DETRAN AC - Prova de Português: Interpretação de Textos (Azul)

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Desempenho Global
1
Resoluções
50%
Média
Difícil
Dificuldade
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  • 📖 Texto associado

    A vida dos outros

    Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

    porque meu escritório fica em local muito movimenta-

    do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

    ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

    5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

    invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

    ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

    fazer a escolha.

    Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

    10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

    Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

    dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

    e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

    com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

    15 lavra.

    Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

    nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

    qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

    nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

    20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

    também muito frequentados por turistas, pois é um

    conforto para eles entrar e comer num lugar em que

    não precisam tentar se entender com pessoas que só

    falam essa língua secreta chamada português.

    25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

    supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

    deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

    por quê? Por culpa do telefone celular.

    Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

    30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

    suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

    mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

    o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

    isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

    35 estômagos.

    E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

    que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

    sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

    atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

    40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

    Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

    lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

    ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

    isso.

    45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

    conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

    vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

    ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

    fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

    50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

    to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

    segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

    na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

    ção parecia estar ruim), números de série do artigo

    55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

    esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

    sem ver aquele assunto resolvido?

    Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

    senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

    60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

    nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

    nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

    vez.

    Com o advento do celular, minha vida ficou as-

    65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

    minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

    sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

    a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

    novas regras para acompanhar as transformações.

    70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

    vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

    enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

    de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

    não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


    SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

    Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

    No trecho “ ... essa língua secreta chamada português.” (. 24), o texto quer ressaltar que a língua portuguesa

  • 📖 Texto associado

    A vida dos outros

    Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

    porque meu escritório fica em local muito movimenta-

    do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

    ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

    5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

    invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

    ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

    fazer a escolha.

    Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

    10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

    Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

    dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

    e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

    com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

    15 lavra.

    Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

    nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

    qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

    nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

    20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

    também muito frequentados por turistas, pois é um

    conforto para eles entrar e comer num lugar em que

    não precisam tentar se entender com pessoas que só

    falam essa língua secreta chamada português.

    25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

    supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

    deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

    por quê? Por culpa do telefone celular.

    Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

    30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

    suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

    mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

    o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

    isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

    35 estômagos.

    E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

    que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

    sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

    atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

    40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

    Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

    lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

    ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

    isso.

    45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

    conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

    vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

    ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

    fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

    50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

    to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

    segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

    na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

    ção parecia estar ruim), números de série do artigo

    55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

    esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

    sem ver aquele assunto resolvido?

    Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

    senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

    60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

    nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

    nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

    vez.

    Com o advento do celular, minha vida ficou as-

    65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

    minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

    sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

    a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

    novas regras para acompanhar as transformações.

    70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

    vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

    enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

    de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

    não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


    SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

    Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

    Nos restaurantes a quilo, “...a palavra é supérflua...” (l. 25-26) porque

  • 📖 Texto associado

    A vida dos outros

    Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

    porque meu escritório fica em local muito movimenta-

    do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

    ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

    5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

    invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

    ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

    fazer a escolha.

    Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

    10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

    Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

    dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

    e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

    com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

    15 lavra.

    Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

    nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

    qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

    nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

    20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

    também muito frequentados por turistas, pois é um

    conforto para eles entrar e comer num lugar em que

    não precisam tentar se entender com pessoas que só

    falam essa língua secreta chamada português.

    25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

    supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

    deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

    por quê? Por culpa do telefone celular.

    Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

    30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

    suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

    mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

    o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

    isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

    35 estômagos.

    E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

    que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

    sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

    atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

    40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

    Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

    lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

    ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

    isso.

    45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

    conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

    vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

    ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

    fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

    50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

    to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

    segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

    na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

    ção parecia estar ruim), números de série do artigo

    55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

    esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

    sem ver aquele assunto resolvido?

    Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

    senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

    60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

    nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

    nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

    vez.

    Com o advento do celular, minha vida ficou as-

    65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

    minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

    sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

    a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

    novas regras para acompanhar as transformações.

    70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

    vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

    enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

    de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

    não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


    SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

    Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

    No final do quinto parágrafo, a expressão “Pobres estômagos” dá a entender que

  • 📖 Texto associado

    A vida dos outros

    Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

    porque meu escritório fica em local muito movimenta-

    do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

    ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

    5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

    invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

    ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

    fazer a escolha.

    Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

    10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

    Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

    dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

    e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

    com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

    15 lavra.

    Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

    nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

    qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

    nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

    20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

    também muito frequentados por turistas, pois é um

    conforto para eles entrar e comer num lugar em que

    não precisam tentar se entender com pessoas que só

    falam essa língua secreta chamada português.

    25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

    supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

    deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

    por quê? Por culpa do telefone celular.

    Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

    30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

    suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

    mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

    o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

    isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

    35 estômagos.

    E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

    que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

    sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

    atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

    40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

    Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

    lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

    ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

    isso.

    45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

    conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

    vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

    ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

    fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

    50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

    to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

    segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

    na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

    ção parecia estar ruim), números de série do artigo

    55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

    esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

    sem ver aquele assunto resolvido?

    Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

    senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

    60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

    nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

    nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

    vez.

    Com o advento do celular, minha vida ficou as-

    65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

    minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

    sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

    a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

    novas regras para acompanhar as transformações.

    70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

    vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

    enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

    de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

    não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


    SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

    Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

    A autora considera que vive a vida dos outros nos momentos em que

  • 📖 Texto associado

    A vida dos outros

    Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

    porque meu escritório fica em local muito movimenta-

    do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

    ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

    5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

    invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

    ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

    fazer a escolha.

    Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

    10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

    Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

    dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

    e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

    com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

    15 lavra.

    Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

    nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

    qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

    nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

    20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

    também muito frequentados por turistas, pois é um

    conforto para eles entrar e comer num lugar em que

    não precisam tentar se entender com pessoas que só

    falam essa língua secreta chamada português.

    25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

    supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

    deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

    por quê? Por culpa do telefone celular.

    Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

    30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

    suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

    mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

    o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

    isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

    35 estômagos.

    E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

    que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

    sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

    atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

    40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

    Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

    lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

    ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

    isso.

    45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

    conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

    vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

    ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

    fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

    50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

    to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

    segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

    na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

    ção parecia estar ruim), números de série do artigo

    55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

    esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

    sem ver aquele assunto resolvido?

    Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

    senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

    60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

    nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

    nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

    vez.

    Com o advento do celular, minha vida ficou as-

    65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

    minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

    sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

    a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

    novas regras para acompanhar as transformações.

    70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

    vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

    enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

    de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

    não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


    SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

    Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

    Mas acompanhei, acabrunhada, sua conversa ...” (. 60-61)

    A palavra destacada pode ser substituída, sem interferir no significado do texto, por

  • 📖 Texto associado

    A vida dos outros

    Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

    porque meu escritório fica em local muito movimenta-

    do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

    ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

    5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

    invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

    ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

    fazer a escolha.

    Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

    10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

    Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

    dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

    e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

    com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

    15 lavra.

    Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

    nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

    qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

    nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

    20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

    também muito frequentados por turistas, pois é um

    conforto para eles entrar e comer num lugar em que

    não precisam tentar se entender com pessoas que só

    falam essa língua secreta chamada português.

    25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

    supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

    deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

    por quê? Por culpa do telefone celular.

    Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

    30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

    suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

    mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

    o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

    isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

    35 estômagos.

    E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

    que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

    sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

    atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

    40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

    Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

    lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

    ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

    isso.

    45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

    conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

    vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

    ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

    fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

    50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

    to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

    segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

    na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

    ção parecia estar ruim), números de série do artigo

    55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

    esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

    sem ver aquele assunto resolvido?

    Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

    senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

    60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

    nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

    nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

    vez.

    Com o advento do celular, minha vida ficou as-

    65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

    minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

    sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

    a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

    novas regras para acompanhar as transformações.

    70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

    vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

    enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

    de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

    não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


    SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

    Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

    O barulho no local era tão alto que o homem, coitado, saiu rápido.

    Indique o único período que mantém exatamente o mesmo sentido da oração apresentada acima, embora com outra estrutura.

  • 📖 Texto associado

    A vida dos outros

    Almoço fora todos os dias. Isso não é problema,

    porque meu escritório fica em local muito movimenta-

    do e com grande variedade de restaurantes. Em ge-

    ral, prefiro aqueles que oferecem comida a quilo, essa

    5 maravilhosa invenção moderna (há quem garanta ser

    invenção brasileira) que permite comer na medida cer-

    ta, sem desperdícios, e observar os pratos antes de

    fazer a escolha.

    Mas gosto dos restaurantes a quilo também por

    10 outra razão: são feitos sob medida para os solitários.

    Neles, reinam os introvertidos, os retraídos, os tími-

    dos. Você entra, escolhe, pesa, se senta, come, paga

    e vai embora. Se não quiser, não precisa conversar

    com ninguém, emitir um som, pronunciar uma só pa-

    15 lavra.

    Talvez por isso, os restaurantes a quilo vivam api-

    nhados de pessoas sozinhas. Neles, elas não têm

    qualquer pudor de se sentar à mesa sem ter compa-

    nhia, nem nos fins de semana, que é tempo de famí-

    20 lia, amigos, congregação. Os restaurantes a quilo são

    também muito frequentados por turistas, pois é um

    conforto para eles entrar e comer num lugar em que

    não precisam tentar se entender com pessoas que só

    falam essa língua secreta chamada português.

    25___O restaurante a quilo é o lugar onde a palavra é

    supérflua e onde deveria reinar o silêncio. Pois é –

    deveria. Mas o que ocorre é justamente o contrário. E

    por quê? Por culpa do telefone celular.

    Por alguma razão, as pessoas precisam falar ao

    30 celular quando se sentam para comer. Resolvem as-

    suntos pendentes, pedem informações, fazem enco-

    mendas, fecham negócios ou mesmo batem papo com

    o amigo ou amiga que não vêem há tempos – e tudo

    isso enquanto mastigam e engolem o almoço. Pobres

    35 estômagos.

    E pobre de mim. Não consigo ficar indiferente ao

    que está sendo dito nos celulares à minha volta. As-

    sim que a conversa se estabelece, começo a prestar

    atenção ao que está sendo dito e, daqui a pouco, qua-

    40 se sem perceber, me vejo vivendo a vida dos outros.

    Sofro, brigo, peço ou dou informação, falo de traba-

    lho, marco reuniões, fico estressada com a mercado-

    ria que não chegou – e tudo sem ter nada a ver com

    isso.

    45___Outro dia, durante um almoço, participei de duas

    conversas inquietantes. A primeira foi quando uma jo-

    vem na mesa à minha esquerda atendeu um telefone-

    ma a respeito de uma encomenda. Do outro lado do

    fio, alguém tinha dúvidas e queria que ela confirmas-

    50 se certas coisas. Não consegui entender a que produ-

    to se referiam, mas sei que a moça parou de comer e,

    segurando o celular entre a orelha e o ombro, catou

    na bolsa um caderninho e repetiu, aos gritos (a liga-

    ção parecia estar ruim), números de série do artigo

    55 encomendado. Enquanto isso, a comida em seu prato

    esfriava. E a minha também. Como eu poderia comer

    sem ver aquele assunto resolvido?

    Mal ela desligou e já tocava o celular de outra

    senhora, duas ou três mesas à minha frente. Estava

    60 encoberta e não pude ver-lhe o rosto. Mas acompa-

    nhei, acabrunhada, sua conversa sobre a amiga inter-

    nada, que acabara de ser operada. Perdi a fome de

    vez.

    Com o advento do celular, minha vida ficou as-

    65 sim. Já não tenho noção dos limites (onde acaba a

    minha vida e começa a do outro?). Ou talvez tenham

    sido as pessoas que perderam esses limites. Porque

    a tecnologia transformou o mundo, mas não surgiram

    novas regras para acompanhar as transformações.

    70 Será que algum dia uma nova etiqueta vai entrar em

    vigor, estabelecendo que é falta de educação falar

    enquanto se almoça num restaurante (estando ou não

    de boca cheia)? Espero que sim. Mas enquanto isso

    não acontece, vou vivendo a vida dos outros.


    SEIXAS, Heloisa. Disponível em: www.selecoes.com.br.

    Acesso em: set. 2008. (Adaptado).

    No fragmento “... e repetiu, aos gritos (a ligação parecia estar ruim), números de série...” (. 53-54), o trecho entre parênteses visa a

  • 📖 Texto associado

    TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO

    Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

    para um compromisso com hora marcada e ver o

    cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

    perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

    5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

    certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

    como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

    Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

    lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

    10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

    vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

    Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

    estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

    Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

    15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

    Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

    da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

    ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

    — combustível e desgaste de peças. Os congestio-

    20 namentos trazem danos também para os governos.

    Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

    tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

    sito.

    Quando motivado por acidente, o engarrafamento

    25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

    lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

    tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

    bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

    as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

    30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

    75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

    sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

    munidade científica que a queima de combustíveis fó-

    sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

    35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

    dores do aquecimento global.

    A maior cidade do Brasil tem também os maiores

    engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

    em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

    40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

    por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

    cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

    tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

    preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

    45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

    lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

    dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

    conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

    30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

    50 quilométricos congestionamentos da cidade.

    CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

    “— afinal, como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?” (l. 6-7)

    Quem chega atrasado ao trabalho em virtude de problemas no trânsito provavelmente demonstrará

  • 📖 Texto associado

    TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO

    Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

    para um compromisso com hora marcada e ver o

    cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

    perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

    5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

    certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

    como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

    Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

    lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

    10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

    vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

    Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

    estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

    Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

    15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

    Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

    da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

    ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

    — combustível e desgaste de peças. Os congestio-

    20 namentos trazem danos também para os governos.

    Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

    tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

    sito.

    Quando motivado por acidente, o engarrafamento

    25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

    lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

    tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

    bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

    as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

    30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

    75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

    sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

    munidade científica que a queima de combustíveis fó-

    sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

    35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

    dores do aquecimento global.

    A maior cidade do Brasil tem também os maiores

    engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

    em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

    40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

    por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

    cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

    tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

    preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

    45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

    lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

    dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

    conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

    30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

    50 quilométricos congestionamentos da cidade.

    CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

    No primeiro parágrafo do texto são apresentadas as perguntas a seguir.

    I – Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa para um compromisso com hora marcada e ver o cronograma estourar por causa do trânsito?

    II – ...como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

    III – ...será que existe um mecanismo que leve ao cálculo das perdas...?

    IV – Quanto custa um engarrafamento? As perguntas a que se refere o trecho “As respostas para estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.” (l. 12-13) são:

  • 📖 Texto associado

    TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO

    Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

    para um compromisso com hora marcada e ver o

    cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

    perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

    5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

    certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

    como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

    Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

    lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

    10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

    vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

    Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

    estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

    Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

    15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

    Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

    da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

    ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

    — combustível e desgaste de peças. Os congestio-

    20 namentos trazem danos também para os governos.

    Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

    tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

    sito.

    Quando motivado por acidente, o engarrafamento

    25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

    lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

    tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

    bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

    as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

    30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

    75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

    sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

    munidade científica que a queima de combustíveis fó-

    sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

    35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

    dores do aquecimento global.

    A maior cidade do Brasil tem também os maiores

    engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

    em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

    40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

    por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

    cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

    tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

    preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

    45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

    lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

    dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

    conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

    30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

    50 quilométricos congestionamentos da cidade.

    CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

    Segundo o estudo do Denatran, entre os fatores que contribuem para o prejuízo causado pelo trânsito NÃO se inclui a(o)

  • 📖 Texto associado

    TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO

    Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

    para um compromisso com hora marcada e ver o

    cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

    perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

    5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

    certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

    como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

    Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

    lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

    10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

    vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

    Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

    estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

    Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

    15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

    Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

    da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

    ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

    — combustível e desgaste de peças. Os congestio-

    20 namentos trazem danos também para os governos.

    Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

    tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

    sito.

    Quando motivado por acidente, o engarrafamento

    25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

    lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

    tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

    bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

    as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

    30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

    75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

    sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

    munidade científica que a queima de combustíveis fó-

    sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

    35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

    dores do aquecimento global.

    A maior cidade do Brasil tem também os maiores

    engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

    em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

    40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

    por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

    cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

    tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

    preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

    45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

    lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

    dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

    conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

    30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

    50 quilométricos congestionamentos da cidade.

    CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

    Observe as afirmativas abaixo.

    I – Em São Paulo, as pessoas usam menos o transporte público do que nos outros lugares do Brasil.

    II – A solução para o trânsito de São Paulo é aumentar o número de carros particulares.

    III – A falta de conforto dos ônibus é uma das causas para o desfavorecimento do seu uso.

    De acordo com o texto, está(ão) correta(s) APENAS a(s) afirmativa(s)

  • 📖 Texto associado

    TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO

    Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

    para um compromisso com hora marcada e ver o

    cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

    perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

    5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

    certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

    como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

    Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

    lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

    10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

    vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

    Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

    estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

    Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

    15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

    Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

    da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

    ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

    — combustível e desgaste de peças. Os congestio-

    20 namentos trazem danos também para os governos.

    Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

    tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

    sito.

    Quando motivado por acidente, o engarrafamento

    25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

    lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

    tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

    bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

    as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

    30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

    75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

    sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

    munidade científica que a queima de combustíveis fó-

    sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

    35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

    dores do aquecimento global.

    A maior cidade do Brasil tem também os maiores

    engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

    em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

    40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

    por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

    cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

    tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

    preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

    45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

    lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

    dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

    conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

    30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

    50 quilométricos congestionamentos da cidade.

    CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

    Indique uma afirmação que NÃO está contida no período “Isso sem falar...aquecimento global.” (l. 31-36)

  • 📖 Texto associado

    TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO

    Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

    para um compromisso com hora marcada e ver o

    cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

    perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

    5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

    certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

    como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

    Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

    lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

    10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

    vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

    Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

    estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

    Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

    15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

    Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

    da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

    ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

    — combustível e desgaste de peças. Os congestio-

    20 namentos trazem danos também para os governos.

    Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

    tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

    sito.

    Quando motivado por acidente, o engarrafamento

    25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

    lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

    tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

    bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

    as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

    30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

    75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

    sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

    munidade científica que a queima de combustíveis fó-

    sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

    35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

    dores do aquecimento global.

    A maior cidade do Brasil tem também os maiores

    engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

    em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

    40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

    por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

    cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

    tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

    preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

    45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

    lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

    dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

    conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

    30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

    50 quilométricos congestionamentos da cidade.

    CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

    A palavra que NÃO substitui adequadamente “motivado” na sentença “Quando motivado por acidente, o engarrafamento fica ainda mais caro,” (l. 24-25) é:

  • 📖 Texto associado

    TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO

    Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

    para um compromisso com hora marcada e ver o

    cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

    perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

    5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

    certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

    como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

    Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

    lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

    10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

    vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

    Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

    estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

    Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

    15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

    Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

    da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

    ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

    — combustível e desgaste de peças. Os congestio-

    20 namentos trazem danos também para os governos.

    Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

    tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

    sito.

    Quando motivado por acidente, o engarrafamento

    25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

    lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

    tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

    bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

    as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

    30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

    75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

    sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

    munidade científica que a queima de combustíveis fó-

    sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

    35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

    dores do aquecimento global.

    A maior cidade do Brasil tem também os maiores

    engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

    em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

    40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

    por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

    cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

    tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

    preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

    45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

    lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

    dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

    conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

    30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

    50 quilométricos congestionamentos da cidade.

    CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

    As palavras em destaque NÃO podem ser substituídas pelos pronomes à direita em:

  • 📖 Texto associado

    TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO

    Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

    para um compromisso com hora marcada e ver o

    cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

    perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

    5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

    certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

    como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

    Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

    lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

    10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

    vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

    Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

    estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

    Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

    15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

    Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

    da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

    ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

    — combustível e desgaste de peças. Os congestio-

    20 namentos trazem danos também para os governos.

    Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

    tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

    sito.

    Quando motivado por acidente, o engarrafamento

    25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

    lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

    tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

    bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

    as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

    30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

    75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

    sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

    munidade científica que a queima de combustíveis fó-

    sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

    35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

    dores do aquecimento global.

    A maior cidade do Brasil tem também os maiores

    engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

    em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

    40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

    por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

    cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

    tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

    preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

    45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

    lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

    dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

    conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

    30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

    50 quilométricos congestionamentos da cidade.

    CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

    Observe o período.

    A meta do governo é fazer com que as pessoas usem mais transportes coletivos.

    Os verbos destacados no período acima podem ser substituídos, respectivamente, mantendo a correção gramatical, por

  • 📖 Texto associado

    TRÂNSITO NAS GRANDES CIDADES: O PREÇO DO TEMPO PERDIDO

    Quem não passou pelo pesadelo de sair de casa

    para um compromisso com hora marcada e ver o

    cronograma estourar por causa do trânsito? Assim se

    perderam viagens, reuniões de negócios, provas na

    5 escola e outras oportunidades. Resultado: prejuízo na

    certa. Seja ele financeiro ou mesmo moral — afinal,

    como fica a cara de quem chega atrasado ao trabalho?

    Mas será que existe um mecanismo que leve ao cálcu-

    lo das perdas provocadas por estes preciosos minutos

    10 gastos dentro de um automóvel — ou transporte coleti-

    vo — numa avenida de uma grande cidade brasileira?

    Quanto custa um engarrafamento? As respostas para

    estas perguntas, infelizmente, ninguém sabe ao certo.

    Estudo do Denatran, em parceria com o Ipea, so-

    15 bre “Impactos Sociais e Econômicos dos Acidentes de

    Trânsito nas Rodovias Brasileiras” revela que — além

    da perda de tempo — a retenção no trânsito provoca

    ainda o aumento do custo de operação de cada veículo

    — combustível e desgaste de peças. Os congestio-

    20 namentos trazem danos também para os governos.

    Cidades e estados gastam fortunas com esquemas de

    tráfego, engenheiros, equipamentos e guardas de trân-

    sito.

    Quando motivado por acidente, o engarrafamento

    25 fica ainda mais caro, pois envolve bombeiros, ambu-

    lâncias, médicos, hospitais, internações, medicamen-

    tos, lucros cessantes e, eventualmente, custos fúne-

    bres, além das perdas familiares. Nos Estados Unidos,

    as autoridades incluíram, no custo financeiro do engar-

    30 rafamento, o estresse emocional provocado em suas

    75 maiores cidades. Conta final: U$ 70 bilhões/ano. Isso

    sem falar nos custos ambientais — é consenso na co-

    munidade científica que a queima de combustíveis fó-

    sseis, como o petróleo, pelos automóveis é uma das prin-

    35 cipais causas de emissões de carbono, um dos causa-

    dores do aquecimento global.

    A maior cidade do Brasil tem também os maiores

    engarrafamentos. A frota da Grande São Paulo atingiu,

    em 2008, a marca de seis milhões de veículos. Este

    40 número só aumenta: são vendidos cerca de 600 carros

    por dia — segundo a Associação Nacional dos Fabri-

    cantes de Veículos Automotores (Anfavea). O consul-

    tor de tráfego Horácio Figueira só vê uma solução: “É

    preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário,

    45 as cidades vão parar”, alerta. Enquanto 60% da popu-

    lação do país utilizam o transporte público, apenas 47%

    dos paulistanos seguem o mesmo exemplo. A falta de

    conforto e os itinerários limitados dos ônibus levaram

    30% dos usuários a optar pelas vans, realimentando os

    50 quilométricos congestionamentos da cidade.

    CARNEIRO, Claudio. In: Opinião e Notícia, 20 mar. 2008. Disponível em: http://opiniaoenoticia.com.br/vida/transito-nas-grandes-cidades-opreco-do-tempo-perdido. Acesso em: 3 ago. 2009.

    Observe a sentença abaixo.

    É preciso priorizar o transporte coletivo. Caso contrário, as cidades vão parar.

    Marque a opção em que a reescritura causa ALTERAÇÃO de significado.

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