Interpretação Textual - Português - Vestibular - CEDERJ - CECIERJ

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Desempenho Global
9
Resoluções
30%
Média
Difícil
Dificuldade
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  • Texto 1
    Triste fim de Policarpo Quaresma
    Lima Barreto

    Como lhe parecia ilógico com ele mesmo estar 
    ali metido naquele estreito calabouço. Pois ele,
    o Quaresma plácido, o Quaresma de tão profundos
    pensamentos patrióticos, merecia aquele triste fim?
    5 De que maneira sorrateira o Destino o arrastara até
    ali, sem que ele pudesse pressentir o seu extravagante 
    propósito, tão aparentemente sem relação com o
    resto da sua vida? (...)
    Devia ser por isso que estava ali naquela
    10 masmorra, engaiolado, trancafiado, isolado dos seus
    semelhantes como uma fera, como um criminoso, sepultado 
    na treva, sofrendo umidade, misturado com
    os seus detritos, quase sem comer... Como acabarei?
    Como acabarei? E a pergunta lhe vinha, no meio da
    15 revoada de pensamentos que aquela angústia provocava 
    pensar. Não havia base para qualquer hipótese.
    Era de conduta tão irregular e incerta o Governo que
    tudo ele podia esperar: a liberdade ou a morte, mais
    esta que aquela. (...)
    20 Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe
    absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. 
    Que lhe importavam os rios? Eram grandes?
    Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade 
    saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada...
    25 O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não.
    Lembrou-se das suas cousas de tupi, do folclore, das
    suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua
    alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! (...)
    A Pátria que quisera ter era um mito; era um
    30 fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete.
    Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a
    política, que julgava existir, havia. A que existia, de
    fato, era a do Tenente Antonino, a do Doutor Campos,
    a do homem do Itamarati.
    Excerto. BARRETO, Lima. Triste fm de Policarpo Quaresma. In:
    http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/policarpoE.pdf p. 383-387
      

    “De que maneira sorrateira o Destino o arrastara até ali, sem que ele pudesse pressentir o seu extravagante propósito, tão aparentemente sem relação com o resto da sua vida?” (linhas 5-8)

    O pronome possessivo em “seu extravagante propósito” tem função coesiva e retoma o propósito

  • Texto 2
    O que Lima Barreto pode ensinar ao Brasil de hoje
    Denilson Botelho

    Lima Barreto (1881-1922) viveu numa época
    de transições. No seu aniversário de sete anos, viu
    a abolição ser festejada em praça pública na companhia 
    do pai, registrando as lembranças do episódio 
    5 em seu Diário íntimo. No ano seguinte, em 1889,
    viu a monarquia dar lugar à república. E passou a
    juventude e o resto de sua curta existência – faleceu
    aos 41 anos – enfrentando os desafios de ser negro
    num país que aboliu a escravidão, mas não fez com
    10 que a liberdade viesse acompanhada dos direitos de
    cidadania pelos quais temos lutado desde então. Da
    mesma forma, vivenciou também os desafios de uma
    república que se fez excludente, frustrando a expectativa 
    por um regime democrático.
    15 Mas por que devemos ler Lima Barreto hoje?
    São vários os motivos, mas um deles revela-se da
    maior importância. Nos últimos anos, os grandes
    grupos empresariais de mídia têm contribuído
      
    decisivamente para demonizar a política. A pregação
    20 de um discurso anticorrupção tem se revestido de um
    moralismo sem precedentes e, ao mesmo tempo, esterilizante. 
    Muitos são aqueles que têm sido levados
    a recusar o debate político sob o argumento tolo, 
    generalizante e perigoso que sugere que todo político
    25 é ladrão e corrupto. A estratégia abre espaço para
    a figura enganosa do “gestor”, que, fingindo renegar
    a política, governa para contemplar os interesses de
    poucos em detrimento da maioria.
    O fato é que encontramos em Lima Barreto
    30 um vigoroso antídoto para lidar com essa situação,
    pois estamos diante de um escritor que fez da literatura 
    a arte do engajamento. Escrever era para ele
    uma forma efetiva de participar dos acontecimentos.
    Os mais de 500 artigos e crônicas que publicou em
    35 dezenas de jornais e revistas do Rio de Janeiro – assim 
    como seus romances e contos – não deixavam
    escapar nenhum tema importante em discussão na
    época. Lima não se esquivava do debate e muito menos 
    de opinar e apresentar enfaticamente os seus
    40 pontos de vista, geralmente urdidos com base nas
    leituras que fazia quase obsessivamente. Em síntese, 
    escrever era fazer política, era participar da vida
    política do país e isso resultou numa literatura militante, 
    que nos leva a perceber a centralidade da política
    45 em nossas vidas.
    Fragmento: http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/o-que-lima-
    -barreto-pode-ensinar-ao-brasil-de-hoje/ Acesso em 21 ago 2017.
      

    O texto “O que Lima Barreto pode ensinar ao Brasil de hoje” é composto por

  • Texto 2
    O que Lima Barreto pode ensinar ao Brasil de hoje
    Denilson Botelho

    Lima Barreto (1881-1922) viveu numa época
    de transições. No seu aniversário de sete anos, viu
    a abolição ser festejada em praça pública na companhia 
    do pai, registrando as lembranças do episódio 
    5 em seu Diário íntimo. No ano seguinte, em 1889,
    viu a monarquia dar lugar à república. E passou a
    juventude e o resto de sua curta existência – faleceu
    aos 41 anos – enfrentando os desafios de ser negro
    num país que aboliu a escravidão, mas não fez com
    10 que a liberdade viesse acompanhada dos direitos de
    cidadania pelos quais temos lutado desde então. Da
    mesma forma, vivenciou também os desafios de uma
    república que se fez excludente, frustrando a expectativa 
    por um regime democrático.
    15 Mas por que devemos ler Lima Barreto hoje?
    São vários os motivos, mas um deles revela-se da
    maior importância. Nos últimos anos, os grandes
    grupos empresariais de mídia têm contribuído
      
    decisivamente para demonizar a política. A pregação
    20 de um discurso anticorrupção tem se revestido de um
    moralismo sem precedentes e, ao mesmo tempo, esterilizante. 
    Muitos são aqueles que têm sido levados
    a recusar o debate político sob o argumento tolo, 
    generalizante e perigoso que sugere que todo político
    25 é ladrão e corrupto. A estratégia abre espaço para
    a figura enganosa do “gestor”, que, fingindo renegar
    a política, governa para contemplar os interesses de
    poucos em detrimento da maioria.
    O fato é que encontramos em Lima Barreto
    30 um vigoroso antídoto para lidar com essa situação,
    pois estamos diante de um escritor que fez da literatura 
    a arte do engajamento. Escrever era para ele
    uma forma efetiva de participar dos acontecimentos.
    Os mais de 500 artigos e crônicas que publicou em
    35 dezenas de jornais e revistas do Rio de Janeiro – assim 
    como seus romances e contos – não deixavam
    escapar nenhum tema importante em discussão na
    época. Lima não se esquivava do debate e muito menos 
    de opinar e apresentar enfaticamente os seus
    40 pontos de vista, geralmente urdidos com base nas
    leituras que fazia quase obsessivamente. Em síntese, 
    escrever era fazer política, era participar da vida
    política do país e isso resultou numa literatura militante, 
    que nos leva a perceber a centralidade da política
    45 em nossas vidas.
    Fragmento: http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/o-que-lima-
    -barreto-pode-ensinar-ao-brasil-de-hoje/ Acesso em 21 ago 2017.
      

    Em “ser negro num país que aboliu a escravidão, mas não fez com que a liberdade viesse acompanhada dos direitos de cidadania pelos quais temos lutado desde então” (linhas 8-11), observa-se uma figura de linguagem denominada

  • Texto 1
    Triste fim de Policarpo Quaresma
    Lima Barreto

    Como lhe parecia ilógico com ele mesmo estar 
    ali metido naquele estreito calabouço. Pois ele,
    o Quaresma plácido, o Quaresma de tão profundos
    pensamentos patrióticos, merecia aquele triste fim?
    5 De que maneira sorrateira o Destino o arrastara até
    ali, sem que ele pudesse pressentir o seu extravagante 
    propósito, tão aparentemente sem relação com o
    resto da sua vida? (...)
    Devia ser por isso que estava ali naquela
    10 masmorra, engaiolado, trancafiado, isolado dos seus
    semelhantes como uma fera, como um criminoso, sepultado 
    na treva, sofrendo umidade, misturado com
    os seus detritos, quase sem comer... Como acabarei?
    Como acabarei? E a pergunta lhe vinha, no meio da
    15 revoada de pensamentos que aquela angústia provocava 
    pensar. Não havia base para qualquer hipótese.
    Era de conduta tão irregular e incerta o Governo que
    tudo ele podia esperar: a liberdade ou a morte, mais
    esta que aquela. (...)
    20 Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe
    absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. 
    Que lhe importavam os rios? Eram grandes?
    Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade 
    saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada...
    25 O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não.
    Lembrou-se das suas cousas de tupi, do folclore, das
    suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua
    alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! (...)
    A Pátria que quisera ter era um mito; era um
    30 fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete.
    Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a
    política, que julgava existir, havia. A que existia, de
    fato, era a do Tenente Antonino, a do Doutor Campos,
    a do homem do Itamarati.
    Excerto. BARRETO, Lima. Triste fm de Policarpo Quaresma. In:
    http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/policarpoE.pdf p. 383-387
      

    Em “Lembrou-se das suas cousas de tupi” (linha 26), o emprego da forma “cousas” indica, em relação ao personagem,

  • Texto 1
    Triste fim de Policarpo Quaresma
    Lima Barreto

    Como lhe parecia ilógico com ele mesmo estar 
    ali metido naquele estreito calabouço. Pois ele,
    o Quaresma plácido, o Quaresma de tão profundos
    pensamentos patrióticos, merecia aquele triste fim?
    5 De que maneira sorrateira o Destino o arrastara até
    ali, sem que ele pudesse pressentir o seu extravagante 
    propósito, tão aparentemente sem relação com o
    resto da sua vida? (...)
    Devia ser por isso que estava ali naquela
    10 masmorra, engaiolado, trancafiado, isolado dos seus
    semelhantes como uma fera, como um criminoso, sepultado 
    na treva, sofrendo umidade, misturado com
    os seus detritos, quase sem comer... Como acabarei?
    Como acabarei? E a pergunta lhe vinha, no meio da
    15 revoada de pensamentos que aquela angústia provocava 
    pensar. Não havia base para qualquer hipótese.
    Era de conduta tão irregular e incerta o Governo que
    tudo ele podia esperar: a liberdade ou a morte, mais
    esta que aquela. (...)
    20 Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe
    absorvia e por ele fizera a tolice de estudar inutilidades. 
    Que lhe importavam os rios? Eram grandes?
    Pois que fossem... Em que lhe contribuiria para a felicidade 
    saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada...
    25 O importante é que ele tivesse sido feliz. Foi? Não.
    Lembrou-se das suas cousas de tupi, do folclore, das
    suas tentativas agrícolas... Restava disso tudo em sua
    alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma! (...)
    A Pátria que quisera ter era um mito; era um
    30 fantasma criado por ele no silêncio do seu gabinete.
    Nem a física, nem a moral, nem a intelectual, nem a
    política, que julgava existir, havia. A que existia, de
    fato, era a do Tenente Antonino, a do Doutor Campos,
    a do homem do Itamarati.
    Excerto. BARRETO, Lima. Triste fm de Policarpo Quaresma. In:
    http://www.ebooksbrasil.org/adobeebook/policarpoE.pdf p. 383-387
      

    No excerto em análise, há predominância do discurso

  • Texto 2
    O que Lima Barreto pode ensinar ao Brasil de hoje
    Denilson Botelho

    Lima Barreto (1881-1922) viveu numa época
    de transições. No seu aniversário de sete anos, viu
    a abolição ser festejada em praça pública na companhia 
    do pai, registrando as lembranças do episódio 
    5 em seu Diário íntimo. No ano seguinte, em 1889,
    viu a monarquia dar lugar à república. E passou a
    juventude e o resto de sua curta existência – faleceu
    aos 41 anos – enfrentando os desafios de ser negro
    num país que aboliu a escravidão, mas não fez com
    10 que a liberdade viesse acompanhada dos direitos de
    cidadania pelos quais temos lutado desde então. Da
    mesma forma, vivenciou também os desafios de uma
    república que se fez excludente, frustrando a expectativa 
    por um regime democrático.
    15 Mas por que devemos ler Lima Barreto hoje?
    São vários os motivos, mas um deles revela-se da
    maior importância. Nos últimos anos, os grandes
    grupos empresariais de mídia têm contribuído
      
    decisivamente para demonizar a política. A pregação
    20 de um discurso anticorrupção tem se revestido de um
    moralismo sem precedentes e, ao mesmo tempo, esterilizante. 
    Muitos são aqueles que têm sido levados
    a recusar o debate político sob o argumento tolo, 
    generalizante e perigoso que sugere que todo político
    25 é ladrão e corrupto. A estratégia abre espaço para
    a figura enganosa do “gestor”, que, fingindo renegar
    a política, governa para contemplar os interesses de
    poucos em detrimento da maioria.
    O fato é que encontramos em Lima Barreto
    30 um vigoroso antídoto para lidar com essa situação,
    pois estamos diante de um escritor que fez da literatura 
    a arte do engajamento. Escrever era para ele
    uma forma efetiva de participar dos acontecimentos.
    Os mais de 500 artigos e crônicas que publicou em
    35 dezenas de jornais e revistas do Rio de Janeiro – assim 
    como seus romances e contos – não deixavam
    escapar nenhum tema importante em discussão na
    época. Lima não se esquivava do debate e muito menos 
    de opinar e apresentar enfaticamente os seus
    40 pontos de vista, geralmente urdidos com base nas
    leituras que fazia quase obsessivamente. Em síntese, 
    escrever era fazer política, era participar da vida
    política do país e isso resultou numa literatura militante, 
    que nos leva a perceber a centralidade da política
    45 em nossas vidas.
    Fragmento: http://www.cartaeducacao.com.br/artigo/o-que-lima-
    -barreto-pode-ensinar-ao-brasil-de-hoje/ Acesso em 21 ago 2017.
      

    Segundo o texto 2, é correto afirmar que

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