Vestibular Segundo Exame - Português - Interpretação Textual - UERJ

Simulado com questões de prova: Vestibular Segundo Exame - Português - Interpretação Textual - UERJ. Resolva online grátis, confira o gabarito e baixe o PDF!


Desempenho Global
1
Resoluções
25%
Média
Difícil
Dificuldade
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  • 📖 Texto associado
    A QUESTÃO REFERE-SE À OBRA “O ALIENISTA”, DE MACHADO DE ASSIS.
    O texto literário recorre com frequência a “índices” que anunciam reviravoltas posteriores no enredo, preparando
    os leitores para o que ainda vai acontecer.
    O índice que melhor anuncia e prepara o final de “O alienista” está presente em:
  • 📖 Texto associado
    • Homo sapiens europaeus: branco, sério, forte;
    • Homo sapiens asiaticus: amarelo, melancólico, avaro;
    • Homo sapiens afer: negro, impassível, preguiçoso;
    • Homo sapiens americanus: vermelho, mal-humorado, violento. (?. 21-24)
    Comparando as quatro categorias apresentadas pelo naturalista sueco Carl Linnaeus, a perspectiva adotada em
    sua classificação pode ser definida como:
  • 📖 Texto associado
    Física para poetas
    O ensino da física sempre foi um grande desafio. Nos últimos anos, muitos esforços foram feitos
    com o objetivo de ensiná-la desde as séries iniciais do ensino fundamental, no contexto do ensino
    de ciências. Porém, como disciplina regular, a física aparece no ensino médio, quando se torna
    “um terror” para muitos estudantes.
    Várias pesquisas vêm tentando identificar quais são as principais dificuldades do ensino de física
    e das ciências em geral. Em particular, a queixa que sempre se detecta é que os estudantes não
    conseguem compreender a linguagem matemática na qual, muitas vezes, os conceitos físicos são
    expressos. Outro ponto importante é que as questões que envolvem a física são apresentadas
    fora de uma contextualização do cotidiano das pessoas, o que dificulta seu aprendizado. Por
    fim, existe uma enorme carência de professores formados em física para ministrar as aulas da
    disciplina.
    As pessoas que vão para o ensino superior e que não são da área de ciências exatas praticamente
    nunca mais têm contato com a física, da mesma maneira que os estudantes de física, engenharia
    e química poucas vezes voltam a ter contato com a literatura, a história e a sociologia. É triste
    notar que a especialização na formação dos indivíduos costuma deixá-los distantes de partes
    importantes da nossa cultura, da qual as ciências físicas e as humanidades fazem parte.
    Mas vamos pensar em soluções. Há alguns anos, ofereço um curso chamado “Física para poetas”.
    A ideia não é original – ao contrário, é muito utilizada em diversos países e aqui mesmo no Brasil.
    Seu objetivo é apresentar a física sem o uso da linguagem matemática e tentar mostrá-la próxima
    ao cotidiano das pessoas. Procuro destacar a beleza dessa ciência, associando-a, por exemplo, à
    poesia e à música.
    Alguns dos temas que trabalho em “Física para poetas” são inspirados nos artigos que publico.
    Por exemplo, “A busca pela compreensão cósmica” é uma das aulas, na qual apresento a evolução
    dos modelos que temos do universo. Começando pelas visões místicas e mitológicas e chegando
    até as modernas teorias cosmológicas, falo sobre a busca por responder a questões sobre a
    origem do universo e, consequentemente, a nossa origem, para compreendermos o nosso lugar
    no mundo e na história.
    Na aula “Memórias de um carbono”, faço uma narrativa de um átomo de carbono contando
    sua história, em primeira pessoa, desde seu nascimento, em uma distante estrela que morreu há
    bilhões de anos, até o momento em que sai pelo nariz de uma pessoa respirando. Temas como
    astronomia, biologia, evolução e química surgem ao longo dessa aula, bem como as músicas
    “Átimo de pó” e “Estrela”, de Gilberto Gil, além da poesia “Psicologia de um vencido”, de Álvares
    de Azevedo.
    Em “O tempo em nossas vidas”, apresento esse fascinante conceito que, na verdade, vai muito
    além da física: está presente em áreas como a filosofia, a biologia e a psicologia. Algumas músicas
    de Chico Buarque e Caetano Veloso, além de poesias de Vinicius de Moraes e Carlos Drummond
    de Andrade, ajudaram nessa abordagem. Não faltou também “Tempo Rei”, de Gil.
    A arte é uma forma importante do conhecimento humano. Se músicas e poesias inspiram as
    mentes e os corações, podemos mostrar que a ciência, em particular a física, também é algo
    inspirador e belo, capaz de criar certa poesia e encantar não somente aos físicos, mas a todos os
    poetas da natureza.
                                                                                                                                      ADILSON DE OLIVEIRA
                                                                                                Adaptado de cienciahoje.org.br, 08/08/2016.

    Para atingir seus propósitos, o curso oferecido pelo autor explora uma estratégia baseada no seguinte aspecto da
    linguagem:
  • 📖 Texto associado
    Física para poetas
    O ensino da física sempre foi um grande desafio. Nos últimos anos, muitos esforços foram feitos
    com o objetivo de ensiná-la desde as séries iniciais do ensino fundamental, no contexto do ensino
    de ciências. Porém, como disciplina regular, a física aparece no ensino médio, quando se torna
    “um terror” para muitos estudantes.
    Várias pesquisas vêm tentando identificar quais são as principais dificuldades do ensino de física
    e das ciências em geral. Em particular, a queixa que sempre se detecta é que os estudantes não
    conseguem compreender a linguagem matemática na qual, muitas vezes, os conceitos físicos são
    expressos. Outro ponto importante é que as questões que envolvem a física são apresentadas
    fora de uma contextualização do cotidiano das pessoas, o que dificulta seu aprendizado. Por
    fim, existe uma enorme carência de professores formados em física para ministrar as aulas da
    disciplina.
    As pessoas que vão para o ensino superior e que não são da área de ciências exatas praticamente
    nunca mais têm contato com a física, da mesma maneira que os estudantes de física, engenharia
    e química poucas vezes voltam a ter contato com a literatura, a história e a sociologia. É triste
    notar que a especialização na formação dos indivíduos costuma deixá-los distantes de partes
    importantes da nossa cultura, da qual as ciências físicas e as humanidades fazem parte.
    Mas vamos pensar em soluções. Há alguns anos, ofereço um curso chamado “Física para poetas”.
    A ideia não é original – ao contrário, é muito utilizada em diversos países e aqui mesmo no Brasil.
    Seu objetivo é apresentar a física sem o uso da linguagem matemática e tentar mostrá-la próxima
    ao cotidiano das pessoas. Procuro destacar a beleza dessa ciência, associando-a, por exemplo, à
    poesia e à música.
    Alguns dos temas que trabalho em “Física para poetas” são inspirados nos artigos que publico.
    Por exemplo, “A busca pela compreensão cósmica” é uma das aulas, na qual apresento a evolução
    dos modelos que temos do universo. Começando pelas visões místicas e mitológicas e chegando
    até as modernas teorias cosmológicas, falo sobre a busca por responder a questões sobre a
    origem do universo e, consequentemente, a nossa origem, para compreendermos o nosso lugar
    no mundo e na história.
    Na aula “Memórias de um carbono”, faço uma narrativa de um átomo de carbono contando
    sua história, em primeira pessoa, desde seu nascimento, em uma distante estrela que morreu há
    bilhões de anos, até o momento em que sai pelo nariz de uma pessoa respirando. Temas como
    astronomia, biologia, evolução e química surgem ao longo dessa aula, bem como as músicas
    “Átimo de pó” e “Estrela”, de Gilberto Gil, além da poesia “Psicologia de um vencido”, de Álvares
    de Azevedo.
    Em “O tempo em nossas vidas”, apresento esse fascinante conceito que, na verdade, vai muito
    além da física: está presente em áreas como a filosofia, a biologia e a psicologia. Algumas músicas
    de Chico Buarque e Caetano Veloso, além de poesias de Vinicius de Moraes e Carlos Drummond
    de Andrade, ajudaram nessa abordagem. Não faltou também “Tempo Rei”, de Gil.
    A arte é uma forma importante do conhecimento humano. Se músicas e poesias inspiram as
    mentes e os corações, podemos mostrar que a ciência, em particular a física, também é algo
    inspirador e belo, capaz de criar certa poesia e encantar não somente aos físicos, mas a todos os
    poetas da natureza.
                                                                                                                                      ADILSON DE OLIVEIRA
                                                                                                Adaptado de cienciahoje.org.br, 08/08/2016.

    O trecho do texto de Adilson de Oliveira que melhor sintetiza o problema exposto acerca da abordagem da física
    é:
  • 📖 Texto associado
     O DNA do racismo
    Proponho ao leitor um simples experimento. Dirija-se a um local bastante movimentado e observe
    cuidadosamente as pessoas ao redor. Deverá logo saltar aos olhos que somos todos muito
    parecidos e, ao mesmo tempo, muito diferentes.
    Realmente, podemos ver grandes similaridades no plano corporal, na postura ereta, na pele fina
    e na falta relativa de pelos, características da espécie humana que nos distinguem dos outros
    primatas. Por outro lado, serão evidentes as extraordinárias variações morfológicas entre as
    diferentes pessoas: sexo, idade, altura, peso, massa muscular, cor e textura dos cabelos, cor
    e formato dos olhos, cor da pele etc. A priori, não existe absolutamente nenhuma razão para
    valorizar mais uma ou outra dessas características no exercício de investigação.
    Nem todos esses traços têm a mesma relevância. Há características que podem nos fornecer
    informações sobre a origem geográfica ancestral das pessoas: uma pele negra pode nos levar a
    inferir que a pessoa tem ancestrais africanos, olhos puxados evocam ancestralidade oriental
    etc. E isso é tudo: não há absolutamente mais nada que possamos captar à flor da pele. Pense
    bem. O que têm a pigmentação da pele, o formato e a cor dos olhos ou a textura do cabelo a ver
    com as qualidades humanas singulares que definam uma individualidade existencial?
    Em nítido contraste com as conclusões do experimento de observação empírica acima, está
    a rigidez da classificação da humanidade feita pelo naturalista sueco Carl Linnaeus, em 1767.
    Ele apresentou, pela primeira vez na esfera científica, uma categorização da espécie humana,
    distinguindo quatro raças principais e qualificando-as de acordo com o que ele considerava suas
    características principais:
    • Homo sapiens europaeus: branco, sério, forte;
    • Homo sapiens asiaticus: amarelo, melancólico, avaro;
    • Homo sapiens afer: negro, impassível, preguiçoso;
    • Homo sapiens americanus: vermelho, mal-humorado, violento.
    Observe o leitor que as raças de Linnaeus continham traços peculiares fixos,
    ou seja, havia a expectativa de todos os europeus serem “brancos, sérios
    e fortes”. Assim, teríamos de esperar que as pessoas negras ao redor de
    nós tivessem tendências “impassíveis e preguiçosas”, e que as de olhos
    puxados fossem predispostas a “melancolia e avareza”.
    Esse é um exemplo do absurdo da perspectiva essencialista ou tipológica de raças humanas.
    Nesse paradigma, o indivíduo não pode simplesmente ter a pele mais ou menos pigmentada,
    ou o cabelo mais ou menos crespo – ele tem de ser definido como “negro” ou “branco”, rótulo
    determinante de sua identidade.
    Esse tipo de associação fixa de características físicas e psicológicas, que incrivelmente ainda persiste
    na atualidade, não faz absolutamente nenhum sentido do ponto de vista genético e biológico! O
    genoma humano tem cerca de 20 mil genes e sabemos que poucas dúzias deles controlam a
    pigmentação da pele e a aparência física dos humanos. Está 100% estabelecido que esses genes
    não têm nenhuma influência sobre qualquer traço comportamental ou intelectual.
                                                                                                                                  SÉRGIO DANILO PENA
                                                                                           Adaptado de cienciahoje.org.br, 11/07/2008.

    Está 100% estabelecido que esses genes não têm nenhuma influência sobre qualquer traço
    comportamental ou intelectual. (?. 37-38
    Para introduzir a frase acima, mantendo a coerência com a que a precede, pode ser utilizada a seguinte
    expressão:
  • 📖 Texto associado
    A QUESTÃO REFERE-SE À OBRA “O ALIENISTA”, DE MACHADO DE ASSIS.

    No início do capítulo I, o médico Simão Bacamarte explica que se casou com D. Evarista porque ela “estava assim
    apta para dar-lhe filhos robustos, sãos e inteligentes”, mas logo em seguida observa que ela “não lhe deu filhos
    robustos nem mofinos”.
    As duas informações do personagem anunciam para o leitor o seguinte tom predominante da narrativa:
  • 📖 Texto associado
    Violência e psiquiatria
    O tipo de violência que aqui considerarei pouco tem a ver com pessoas que utilizam martelos para
    golpear a cabeça de outras, nem se aproximará muito do que se supõe façam os doentes mentais.
    Se se quer falar de violência em psiquiatria, a violência que brada, que se proclama em tão alta
    voz que raramente é ouvida, é a sutil, tortuosa violência perpetrada pelos outros, pelos “sadios”,
    contra os rotulados de “loucos”. Na medida em que a psiquiatria representa os interesses ou
    pretensos interesses dos sadios, podemos descobrir que, de fato, a violência em psiquiatria é
    sobretudo a violência da psiquiatria.
    Quem são porém as pessoas sadias? Como se definem a si próprias? As definições de saúde mental
    propostas pelos especialistas ou estabelecem a necessidade do conformismo a um conjunto de
    normas sociais arbitrariamente pressupostas, ou são tão convenientemente gerais – como, por
    exemplo, “a capacidade de tolerar conflitos” – que deixam de fazer sentido. Fica-se com a
    lamentável reflexão de que os sadios serão, talvez, todos aqueles que não seriam admitidos na
    enfermaria de observação psiquiátrica. Ou seja, eles se definem pela ausência de certa experiência.
    Sabe-se, porém, que os nazistas asfixiaram com gás dezenas de milhares de doentes mentais,
    assim como dezenas de milhares de outros tiveram seus cérebros mutilados ou danificados
    por sucessivas séries de choques elétricos: suas personalidades foram deformadas, de modo
    sistemático, pela institucionalização psiquiátrica. Como podem fatos tão concretos emergir na
    base de uma ausência, de uma negatividade – a compulsiva não loucura dos sadios? De fato,
    toda a área de definição de sanidade mental e loucura é tão confusa, e os que se arriscam
    dentro dela são tão aterrorizados pela ideia do que possam encontrar, não só nos “outros”
    como também em si mesmos, que se deve considerar seriamente a renúncia ao projeto.
                                                                                                                                       DAVID COOPER
                                      Adaptado de Psiquiatria e antipsiquiatria. São Paulo: Perspectiva, 1967.

    A QUESTÃO REFERE-SE À OBRA “O ALIENISTA”, DE MACHADO DE ASSIS.

    A loucura, objeto dos meus estudos, era até agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a
    suspeitar que é um continente. (capítulo IV)
    Ao definir o campo de seu objeto de estudos, o alienista recorre à figura de linguagem
    denominada:
  • 📖 Texto associado
                                                               O DNA do racismo
    Proponho ao leitor um simples experimento. Dirija-se a um local bastante movimentado e observe
    cuidadosamente as pessoas ao redor. Deverá logo saltar aos olhos que somos todos muito
    parecidos e, ao mesmo tempo, muito diferentes.
    Realmente, podemos ver grandes similaridades no plano corporal, na postura ereta, na pele fina
    e na falta relativa de pelos, características da espécie humana que nos distinguem dos outros
    primatas. Por outro lado, serão evidentes as extraordinárias variações morfológicas entre as
    diferentes pessoas: sexo, idade, altura, peso, massa muscular, cor e textura dos cabelos, cor
    e formato dos olhos, cor da pele etc. A priori, não existe absolutamente nenhuma razão para
    valorizar mais uma ou outra dessas características no exercício de investigação.
    Nem todos esses traços têm a mesma relevância. Há características que podem nos fornecer
    informações sobre a origem geográfica ancestral das pessoas: uma pele negra pode nos levar a
    inferir que a pessoa tem ancestrais africanos, olhos puxados evocam ancestralidade oriental
    etc. E isso é tudo: não há absolutamente mais nada que possamos captar à flor da pele. Pense
    bem. O que têm a pigmentação da pele, o formato e a cor dos olhos ou a textura do cabelo a ver
    com as qualidades humanas singulares que definam uma individualidade existencial?
    Em nítido contraste com as conclusões do experimento de observação empírica acima, está
    a rigidez da classificação da humanidade feita pelo naturalista sueco Carl Linnaeus, em 1767.
    Ele apresentou, pela primeira vez na esfera científica, uma categorização da espécie humana,
    distinguindo quatro raças principais e qualificando-as de acordo com o que ele considerava suas
    características principais:
    • Homo sapiens europaeus: branco, sério, forte;
    • Homo sapiens asiaticus: amarelo, melancólico, avaro;
    • Homo sapiens afer: negro, impassível, preguiçoso;
    • Homo sapiens americanus: vermelho, mal-humorado, violento.
    Observe o leitor que as raças de Linnaeus continham traços peculiares fixos,
    ou seja, havia a expectativa de todos os europeus serem “brancos, sérios
    e fortes”. Assim, teríamos de esperar que as pessoas negras ao redor de
    nós tivessem tendências “impassíveis e preguiçosas”, e que as de olhos
    puxados fossem predispostas a “melancolia e avareza”.
    Esse é um exemplo do absurdo da perspectiva essencialista ou tipológica de raças humanas.
    Nesse paradigma, o indivíduo não pode simplesmente ter a pele mais ou menos pigmentada,
    ou o cabelo mais ou menos crespo – ele tem de ser definido como “negro” ou “branco”, rótulo
    determinante de sua identidade.
    Esse tipo de associação fixa de características físicas e psicológicas, que incrivelmente ainda persiste
    na atualidade, não faz absolutamente nenhum sentido do ponto de vista genético e biológico! O
    genoma humano tem cerca de 20 mil genes e sabemos que poucas dúzias deles controlam a
    pigmentação da pele e a aparência física dos humanos. Está 100% estabelecido que esses genes
    não têm nenhuma influência sobre qualquer traço comportamental ou intelectual.
                                                                                                                                  SÉRGIO DANILO PENA
                                                                                           Adaptado de cienciahoje.org.br, 11/07/2008.
    O terceiro parágrafo contém uma conclusão acerca dos resultados do experimento descrito nos dois parágrafos
    anteriores.
    Essa conclusão se baseia no seguinte posicionamento do autor:
  • 📖 Texto associado
    Física para poetas
    O ensino da física sempre foi um grande desafio. Nos últimos anos, muitos esforços foram feitos
    com o objetivo de ensiná-la desde as séries iniciais do ensino fundamental, no contexto do ensino
    de ciências. Porém, como disciplina regular, a física aparece no ensino médio, quando se torna
    “um terror” para muitos estudantes.
    Várias pesquisas vêm tentando identificar quais são as principais dificuldades do ensino de física
    e das ciências em geral. Em particular, a queixa que sempre se detecta é que os estudantes não
    conseguem compreender a linguagem matemática na qual, muitas vezes, os conceitos físicos são
    expressos. Outro ponto importante é que as questões que envolvem a física são apresentadas
    fora de uma contextualização do cotidiano das pessoas, o que dificulta seu aprendizado. Por
    fim, existe uma enorme carência de professores formados em física para ministrar as aulas da
    disciplina.
    As pessoas que vão para o ensino superior e que não são da área de ciências exatas praticamente
    nunca mais têm contato com a física, da mesma maneira que os estudantes de física, engenharia
    e química poucas vezes voltam a ter contato com a literatura, a história e a sociologia. É triste
    notar que a especialização na formação dos indivíduos costuma deixá-los distantes de partes
    importantes da nossa cultura, da qual as ciências físicas e as humanidades fazem parte.
    Mas vamos pensar em soluções. Há alguns anos, ofereço um curso chamado “Física para poetas”.
    A ideia não é original – ao contrário, é muito utilizada em diversos países e aqui mesmo no Brasil.
    Seu objetivo é apresentar a física sem o uso da linguagem matemática e tentar mostrá-la próxima
    ao cotidiano das pessoas. Procuro destacar a beleza dessa ciência, associando-a, por exemplo, à
    poesia e à música.
    Alguns dos temas que trabalho em “Física para poetas” são inspirados nos artigos que publico.
    Por exemplo, “A busca pela compreensão cósmica” é uma das aulas, na qual apresento a evolução
    dos modelos que temos do universo. Começando pelas visões místicas e mitológicas e chegando
    até as modernas teorias cosmológicas, falo sobre a busca por responder a questões sobre a
    origem do universo e, consequentemente, a nossa origem, para compreendermos o nosso lugar
    no mundo e na história.
    Na aula “Memórias de um carbono”, faço uma narrativa de um átomo de carbono contando
    sua história, em primeira pessoa, desde seu nascimento, em uma distante estrela que morreu há
    bilhões de anos, até o momento em que sai pelo nariz de uma pessoa respirando. Temas como
    astronomia, biologia, evolução e química surgem ao longo dessa aula, bem como as músicas
    “Átimo de pó” e “Estrela”, de Gilberto Gil, além da poesia “Psicologia de um vencido”, de Álvares
    de Azevedo.
    Em “O tempo em nossas vidas”, apresento esse fascinante conceito que, na verdade, vai muito
    além da física: está presente em áreas como a filosofia, a biologia e a psicologia. Algumas músicas
    de Chico Buarque e Caetano Veloso, além de poesias de Vinicius de Moraes e Carlos Drummond
    de Andrade, ajudaram nessa abordagem. Não faltou também “Tempo Rei”, de Gil.
    A arte é uma forma importante do conhecimento humano. Se músicas e poesias inspiram as
    mentes e os corações, podemos mostrar que a ciência, em particular a física, também é algo
    inspirador e belo, capaz de criar certa poesia e encantar não somente aos físicos, mas a todos os
    poetas da natureza.
                                                                                                                                      ADILSON DE OLIVEIRA
                                                                                                Adaptado de cienciahoje.org.br, 08/08/2016.


    Por exemplo, “A busca pela compreensão cósmica” é uma das aulas, na qual apresento a evolução
    dos modelos que temos do universo. (?. 23-24)
    No trecho, a forma verbal sublinhada expressa uma ação que se caracteriza como:
  • 📖 Texto associado
    Violência e psiquiatria
    O tipo de violência que aqui considerarei pouco tem a ver com pessoas que utilizam martelos para
    golpear a cabeça de outras, nem se aproximará muito do que se supõe façam os doentes mentais.
    Se se quer falar de violência em psiquiatria, a violência que brada, que se proclama em tão alta
    voz que raramente é ouvida, é a sutil, tortuosa violência perpetrada pelos outros, pelos “sadios”,
    contra os rotulados de “loucos”. Na medida em que a psiquiatria representa os interesses ou
    pretensos interesses dos sadios, podemos descobrir que, de fato, a violência em psiquiatria é
    sobretudo a violência da psiquiatria.
    Quem são porém as pessoas sadias? Como se definem a si próprias? As definições de saúde mental
    propostas pelos especialistas ou estabelecem a necessidade do conformismo a um conjunto de
    normas sociais arbitrariamente pressupostas, ou são tão convenientemente gerais – como, por
    exemplo, “a capacidade de tolerar conflitos” – que deixam de fazer sentido. Fica-se com a
    lamentável reflexão de que os sadios serão, talvez, todos aqueles que não seriam admitidos na
    enfermaria de observação psiquiátrica. Ou seja, eles se definem pela ausência de certa experiência.
    Sabe-se, porém, que os nazistas asfixiaram com gás dezenas de milhares de doentes mentais,
    assim como dezenas de milhares de outros tiveram seus cérebros mutilados ou danificados
    por sucessivas séries de choques elétricos: suas personalidades foram deformadas, de modo
    sistemático, pela institucionalização psiquiátrica. Como podem fatos tão concretos emergir na
    base de uma ausência, de uma negatividade – a compulsiva não loucura dos sadios? De fato,
    toda a área de definição de sanidade mental e loucura é tão confusa, e os que se arriscam
    dentro dela são tão aterrorizados pela ideia do que possam encontrar, não só nos “outros”
    como também em si mesmos, que se deve considerar seriamente a renúncia ao projeto.
                                                                                                                                       DAVID COOPER
                                      Adaptado de Psiquiatria e antipsiquiatria. São Paulo: Perspectiva, 1967.

    O ensaio do médico David Cooper, publicado em 1967, e “O alienista”, de 1882, questionam a psiquiatria com
    argumentos semelhantes, embora com tipos de textos distintos.
    Esses textos possuem os seguintes traços que os distinguem, respectivamente:
  • 📖 Texto associado
    Violência e psiquiatria
    O tipo de violência que aqui considerarei pouco tem a ver com pessoas que utilizam martelos para
    golpear a cabeça de outras, nem se aproximará muito do que se supõe façam os doentes mentais.
    Se se quer falar de violência em psiquiatria, a violência que brada, que se proclama em tão alta
    voz que raramente é ouvida, é a sutil, tortuosa violência perpetrada pelos outros, pelos “sadios”,
    contra os rotulados de “loucos”. Na medida em que a psiquiatria representa os interesses ou
    pretensos interesses dos sadios, podemos descobrir que, de fato, a violência em psiquiatria é
    sobretudo a violência da psiquiatria.
    Quem são porém as pessoas sadias? Como se definem a si próprias? As definições de saúde mental
    propostas pelos especialistas ou estabelecem a necessidade do conformismo a um conjunto de
    normas sociais arbitrariamente pressupostas, ou são tão convenientemente gerais – como, por
    exemplo, “a capacidade de tolerar conflitos” – que deixam de fazer sentido. Fica-se com a
    lamentável reflexão de que os sadios serão, talvez, todos aqueles que não seriam admitidos na
    enfermaria de observação psiquiátrica. Ou seja, eles se definem pela ausência de certa experiência.
    Sabe-se, porém, que os nazistas asfixiaram com gás dezenas de milhares de doentes mentais,
    assim como dezenas de milhares de outros tiveram seus cérebros mutilados ou danificados
    por sucessivas séries de choques elétricos: suas personalidades foram deformadas, de modo
    sistemático, pela institucionalização psiquiátrica. Como podem fatos tão concretos emergir na
    base de uma ausência, de uma negatividade – a compulsiva não loucura dos sadios? De fato,
    toda a área de definição de sanidade mental e loucura é tão confusa, e os que se arriscam
    dentro dela são tão aterrorizados pela ideia do que possam encontrar, não só nos “outros”
    como também em si mesmos, que se deve considerar seriamente a renúncia ao projeto.
                                                                                                                                       DAVID COOPER
                                      Adaptado de Psiquiatria e antipsiquiatria. São Paulo: Perspectiva, 1967.

    David Cooper dirige uma crítica à psiquiatria quando esta define saúde como ausência de doença e, desse modo,
    acaba por não definir adequadamente a própria doença mental.
    Essa forma de definição incorre em um sofisma conhecido como:
  • 📖 Texto associado
    Violência e psiquiatria
    O tipo de violência que aqui considerarei pouco tem a ver com pessoas que utilizam martelos para
    golpear a cabeça de outras, nem se aproximará muito do que se supõe façam os doentes mentais.
    Se se quer falar de violência em psiquiatria, a violência que brada, que se proclama em tão alta
    voz que raramente é ouvida, é a sutil, tortuosa violência perpetrada pelos outros, pelos “sadios”,
    contra os rotulados de “loucos”. Na medida em que a psiquiatria representa os interesses ou
    pretensos interesses dos sadios, podemos descobrir que, de fato, a violência em psiquiatria é
    sobretudo a violência da psiquiatria.
    Quem são porém as pessoas sadias? Como se definem a si próprias? As definições de saúde mental
    propostas pelos especialistas ou estabelecem a necessidade do conformismo a um conjunto de
    normas sociais arbitrariamente pressupostas, ou são tão convenientemente gerais – como, por
    exemplo, “a capacidade de tolerar conflitos” – que deixam de fazer sentido. Fica-se com a
    lamentável reflexão de que os sadios serão, talvez, todos aqueles que não seriam admitidos na
    enfermaria de observação psiquiátrica. Ou seja, eles se definem pela ausência de certa experiência.
    Sabe-se, porém, que os nazistas asfixiaram com gás dezenas de milhares de doentes mentais,
    assim como dezenas de milhares de outros tiveram seus cérebros mutilados ou danificados
    por sucessivas séries de choques elétricos: suas personalidades foram deformadas, de modo
    sistemático, pela institucionalização psiquiátrica. Como podem fatos tão concretos emergir na
    base de uma ausência, de uma negatividade – a compulsiva não loucura dos sadios? De fato,
    toda a área de definição de sanidade mental e loucura é tão confusa, e os que se arriscam
    dentro dela são tão aterrorizados pela ideia do que possam encontrar, não só nos “outros”
    como também em si mesmos, que se deve considerar seriamente a renúncia ao projeto.
                                                                                                                                       DAVID COOPER
                                      Adaptado de Psiquiatria e antipsiquiatria. São Paulo: Perspectiva, 1967.

    A QUESTÃO REFERE-SE À OBRA “O ALIENISTA”, DE MACHADO DE ASSIS.

    Ao final do texto “Violência e psiquiatria” (?. 19-21), David Cooper introduz um comentário a respeito da fronteira
    entre sanidade e loucura.
    Esse comentário dialoga com questão fundamental de “O alienista”, apresentada no seguinte trecho:
  • 📖 Texto associado
           O DNA do racismo
    Proponho ao leitor um simples experimento. Dirija-se a um local bastante movimentado e observe
    cuidadosamente as pessoas ao redor. Deverá logo saltar aos olhos que somos todos muito
    parecidos e, ao mesmo tempo, muito diferentes.
    Realmente, podemos ver grandes similaridades no plano corporal, na postura ereta, na pele fina
    e na falta relativa de pelos, características da espécie humana que nos distinguem dos outros
    primatas. Por outro lado, serão evidentes as extraordinárias variações morfológicas entre as
    diferentes pessoas: sexo, idade, altura, peso, massa muscular, cor e textura dos cabelos, cor
    e formato dos olhos, cor da pele etc. A priori, não existe absolutamente nenhuma razão para
    valorizar mais uma ou outra dessas características no exercício de investigação.
    Nem todos esses traços têm a mesma relevância. Há características que podem nos fornecer
    informações sobre a origem geográfica ancestral das pessoas: uma pele negra pode nos levar a
    inferir que a pessoa tem ancestrais africanos, olhos puxados evocam ancestralidade oriental
    etc. E isso é tudo: não há absolutamente mais nada que possamos captar à flor da pele. Pense
    bem. O que têm a pigmentação da pele, o formato e a cor dos olhos ou a textura do cabelo a ver
    com as qualidades humanas singulares que definam uma individualidade existencial?
    Em nítido contraste com as conclusões do experimento de observação empírica acima, está
    a rigidez da classificação da humanidade feita pelo naturalista sueco Carl Linnaeus, em 1767.
    Ele apresentou, pela primeira vez na esfera científica, uma categorização da espécie humana,
    distinguindo quatro raças principais e qualificando-as de acordo com o que ele considerava suas
    características principais:
    • Homo sapiens europaeus: branco, sério, forte;
    • Homo sapiens asiaticus: amarelo, melancólico, avaro;
    • Homo sapiens afer: negro, impassível, preguiçoso;
    • Homo sapiens americanus: vermelho, mal-humorado, violento.
    Observe o leitor que as raças de Linnaeus continham traços peculiares fixos,
    ou seja, havia a expectativa de todos os europeus serem “brancos, sérios
    e fortes”. Assim, teríamos de esperar que as pessoas negras ao redor de
    nós tivessem tendências “impassíveis e preguiçosas”, e que as de olhos
    puxados fossem predispostas a “melancolia e avareza”.
    Esse é um exemplo do absurdo da perspectiva essencialista ou tipológica de raças humanas.
    Nesse paradigma, o indivíduo não pode simplesmente ter a pele mais ou menos pigmentada,
    ou o cabelo mais ou menos crespo – ele tem de ser definido como “negro” ou “branco”, rótulo
    determinante de sua identidade.
    Esse tipo de associação fixa de características físicas e psicológicas, que incrivelmente ainda persiste
    na atualidade, não faz absolutamente nenhum sentido do ponto de vista genético e biológico! O
    genoma humano tem cerca de 20 mil genes e sabemos que poucas dúzias deles controlam a
    pigmentação da pele e a aparência física dos humanos. Está 100% estabelecido que esses genes
    não têm nenhuma influência sobre qualquer traço comportamental ou intelectual.
                                                                                                                                  SÉRGIO DANILO PENA
                                                                                           Adaptado de cienciahoje.org.br, 11/07/2008.
    No último parágrafo, o autor expressa uma crítica à teoria de Linnaeus, por reconhecer na classificação que este
    propôs o seguinte problema:
  • 📖 Texto associado
    Física para poetas
    O ensino da física sempre foi um grande desafio. Nos últimos anos, muitos esforços foram feitos
    com o objetivo de ensiná-la desde as séries iniciais do ensino fundamental, no contexto do ensino
    de ciências. Porém, como disciplina regular, a física aparece no ensino médio, quando se torna
    “um terror” para muitos estudantes.
    Várias pesquisas vêm tentando identificar quais são as principais dificuldades do ensino de física
    e das ciências em geral. Em particular, a queixa que sempre se detecta é que os estudantes não
    conseguem compreender a linguagem matemática na qual, muitas vezes, os conceitos físicos são
    expressos. Outro ponto importante é que as questões que envolvem a física são apresentadas
    fora de uma contextualização do cotidiano das pessoas, o que dificulta seu aprendizado. Por
    fim, existe uma enorme carência de professores formados em física para ministrar as aulas da
    disciplina.
    As pessoas que vão para o ensino superior e que não são da área de ciências exatas praticamente
    nunca mais têm contato com a física, da mesma maneira que os estudantes de física, engenharia
    e química poucas vezes voltam a ter contato com a literatura, a história e a sociologia. É triste
    notar que a especialização na formação dos indivíduos costuma deixá-los distantes de partes
    importantes da nossa cultura, da qual as ciências físicas e as humanidades fazem parte.
    Mas vamos pensar em soluções. Há alguns anos, ofereço um curso chamado “Física para poetas”.
    A ideia não é original – ao contrário, é muito utilizada em diversos países e aqui mesmo no Brasil.
    Seu objetivo é apresentar a física sem o uso da linguagem matemática e tentar mostrá-la próxima
    ao cotidiano das pessoas. Procuro destacar a beleza dessa ciência, associando-a, por exemplo, à
    poesia e à música.
    Alguns dos temas que trabalho em “Física para poetas” são inspirados nos artigos que publico.
    Por exemplo, “A busca pela compreensão cósmica” é uma das aulas, na qual apresento a evolução
    dos modelos que temos do universo. Começando pelas visões místicas e mitológicas e chegando
    até as modernas teorias cosmológicas, falo sobre a busca por responder a questões sobre a
    origem do universo e, consequentemente, a nossa origem, para compreendermos o nosso lugar
    no mundo e na história.
    Na aula “Memórias de um carbono”, faço uma narrativa de um átomo de carbono contando
    sua história, em primeira pessoa, desde seu nascimento, em uma distante estrela que morreu há
    bilhões de anos, até o momento em que sai pelo nariz de uma pessoa respirando. Temas como
    astronomia, biologia, evolução e química surgem ao longo dessa aula, bem como as músicas
    “Átimo de pó” e “Estrela”, de Gilberto Gil, além da poesia “Psicologia de um vencido”, de Álvares
    de Azevedo.
    Em “O tempo em nossas vidas”, apresento esse fascinante conceito que, na verdade, vai muito
    além da física: está presente em áreas como a filosofia, a biologia e a psicologia. Algumas músicas
    de Chico Buarque e Caetano Veloso, além de poesias de Vinicius de Moraes e Carlos Drummond
    de Andrade, ajudaram nessa abordagem. Não faltou também “Tempo Rei”, de Gil.
    A arte é uma forma importante do conhecimento humano. Se músicas e poesias inspiram as
    mentes e os corações, podemos mostrar que a ciência, em particular a física, também é algo
    inspirador e belo, capaz de criar certa poesia e encantar não somente aos físicos, mas a todos os
    poetas da natureza.
                                                                                                                                      ADILSON DE OLIVEIRA
                                                                                                Adaptado de cienciahoje.org.br, 08/08/2016.




                       Tempo Rei
    Não me iludo
    Tudo permanecerá do jeito
    Que tem sido
    Transcorrendo, transformando
    Tempo e espaço navegando todos os sentidos
    (...)
    Tempo Rei, ó Tempo Rei, ó Tempo Rei
    Transformai as velhas formas do viver
    Ensinai-me, ó Pai, o que eu ainda não sei
    Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei
    Pensamento, mesmo fundamento singular
    Do ser humano, de um momento para o outro
    Poderá não mais fundar nem gregos nem baianos
    Mães zelosas, pais corujas
    Vejam como as águas de repente ficam sujas
    Não se iludam, não me iludo
    Tudo agora mesmo pode estar por um segundo
    Tempo Rei, ó Tempo Rei, ó Tempo Rei
    (...)
                                                                    GILBERTO GIL
                                                                      letras.com.br
    O tempo, além de relacionado aos fenômenos naturais, é também condicionador das vidas
    humanas.
    Na letra da canção de Gilberto Gil, a dimensão do tempo histórico destacada é denominada:
  • 📖 Texto associado
    Violência e psiquiatria
    O tipo de violência que aqui considerarei pouco tem a ver com pessoas que utilizam martelos para
    golpear a cabeça de outras, nem se aproximará muito do que se supõe façam os doentes mentais.
    Se se quer falar de violência em psiquiatria, a violência que brada, que se proclama em tão alta
    voz que raramente é ouvida, é a sutil, tortuosa violência perpetrada pelos outros, pelos “sadios”,
    contra os rotulados de “loucos”. Na medida em que a psiquiatria representa os interesses ou
    pretensos interesses dos sadios, podemos descobrir que, de fato, a violência em psiquiatria é
    sobretudo a violência da psiquiatria.
    Quem são porém as pessoas sadias? Como se definem a si próprias? As definições de saúde mental
    propostas pelos especialistas ou estabelecem a necessidade do conformismo a um conjunto de
    normas sociais arbitrariamente pressupostas, ou são tão convenientemente gerais – como, por
    exemplo, “a capacidade de tolerar conflitos” – que deixam de fazer sentido. Fica-se com a
    lamentável reflexão de que os sadios serão, talvez, todos aqueles que não seriam admitidos na
    enfermaria de observação psiquiátrica. Ou seja, eles se definem pela ausência de certa experiência.
    Sabe-se, porém, que os nazistas asfixiaram com gás dezenas de milhares de doentes mentais,
    assim como dezenas de milhares de outros tiveram seus cérebros mutilados ou danificados
    por sucessivas séries de choques elétricos: suas personalidades foram deformadas, de modo
    sistemático, pela institucionalização psiquiátrica. Como podem fatos tão concretos emergir na
    base de uma ausência, de uma negatividade – a compulsiva não loucura dos sadios? De fato,
    toda a área de definição de sanidade mental e loucura é tão confusa, e os que se arriscam
    dentro dela são tão aterrorizados pela ideia do que possam encontrar, não só nos “outros”
    como também em si mesmos, que se deve considerar seriamente a renúncia ao projeto.
                                                                                                                                       DAVID COOPER
                                      Adaptado de Psiquiatria e antipsiquiatria. São Paulo: Perspectiva, 1967.
    Além de se opor ao cientificismo dogmático do século XIX, “O alienista” também põe em xeque
    práticas de outros grupos da sociedade da época.
    A narração da revolta dos Canjicas e da postura de seu líder, o barbeiro Porfírio, tem como alvo
    o grupo dos:
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