CEDERJ - Interpretação Textual - Português - CECIERJ

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6
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54%
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Médio
Dificuldade
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  • TEXTO II
    De olho no futuro
    Ana Maria Machado

    ‘Papai, que é plebiscito?’
    Assim começa um conto de Artur Azevedo, que
    constava de muitas antologias escolares na época em
    que havia leitura de coletâneas literárias como parte
    5 integrante do currículo de Língua Portuguesa no país.
    A maioria dos que então estudaram acompanhava o
    desenvolvimento da história lida em voz alta pelos
    alunos em classe, desde o início em que o pai fingia
    dormir para não ter de revelar que não sabia a história,
    10 passando pela insistência do filho e a pressão da mãe
    para que tirasse a dúvida da criança, até a cena de
    zanga paterna que incluía sair da sala e se trancar no
    quarto. Após consultar um dicionário que lá havia, o
    triunfal chefe de família podia elucidar que plebiscito
    15 era uma lei romana que queriam introduzir no país,
    num caso típico de estrangeirismo.
    A história tem muita graça na linguagem divertida
    do autor, que ao mesmo tempo ridiculariza o
    autoritarismo patriarcal e os excessos nacionalistas
    20 da época – que acabariam levando à Primeira Guerra
    Mundial. Tive de resumi-la para comentá-la, pois tenho
    me lembrado muito desse conto ultimamente, por
    diferentes razões. Por um lado, acentua-se que criança
    tem curiosidade sobre política. E sobre as palavras
    25 que encontra e não conhece. Por outro lado, nos
    recorda que a satisfação dessa curiosidade tem a
    obrigação ética de procurar ser clara e equilibrada. Na
    atual discussão tão acalorada, sobre escolas sem
    partidos e os perigos da doutrinação ideológica, por
    30 vezes parece que os debatedores apontam para o alvo
    adjetivo e abandonam o substantivo. Esquecem que o
    problema não está em incentivar ideias, estimular a
    formação do conhecimento sobre ideologias, apresentar
    argumentos de diferentes visões do mundo e da
    35 sociedade. O risco para a educação está em alguém
    com poder querendo doutrinar, falar como doutor que
    não admite contestação nem dúvida, ser dogmático,
    impor uma forma única de encarar a realidade e analisar
    os fatos, carimbando com rótulos pejorativos e frases
    40 feitas tudo aquilo que não se encaixa com perfeição
    na agenda do momento. Com frequência, partidária.
    (...)

    (Trecho. MACHADO, Ana Maria. De olho no futuro. O GLOBO, 01de out. de 2016, Caderno I, página 14).

    “A maioria dos que então estudaram acompanhava o desenvolvimento da história lida em voz alta pelos alunos em classe, desde o início em que o pai fingia dormir para não ter de revelar que não sabia a história, passando pela insistência do filho e a pressão da mãe para que tirasse a dúvida da criança, até a cena de zanga paterna que incluía sair da sala e se trancar no quarto.” (linhas 6-13)

    A construção do enunciado acima configura uma estrutura de

  • TEXTO II
    De olho no futuro
    Ana Maria Machado
    ‘Papai, que é plebiscito?’
    Assim começa um conto de Artur Azevedo, que
    constava de muitas antologias escolares na época em
    que havia leitura de coletâneas literárias como parte
    5 integrante do currículo de Língua Portuguesa no país.
    A maioria dos que então estudaram acompanhava o
    desenvolvimento da história lida em voz alta pelos
    alunos em classe, desde o início em que o pai fingia
    dormir para não ter de revelar que não sabia a história,
    10 passando pela insistência do filho e a pressão da mãe
    para que tirasse a dúvida da criança, até a cena de
    zanga paterna que incluía sair da sala e se trancar no
    quarto. Após consultar um dicionário que lá havia, o
    triunfal chefe de família podia elucidar que plebiscito
    15 era uma lei romana que queriam introduzir no país,
    num caso típico de estrangeirismo.
    A história tem muita graça na linguagem divertida
    do autor, que ao mesmo tempo ridiculariza o
    autoritarismo patriarcal e os excessos nacionalistas
    20 da época – que acabariam levando à Primeira Guerra
    Mundial. Tive de resumi-la para comentá-la, pois tenho
    me lembrado muito desse conto ultimamente, por
    diferentes razões. Por um lado, acentua-se que criança
    tem curiosidade sobre política. E sobre as palavras
    25 que encontra e não conhece. Por outro lado, nos
    recorda que a satisfação dessa curiosidade tem a
    obrigação ética de procurar ser clara e equilibrada. Na
    atual discussão tão acalorada, sobre escolas sem
    partidos e os perigos da doutrinação ideológica, por
    30 vezes parece que os debatedores apontam para o alvo
    adjetivo e abandonam o substantivo. Esquecem que o
    problema não está em incentivar ideias, estimular a
    formação do conhecimento sobre ideologias, apresentar
    argumentos de diferentes visões do mundo e da
    35 sociedade. O risco para a educação está em alguém
    com poder querendo doutrinar, falar como doutor que
    não admite contestação nem dúvida, ser dogmático,
    impor uma forma única de encarar a realidade e analisar
    os fatos, carimbando com rótulos pejorativos e frases
    40 feitas tudo aquilo que não se encaixa com perfeição
    na agenda do momento. Com frequência, partidária.
    (...)

    (Trecho. MACHADO, Ana Maria. De olho no futuro. O GLOBO, 01de out. de 2016, Caderno I, página 14).
    O trecho “os debatedores apontam para o alvo adjetivo e abandonam o substantivo” (linhas 30-31) é um exemplo da figura de linguagem denominada:
  • TEXTO I
    PlebiscitoArthur Azevedo

    A cena passa-se em 1890.

    A família está toda reunida na sala de jantar.
    O senhor Rodrigues palita os dentes, repimpado
    numa cadeira de balanço. Acabou de comer como um
    5 abade.
    Dona Bernardina, sua esposa, está muito
    entretida a limpar a gaiola de um canário belga.
    Os pequenos são dois, um menino e uma
    menina. Ela distrai-se a olhar para o canário. Ele,
    10 encostado à mesa, os pés cruzados, lê com muita
    atenção uma das nossas folhas diárias.
    Silêncio.
    De repente, o menino levanta a cabeça e
    pergunta:
    15 — Papai, que é plebiscito?
    O senhor Rodrigues fecha os olhos
    imediatamente para fingir que dorme.
    O pequeno insiste:
    — Papai?
    20 Pausa:
    — Papai?
    Dona Bernardina intervém:
    — Ó seu Rodrigues, Manduca está lhe
    chamando. Não durma depois do jantar, que lhe faz mal.
    25 O senhor Rodrigues não tem remédio senão abrir
    os olhos.
    (...)
    Trecho. AZEVEDO, Arthur. Plebiscito. In: “Contos fora da moda”, Editorial Alhambra – Rio de Janeiro, 1982, pág. 29. Disponível em: http://www.releituras.com/aazevedo_menu.asp. Acesso: em 03 out. 2016.
    Arthur Azevedo (jornalista, escritor e teatrólogo) tem em “Plebiscito” um exemplo do tom humorístico e crítico que costumava imprimir a seus textos.“Plebiscito” comprova sua preferência por temas relacionados
  • TEXTO II
    De olho no futuro
    Ana Maria Machado
    ‘Papai, que é plebiscito?’
    Assim começa um conto de Artur Azevedo, que
    constava de muitas antologias escolares na época em
    que havia leitura de coletâneas literárias como parte
    5 integrante do currículo de Língua Portuguesa no país.
    A maioria dos que então estudaram acompanhava o
    desenvolvimento da história lida em voz alta pelos
    alunos em classe, desde o início em que o pai fingia
    dormir para não ter de revelar que não sabia a história,
    10 passando pela insistência do filho e a pressão da mãe
    para que tirasse a dúvida da criança, até a cena de
    zanga paterna que incluía sair da sala e se trancar no
    quarto. Após consultar um dicionário que lá havia, o
    triunfal chefe de família podia elucidar que plebiscito
    15 era uma lei romana que queriam introduzir no país,
    num caso típico de estrangeirismo.
    A história tem muita graça na linguagem divertida
    do autor, que ao mesmo tempo ridiculariza o
    autoritarismo patriarcal e os excessos nacionalistas
    20 da época – que acabariam levando à Primeira Guerra
    Mundial. Tive de resumi-la para comentá-la, pois tenho
    me lembrado muito desse conto ultimamente, por
    diferentes razões. Por um lado, acentua-se que criança
    tem curiosidade sobre política. E sobre as palavras
    25 que encontra e não conhece. Por outro lado, nos
    recorda que a satisfação dessa curiosidade tem a
    obrigação ética de procurar ser clara e equilibrada. Na
    atual discussão tão acalorada, sobre escolas sem
    partidos e os perigos da doutrinação ideológica, por
    30 vezes parece que os debatedores apontam para o alvo
    adjetivo e abandonam o substantivo. Esquecem que o
    problema não está em incentivar ideias, estimular a
    formação do conhecimento sobre ideologias, apresentar
    argumentos de diferentes visões do mundo e da
    35 sociedade. O risco para a educação está em alguém
    com poder querendo doutrinar, falar como doutor que
    não admite contestação nem dúvida, ser dogmático,
    impor uma forma única de encarar a realidade e analisar
    os fatos, carimbando com rótulos pejorativos e frases
    40 feitas tudo aquilo que não se encaixa com perfeição
    na agenda do momento. Com frequência, partidária.
    (...)

    (Trecho. MACHADO, Ana Maria. De olho no futuro. O GLOBO, 01de out. de 2016, Caderno I, página 14).
    No fragmento “Por um lado, acentua-se que criança tem curiosidade sobre política. E sobre as palavras que encontra e não conhece. Por outro lado, nos recorda que a satisfação dessa curiosidade tem a obrigação ética de procurar ser clara e equilibrada.”, (linhas 23-27) veicula-se a ideia de
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