ENEM – Interpretação de Textos – Primeiro e Segundo Dia

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Desempenho Global
4
Resoluções
35%
Média
Difícil
Dificuldade
  • Dia 20/10

    É preciso não beber mais. Não é preciso sentir vontade de beber e não beber: é preciso não sentir vontade de beber. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso fechar para balanço e reabrir. É preciso não dar de comer aos urubus. Nem esperanças aos urubus. É preciso sacudir a poeira. É preciso poder beber sem se oferecer em holocausto. É preciso. É preciso não morrer por enquanto. É preciso sobreviver para verificar. Não pensar mais na solidão de Rogério, e deixá-lo. É preciso não dar de comer aos urubus. É preciso enquanto é tempo não morrer na via pública.

    TORQUATO NETO. In: MENDONÇA, J. (Org.) Poesia (im)popular brasileira. São Bernardo do Campo: Lamparina Luminosa, 2012.

    O processo de construção do texto formata uma mensagem por ele dimensionada, uma vez que

  • “A Declaração Universal dos Direitos Humanos está completando 70 anos em tempos de desafios crescentes, quando o ódio, a discriminação e a violência permanecem vivos”, disse a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), Audrey Azoulay.

    “Ao final da Segunda Guerra Mundial, a humanidade inteira resolveu promover a dignidade humana em todos os lugares e para sempre. Nesse espírito, as Nações Unidas adotaram a Declaração Universal dos Direitos Humanos como um padrão comum de conquistas para todos os povos e todas as nações”, disse Audrey.

    “Centenas de milhões de mulheres e homens são destituídos e privados de condições básicas de subsistência e de oportunidades. Movimentos populacionais forçados geram violações aos direitos em uma escala sem precedentes. A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável promete não deixar ninguém para trás - e os direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso.”

    Segundo ela, esse processo precisa começar o quanto antes nas carteiras das escolas. Diante disso, a Unesco lidera a educação em direitos humanos para assegurar que todas as meninas e meninos saibam seus direitos e os direitos dos outros.

    Disponível em: https://nacoesunidas.org. Acesso em: 3 abr. 2018 (adaptado).

    Defendendo a ideia de que “os direitos humanos devem ser o alicerce para todo o progresso”, a diretora-geral da Unesco aponta, como estratégia para atingir esse fim, a

  • — Famigerado? [...]

    — Famigerado é “inóxio”, é “célebre”, “notório”, “notável”...

    — Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?

    — Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos...

    — Pois... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia de semana?

    — Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito...

    ROSA, G. Famigerado. In: Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2001.

    Nesse texto, a associação de vocábulos da língua portuguesa a determinados dias da semana remete ao

  • Na sociologia e na literatura, o brasileiro foi por vezes tratado como cordial e hospitaleiro, mas não é isso o que acontece nas redes sociais: a democracia racial apregoada por Gilberto Freyre passa ao largo do que acontece diariamente nas comunidades virtuais do país. Levantamento inédito realizado pelo projeto Comunica que Muda [...] mostra em números a intolerância do internauta tupiniquim. Entre abril e junho, um algoritmo vasculhou plataformas [...] atrás de mensagens e textos sobre temas sensíveis, como racismo, posicionamento político e homofobia. Foram identificadas 393 284 menções, sendo 84% delas com abordagem negativa, de exposição do preconceito e da discriminação.

    Disponível em: https://oglobo.globo.com. Acesso em: 6 dez. 2017 (adaptado).

    Ao abordar a postura do internauta brasileiro mapeada por meio de uma pesquisa em plataformas virtuais, o texto

  • Quebranto

    às vezes sou o policial que me suspeito

    me peço documentos

    e mesmo de posse deles

    me prendo e me dou porrada

    às vezes sou o porteiro

    não me deixando entrar em mim mesmo

    a não ser

    pela porta de serviço

    [..]

    às vezes faço questão de não me ver

    e entupido com a visão deles

    sinto-me a miséria concebida como um eterno

    começo

    fecho-me o cerco

    sendo o gesto que me nego

    a pinga que me bebo e me embebedo

    o dedo que me aponto

    e denuncio

    o ponto em que me entrego.

    às vezes!...

    CUTI. Negroesia. Belo Horizonte: Mazza, 2007 (fragmento).

    Na literatura de temática negra produzida no Brasil, é recorrente a presença de elementos que traduzem experiências históricas de preconceito e violência. No poema, essa vivência revela que o eu lírico

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