Vestibular Primeiro Exame - Português - Interpretação Textual - UERJ

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Desempenho Global
8
Resoluções
41%
Média
Difícil
Dificuldade
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  • 📖 Texto associado
    Um poema de Vinicius de Moraes
    A flutuação do gosto em relação aos poetas é normal, como é normal a sucessão dos modos
    de fazer poesia. Pelo visto, Vinicius de Moraes anda em baixa acentuada. Talvez o seu prestígio
    tenha diminuído porque se tornou cantor e compositor, levando a opinião a considerá-lo mais
    letrista do que poeta. Mas deve ter sido também porque encarnou um tipo de poesia oposto a
    5 certas modalidades para as quais cada palavra tende a ser objeto autônomo, portador de maneira
    isolada (ou quase) do significado poético.
    Na história da literatura brasileira ele é um poeta de continuidades, não de rupturas; e o nosso
    é um tempo que tende à ruptura, ao triunfo do ritmo e mesmo do ruído sobre a melodia, assim
    como tende a suprimir as manifestações da afetividade. Ora, Vinicius é melodioso e não tem medo
    10 de manifestar sentimentos, com uma naturalidade que deve desgostar as poéticas de choque.
    Por vezes, ele chega mesmo a cometer o pecado maior para o nosso tempo: o sentimentalismo.
    Isso lhe permitiu dar estatuto de poesia a coisas, sentimentos e palavras extraídos do mais singelo
    cotidiano, do coloquial mais familiar e até piegas, de maneira a parecer muitas vezes um seresteiro
    milagrosamente transformado em poeta maior. João Cabral disse mais de uma vez que sua própria
    15 poesia remava contra a maré da tradição lírica de língua portuguesa. Vinicius seria, ao contrário,
    alguém integrado no fluxo da sua corrente, porque se dispôs a atualizar a tradição. Isso foi possível
    devido à maestria com que dominou o verso, jogando com todas as suas possibilidades.
    Ele consegue ser moderno usando metrificação e cultivando a melodia, com uma imaginação
    renovadora e uma liberdade que quebram as convenções e conseguem preservar os valores
    20 coloquiais. Rigoroso como Olavo Bilac, fluido como o Manuel Bandeira dos versos regulares, terra
    a terra como os poemas conversados de Mário de Andrade, esse mestre do soneto e da crônica
    é um raro malabarista.
    ANTONIO CANDIDO
    Adaptado de Teoria e debate, nº 49. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, out-dez, 2001.
    A articulação do primeiro com o segundo parágrafo revela o seguinte eixo principal da argumentação do crítico:
  • 📖 Texto associado
    Um poema de Vinicius de Moraes
    A flutuação do gosto em relação aos poetas é normal, como é normal a sucessão dos modos
    de fazer poesia. Pelo visto, Vinicius de Moraes anda em baixa acentuada. Talvez o seu prestígio
    tenha diminuído porque se tornou cantor e compositor, levando a opinião a considerá-lo mais
    letrista do que poeta. Mas deve ter sido também porque encarnou um tipo de poesia oposto a
    5 certas modalidades para as quais cada palavra tende a ser objeto autônomo, portador de maneira
    isolada (ou quase) do significado poético.
    Na história da literatura brasileira ele é um poeta de continuidades, não de rupturas; e o nosso
    é um tempo que tende à ruptura, ao triunfo do ritmo e mesmo do ruído sobre a melodia, assim
    como tende a suprimir as manifestações da afetividade. Ora, Vinicius é melodioso e não tem medo
    10 de manifestar sentimentos, com uma naturalidade que deve desgostar as poéticas de choque.
    Por vezes, ele chega mesmo a cometer o pecado maior para o nosso tempo: o sentimentalismo.
    Isso lhe permitiu dar estatuto de poesia a coisas, sentimentos e palavras extraídos do mais singelo
    cotidiano, do coloquial mais familiar e até piegas, de maneira a parecer muitas vezes um seresteiro
    milagrosamente transformado em poeta maior. João Cabral disse mais de uma vez que sua própria
    15 poesia remava contra a maré da tradição lírica de língua portuguesa. Vinicius seria, ao contrário,
    alguém integrado no fluxo da sua corrente, porque se dispôs a atualizar a tradição. Isso foi possível
    devido à maestria com que dominou o verso, jogando com todas as suas possibilidades.
    Ele consegue ser moderno usando metrificação e cultivando a melodia, com uma imaginação
    renovadora e uma liberdade que quebram as convenções e conseguem preservar os valores
    20 coloquiais. Rigoroso como Olavo Bilac, fluido como o Manuel Bandeira dos versos regulares, terra
    a terra como os poemas conversados de Mário de Andrade, esse mestre do soneto e da crônica
    é um raro malabarista.
    ANTONIO CANDIDO
    Adaptado de Teoria e debate, nº 49. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, out-dez, 2001.
    A flutuação do gosto em relação aos poetas é normal, como é normal a sucessão dos modos de fazer
    poesia. (?. 1-2)
    A relação que se estabelece entre essa declaração inicial do crítico Antonio Candido e o restante de seu texto pode ser definida pela seguinte sequência:
  • 📖 Texto associado
    Soneto do Corifeu*
    São demais os perigos desta vida
    Para quem tem paixão, principalmente
    3 Quando uma lua surge de repente
    E se deixa no céu, como esquecida.
    E se ao luar que atua desvairado
    6 Vem se unir uma música qualquer
    Aí então é preciso ter cuidado
    Porque deve andar perto uma mulher.
    9 Deve andar perto uma mulher que é feita
    De música, luar e sentimento
    E que a vida não quer, de tão perfeita.
    12 Uma mulher que é como a própria Lua:
    Tão linda que só espalha sofrimento
    Tão cheia de pudor que vive nua.
    * Corifeu: personagem sempre presente no antigo teatro grego. 
    Os dois primeiros versos do soneto sugerem uma advertência dirigida aos apaixonados.
    Com base na leitura do poema, essa advertência se baseia no pressuposto de que a paixão é capaz de provocar
    estado de:
  • 📖 Texto associado
    Soneto de separação
    De repente do riso fez-se o pranto
    Silencioso e branco como a bruma
    3 E das bocas unidas fez-se a espuma
    E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
    De repente da calma fez-se o vento
    6 Que dos olhos desfez a última chama
    E da paixão fez-se o pressentimento
    E do momento imóvel fez-se o drama.
    9 De repente, não mais que de repente
    Fez-se de triste o que se fez amante
    E de sozinho o que se fez contente.
    12 Fez-se do amigo próximo o distante
    Fez-se da vida uma aventura errante
    De repente, não mais que de repente.
    No último verso, não mais que enfatiza a expressão de repente, revelando certa reação do poeta em relação à
    separação.
    Essa reação é marcada pelo sentimento de:
  • 📖 Texto associado
    Soneto da hora final
    Será assim, amiga: um certo dia
    Estando nós a contemplar o poente
    3 Sentiremos no rosto, de repente
    O beijo leve de uma aragem fria.
    Tu me olharás silenciosamente
    E eu te olharei também, com nostalgia
    6 E partiremos, tontos de poesia
    Para a porta de treva aberta em frente.
    Ao transpor as fronteiras do Segredo
    Eu, calmo, te direi: – Não tenhas medo
    9 E tu, tranquila, me dirás: – Sê forte.
    E como dois antigos namorados
    Noturnamente tristes e enlaçados
    12 Nós entraremos nos jardins da morte.
    No poema, há diversas referências metafóricas à morte, como exemplifica o seguinte verso:
  • 📖 Texto associado
    Soneto de separação
    De repente do riso fez-se o pranto
    Silencioso e branco como a bruma
    3 E das bocas unidas fez-se a espuma
    E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
    De repente da calma fez-se o vento
    6 Que dos olhos desfez a última chama
    E da paixão fez-se o pressentimento
    E do momento imóvel fez-se o drama.
    9 De repente, não mais que de repente
    Fez-se de triste o que se fez amante
    E de sozinho o que se fez contente.
    12 Fez-se do amigo próximo o distante
    Fez-se da vida uma aventura errante
    De repente, não mais que de repente.
    Na terceira estrofe (v. 9-11), a seleção vocabular evidencia a passagem de um estado emocional a outro por parte
    do poeta.
    A partir dessa seleção, os estados emocionais por que passa o poeta podem ser definidos como:
  • 📖 Texto associado
    Um poema de Vinicius de Moraes
    A flutuação do gosto em relação aos poetas é normal, como é normal a sucessão dos modos
    de fazer poesia. Pelo visto, Vinicius de Moraes anda em baixa acentuada. Talvez o seu prestígio
    tenha diminuído porque se tornou cantor e compositor, levando a opinião a considerá-lo mais
    letrista do que poeta. Mas deve ter sido também porque encarnou um tipo de poesia oposto a
    5 certas modalidades para as quais cada palavra tende a ser objeto autônomo, portador de maneira
    isolada (ou quase) do significado poético.
    Na história da literatura brasileira ele é um poeta de continuidades, não de rupturas; e o nosso
    é um tempo que tende à ruptura, ao triunfo do ritmo e mesmo do ruído sobre a melodia, assim
    como tende a suprimir as manifestações da afetividade. Ora, Vinicius é melodioso e não tem medo
    10 de manifestar sentimentos, com uma naturalidade que deve desgostar as poéticas de choque.
    Por vezes, ele chega mesmo a cometer o pecado maior para o nosso tempo: o sentimentalismo.
    Isso lhe permitiu dar estatuto de poesia a coisas, sentimentos e palavras extraídos do mais singelo
    cotidiano, do coloquial mais familiar e até piegas, de maneira a parecer muitas vezes um seresteiro
    milagrosamente transformado em poeta maior. João Cabral disse mais de uma vez que sua própria
    15 poesia remava contra a maré da tradição lírica de língua portuguesa. Vinicius seria, ao contrário,
    alguém integrado no fluxo da sua corrente, porque se dispôs a atualizar a tradição. Isso foi possível
    devido à maestria com que dominou o verso, jogando com todas as suas possibilidades.
    Ele consegue ser moderno usando metrificação e cultivando a melodia, com uma imaginação
    renovadora e uma liberdade que quebram as convenções e conseguem preservar os valores
    20 coloquiais. Rigoroso como Olavo Bilac, fluido como o Manuel Bandeira dos versos regulares, terra
    a terra como os poemas conversados de Mário de Andrade, esse mestre do soneto e da crônica
    é um raro malabarista.
    ANTONIO CANDIDO
    Adaptado de Teoria e debate, nº 49. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, out-dez, 2001.
    Com base nas ideias apresentadas no texto, a metáfora um raro malabarista (?. 22) sugere que o poeta articula
    os seguintes aspectos em sua poesia:
  • 📖 Texto associado
    Três teses sobre o avanço da febre amarela
    Como a febre amarela rompeu os limites da Floresta Amazônica e alcançou o Sudeste, atingindo
    os grandes centros urbanos? A partir do ano passado, o número de casos da doença alcançou
    níveis sem precedentes nos últimos cinquenta anos. Desde o início de 2017, foram confirmados
    779 casos, 262 deles resultando em mortes. Trata-se do maior surto da forma silvestre da doença
    5 já registrado no país. Outros 435 registros ainda estão sob investigação.
    Como tudo começou? Os navios portugueses vindos da África nos séculos XVII e XVIII não
    trouxeram ao Brasil somente escravos e mercadorias. Dois inimigos silenciosos vieram junto: o
    vírus da febre amarela e o mosquito Aedes aegypti. A consequência foi uma série de surtos de
    febre amarela urbana no Brasil, com milhares de mortos. Por volta de 1940, a febre amarela urbana
    10 foi erradicada. Mas o vírus migrou, pelo trânsito de pessoas infectadas, para zonas de floresta na
    região Amazônica. No início dos anos 2000, a febre amarela ressurgiu em áreas da Mata Atlântica.
    Três teses tentam explicar o fenômeno.
    Segundo o professor Aloísio Falqueto, da Universidade Federal do Espírito Santo, “uma pessoa
    pegou o vírus na Amazônia e entrou na Mata Atlântica depois, possivelmente na altura de Montes
    15 Claros, em Minas Gerais, onde surgiram casos de macacos e pessoas infectadas”. O vírus teria
    se espalhado porque os primatas da mata eram vulneráveis: como o vírus desaparece da região
    na década de 1940, não desenvolveram anticorpos. Logo os macacos passaram a ser mortos por
    seres humanos que temem contrair a doença. O massacre desses bichos, porém, é um “tiro no
    pé”, o que faz crescer a chance de contaminação de pessoas. Sem primatas para picar na copa das
    20 árvores, os mosquitos procuram sangue humano.
    De acordo com o pesquisador Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz, os mosquitos
    transmissores da doença se deslocaram do Norte para o Sudeste, voando ao longo de rios e
    corredores de mata. Estima-se que um mosquito seja capaz de voar 3 km por dia. Tanto o homem
    quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela por cerca de três dias.
    25 Depois disso, o organismo produz anticorpos. Em cerca de dez dias, primatas e humanos ou
    morrem ou se curam, tornando-se imunes à doença.
    Para o infectologista Eduardo Massad, professor da Universidade de São Paulo, o rompimento
    da barragem da Samarco, em Mariana (MG), em 2015, teve papel relevante na disseminação
    acelerada da doença no Sudeste. A destruição do habitat natural de diferentes espécies teria
    30 reduzido significativamente os predadores naturais dos mosquitos. A tragédia ambiental ainda
    teria afetado o sistema imunológico dos macacos, tornando-os mais suscetíveis ao vírus.
    Por que é importante determinar a “viagem” do vírus? Basicamente, para orientar as campanhas
    de vacinação. Em 2014, Eduardo Massad elaborou um plano de imunização depois que 11
    pessoas morreram vítimas de febre amarela em Botucatu (SP): “Eu fiz cálculos matemáticos
    35 para determinar qual seria a proporção da população nas áreas não vacinadas que deveria ser
    imunizada, considerando os riscos de efeitos adversos da vacina. Infelizmente, a Secretaria de
    Saúde não adotou essa estratégia. Os casos acontecem exatamente nas áreas onde eu havia
    recomendado a vacinação. A Secretaria está correndo atrás do prejuízo”. Desde julho de 2017,
    mais de 100 pessoas foram contaminadas em São Paulo e mais de 40 morreram.
    40 O Ministério da Saúde afirmou em nota que, desde 2016, os estados e municípios vêm sendo
    orientados para a necessidade de intensificar as medidas de prevenção. A orientação é que
    pessoas em áreas de risco se vacinem.
    NATHALIA PASSARINHO
    Adaptado de bbc.com, 06/02/2018.
    Para apresentação das teses que explicam o avanço da febre amarela, a autora do texto recorre, principalmente,
    à seguinte estratégia:
  • 📖 Texto associado
    Soneto de separação
    De repente do riso fez-se o pranto
    Silencioso e branco como a bruma
    3 E das bocas unidas fez-se a espuma
    E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
    De repente da calma fez-se o vento
    6 Que dos olhos desfez a última chama
    E da paixão fez-se o pressentimento
    E do momento imóvel fez-se o drama.
    9 De repente, não mais que de repente
    Fez-se de triste o que se fez amante
    E de sozinho o que se fez contente.
    12 Fez-se do amigo próximo o distante
    Fez-se da vida uma aventura errante
    De repente, não mais que de repente.
    De repente da calma fez-se o vento
    Que dos olhos desfez a última chama (v. 5-6)
    Em relação à expressão o vento, o verso sublinhado assume a função de indicar uma:
  • 📖 Texto associado
    Soneto do Corifeu*
    São demais os perigos desta vida
    Para quem tem paixão, principalmente
    3 Quando uma lua surge de repente
    E se deixa no céu, como esquecida.
    E se ao luar que atua desvairado
    6 Vem se unir uma música qualquer
    Aí então é preciso ter cuidado
    Porque deve andar perto uma mulher.
    9 Deve andar perto uma mulher que é feita
    De música, luar e sentimento
    E que a vida não quer, de tão perfeita.
    12 Uma mulher que é como a própria Lua:
    Tão linda que só espalha sofrimento
    Tão cheia de pudor que vive nua.
    * Corifeu: personagem sempre presente no antigo teatro grego. 
    No soneto, é possível reconhecer a configuração de um espaço caracterizado pelo seguinte aspecto:
  • 📖 Texto associado
    Três teses sobre o avanço da febre amarela
    Como a febre amarela rompeu os limites da Floresta Amazônica e alcançou o Sudeste, atingindo
    os grandes centros urbanos? A partir do ano passado, o número de casos da doença alcançou
    níveis sem precedentes nos últimos cinquenta anos. Desde o início de 2017, foram confirmados
    779 casos, 262 deles resultando em mortes. Trata-se do maior surto da forma silvestre da doença
    5 já registrado no país. Outros 435 registros ainda estão sob investigação.
    Como tudo começou? Os navios portugueses vindos da África nos séculos XVII e XVIII não
    trouxeram ao Brasil somente escravos e mercadorias. Dois inimigos silenciosos vieram junto: o
    vírus da febre amarela e o mosquito Aedes aegypti. A consequência foi uma série de surtos de
    febre amarela urbana no Brasil, com milhares de mortos. Por volta de 1940, a febre amarela urbana
    10 foi erradicada. Mas o vírus migrou, pelo trânsito de pessoas infectadas, para zonas de floresta na
    região Amazônica. No início dos anos 2000, a febre amarela ressurgiu em áreas da Mata Atlântica.
    Três teses tentam explicar o fenômeno.
    Segundo o professor Aloísio Falqueto, da Universidade Federal do Espírito Santo, “uma pessoa
    pegou o vírus na Amazônia e entrou na Mata Atlântica depois, possivelmente na altura de Montes
    15 Claros, em Minas Gerais, onde surgiram casos de macacos e pessoas infectadas”. O vírus teria
    se espalhado porque os primatas da mata eram vulneráveis: como o vírus desaparece da região
    na década de 1940, não desenvolveram anticorpos. Logo os macacos passaram a ser mortos por
    seres humanos que temem contrair a doença. O massacre desses bichos, porém, é um “tiro no
    pé”, o que faz crescer a chance de contaminação de pessoas. Sem primatas para picar na copa das
    20 árvores, os mosquitos procuram sangue humano.
    De acordo com o pesquisador Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz, os mosquitos
    transmissores da doença se deslocaram do Norte para o Sudeste, voando ao longo de rios e
    corredores de mata. Estima-se que um mosquito seja capaz de voar 3 km por dia. Tanto o homem
    quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela por cerca de três dias.
    25 Depois disso, o organismo produz anticorpos. Em cerca de dez dias, primatas e humanos ou
    morrem ou se curam, tornando-se imunes à doença.
    Para o infectologista Eduardo Massad, professor da Universidade de São Paulo, o rompimento
    da barragem da Samarco, em Mariana (MG), em 2015, teve papel relevante na disseminação
    acelerada da doença no Sudeste. A destruição do habitat natural de diferentes espécies teria
    30 reduzido significativamente os predadores naturais dos mosquitos. A tragédia ambiental ainda
    teria afetado o sistema imunológico dos macacos, tornando-os mais suscetíveis ao vírus.
    Por que é importante determinar a “viagem” do vírus? Basicamente, para orientar as campanhas
    de vacinação. Em 2014, Eduardo Massad elaborou um plano de imunização depois que 11
    pessoas morreram vítimas de febre amarela em Botucatu (SP): “Eu fiz cálculos matemáticos
    35 para determinar qual seria a proporção da população nas áreas não vacinadas que deveria ser
    imunizada, considerando os riscos de efeitos adversos da vacina. Infelizmente, a Secretaria de
    Saúde não adotou essa estratégia. Os casos acontecem exatamente nas áreas onde eu havia
    recomendado a vacinação. A Secretaria está correndo atrás do prejuízo”. Desde julho de 2017,
    mais de 100 pessoas foram contaminadas em São Paulo e mais de 40 morreram.
    40 O Ministério da Saúde afirmou em nota que, desde 2016, os estados e municípios vêm sendo
    orientados para a necessidade de intensificar as medidas de prevenção. A orientação é que
    pessoas em áreas de risco se vacinem.
    NATHALIA PASSARINHO
    Adaptado de bbc.com, 06/02/2018.
    No sexto parágrafo, a interlocução com o leitor é explicitamente marcada pelo emprego de:
  • 📖 Texto associado
    Três teses sobre o avanço da febre amarela
    Como a febre amarela rompeu os limites da Floresta Amazônica e alcançou o Sudeste, atingindo
    os grandes centros urbanos? A partir do ano passado, o número de casos da doença alcançou
    níveis sem precedentes nos últimos cinquenta anos. Desde o início de 2017, foram confirmados
    779 casos, 262 deles resultando em mortes. Trata-se do maior surto da forma silvestre da doença
    5 já registrado no país. Outros 435 registros ainda estão sob investigação.
    Como tudo começou? Os navios portugueses vindos da África nos séculos XVII e XVIII não
    trouxeram ao Brasil somente escravos e mercadorias. Dois inimigos silenciosos vieram junto: o
    vírus da febre amarela e o mosquito Aedes aegypti. A consequência foi uma série de surtos de
    febre amarela urbana no Brasil, com milhares de mortos. Por volta de 1940, a febre amarela urbana
    10 foi erradicada. Mas o vírus migrou, pelo trânsito de pessoas infectadas, para zonas de floresta na
    região Amazônica. No início dos anos 2000, a febre amarela ressurgiu em áreas da Mata Atlântica.
    Três teses tentam explicar o fenômeno.
    Segundo o professor Aloísio Falqueto, da Universidade Federal do Espírito Santo, “uma pessoa
    pegou o vírus na Amazônia e entrou na Mata Atlântica depois, possivelmente na altura de Montes
    15 Claros, em Minas Gerais, onde surgiram casos de macacos e pessoas infectadas”. O vírus teria
    se espalhado porque os primatas da mata eram vulneráveis: como o vírus desaparece da região
    na década de 1940, não desenvolveram anticorpos. Logo os macacos passaram a ser mortos por
    seres humanos que temem contrair a doença. O massacre desses bichos, porém, é um “tiro no
    pé”, o que faz crescer a chance de contaminação de pessoas. Sem primatas para picar na copa das
    20 árvores, os mosquitos procuram sangue humano.
    De acordo com o pesquisador Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz, os mosquitos
    transmissores da doença se deslocaram do Norte para o Sudeste, voando ao longo de rios e
    corredores de mata. Estima-se que um mosquito seja capaz de voar 3 km por dia. Tanto o homem
    quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela por cerca de três dias.
    25 Depois disso, o organismo produz anticorpos. Em cerca de dez dias, primatas e humanos ou
    morrem ou se curam, tornando-se imunes à doença.
    Para o infectologista Eduardo Massad, professor da Universidade de São Paulo, o rompimento
    da barragem da Samarco, em Mariana (MG), em 2015, teve papel relevante na disseminação
    acelerada da doença no Sudeste. A destruição do habitat natural de diferentes espécies teria
    30 reduzido significativamente os predadores naturais dos mosquitos. A tragédia ambiental ainda
    teria afetado o sistema imunológico dos macacos, tornando-os mais suscetíveis ao vírus.
    Por que é importante determinar a “viagem” do vírus? Basicamente, para orientar as campanhas
    de vacinação. Em 2014, Eduardo Massad elaborou um plano de imunização depois que 11
    pessoas morreram vítimas de febre amarela em Botucatu (SP): “Eu fiz cálculos matemáticos
    35 para determinar qual seria a proporção da população nas áreas não vacinadas que deveria ser
    imunizada, considerando os riscos de efeitos adversos da vacina. Infelizmente, a Secretaria de
    Saúde não adotou essa estratégia. Os casos acontecem exatamente nas áreas onde eu havia
    recomendado a vacinação. A Secretaria está correndo atrás do prejuízo”. Desde julho de 2017,
    mais de 100 pessoas foram contaminadas em São Paulo e mais de 40 morreram.
    40 O Ministério da Saúde afirmou em nota que, desde 2016, os estados e municípios vêm sendo
    orientados para a necessidade de intensificar as medidas de prevenção. A orientação é que
    pessoas em áreas de risco se vacinem.
    NATHALIA PASSARINHO
    Adaptado de bbc.com, 06/02/2018.

    A frase que contém uma explicação do conteúdo da frase anterior está sublinhada em:

  • 📖 Texto associado
    Soneto da hora final
    Será assim, amiga: um certo dia
    Estando nós a contemplar o poente
    3 Sentiremos no rosto, de repente
    O beijo leve de uma aragem fria.
    Tu me olharás silenciosamente
    E eu te olharei também, com nostalgia
    6 E partiremos, tontos de poesia
    Para a porta de treva aberta em frente.
    Ao transpor as fronteiras do Segredo
    Eu, calmo, te direi: – Não tenhas medo
    9 E tu, tranquila, me dirás: – Sê forte.
    E como dois antigos namorados
    Noturnamente tristes e enlaçados
    12 Nós entraremos nos jardins da morte.
    Na última estrofe, a figura feminina é descrita por meio de elementos que estabelecem entre si uma relação do seguinte tipo:
  • 📖 Texto associado
    Soneto de separação
    De repente do riso fez-se o pranto
    Silencioso e branco como a bruma
    3 E das bocas unidas fez-se a espuma
    E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
    De repente da calma fez-se o vento
    6 Que dos olhos desfez a última chama
    E da paixão fez-se o pressentimento
    E do momento imóvel fez-se o drama.
    9 De repente, não mais que de repente
    Fez-se de triste o que se fez amante
    E de sozinho o que se fez contente.
    12 Fez-se do amigo próximo o distante
    Fez-se da vida uma aventura errante
    De repente, não mais que de repente.
    Uma série de transformações é apresentada pelo verbo fazer acompanhado da palavra se.
    Na cena construída no poema, essa estrutura linguística produz o seguinte efeito:
  • 📖 Texto associado
    Soneto da hora final
    Será assim, amiga: um certo dia
    Estando nós a contemplar o poente
    3 Sentiremos no rosto, de repente
    O beijo leve de uma aragem fria.
    Tu me olharás silenciosamente
    E eu te olharei também, com nostalgia
    6 E partiremos, tontos de poesia
    Para a porta de treva aberta em frente.
    Ao transpor as fronteiras do Segredo
    Eu, calmo, te direi: – Não tenhas medo
    9 E tu, tranquila, me dirás: – Sê forte.
    E como dois antigos namorados
    Noturnamente tristes e enlaçados
    12 Nós entraremos nos jardins da morte.
    No título Soneto da hora final, para revelar o tema do poema, recorre-se à figura de linguagem denominada:
  • 📖 Texto associado
    Três teses sobre o avanço da febre amarela
    Como a febre amarela rompeu os limites da Floresta Amazônica e alcançou o Sudeste, atingindo
    os grandes centros urbanos? A partir do ano passado, o número de casos da doença alcançou
    níveis sem precedentes nos últimos cinquenta anos. Desde o início de 2017, foram confirmados
    779 casos, 262 deles resultando em mortes. Trata-se do maior surto da forma silvestre da doença
    5 já registrado no país. Outros 435 registros ainda estão sob investigação.
    Como tudo começou? Os navios portugueses vindos da África nos séculos XVII e XVIII não
    trouxeram ao Brasil somente escravos e mercadorias. Dois inimigos silenciosos vieram junto: o
    vírus da febre amarela e o mosquito Aedes aegypti. A consequência foi uma série de surtos de
    febre amarela urbana no Brasil, com milhares de mortos. Por volta de 1940, a febre amarela urbana
    10 foi erradicada. Mas o vírus migrou, pelo trânsito de pessoas infectadas, para zonas de floresta na
    região Amazônica. No início dos anos 2000, a febre amarela ressurgiu em áreas da Mata Atlântica.
    Três teses tentam explicar o fenômeno.
    Segundo o professor Aloísio Falqueto, da Universidade Federal do Espírito Santo, “uma pessoa
    pegou o vírus na Amazônia e entrou na Mata Atlântica depois, possivelmente na altura de Montes
    15 Claros, em Minas Gerais, onde surgiram casos de macacos e pessoas infectadas”. O vírus teria
    se espalhado porque os primatas da mata eram vulneráveis: como o vírus desaparece da região
    na década de 1940, não desenvolveram anticorpos. Logo os macacos passaram a ser mortos por
    seres humanos que temem contrair a doença. O massacre desses bichos, porém, é um “tiro no
    pé”, o que faz crescer a chance de contaminação de pessoas. Sem primatas para picar na copa das
    20 árvores, os mosquitos procuram sangue humano.
    De acordo com o pesquisador Ricardo Lourenço, do Instituto Oswaldo Cruz, os mosquitos
    transmissores da doença se deslocaram do Norte para o Sudeste, voando ao longo de rios e
    corredores de mata. Estima-se que um mosquito seja capaz de voar 3 km por dia. Tanto o homem
    quanto o macaco, quando picados, só carregam o vírus da febre amarela por cerca de três dias.
    25 Depois disso, o organismo produz anticorpos. Em cerca de dez dias, primatas e humanos ou
    morrem ou se curam, tornando-se imunes à doença.
    Para o infectologista Eduardo Massad, professor da Universidade de São Paulo, o rompimento
    da barragem da Samarco, em Mariana (MG), em 2015, teve papel relevante na disseminação
    acelerada da doença no Sudeste. A destruição do habitat natural de diferentes espécies teria
    30 reduzido significativamente os predadores naturais dos mosquitos. A tragédia ambiental ainda
    teria afetado o sistema imunológico dos macacos, tornando-os mais suscetíveis ao vírus.
    Por que é importante determinar a “viagem” do vírus? Basicamente, para orientar as campanhas
    de vacinação. Em 2014, Eduardo Massad elaborou um plano de imunização depois que 11
    pessoas morreram vítimas de febre amarela em Botucatu (SP): “Eu fiz cálculos matemáticos
    35 para determinar qual seria a proporção da população nas áreas não vacinadas que deveria ser
    imunizada, considerando os riscos de efeitos adversos da vacina. Infelizmente, a Secretaria de
    Saúde não adotou essa estratégia. Os casos acontecem exatamente nas áreas onde eu havia
    recomendado a vacinação. A Secretaria está correndo atrás do prejuízo”. Desde julho de 2017,
    mais de 100 pessoas foram contaminadas em São Paulo e mais de 40 morreram.
    40 O Ministério da Saúde afirmou em nota que, desde 2016, os estados e municípios vêm sendo
    orientados para a necessidade de intensificar as medidas de prevenção. A orientação é que
    pessoas em áreas de risco se vacinem.
    NATHALIA PASSARINHO
    Adaptado de bbc.com, 06/02/2018.
    No quinto parágrafo, são apresentadas duas hipóteses acerca da disseminação da febre amarela. A marca verbal que evidencia a formulação dessas hipóteses é o uso de:
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