1Questão
A vida às vezes é como um jogo brincado na rua:
estamos no último minuto de uma brincadeira bem quente
e não sabemos que a qualquer momento pode chegar um
mais velho a avisar que a brincadeira já acabou e está na
hora de jantar. A vida afinal acontece muito de repente
— nunca ninguém nos avisou que aquele era mesmo o
último Carnaval da Vitória. O Carnaval também chegava
sempre de repente. Nós, as crianças, vivíamos num tempo
fora do tempo, sem nunca sabermos dos calendários de
verdade. [...] O “dia da véspera do Carnaval", como dizia
a avó Nhé, era dia de confusão com roupas e pinturas a
serem preparadas, sonhadas e inventadas. Mas quando
acontecia era um dia rápido, porque os dias mágicos
passam depressa deixando marcas fundas na nossa
memória, que alguns chamam também de coração.
ONDJAKI.Os da minha rua. Rio de Janeiro Língua Geral. 2007
As significações afetivas engendradas no fragmento pressupõem o reconhecimento da
ONDJAKI.Os da minha rua. Rio de Janeiro Língua Geral. 2007
As significações afetivas engendradas no fragmento pressupõem o reconhecimento da
2Questão
Slam do Corpo é um encontro pensado para surdos
e ouvintes, existente desde 2014, em São Paulo. Uma
iniciativa pioneira do grupo Corposinalizante, criado em
2008. (Antes de seguirmos, vale a explicação: o termo
slamvem do inglês e significa — numa nova acepção para o verbo geralmente utilizado para dizer “bater com
força" — a “poesia falada nos ritmos das palavras e da
cidade"). Nos saraus, o primeiro objetivo foi o de botar
os poemas em Libras na roda, colocar os surdos para
circular e entender esse encontro entre a poesia e a língua
de sinais, compreender o encontro dessas duas línguas.
Poemas de autoria própria, três minutos, um microfone.
Sem figurino, nem adereços, nem acompanhamento
musical. O que vale é modular a voz e o corpo, um
trabalho artesanal de tomar a palavra “visível", numa
arena cujo objetivo maior é o de emocionar a plateia, tirar
o público da passividade, seja pelo humor, horror, caos,
doçura e outras tantas sensações.
NOVELU, G. Poesia Incorporada Revista Continente, n 186, set 2016 (adaptado)
Na prática artística mencionada no texto, o corpo assume papel de destaque ao articular diferentes linguagens com o intuito de
NOVELU, G. Poesia Incorporada Revista Continente, n 186, set 2016 (adaptado)
Na prática artística mencionada no texto, o corpo assume papel de destaque ao articular diferentes linguagens com o intuito de
3Questão
É possível afirmar que muitas expressões idiomáticas
transmitidas pela cultura regional possuem autores
anônimos, no entanto, algumas delas surgiram em
consequência de contextos históricos bem curiosos.
‘Aquele é um cabra da peste" é um bom exemplo dessas
construções. Para compreender essa expressão tão repetida no
Nordeste brasileiro, faz-se necessário voltar o olhar para o
século 16. “Cabra" remete à forma com que os navegadores
portugueses chamavam os índios. Já “peste" estaria ligada
à questão da superação e resistência, ou mesmo uma
associação com o diabo. Assim, com o passar dos anos,
passou-se a utilizar tal expressão para denominar qualquer
indivíduo que se mostre corajoso ou mesmo insolente, já
que a expressão pode ter caráter positivo ou negativo. Aliás,
quem já não ficou de “nhe-nhe-nhém" por ai? O termo, que
normalmente tem significado de conversa interminável,
monótona ou resmungo, tem origem no tupi-guarani e "nhém" significa "falar".
Disponível em http// dahistoria.uol.com.br. Acesso em 13 dez 2017.
A leitura do texto permite ao leitor entrar em contato com
Disponível em http// dahistoria.uol.com.br. Acesso em 13 dez 2017.
A leitura do texto permite ao leitor entrar em contato com
4Questão
Na sua imaginação perturbada sentia a natureza toda
agitando-se para sufocá-la. Aumentavam as sombras. No
céu, nuvens colossais e túmidas rolavam para o abismo do
horizonte... Na várzea, ao clarão indeciso do crepúsculo,
os seres tomavam ares de monstros... As montanhas,
subindo ameaçadoras da terra, perfilavam-se tenebrosas...
Os caminhos, espreguiçando-se sobre os campos,
animavam-se quais serpentes infinitas... As árvores soltas
choravam ao vento, como carpideiras fantásticas da
natureza morta... Os aflitivos pássaros noturnos gemiam
agouros com pios fúnebres. Maria quis fugir, mas os
membros cansados não acudiam aos ímpetos do medo
e deixavam-na prostrada em uma angústia desesperada.
ARANHA. J P G Canaã. São Paulo Ática. 1997
No trecho, o narrador mobiliza recursos de linguagem que geram uma expressividade centrada na percepção da
ARANHA. J P G Canaã. São Paulo Ática. 1997
No trecho, o narrador mobiliza recursos de linguagem que geram uma expressividade centrada na percepção da
5Questão
Fomos falar com o tal encarregado, depois com um
engenheiro, depois com um supervisor que mandou
chamar um engenheiro da nossa companhia. Esses
homens são da sua companhia, engenheiro, ele falou,
estão pedindo a conta. A companhia está empenhada
nessa ponte, gente, falou o engenheiro, vocês não
podem sair assim sem mais nem menos. Tinha uma
serra circular cortando uns caibros ali perto, então
só dava pra falar quando a serra parava, e aquilo foi
dando nos nervos.
Falei que a gente tinha o direito de sair quando a
gente quisesse, e pronto. Nisso encostou um sujeito
de paletó mas sem gravata, o engenheiro continuou
falando e a serra cortando. Quando ele parou de falar,
50 Volts aproveitou uma parada da serra e falou que
a gente não era bicho pra trabalhar daquele jeito; dai
o supervisor falou que, se era falta mulher, eles
davam um jeito. O engenheiro falou que tinha mais
de vinte companhias trabalhando na ponte, a maioria
com prejuízo, porque era mais uma questão de honra,
a gente tinha de acabar a ponte, a nossa companhia
nunca ia esquecer nosso trabalho ali naquela ponte,
um orgulho nacional.
PELLEGRINI, D. A maior ponte do mundo In: Melhores contos. São Paulo. Global. 2005.
As reivindicações dos operários, quanto às condições aviltantes de trabalho a que são submetidos, recebem algumas tentativas de neutralização dos representantes do empregador das quais a mais forte é o(a)
PELLEGRINI, D. A maior ponte do mundo In: Melhores contos. São Paulo. Global. 2005.
As reivindicações dos operários, quanto às condições aviltantes de trabalho a que são submetidos, recebem algumas tentativas de neutralização dos representantes do empregador das quais a mais forte é o(a)