

vestindo uma armadura

me apontou pra me pegar.

Assustado

dei um pulo da rede,

pressenti a fome, a sede,

eu pensei: “vão me acabar”!

Me levantei

de borduna já na mão.

ai, senti no coração:

O Brasil vai começar.

NÓBREGA, A. Disponível em: www.antonio-nobrega.

Acesso em: 15 jul. 2014 (fragmento).

A letra da canção ganha um sentido de humor e originalidade pela

A verdade é que não me preocupo muito com o outro mundo. Admito Deus, pagador celeste dos meus trabalhadores, mal remunerados cá na terra, e admito o diabo, futuro carrasco do ladrão que me furtou uma vaca de raça. Tenho, portanto, um pouco de religião, embora julgue que, em parte, ela é dispensável a um homem. Mas mulher sem religião é horrível.


Comunista, materialista. Bonito casamento! Amizade com o Padilha, aquele imbecil. “Palestras amenas e variadas”. Que haveria nas palestras? Reformas sociais, ou coisa pior. Sei lá! Mulher sem religião é capaz de tudo.

RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1981.

Uma das características da prosa de Graciliano Ramos é ser bastante direta e enxuta. No romance São Bernardo, o autor faz a análise psicológica de personagens e expõe desigualdades sociais com base na relação entre patrão e empregado, além da relação conjugal. Nesse sentido, o texto revela um(a)
Compra sem surpresas Regrinhas básicas para comprar um carro usado – sem a ajuda do mecânico 1. Peça o manual e verifique a realização das revisões programadas. Carro com a última revisão feita próxima à quilometragem atual é sinal de veículo bem cuidado. Compare a diferença entre as revisões: se no manual a última foi aos 30 000 quilômetros e o carro está com 100 000 quilômetros rodados, esse é um indício de que depois do término da garantia a manutenção foi deixada de lado. 2. Sempre dirija o carro antes de fechar negócio. Procure dirigi-lo em várias condições e avalie o veículo, ainda que sem nenhum conhecimento técnico. Preste atenção em barulhos estranhos no motor e na suspensão. 3. Certifique-se de que todos os documentos estão em ordem. Verifique se o número do chassi bate com o impresso no documento e se a placa traseira está com lacre. Consulte o número do Renavam na internet para saber se há multas ou restrições e pendências legais. 4. Se estiver em dúvida entre modelos diferentes, consulte o preço do seguro de cada um deles antes de fechar negócio.O valor do seguro pode variar muito de um carro para outro, ainda que eles sejam da mesma categoria, como compacto ou luxo, por exemplo. Veja, 25 mar. 2009 (adaptado).
O texto apresenta regras básicas para serem aplicadas por compradores de carros usados, revelando uma finalidade instrucional, para a qual são usados alguns argumentos. Dessa forma, para convencer o leitor, na exposição das regras, aparecem
Oriundo do brega tradicional, o tecnobrega configura-se como um movimento musical paraense. A partir dele surge o brega melody; essa mistura veio apimentada com o calor da Amazônia e, sobretudo, com as batidas da música eletrônica e as inferências da rede mundial de computadores. A musicalidade tecnobrega surgiu em Belém como um meio de entretenimento e lazer dos jovens, que já não participavam das vivências coletivas experimentadas por seus pais, quando estes viviam as tradições da cultura rural, antes de migrarem para os arredores da Grande Belém. Alheios ou negando-se a participar dos roteiros e eventos culturais promovidos pela classe média, poderíamos afirmar que esses jovens vivem numa transição cultural que, de certa forma, mantém as práticas culturais de seus pais pela reapropriação de um novo significado, no ambiente urbano, que compreende as novas tecnologias, os mais modernos meios de comunicação e a mídia eletroeletrônica.
SILVA, E. L. Produção cultural, trabalho e lazer ao ritmo do tecnobrega. In: CASTRO, A. L. (Org.). Cultura contemporânea, identidades e sociabilidades:olhares sobre corpo, mídia e novas tecnologias. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2010 (adaptado).
O tecnobrega, como expressão da linguagem corporal e cultural de um grupo social, é um importante exemplo para caracterizar a integração social dos sujeitos pela

A incapacidade de ser verdadeiro

Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas.

A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo.

Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa, como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico.

Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça:

— Não há nada a fazer, Dona Coló. Esse menino é mesmo um caso de poesia.

ANDRADE, C. D. Rick e a girafa. São Paulo: Ática, 2001.

Inspirado na obra A metamorfose, de Franz Kafka, o narrador mostra uma face do relacionamento humano, aqui representada pelo
A sessão do Comitê Olímpico Internacional (COI) aprovou uma mudança histórica e inédita no lema olímpico, criado em 1894 pelo Barão Pierre de Coubertin para expressar os valores e a excelência do esporte. Mais de 120 anos depois, o lema tem sua primeira alteração para ressaltar a solidariedade e incluir a palavra “juntos”: mais rápido, mais alto, mais forte — juntos. A mudança foi aprovada por unanimidade pelos membros do COI e celebrada pelo presidente da entidade.

Disponível em: https://ge.globo.com. Acesso em: 10 nov. 2021 (adaptado).

De acordo com o texto, a alteração do lema olímpico teve como objetivo a

TEXTO I


Nascida em Sacramento (MG) em 1914, Carolina Maria de Jesus foi uma importante escritora brasileira. Filha de analfabetos, começou a estudar aos 7 anos e precisou largar a escola no segundo ano, mas aprendeu a ler e escrever. Em 1937 sua mãe faleceu e, para sustentar a família, ela saía à noite para coletar papel. Carolina escrevia sobre sua vida na favela e seu dia a dia. Um desses cadernos deu origem ao seu livro mais famoso, Quarto de Despejo.

ARRAES, J. Heroínas Negras Brasileiras: em 15 cordéis.

São Paulo: Pólen, 2017. p. 43 (adaptado).


TEXTO II

CAROLINA Mª DE JESUS

Sua história verdadeira

Começou em Sacramento

Na rural comunidade

Foi de Minas um rebento

Era o ano de quatorze

Inda mil e novecentos.

[...]

Como era catadora

Pelos lixos encontrava

O papel e o caderno

Que por fim utilizava

Como o Famoso Diário

Onde tudo registrava.

[...]

Foi o Quarto de Despejo

O primeiro publicado

Um sucesso monstruoso

Tão vendido e aclamado

Carolina fez dinheiro

Com o livro elogiado.

ARRAES, J. Heroínas Negras Brasileiras:

em 15 cordéis. São Paulo: Pólen, 2017. p. 37-40 (fragmento).

Os textos I e II tratam do mesmo tema: a vida de uma escritora. A diferença entre eles é que o texto 2 apresenta
Ciranda é uma dança de roda muito comum no Brasil. Samba rural de Parati, no estado do Rio de Janeiro, e também dança paulista de adultos, terminando o baile rural do Fandango, em rodas concêntricas, homens por dentro e mulheres por fora. Em Pernambuco, a ciranda de roda é dança de adultos. Um dos versos cantados mais conhecidos diz:
Esta ciranda quem me deu foi Lia que mora na Ilha de Itamaracá
CASCUDO, L. C. Dicionário do folclore brasileiro. São Paulo: Global, 2001 (adaptado).

A miscigenação é um dos traços marcantes da população brasileira, o que também se reflete no seu patrimônio cultural. A característica que faz da Ciranda uma representante dessa mistura é a sua

TEXTO I

Periquito andino

Este colorido periquito colombiano, de cara marrom, testa azul, peito cinza, barriga azul e rabo vermelho, entrou em extinção. Visto pela última vez na natureza em 1949, ele não foi mais encontrado, apesar das constantes missões biológicas nos últimos anos para achá-lo.


TEXTO II

O pavãossauro


Não é novidade que, a cada nova descoberta da paleontologia, os dinossauros estejam mais parecidos com aves. O que não se sabia até agora é que algumas espécies de dinossauro tinham hábitos iguais aos do mais fabuloso dos pássaros: o pavão. É o que conclui um novo estudo.

Superinteressante, n. 346, maio 2015 (adaptado).

As informações trazidas nos textos I e II são resultados do trabalho de pesquisadores sobre

Canção do exílio

Minha terra tem macieiras da Califórnia

onde cantam gaturamos de Veneza.

Os poetas da minha terra

são pretos que vivem em torres de ametista,

os sargentos do exército são monistas, cubistas,

os filósofos são polacos vendendo a prestações.

A gente não pode dormir

com os oradores e os pernilongos.

Os sururus em família têm por testemunha a

[Gioconda.


Eu morro sufocado

em terra estrangeira.

Nossas flores são mais bonitas

nossas frutas mais gostosas

mas custam cem mil réis a dúzia.

MENDES, M. Disponível em: www.vidaempoesia.com.br.

Acesso em: 30 jul. 2014 (fragmento).

No poema, o eu lírico emprega um tomnacionalista que se modifica de acordo com uma visão
Jornalismo em saúde Nos últimos anos, a internet possibilitou uma democratização da informação como nunca antes vista, permitindo que o indivíduo que sofre de algum problema de saúde tenha uma postura mais ativa frente ao seu médico/terapeuta, com mais repertório para trocar informações. Pode-se argumentar que muito daquilo que o leigo lê na internet não é fonte segura de informação, e no caso de informação equivocada, pode fazer mais mal do que bem. Isso até pode existir, mas de uma forma geral a internet ajuda muito mais do que atrapalha. Pesquisadores da Universidade da Pensilvânia estudaram mais de 600 pacientes com diagnóstico de câncer colorretal, e a hipótese lançada era a de que aqueles que buscavam mais informações sobre a doença na internet e na mídia impressa também estariam sendo submetidos a tratamentos mais modernos. No caso em questão, os autores definiram como terapêutica moderna o uso de duas medicações recentemente aprovadas para uso nos Estados Unidos e amplamente divulgadas pela mídia (bevacizumab e cetuximab). O resultado foi que os pacientes que procuraram informação na internet e na mídia impressa tinham uma chance três vezes maior de ter conhecimento sobre as duas medicações, e também foi três vezes maior a chance de serem submetidos ao tratamento com essas drogas. TEIXEIRA, R. A. Disponível em: www.icbneuro.com.br. Acesso em: 17 set. 2013 (adaptado).
O uso da internet possibilitou uma democratização da informação em todas as áreas do conhecimento. Na área da saúde, o acesso à informação possibilita que o paciente

Fui ver titia e ela continua insatisfeita com o poder aquisitivo do cruzeiro. Sabe muito bem que a inflação diminui, sabe muito bem que o produto bruto aumenta, mas acha que isso tudo, infelizmente, está custando a chegar no supermercado. Diz que o problema é o custo do aluguel, o custo do feijão, da carne e do arroz. O resto, realmente, não interessa. Olhei para titia, com meus olhos sábios, e não pude deixar de sorrir com tristeza – o problema dela é que não consegue abandonar essa medíocre mania de querer simplificar a economia.

FERNANDES, M.30 anos de mim mesmo. Rio de Janeiro: Desiderata, 2006.

No texto, o lirismo foi construído com a exploração da linguagem em suas funções poética e metalinguística, conforme se depreende da

O convencional achará que um homem de cinquenta anos, pai e avô, capaz de tomar a última bala de uma criança de sete anos, é um monstro. Pois eu lhes direi que só um adulto de coração limpo, sem sentimento de culpa, é capaz de fazer uma tal monstruosidade.

CAMPOS, P. M. Homenzinho na ventania. Rio de Janeiro: Editora do Autor, 1970.

O texto apresenta duas ideias básicas relacionadas entre si. Essa relação é de

Sou negrão

Sou negrão, certo, sangue bom

20 de novembro temos que repensar

A liberdade do negro, tanto teve de lutar

O negro não é marginal, não é perigo

Negro ser humano, só quer ter amigo

Na antiga era o funk, agora é o rap

Vem puxando o movimento com o negro de talento

[...]

Luiz Gonzaga era preto, era o rei do baião


Jair Rodrigues disparou no festival da canção

Dener com a bola, mais que um dom

Preto quer trabalhar, não quer meter um oitão

Futuro, presente, passado, realmente jogados

Fizemos a história, perdemos a memória

Temos nosso valor, temos nosso valor [...]


Luta marcial, jogar capoeira

Negra mulher, preta Dandara

Leci Brandão, Jovelina, Ivone Lara

Cabelo rasta, dança afoxé

Anastácia e Benedita, muito axé [...]


E esse é o recado que acabamos de mandar

Pra toda raça negra escutar e agitar

Portanto, honre sua raça, honre sua cor

Não tenha medo de falar, fale com muito amor


Sou negrão, hei

Sou negrão, hou

RAPPIN’ HOOD. Disponível em: www.vagalume.com.br.

Acesso em: 29 set. 2013.

Na letra do rap Sou negrão, o uso de nomes próprios contribui para

Comida

Bebida é água.

Comida é pasto.

Você tem sede de quê?

Você tem fome de quê?

A gente não quer só comida,

A gente quer comida, diversão e arte.

A gente não quer só comida,

A gente quer saída para qualquer parte.

ANTUNES, A.; BRITTO, S.; FROMER, M. Titãs acústico.

Rio de Janeiro: WEA/MTV, 1997 (fragmento).

Na letra da canção, a repetição da expressão “A gente não quer só comida” tem por objetivo

O sedentarismo é um desafio para a saúde: seus custos financeiros são enormes. Globalmente, a inatividade física custa 54 bilhões de dólares por ano em assistência médica. O plano da Organização Mundial da Saúde busca aumentar a prática das atividades físicas em 15% no período entre 2018 e 2030. A estratégia visa tornar espaços públicos mais favoráveis à prática de exercícios para pessoas de diferentes idades e habilidades motoras. O objetivo é incentivar mais caminhadas, ciclismo, esportes, recreação ativa, dança e jogos.

Disponível em: https://nacoesunidas.org. Acesso em: 27 set. 2018 (adaptado).

O sedentarismo é um estado físico caracterizado pela

Bálsamo ou veneno? Comida dos deuses ou maldição do diabo? Hábito natural ou desvio da sociedade moderna? Não há resposta certa ou fácil quando o assunto são as drogas. As pesquisas de opinião refletem essa ambiguidade. Quando abordam o tema, em geral mostram que estamos longe de um consenso. Mas as pesquisas revelam algo mais. Em meio aos números, nota-se que quase não há indecisos sobre o assunto. Ou seja, não importa de que lado as pessoas estejam, o fato é que todas elas têm opinião formada — e arraigada — sobre o uso de drogas.

VERGARA, R. Disponível em: http://super.abril.com.br. Acesso em: 2 out. 2013.

Ao mostrar que há duas posições a respeito do tema “drogas”, o texto tem como função
O fim da história


Não creio que o tempo Venha comprovar Nem negar que a História Possa se acabar Basta ver que um povo Derruba um czar Derruba de novo Quem pôs no lugar É como se o livro dos tempos pudesse Ser lido trás pra frente, frente pra trás Vem a História, escreve um capítulo Cujo título pode ser “Nunca Mais” Vem o tempo e elege outra história, que escreve Outra parte, que se chama “Nunca É Demais” “Nunca Mais”, “Nunca É Demais”, “Nunca Mais” “Nunca É Demais”, e assim por diante, tanto faz Indiferente se o livro é lido De trás pra frente ou lido de frente pra trás.


GILBERTO GIL. In: Parabolicamará. Rio de Janeiro: WEA, 1991.


Considerando-se o jogo de oposições presente nessa letra de canção, infere-se que a narrativa histórica
Os homens estavam tratando de negócios e eu fiquei longe pra não atrapalhar. Já tinha ido com meu pai a muitos lugares e sabia que, quando ele queria falar de negócio, não gostava que eu ficasse por perto pedindo isso e aquilo. O secos e molhados era um mundo, enorme, eu me perdi lá dentro. Gostei de circular de um canto a outro [...]. Percebi que as vozes se alteravam e escutei a do meu pai apertada, mais baixa que as outras. Não sei por que, em vez de ver o que estava acontecendo, me escondi atrás das prateleiras e tentei ouvir o que eles diziam. Não entendi nada, mas pelo tom da conversa, percebi que meu pai estava triste. [...] O dono do armazém, cigarro pendurado na boca, sorriu, anotou qualquer coisa num saco de papel e enfiou a caneta sobre a orelha. Tinha uma cara feia e, ao mesmo tempo, me deu raiva e dó dele. [...] Meu pai disse, “Vamos, tá na hora”, e pagou a conta, a mercadoria não era boa, que ele compreendesse. Saímos. Antes de chegar na Kombi, olhei de rabo de olho e vi, surpreso, que meu pai estava chorando. Na hora eu achei que seria melhor não olhar, até procurei fingir, pra ele se controlar. Eu senti que ele se envergonharia se eu percebesse. Andamos depressa, a grande mão dele no meu ombro, num toque leve, um carinho resignado. Como quem não quer nada, fiz que estava atento ao movimento das ruas, mas via a dor cobrindo o rosto dele quando o sol cintilou seus olhos.

CARRASCOZA, J. A. Aos 7 e aos 40. São Paulo: Cosac Naify, 2013.


No texto, a relação entre os personagens adquire uma representação tensa, na perspectiva do narrador-personagem, que reconhece a
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