Interpretação de Textos - Português - Exercícios com Gabarito - ii

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    Texto para os itens de 1 a 8

    Como não usar o telefone celular

    1 É fácil ironizar os possuidores de telefones celulares.
    Mas é necessário descobrir a qual das cinco categorias eles
    pertencem. Primeiro, vêm as pessoas fisicamente incapacitadas,
    4 ainda que sua deficiência não seja visível, obrigadas a um
    contato constante com o médico ou com o pronto-socorro.
    Depois, vêm aqueles que, devido a graves deveres profissionais,
    7 são obrigados a correr em qualquer emergência (capitães do
    corpo de bombeiros, médicos, transplantadores de órgãos). Em
    terceiro lugar, vêm os adúlteros. Só agora eles têm a
    10 possibilidade de receber ligações de seu parceiro secreto sem
    que membros da família, secretárias ou colegas malintencionados
    possam interceptar o telefonema.
    13 Todas as três categorias enumeradas até agora
    merecem o nosso respeito: no caso das duas primeiras, não nos
    importamos de ser perturbados em restaurantes ou durante uma
    16cerimônia fúnebre, e os adúlteros tendem a ser muito discretos.
    Seguem-se duas outras categorias que, ao contrário,
    representam um risco. A primeira é composta de pessoas
    19 incapazes de ir a qualquer lugar se não tiverem a possibilidade
    de conversar fiado acerca de frivolidades com amigos e
    parentes de que acabaram de se separar. Elas nos incomodam,
    22 mas precisamos compreender sua terrível aridez interior,
    agradecer por não estarmos em sua pele e, finalmente, perdoar.
    A última categoria é composta de pessoas preocupadas
    25 em mostrar em público o quanto são solicitadas, especialmente
    para complexas consultas a respeito dos negócios: as conversas
    que somos obrigados a escutar em aeroportos ou restaurantes
    28 tratam de transações monetárias, atrasos na entrega de perfis
    metálicos e outras coisas que, no entendimento de quem fala,
    dão a impressão de que se trata de um verdadeiro Rockfeller.
    31 O que eles não sabem é que Rockfeller não precisa de
    telefonecelular, porque conta com um plantel de secretários tão
    vasto e eficiente que, no máximo, se seu avô estiver morrendo,
    34 por exemplo, alguém chega e lhe sussurra alguma coisa no
    ouvido. O homem poderoso é justamente aquele que não é
    obrigado a atender todas as ligações, muito pelo contrário:
    37 nunca está para ninguém, como se diz.
    Portanto, todo aquele que ostenta o celular como
    símbolo de poder, na verdade, está declarando de público sua
    40 condição irreparável de subordinado, obrigado que é a pôr-se
    em posição de sentido, mesmo quando está empenhado em um
    abraço, a qualquer momento em que o chefe o chamar.

    Umberto Eco. O segundo diário mínimo. Sergio Flaksman (Trad.).
    Rio de Janeiro: Record, 1993, p. 194-6 (com adaptações).

    Com base nas idéias e estruturas do texto de Umberto Eco, julgue os itens a seguir.

    No segundo parágrafo, está implícita a idéia de que é possível que os usuários pertencentes às cinco categorias utilizem o telefone celular em restaurantes e em cerimônias fúnebres.
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    Texto para os itens de 1 a 8

    Como não usar o telefone celular

    1 É fácil ironizar os possuidores de telefones celulares.
    Mas é necessário descobrir a qual das cinco categorias eles
    pertencem. Primeiro, vêm as pessoas fisicamente incapacitadas,
    4 ainda que sua deficiência não seja visível, obrigadas a um
    contato constante com o médico ou com o pronto-socorro.
    Depois, vêm aqueles que, devido a graves deveres profissionais,
    7 são obrigados a correr em qualquer emergência (capitães do
    corpo de bombeiros, médicos, transplantadores de órgãos). Em
    terceiro lugar, vêm os adúlteros. Só agora eles têm a
    10 possibilidade de receber ligações de seu parceiro secreto sem
    que membros da família, secretárias ou colegas malintencionados
    possam interceptar o telefonema.
    13 Todas as três categorias enumeradas até agora
    merecem o nosso respeito: no caso das duas primeiras, não nos
    importamos de ser perturbados em restaurantes ou durante uma
    16cerimônia fúnebre, e os adúlteros tendem a ser muito discretos.
    Seguem-se duas outras categorias que, ao contrário,
    representam um risco. A primeira é composta de pessoas
    19 incapazes de ir a qualquer lugar se não tiverem a possibilidade
    de conversar fiado acerca de frivolidades com amigos e
    parentes de que acabaram de se separar. Elas nos incomodam,
    22 mas precisamos compreender sua terrível aridez interior,
    agradecer por não estarmos em sua pele e, finalmente, perdoar.
    A última categoria é composta de pessoas preocupadas
    25 em mostrar em público o quanto são solicitadas, especialmente
    para complexas consultas a respeito dos negócios: as conversas
    que somos obrigados a escutar em aeroportos ou restaurantes
    28 tratam de transações monetárias, atrasos na entrega de perfis
    metálicos e outras coisas que, no entendimento de quem fala,
    dão a impressão de que se trata de um verdadeiro Rockfeller.
    31 O que eles não sabem é que Rockfeller não precisa de
    telefonecelular, porque conta com um plantel de secretários tão
    vasto e eficiente que, no máximo, se seu avô estiver morrendo,
    34 por exemplo, alguém chega e lhe sussurra alguma coisa no
    ouvido. O homem poderoso é justamente aquele que não é
    obrigado a atender todas as ligações, muito pelo contrário:
    37 nunca está para ninguém, como se diz.
    Portanto, todo aquele que ostenta o celular como
    símbolo de poder, na verdade, está declarando de público sua
    40 condição irreparável de subordinado, obrigado que é a pôr-se
    em posição de sentido, mesmo quando está empenhado em um
    abraço, a qualquer momento em que o chefe o chamar.

    Umberto Eco. O segundo diário mínimo. Sergio Flaksman (Trad.).
    Rio de Janeiro: Record, 1993, p. 194-6 (com adaptações).

    Com base nas idéias e estruturas do texto de Umberto Eco, julgue os itens a seguir.

    O segmento "não nos importamos de ser perturbados" (l.14-15) tem sentido correspondente ao das seguintes estruturas: não nos importamos de sermos perturbados e não importa que nos perturbem.

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    Texto para os itens de 9 a 15

    1 Foi "entrevistado" aquele que é apontado pelas
    autoridades como o principal responsável pelos ataques do
    PCC. O Celular "falou" ao repórter com o compromisso de não
    4 ter sua identidade e sua marca reveladas.
    O senhor admite ter desempenhado um papel
    fundamental na organização dos ataques do PCC?
    Não se
    7 pode dispensar todo o barril por causa de algumas maçãs
    podres. Eu ajudo mais de 90 milhões de brasileiros a se
    comunicarem diariamente. Sou um aparelho democrático.
    10 É possível ou não bloquear os seus serviços?
    Eu sempre me esforço para ser o melhor naquilo que faço. Esta
    é a minha receita de sucesso. Para bloquear, é preciso
    13 acompanhar o meu ritmo de avanço tecnológico. Alguns
    bloqueadores instalados já estavam obsoletos quando foram
    instalados.
    16 Afinal, existe alguma forma de bloquear o seu
    sinal?
    Tem uma tal de gaiola de Faraday. Apesar de o nome
    parecercomplicado, é bem simples. Basta instalar uma tela de
    19 metal em volta das celas ou dos presídios. A gaiola de metal
    impede que minhas ondas eletromagnéticas entrem ou saiam.
    Aí, não tem comunicação.

    Veja, 31/5/2006 (com adaptações).

    Com base no texto acima, julgue os próximos itens.

    Mantém o sentido original da informação e a correção gramatical do primeiro parágrafo a seguinte opção de estrutura do período: Com o compromisso de não ter revelada sua identidade e sua marca, o repórter entrevistou o Celular que as autoridades apontam como principal responsável dos ataques do PCC.

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    Texto para os itens de 1 a 8

    Como não usar o telefone celular

    1 É fácil ironizar os possuidores de telefones celulares.
    Mas é necessário descobrir a qual das cinco categorias eles
    pertencem. Primeiro, vêm as pessoas fisicamente incapacitadas,
    4 ainda que sua deficiência não seja visível, obrigadas a um
    contato constante com o médico ou com o pronto-socorro.
    Depois, vêm aqueles que, devido a graves deveres profissionais,
    7 são obrigados a correr em qualquer emergência (capitães do
    corpo de bombeiros, médicos, transplantadores de órgãos). Em
    terceiro lugar, vêm os adúlteros. Só agora eles têm a
    10 possibilidade de receber ligações de seu parceiro secreto sem
    que membros da família, secretárias ou colegas malintencionados
    possam interceptar o telefonema.
    13 Todas as três categorias enumeradas até agora
    merecem o nosso respeito: no caso das duas primeiras, não nos
    importamos de ser perturbados em restaurantes ou durante uma
    16cerimônia fúnebre, e os adúlteros tendem a ser muito discretos.
    Seguem-se duas outras categorias que, ao contrário,
    representam um risco. A primeira é composta de pessoas
    19 incapazes de ir a qualquer lugar se não tiverem a possibilidade
    de conversar fiado acerca de frivolidades com amigos e
    parentes de que acabaram de se separar. Elas nos incomodam,
    22 mas precisamos compreender sua terrível aridez interior,
    agradecer por não estarmos em sua pele e, finalmente, perdoar.
    A última categoria é composta de pessoas preocupadas
    25 em mostrar em público o quanto são solicitadas, especialmente
    para complexas consultas a respeito dos negócios: as conversas
    que somos obrigados a escutar em aeroportos ou restaurantes
    28 tratam de transações monetárias, atrasos na entrega de perfis
    metálicos e outras coisas que, no entendimento de quem fala,
    dão a impressão de que se trata de um verdadeiro Rockfeller.
    31 O que eles não sabem é que Rockfeller não precisa de
    telefonecelular, porque conta com um plantel de secretários tão
    vasto e eficiente que, no máximo, se seu avô estiver morrendo,
    34 por exemplo, alguém chega e lhe sussurra alguma coisa no
    ouvido. O homem poderoso é justamente aquele que não é
    obrigado a atender todas as ligações, muito pelo contrário:
    37 nunca está para ninguém, como se diz.
    Portanto, todo aquele que ostenta o celular como
    símbolo de poder, na verdade, está declarando de público sua
    40 condição irreparável de subordinado, obrigado que é a pôr-se
    em posição de sentido, mesmo quando está empenhado em um
    abraço, a qualquer momento em que o chefe o chamar.

    Umberto Eco. O segundo diário mínimo. Sergio Flaksman (Trad.).
    Rio de Janeiro: Record, 1993, p. 194-6 (com adaptações).

    Com base nas idéias e estruturas do texto de Umberto Eco, julgue os itens a seguir.

    O segundo período do texto estaria de acordo com a norma gramatical caso fosse escrito da seguinte forma: É necessária, porém, a identificação da categoria à qual eles pertencem.
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    Texto para os itens de 9 a 15

    1 Foi "entrevistado" aquele que é apontado pelas
    autoridades como o principal responsável pelos ataques do
    PCC. O Celular "falou" ao repórter com o compromisso de não
    4 ter sua identidade e sua marca reveladas.
    O senhor admite ter desempenhado um papel
    fundamental na organização dos ataques do PCC?
    Não se
    7 pode dispensar todo o barril por causa de algumas maçãs
    podres. Eu ajudo mais de 90 milhões de brasileiros a se
    comunicarem diariamente. Sou um aparelho democrático.
    10 É possível ou não bloquear os seus serviços?
    Eu sempre me esforço para ser o melhor naquilo que faço. Esta
    é a minha receita de sucesso. Para bloquear, é preciso
    13 acompanhar o meu ritmo de avanço tecnológico. Alguns
    bloqueadores instalados já estavam obsoletos quando foram
    instalados.
    16 Afinal, existe alguma forma de bloquear o seu
    sinal?
    Tem uma tal de gaiola de Faraday. Apesar de o nome
    parecercomplicado, é bem simples. Basta instalar uma tela de
    19 metal em volta das celas ou dos presídios. A gaiola de metal
    impede que minhas ondas eletromagnéticas entrem ou saiam.
    Aí, não tem comunicação.

    Veja, 31/5/2006 (com adaptações).

    Com base no texto acima, julgue os próximos itens.

    A substituição do período "Apesar de o nome parecer complicado, é bem simples" (l.17-18) por O nome, ainda que pareça complicado, é bem simples atende à norma gramatical, mas contraria o sentido do texto.

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    Como não usar o telefone celular

    1 É fácil ironizar os possuidores de telefones celulares.
    Mas é necessário descobrir a qual das cinco categorias eles
    pertencem. Primeiro, vêm as pessoas fisicamente incapacitadas,
    4 ainda que sua deficiência não seja visível, obrigadas a um
    contato constante com o médico ou com o pronto-socorro.
    Depois, vêm aqueles que, devido a graves deveres profissionais,
    7 são obrigados a correr em qualquer emergência (capitães do
    corpo de bombeiros, médicos, transplantadores de órgãos). Em
    terceiro lugar, vêm os adúlteros. Só agora eles têm a
    10 possibilidade de receber ligações de seu parceiro secreto sem
    que membros da família, secretárias ou colegas malintencionados
    possam interceptar o telefonema.
    13 Todas as três categorias enumeradas até agora
    merecem o nosso respeito: no caso das duas primeiras, não nos
    importamos de ser perturbados em restaurantes ou durante uma
    16cerimônia fúnebre, e os adúlteros tendem a ser muito discretos.
    Seguem-se duas outras categorias que, ao contrário,
    representam um risco. A primeira é composta de pessoas
    19 incapazes de ir a qualquer lugar se não tiverem a possibilidade
    de conversar fiado acerca de frivolidades com amigos e
    parentes de que acabaram de se separar. Elas nos incomodam,
    22 mas precisamos compreender sua terrível aridez interior,
    agradecer por não estarmos em sua pele e, finalmente, perdoar.
    A última categoria é composta de pessoas preocupadas
    25 em mostrar em público o quanto são solicitadas, especialmente
    para complexas consultas a respeito dos negócios: as conversas
    que somos obrigados a escutar em aeroportos ou restaurantes
    28 tratam de transações monetárias, atrasos na entrega de perfis
    metálicos e outras coisas que, no entendimento de quem fala,
    dão a impressão de que se trata de um verdadeiro Rockfeller.
    31 O que eles não sabem é que Rockfeller não precisa de
    telefonecelular, porque conta com um plantel de secretários tão
    vasto e eficiente que, no máximo, se seu avô estiver morrendo,
    34 por exemplo, alguém chega e lhe sussurra alguma coisa no
    ouvido. O homem poderoso é justamente aquele que não é
    obrigado a atender todas as ligações, muito pelo contrário:
    37 nunca está para ninguém, como se diz.
    Portanto, todo aquele que ostenta o celular como
    símbolo de poder, na verdade, está declarando de público sua
    40 condição irreparável de subordinado, obrigado que é a pôr-se
    em posição de sentido, mesmo quando está empenhado em um
    abraço, a qualquer momento em que o chefe o chamar.

    Umberto Eco. O segundo diário mínimo. Sergio Flaksman (Trad.).
    Rio de Janeiro: Record, 1993, p. 194-6 (com adaptações).

    Com base nas idéias e estruturas do texto de Umberto Eco, julgue os itens a seguir.

    O autor só não ironiza as duas primeiras categorias de usuários de celular da classificação por ele estabelecida.
  • 📖 Texto associado

    Texto para os itens de 9 a 15

    1 Foi "entrevistado" aquele que é apontado pelas
    autoridades como o principal responsável pelos ataques do
    PCC. O Celular "falou" ao repórter com o compromisso de não
    4 ter sua identidade e sua marca reveladas.
    O senhor admite ter desempenhado um papel
    fundamental na organização dos ataques do PCC?
    Não se
    7 pode dispensar todo o barril por causa de algumas maçãs
    podres. Eu ajudo mais de 90 milhões de brasileiros a se
    comunicarem diariamente. Sou um aparelho democrático.
    10 É possível ou não bloquear os seus serviços?
    Eu sempre me esforço para ser o melhor naquilo que faço. Esta
    é a minha receita de sucesso. Para bloquear, é preciso
    13 acompanhar o meu ritmo de avanço tecnológico. Alguns
    bloqueadores instalados já estavam obsoletos quando foram
    instalados.
    16 Afinal, existe alguma forma de bloquear o seu
    sinal?
    Tem uma tal de gaiola de Faraday. Apesar de o nome
    parecercomplicado, é bem simples. Basta instalar uma tela de
    19 metal em volta das celas ou dos presídios. A gaiola de metal
    impede que minhas ondas eletromagnéticas entrem ou saiam.
    Aí, não tem comunicação.

    Veja, 31/5/2006 (com adaptações).

    Com base no texto acima, julgue os próximos itens.

    As expressões "todo o barril" (l.7) e qualquer barril têm o mesmo sentido.

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    Como não usar o telefone celular

    1 É fácil ironizar os possuidores de telefones celulares.
    Mas é necessário descobrir a qual das cinco categorias eles
    pertencem. Primeiro, vêm as pessoas fisicamente incapacitadas,
    4 ainda que sua deficiência não seja visível, obrigadas a um
    contato constante com o médico ou com o pronto-socorro.
    Depois, vêm aqueles que, devido a graves deveres profissionais,
    7 são obrigados a correr em qualquer emergência (capitães do
    corpo de bombeiros, médicos, transplantadores de órgãos). Em
    terceiro lugar, vêm os adúlteros. Só agora eles têm a
    10 possibilidade de receber ligações de seu parceiro secreto sem
    que membros da família, secretárias ou colegas malintencionados
    possam interceptar o telefonema.
    13 Todas as três categorias enumeradas até agora
    merecem o nosso respeito: no caso das duas primeiras, não nos
    importamos de ser perturbados em restaurantes ou durante uma
    16cerimônia fúnebre, e os adúlteros tendem a ser muito discretos.
    Seguem-se duas outras categorias que, ao contrário,
    representam um risco. A primeira é composta de pessoas
    19 incapazes de ir a qualquer lugar se não tiverem a possibilidade
    de conversar fiado acerca de frivolidades com amigos e
    parentes de que acabaram de se separar. Elas nos incomodam,
    22 mas precisamos compreender sua terrível aridez interior,
    agradecer por não estarmos em sua pele e, finalmente, perdoar.
    A última categoria é composta de pessoas preocupadas
    25 em mostrar em público o quanto são solicitadas, especialmente
    para complexas consultas a respeito dos negócios: as conversas
    que somos obrigados a escutar em aeroportos ou restaurantes
    28 tratam de transações monetárias, atrasos na entrega de perfis
    metálicos e outras coisas que, no entendimento de quem fala,
    dão a impressão de que se trata de um verdadeiro Rockfeller.
    31 O que eles não sabem é que Rockfeller não precisa de
    telefonecelular, porque conta com um plantel de secretários tão
    vasto e eficiente que, no máximo, se seu avô estiver morrendo,
    34 por exemplo, alguém chega e lhe sussurra alguma coisa no
    ouvido. O homem poderoso é justamente aquele que não é
    obrigado a atender todas as ligações, muito pelo contrário:
    37 nunca está para ninguém, como se diz.
    Portanto, todo aquele que ostenta o celular como
    símbolo de poder, na verdade, está declarando de público sua
    40 condição irreparável de subordinado, obrigado que é a pôr-se
    em posição de sentido, mesmo quando está empenhado em um
    abraço, a qualquer momento em que o chefe o chamar.

    Umberto Eco. O segundo diário mínimo. Sergio Flaksman (Trad.).
    Rio de Janeiro: Record, 1993, p. 194-6 (com adaptações).

    Com base nas idéias e estruturas do texto de Umberto Eco, julgue os itens a seguir.

    De acordo com o autor do texto, os que ostentam o celular como símbolo de poder são, de fato, pessoas irremediavelmente subordinadas a um chefe poderoso.
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