METRÔ SP - Interpretação de Textos para Analista de Gestão Júnior

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Desempenho Global
1
Resoluções
33%
Média
Difícil
Dificuldade
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  • 📖 Texto associado
    1.      Sem deixar de reconhecer seus méritos, o crítico Richard Brody classificou “Parasita”, do coreano Bong Joon-ho, como um
    filme conservador. Entre outras coisas, por expressar a urgência de uma correção da ordem social e econômica, sem romper com as
    regras do entretenimento comercial.
    2.     Já entendemos que as coisas perderam o rumo, mas continuamos caminhando para o precipício. Bong se apoia nesse
    consenso para transmitir uma parábola admonitória que nos faz rir ao mesmo tempo que nos confronta com nosso próprio suicídio.
    3.     Ortega y Gasset dizia que a comédia era um gênero que confirmava o poder do que já está estabelecido: o indivíduo que se
    encontra fora das estruturas torna-se ridículo, cômico. Bong inverte a lógica. Ridículo é quem ainda acredita na normalidade das
    estruturas.
    4.     Já nos primeiros minutos, o protagonista, filho de uma família de párias, considera, diante da miséria à sua volta, o quanto
    “tudo é metafórico”. Na comédia proposta por Bong, para falar do estado insustentável da desigualdade no mundo, as metáforas são
    evidentes. Rimos do que já entendemos.
    5.     O filme opõe uma família de desempregados, condenados a viver como parasitas, a uma família de ricos frívolos, enredados
    em pequenas neuroses e ambições previsíveis, entre os muros que os separam da realidade.
    6.     Atentos às menores chances de sobrevivência, em pouco tempo pai, mãe e os dois filhos da família pobre estarão ocupando
    cargos de confiança na casa dos ricos, graças a uma série de circunstâncias.
    7.     A casa onde vivem os ricos, representativa de uma tradição moderna de elegância e conforto minimalista, é mal-assombrada,
    a julgar pelas visões do filho menor.
    8.     O que se instila na parábola de Bong Joon-ho é um conservadorismo estético. É fato que o estado político, social e econômico
    do mundo desautorizou as ambições da modernidade. A casa da família rica, em seu empenho modernista, não só não resolve a
    desigualdade econômica como a esconde, encobre, transforma-a em fantasma.
    9.     Mesmo ironizando o projeto modernista, o cineasta não rompe, por razões táticas, com as regras do sistema de entre-
    tenimento que acompanha essa mesma ordem desigual. É como se o discurso artístico também precisasse reduzir-se ao mais básico
    e consensual entendimento das coisas (as metáforas imediatamente reconhecíveis por todos), evitando as contradições e o mistério
    que são a matéria de uma arte de ruptura.
    10.    Em “Parasita” não há desejo de ruptura nem revolução. Com a ponderação típica de um conto moral, ele nos exorta a salvar o
    que ainda não desmoronou.
    (Adaptado de: CARVALHO, Bernardo. Disponível em: www.folha.uol.com.br)
    entre os muros que os separam da realidade (5° parágrafo)
    como a esconde, encobre, transforma-a em fantasma (8° parágrafo)
    Os pronomes sublinhados acima referem-se, respectivamente, a:
  • 📖 Texto associado
        Para ele, o fim do ano era sempre uma época dura, difícil de suportar. Sofria daquele tipo de tristeza mórbida que acomete
    algumas pessoas nos festejos de Natal e de Ano-Novo. No seu caso havia uma razão óbvia para isso: aos setenta anos, solteirão,
    sem parentes, sem amigos, não tinha com quem celebrar, ninguém o convidava para festa alguma. O jeito era tomar um porre, e era 
    o que fazia, mas o resultado era melancólico: além da solidão, tinha de suportar a ressaca.
        No passado, convivera muito tempo com a mãe. Filho único, sentia-se obrigado a cuidar da velhinha que cedo enviuvara. Não
    se tratava de tarefa fácil: como ele, a mãe era uma mulher amargurada. Contra a sua vontade, tinha casado, em 31 de dezembro de
    1914 (o ano em que começou a Grande Guerra, como ela fazia questão de lembrar) com um homem de quem não gostava, mas que
    pais e familiares achavam um bom partido. Resultado desse matrimônio: um filho e longos anos de sofrimento e frustração. O filho
    tinha de ouvir suas constantes e ressentidas queixas. Coisa que suportava estoicamente; não deixou, contudo, de sentir certo alívio
    quando de seu falecimento, em 1984. Este alívio resultou em culpa, uma culpa que retornava a cada Natal. Porque a mãe falecera
    exatamente na noite de Natal. Na véspera, no hospital, ela lhe fizera uma confissão surpreendente: muito jovem, apaixonara-se por
    um primo, que acabou se transformando no grande amor de sua vida. Mas a família do primo mudara-se, e ela nunca mais tivera
    notícias dele. Nunca recebera uma carta, uma mensagem, nada. Nem ao menos um cartão de Natal.
        No dia 24 pela manhã ele encontrou um envelope na carta do correio. Como em geral não recebia correspondência alguma, foi
    com alguma estranheza que abriu o envelope.
        Era um cartão de Natal, e tinha a falecida mãe como destinatária. Um velhíssimo cartão, uma coisa muito antiga, amarelada
    pelo tempo. De um lado, um desenho do Papai Noel sorrindo para uma menina. Do outro lado, a data: 23 de dezembro de 1914. E
    uma única frase: “Eu te amo.”
        A assinatura era ilegível, mas ele sabia quem era o remetente: o primo, claro. O primo por quem a mãe se apaixonara, e que,
    por meio daquele cartão, quisera associar o Natal a uma mensagem de amor. Uma nova vida, era o que estava prometendo. Esta
    mensagem e esta promessa jamais tinham chegado a seu destino. Mas de algum modo o recado chegara a ele. Por quê? Que
    secreto desígnio haveria atrás daquilo?
        Cartão na mão, aproximou-se da janela. Ali, parada sob o poste de iluminação, estava uma mulher já madura, modestamente
    vestida, uma mulher ainda bonita. Uma desconhecida, claro, mas o que importava? Seguramente o destino a trouxera ali, assim como
    trouxera o cartão de Natal. Num impulso, abriu a porta do apartamento e, sempre segurando o cartão, correu para fora. Tinha uma
    mensagem para entregar àquela mulher. Uma mensagem que poderia transformar a vida de ambos, e que era, por isso, um
    verdadeiro presente de Natal.
    (SCLIAR, Moacyr. Mensagem de Natal. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 26-28)
    Estabelece relação de referência a um termo mencionado anteriormente no texto a palavra sublinhada em:
  • 📖 Texto associado
    1.      Sem deixar de reconhecer seus méritos, o crítico Richard Brody classificou “Parasita”, do coreano Bong Joon-ho, como um
    filme conservador. Entre outras coisas, por expressar a urgência de uma correção da ordem social e econômica, sem romper com as
    regras do entretenimento comercial.
    2.     Já entendemos que as coisas perderam o rumo, mas continuamos caminhando para o precipício. Bong se apoia nesse
    consenso para transmitir uma parábola admonitória que nos faz rir ao mesmo tempo que nos confronta com nosso próprio suicídio.
    3.     Ortega y Gasset dizia que a comédia era um gênero que confirmava o poder do que já está estabelecido: o indivíduo que se
    encontra fora das estruturas torna-se ridículo, cômico. Bong inverte a lógica. Ridículo é quem ainda acredita na normalidade das
    estruturas.
    4.     Já nos primeiros minutos, o protagonista, filho de uma família de párias, considera, diante da miséria à sua volta, o quanto
    “tudo é metafórico”. Na comédia proposta por Bong, para falar do estado insustentável da desigualdade no mundo, as metáforas são
    evidentes. Rimos do que já entendemos.
    5.     O filme opõe uma família de desempregados, condenados a viver como parasitas, a uma família de ricos frívolos, enredados
    em pequenas neuroses e ambições previsíveis, entre os muros que os separam da realidade.
    6.     Atentos às menores chances de sobrevivência, em pouco tempo pai, mãe e os dois filhos da família pobre estarão ocupando
    cargos de confiança na casa dos ricos, graças a uma série de circunstâncias.
    7.     A casa onde vivem os ricos, representativa de uma tradição moderna de elegância e conforto minimalista, é mal-assombrada,
    a julgar pelas visões do filho menor.
    8.     O que se instila na parábola de Bong Joon-ho é um conservadorismo estético. É fato que o estado político, social e econômico
    do mundo desautorizou as ambições da modernidade. A casa da família rica, em seu empenho modernista, não só não resolve a
    desigualdade econômica como a esconde, encobre, transforma-a em fantasma.
    9.     Mesmo ironizando o projeto modernista, o cineasta não rompe, por razões táticas, com as regras do sistema de entre-
    tenimento que acompanha essa mesma ordem desigual. É como se o discurso artístico também precisasse reduzir-se ao mais básico
    e consensual entendimento das coisas (as metáforas imediatamente reconhecíveis por todos), evitando as contradições e o mistério
    que são a matéria de uma arte de ruptura.
    10.    Em “Parasita” não há desejo de ruptura nem revolução. Com a ponderação típica de um conto moral, ele nos exorta a salvar o
    que ainda não desmoronou.
    (Adaptado de: CARVALHO, Bernardo. Disponível em: www.folha.uol.com.br)
    O autor do texto retoma a ideia de que o filme apresentado constitui uma parábola no seguinte trecho:
  • 📖 Texto associado
        Para ele, o fim do ano era sempre uma época dura, difícil de suportar. Sofria daquele tipo de tristeza mórbida que acomete
    algumas pessoas nos festejos de Natal e de Ano-Novo. No seu caso havia uma razão óbvia para isso: aos setenta anos, solteirão,
    sem parentes, sem amigos, não tinha com quem celebrar, ninguém o convidava para festa alguma. O jeito era tomar um porre, e era 
    o que fazia, mas o resultado era melancólico: além da solidão, tinha de suportar a ressaca.
        No passado, convivera muito tempo com a mãe. Filho único, sentia-se obrigado a cuidar da velhinha que cedo enviuvara. Não
    se tratava de tarefa fácil: como ele, a mãe era uma mulher amargurada. Contra a sua vontade, tinha casado, em 31 de dezembro de
    1914 (o ano em que começou a Grande Guerra, como ela fazia questão de lembrar) com um homem de quem não gostava, mas que
    pais e familiares achavam um bom partido. Resultado desse matrimônio: um filho e longos anos de sofrimento e frustração. O filho
    tinha de ouvir suas constantes e ressentidas queixas. Coisa que suportava estoicamente; não deixou, contudo, de sentir certo alívio
    quando de seu falecimento, em 1984. Este alívio resultou em culpa, uma culpa que retornava a cada Natal. Porque a mãe falecera
    exatamente na noite de Natal. Na véspera, no hospital, ela lhe fizera uma confissão surpreendente: muito jovem, apaixonara-se por
    um primo, que acabou se transformando no grande amor de sua vida. Mas a família do primo mudara-se, e ela nunca mais tivera
    notícias dele. Nunca recebera uma carta, uma mensagem, nada. Nem ao menos um cartão de Natal.
        No dia 24 pela manhã ele encontrou um envelope na carta do correio. Como em geral não recebia correspondência alguma, foi
    com alguma estranheza que abriu o envelope.
        Era um cartão de Natal, e tinha a falecida mãe como destinatária. Um velhíssimo cartão, uma coisa muito antiga, amarelada
    pelo tempo. De um lado, um desenho do Papai Noel sorrindo para uma menina. Do outro lado, a data: 23 de dezembro de 1914. E
    uma única frase: “Eu te amo.”
        A assinatura era ilegível, mas ele sabia quem era o remetente: o primo, claro. O primo por quem a mãe se apaixonara, e que,
    por meio daquele cartão, quisera associar o Natal a uma mensagem de amor. Uma nova vida, era o que estava prometendo. Esta
    mensagem e esta promessa jamais tinham chegado a seu destino. Mas de algum modo o recado chegara a ele. Por quê? Que
    secreto desígnio haveria atrás daquilo?
        Cartão na mão, aproximou-se da janela. Ali, parada sob o poste de iluminação, estava uma mulher já madura, modestamente
    vestida, uma mulher ainda bonita. Uma desconhecida, claro, mas o que importava? Seguramente o destino a trouxera ali, assim como
    trouxera o cartão de Natal. Num impulso, abriu a porta do apartamento e, sempre segurando o cartão, correu para fora. Tinha uma
    mensagem para entregar àquela mulher. Uma mensagem que poderia transformar a vida de ambos, e que era, por isso, um
    verdadeiro presente de Natal.
    (SCLIAR, Moacyr. Mensagem de Natal. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 26-28)
    Com relação às constantes queixas da mãe, o filho se comportava de modo
  • 📖 Texto associado
    1.      Sem deixar de reconhecer seus méritos, o crítico Richard Brody classificou “Parasita”, do coreano Bong Joon-ho, como um
    filme conservador. Entre outras coisas, por expressar a urgência de uma correção da ordem social e econômica, sem romper com as
    regras do entretenimento comercial.
    2.     Já entendemos que as coisas perderam o rumo, mas continuamos caminhando para o precipício. Bong se apoia nesse
    consenso para transmitir uma parábola admonitória que nos faz rir ao mesmo tempo que nos confronta com nosso próprio suicídio.
    3.     Ortega y Gasset dizia que a comédia era um gênero que confirmava o poder do que já está estabelecido: o indivíduo que se
    encontra fora das estruturas torna-se ridículo, cômico. Bong inverte a lógica. Ridículo é quem ainda acredita na normalidade das
    estruturas.
    4.     Já nos primeiros minutos, o protagonista, filho de uma família de párias, considera, diante da miséria à sua volta, o quanto
    “tudo é metafórico”. Na comédia proposta por Bong, para falar do estado insustentável da desigualdade no mundo, as metáforas são
    evidentes. Rimos do que já entendemos.
    5.     O filme opõe uma família de desempregados, condenados a viver como parasitas, a uma família de ricos frívolos, enredados
    em pequenas neuroses e ambições previsíveis, entre os muros que os separam da realidade.
    6.     Atentos às menores chances de sobrevivência, em pouco tempo pai, mãe e os dois filhos da família pobre estarão ocupando
    cargos de confiança na casa dos ricos, graças a uma série de circunstâncias.
    7.     A casa onde vivem os ricos, representativa de uma tradição moderna de elegância e conforto minimalista, é mal-assombrada,
    a julgar pelas visões do filho menor.
    8.     O que se instila na parábola de Bong Joon-ho é um conservadorismo estético. É fato que o estado político, social e econômico
    do mundo desautorizou as ambições da modernidade. A casa da família rica, em seu empenho modernista, não só não resolve a
    desigualdade econômica como a esconde, encobre, transforma-a em fantasma.
    9.     Mesmo ironizando o projeto modernista, o cineasta não rompe, por razões táticas, com as regras do sistema de entre-
    tenimento que acompanha essa mesma ordem desigual. É como se o discurso artístico também precisasse reduzir-se ao mais básico
    e consensual entendimento das coisas (as metáforas imediatamente reconhecíveis por todos), evitando as contradições e o mistério
    que são a matéria de uma arte de ruptura.
    10.    Em “Parasita” não há desejo de ruptura nem revolução. Com a ponderação típica de um conto moral, ele nos exorta a salvar o
    que ainda não desmoronou.
    (Adaptado de: CARVALHO, Bernardo. Disponível em: www.folha.uol.com.br)
    Depreende-se do texto que o cineasta Bong Joon-ho
  • 📖 Texto associado
    1.      Sem deixar de reconhecer seus méritos, o crítico Richard Brody classificou “Parasita”, do coreano Bong Joon-ho, como um
    filme conservador. Entre outras coisas, por expressar a urgência de uma correção da ordem social e econômica, sem romper com as
    regras do entretenimento comercial.
    2.     Já entendemos que as coisas perderam o rumo, mas continuamos caminhando para o precipício. Bong se apoia nesse
    consenso para transmitir uma parábola admonitória que nos faz rir ao mesmo tempo que nos confronta com nosso próprio suicídio.
    3.     Ortega y Gasset dizia que a comédia era um gênero que confirmava o poder do que já está estabelecido: o indivíduo que se
    encontra fora das estruturas torna-se ridículo, cômico. Bong inverte a lógica. Ridículo é quem ainda acredita na normalidade das
    estruturas.
    4.     Já nos primeiros minutos, o protagonista, filho de uma família de párias, considera, diante da miséria à sua volta, o quanto
    “tudo é metafórico”. Na comédia proposta por Bong, para falar do estado insustentável da desigualdade no mundo, as metáforas são
    evidentes. Rimos do que já entendemos.
    5.     O filme opõe uma família de desempregados, condenados a viver como parasitas, a uma família de ricos frívolos, enredados
    em pequenas neuroses e ambições previsíveis, entre os muros que os separam da realidade.
    6.     Atentos às menores chances de sobrevivência, em pouco tempo pai, mãe e os dois filhos da família pobre estarão ocupando
    cargos de confiança na casa dos ricos, graças a uma série de circunstâncias.
    7.     A casa onde vivem os ricos, representativa de uma tradição moderna de elegância e conforto minimalista, é mal-assombrada,
    a julgar pelas visões do filho menor.
    8.     O que se instila na parábola de Bong Joon-ho é um conservadorismo estético. É fato que o estado político, social e econômico
    do mundo desautorizou as ambições da modernidade. A casa da família rica, em seu empenho modernista, não só não resolve a
    desigualdade econômica como a esconde, encobre, transforma-a em fantasma.
    9.     Mesmo ironizando o projeto modernista, o cineasta não rompe, por razões táticas, com as regras do sistema de entre-
    tenimento que acompanha essa mesma ordem desigual. É como se o discurso artístico também precisasse reduzir-se ao mais básico
    e consensual entendimento das coisas (as metáforas imediatamente reconhecíveis por todos), evitando as contradições e o mistério
    que são a matéria de uma arte de ruptura.
    10.    Em “Parasita” não há desejo de ruptura nem revolução. Com a ponderação típica de um conto moral, ele nos exorta a salvar o
    que ainda não desmoronou.
    (Adaptado de: CARVALHO, Bernardo. Disponível em: www.folha.uol.com.br)
    graças a uma série de circunstâncias (6° parágrafo)
    Sem que nenhuma outra alteração seja feita na frase, o sinal indicativo de crase deve ser empregado caso se substitua o trecho sublinhado acima por:
  • 📖 Texto associado
    1.      Sem deixar de reconhecer seus méritos, o crítico Richard Brody classificou “Parasita”, do coreano Bong Joon-ho, como um
    filme conservador. Entre outras coisas, por expressar a urgência de uma correção da ordem social e econômica, sem romper com as
    regras do entretenimento comercial.
    2.     Já entendemos que as coisas perderam o rumo, mas continuamos caminhando para o precipício. Bong se apoia nesse
    consenso para transmitir uma parábola admonitória que nos faz rir ao mesmo tempo que nos confronta com nosso próprio suicídio.
    3.     Ortega y Gasset dizia que a comédia era um gênero que confirmava o poder do que já está estabelecido: o indivíduo que se
    encontra fora das estruturas torna-se ridículo, cômico. Bong inverte a lógica. Ridículo é quem ainda acredita na normalidade das
    estruturas.
    4.     Já nos primeiros minutos, o protagonista, filho de uma família de párias, considera, diante da miséria à sua volta, o quanto
    “tudo é metafórico”. Na comédia proposta por Bong, para falar do estado insustentável da desigualdade no mundo, as metáforas são
    evidentes. Rimos do que já entendemos.
    5.     O filme opõe uma família de desempregados, condenados a viver como parasitas, a uma família de ricos frívolos, enredados
    em pequenas neuroses e ambições previsíveis, entre os muros que os separam da realidade.
    6.     Atentos às menores chances de sobrevivência, em pouco tempo pai, mãe e os dois filhos da família pobre estarão ocupando
    cargos de confiança na casa dos ricos, graças a uma série de circunstâncias.
    7.     A casa onde vivem os ricos, representativa de uma tradição moderna de elegância e conforto minimalista, é mal-assombrada,
    a julgar pelas visões do filho menor.
    8.     O que se instila na parábola de Bong Joon-ho é um conservadorismo estético. É fato que o estado político, social e econômico
    do mundo desautorizou as ambições da modernidade. A casa da família rica, em seu empenho modernista, não só não resolve a
    desigualdade econômica como a esconde, encobre, transforma-a em fantasma.
    9.     Mesmo ironizando o projeto modernista, o cineasta não rompe, por razões táticas, com as regras do sistema de entre-
    tenimento que acompanha essa mesma ordem desigual. É como se o discurso artístico também precisasse reduzir-se ao mais básico
    e consensual entendimento das coisas (as metáforas imediatamente reconhecíveis por todos), evitando as contradições e o mistério
    que são a matéria de uma arte de ruptura.
    10.    Em “Parasita” não há desejo de ruptura nem revolução. Com a ponderação típica de um conto moral, ele nos exorta a salvar o
    que ainda não desmoronou.
    (Adaptado de: CARVALHO, Bernardo. Disponível em: www.folha.uol.com.br)
    Está correta a redação do livre comentário que se encontra em:
  • 📖 Texto associado
        Para ele, o fim do ano era sempre uma época dura, difícil de suportar. Sofria daquele tipo de tristeza mórbida que acomete
    algumas pessoas nos festejos de Natal e de Ano-Novo. No seu caso havia uma razão óbvia para isso: aos setenta anos, solteirão,
    sem parentes, sem amigos, não tinha com quem celebrar, ninguém o convidava para festa alguma. O jeito era tomar um porre, e era 
    o que fazia, mas o resultado era melancólico: além da solidão, tinha de suportar a ressaca.
        No passado, convivera muito tempo com a mãe. Filho único, sentia-se obrigado a cuidar da velhinha que cedo enviuvara. Não
    se tratava de tarefa fácil: como ele, a mãe era uma mulher amargurada. Contra a sua vontade, tinha casado, em 31 de dezembro de
    1914 (o ano em que começou a Grande Guerra, como ela fazia questão de lembrar) com um homem de quem não gostava, mas que
    pais e familiares achavam um bom partido. Resultado desse matrimônio: um filho e longos anos de sofrimento e frustração. O filho
    tinha de ouvir suas constantes e ressentidas queixas. Coisa que suportava estoicamente; não deixou, contudo, de sentir certo alívio
    quando de seu falecimento, em 1984. Este alívio resultou em culpa, uma culpa que retornava a cada Natal. Porque a mãe falecera
    exatamente na noite de Natal. Na véspera, no hospital, ela lhe fizera uma confissão surpreendente: muito jovem, apaixonara-se por
    um primo, que acabou se transformando no grande amor de sua vida. Mas a família do primo mudara-se, e ela nunca mais tivera
    notícias dele. Nunca recebera uma carta, uma mensagem, nada. Nem ao menos um cartão de Natal.
        No dia 24 pela manhã ele encontrou um envelope na carta do correio. Como em geral não recebia correspondência alguma, foi
    com alguma estranheza que abriu o envelope.
        Era um cartão de Natal, e tinha a falecida mãe como destinatária. Um velhíssimo cartão, uma coisa muito antiga, amarelada
    pelo tempo. De um lado, um desenho do Papai Noel sorrindo para uma menina. Do outro lado, a data: 23 de dezembro de 1914. E
    uma única frase: “Eu te amo.”
        A assinatura era ilegível, mas ele sabia quem era o remetente: o primo, claro. O primo por quem a mãe se apaixonara, e que,
    por meio daquele cartão, quisera associar o Natal a uma mensagem de amor. Uma nova vida, era o que estava prometendo. Esta
    mensagem e esta promessa jamais tinham chegado a seu destino. Mas de algum modo o recado chegara a ele. Por quê? Que
    secreto desígnio haveria atrás daquilo?
        Cartão na mão, aproximou-se da janela. Ali, parada sob o poste de iluminação, estava uma mulher já madura, modestamente
    vestida, uma mulher ainda bonita. Uma desconhecida, claro, mas o que importava? Seguramente o destino a trouxera ali, assim como
    trouxera o cartão de Natal. Num impulso, abriu a porta do apartamento e, sempre segurando o cartão, correu para fora. Tinha uma
    mensagem para entregar àquela mulher. Uma mensagem que poderia transformar a vida de ambos, e que era, por isso, um
    verdadeiro presente de Natal.
    (SCLIAR, Moacyr. Mensagem de Natal. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 26-28)
    Em não deixou, contudo, de sentir certo alívio quando de seu falecimento (2° parágrafo), o termo destacado pode ser substituído, sem prejuízo para o sentido do texto, por:
  • 📖 Texto associado
    1.      Sem deixar de reconhecer seus méritos, o crítico Richard Brody classificou “Parasita”, do coreano Bong Joon-ho, como um
    filme conservador. Entre outras coisas, por expressar a urgência de uma correção da ordem social e econômica, sem romper com as
    regras do entretenimento comercial.
    2.     Já entendemos que as coisas perderam o rumo, mas continuamos caminhando para o precipício. Bong se apoia nesse
    consenso para transmitir uma parábola admonitória que nos faz rir ao mesmo tempo que nos confronta com nosso próprio suicídio.
    3.     Ortega y Gasset dizia que a comédia era um gênero que confirmava o poder do que já está estabelecido: o indivíduo que se
    encontra fora das estruturas torna-se ridículo, cômico. Bong inverte a lógica. Ridículo é quem ainda acredita na normalidade das
    estruturas.
    4.     Já nos primeiros minutos, o protagonista, filho de uma família de párias, considera, diante da miséria à sua volta, o quanto
    “tudo é metafórico”. Na comédia proposta por Bong, para falar do estado insustentável da desigualdade no mundo, as metáforas são
    evidentes. Rimos do que já entendemos.
    5.     O filme opõe uma família de desempregados, condenados a viver como parasitas, a uma família de ricos frívolos, enredados
    em pequenas neuroses e ambições previsíveis, entre os muros que os separam da realidade.
    6.     Atentos às menores chances de sobrevivência, em pouco tempo pai, mãe e os dois filhos da família pobre estarão ocupando
    cargos de confiança na casa dos ricos, graças a uma série de circunstâncias.
    7.     A casa onde vivem os ricos, representativa de uma tradição moderna de elegância e conforto minimalista, é mal-assombrada,
    a julgar pelas visões do filho menor.
    8.     O que se instila na parábola de Bong Joon-ho é um conservadorismo estético. É fato que o estado político, social e econômico
    do mundo desautorizou as ambições da modernidade. A casa da família rica, em seu empenho modernista, não só não resolve a
    desigualdade econômica como a esconde, encobre, transforma-a em fantasma.
    9.     Mesmo ironizando o projeto modernista, o cineasta não rompe, por razões táticas, com as regras do sistema de entre-
    tenimento que acompanha essa mesma ordem desigual. É como se o discurso artístico também precisasse reduzir-se ao mais básico
    e consensual entendimento das coisas (as metáforas imediatamente reconhecíveis por todos), evitando as contradições e o mistério
    que são a matéria de uma arte de ruptura.
    10.    Em “Parasita” não há desejo de ruptura nem revolução. Com a ponderação típica de um conto moral, ele nos exorta a salvar o
    que ainda não desmoronou.
    (Adaptado de: CARVALHO, Bernardo. Disponível em: www.folha.uol.com.br)
    No contexto, expressa noção de finalidade o seguinte trecho:
  • 📖 Texto associado
        Para ele, o fim do ano era sempre uma época dura, difícil de suportar. Sofria daquele tipo de tristeza mórbida que acomete
    algumas pessoas nos festejos de Natal e de Ano-Novo. No seu caso havia uma razão óbvia para isso: aos setenta anos, solteirão,
    sem parentes, sem amigos, não tinha com quem celebrar, ninguém o convidava para festa alguma. O jeito era tomar um porre, e era 
    o que fazia, mas o resultado era melancólico: além da solidão, tinha de suportar a ressaca.
        No passado, convivera muito tempo com a mãe. Filho único, sentia-se obrigado a cuidar da velhinha que cedo enviuvara. Não
    se tratava de tarefa fácil: como ele, a mãe era uma mulher amargurada. Contra a sua vontade, tinha casado, em 31 de dezembro de
    1914 (o ano em que começou a Grande Guerra, como ela fazia questão de lembrar) com um homem de quem não gostava, mas que
    pais e familiares achavam um bom partido. Resultado desse matrimônio: um filho e longos anos de sofrimento e frustração. O filho
    tinha de ouvir suas constantes e ressentidas queixas. Coisa que suportava estoicamente; não deixou, contudo, de sentir certo alívio
    quando de seu falecimento, em 1984. Este alívio resultou em culpa, uma culpa que retornava a cada Natal. Porque a mãe falecera
    exatamente na noite de Natal. Na véspera, no hospital, ela lhe fizera uma confissão surpreendente: muito jovem, apaixonara-se por
    um primo, que acabou se transformando no grande amor de sua vida. Mas a família do primo mudara-se, e ela nunca mais tivera
    notícias dele. Nunca recebera uma carta, uma mensagem, nada. Nem ao menos um cartão de Natal.
        No dia 24 pela manhã ele encontrou um envelope na carta do correio. Como em geral não recebia correspondência alguma, foi
    com alguma estranheza que abriu o envelope.
        Era um cartão de Natal, e tinha a falecida mãe como destinatária. Um velhíssimo cartão, uma coisa muito antiga, amarelada
    pelo tempo. De um lado, um desenho do Papai Noel sorrindo para uma menina. Do outro lado, a data: 23 de dezembro de 1914. E
    uma única frase: “Eu te amo.”
        A assinatura era ilegível, mas ele sabia quem era o remetente: o primo, claro. O primo por quem a mãe se apaixonara, e que,
    por meio daquele cartão, quisera associar o Natal a uma mensagem de amor. Uma nova vida, era o que estava prometendo. Esta
    mensagem e esta promessa jamais tinham chegado a seu destino. Mas de algum modo o recado chegara a ele. Por quê? Que
    secreto desígnio haveria atrás daquilo?
        Cartão na mão, aproximou-se da janela. Ali, parada sob o poste de iluminação, estava uma mulher já madura, modestamente
    vestida, uma mulher ainda bonita. Uma desconhecida, claro, mas o que importava? Seguramente o destino a trouxera ali, assim como
    trouxera o cartão de Natal. Num impulso, abriu a porta do apartamento e, sempre segurando o cartão, correu para fora. Tinha uma
    mensagem para entregar àquela mulher. Uma mensagem que poderia transformar a vida de ambos, e que era, por isso, um
    verdadeiro presente de Natal.
    (SCLIAR, Moacyr. Mensagem de Natal. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 26-28)
    O substantivo está posposto ao termo que o qualifica na expressão sublinhada em:
  • 📖 Texto associado
    1.      Sem deixar de reconhecer seus méritos, o crítico Richard Brody classificou “Parasita”, do coreano Bong Joon-ho, como um
    filme conservador. Entre outras coisas, por expressar a urgência de uma correção da ordem social e econômica, sem romper com as
    regras do entretenimento comercial.
    2.     Já entendemos que as coisas perderam o rumo, mas continuamos caminhando para o precipício. Bong se apoia nesse
    consenso para transmitir uma parábola admonitória que nos faz rir ao mesmo tempo que nos confronta com nosso próprio suicídio.
    3.     Ortega y Gasset dizia que a comédia era um gênero que confirmava o poder do que já está estabelecido: o indivíduo que se
    encontra fora das estruturas torna-se ridículo, cômico. Bong inverte a lógica. Ridículo é quem ainda acredita na normalidade das
    estruturas.
    4.     Já nos primeiros minutos, o protagonista, filho de uma família de párias, considera, diante da miséria à sua volta, o quanto
    “tudo é metafórico”. Na comédia proposta por Bong, para falar do estado insustentável da desigualdade no mundo, as metáforas são
    evidentes. Rimos do que já entendemos.
    5.     O filme opõe uma família de desempregados, condenados a viver como parasitas, a uma família de ricos frívolos, enredados
    em pequenas neuroses e ambições previsíveis, entre os muros que os separam da realidade.
    6.     Atentos às menores chances de sobrevivência, em pouco tempo pai, mãe e os dois filhos da família pobre estarão ocupando
    cargos de confiança na casa dos ricos, graças a uma série de circunstâncias.
    7.     A casa onde vivem os ricos, representativa de uma tradição moderna de elegância e conforto minimalista, é mal-assombrada,
    a julgar pelas visões do filho menor.
    8.     O que se instila na parábola de Bong Joon-ho é um conservadorismo estético. É fato que o estado político, social e econômico
    do mundo desautorizou as ambições da modernidade. A casa da família rica, em seu empenho modernista, não só não resolve a
    desigualdade econômica como a esconde, encobre, transforma-a em fantasma.
    9.     Mesmo ironizando o projeto modernista, o cineasta não rompe, por razões táticas, com as regras do sistema de entre-
    tenimento que acompanha essa mesma ordem desigual. É como se o discurso artístico também precisasse reduzir-se ao mais básico
    e consensual entendimento das coisas (as metáforas imediatamente reconhecíveis por todos), evitando as contradições e o mistério
    que são a matéria de uma arte de ruptura.
    10.    Em “Parasita” não há desejo de ruptura nem revolução. Com a ponderação típica de um conto moral, ele nos exorta a salvar o
    que ainda não desmoronou.
    (Adaptado de: CARVALHO, Bernardo. Disponível em: www.folha.uol.com.br)
    Ortega y Gasset dizia que a comédia era um gênero literário que confirmava o poder do que já está estabelecido (3° parágrafo)
    No contexto, o trecho sublinhado acima exerce a mesma função sintática que o também sublinhado em:
  • 📖 Texto associado
    1.      Sem deixar de reconhecer seus méritos, o crítico Richard Brody classificou “Parasita”, do coreano Bong Joon-ho, como um
    filme conservador. Entre outras coisas, por expressar a urgência de uma correção da ordem social e econômica, sem romper com as
    regras do entretenimento comercial.
    2.     Já entendemos que as coisas perderam o rumo, mas continuamos caminhando para o precipício. Bong se apoia nesse
    consenso para transmitir uma parábola admonitória que nos faz rir ao mesmo tempo que nos confronta com nosso próprio suicídio.
    3.     Ortega y Gasset dizia que a comédia era um gênero que confirmava o poder do que já está estabelecido: o indivíduo que se
    encontra fora das estruturas torna-se ridículo, cômico. Bong inverte a lógica. Ridículo é quem ainda acredita na normalidade das
    estruturas.
    4.     Já nos primeiros minutos, o protagonista, filho de uma família de párias, considera, diante da miséria à sua volta, o quanto
    “tudo é metafórico”. Na comédia proposta por Bong, para falar do estado insustentável da desigualdade no mundo, as metáforas são
    evidentes. Rimos do que já entendemos.
    5.     O filme opõe uma família de desempregados, condenados a viver como parasitas, a uma família de ricos frívolos, enredados
    em pequenas neuroses e ambições previsíveis, entre os muros que os separam da realidade.
    6.     Atentos às menores chances de sobrevivência, em pouco tempo pai, mãe e os dois filhos da família pobre estarão ocupando
    cargos de confiança na casa dos ricos, graças a uma série de circunstâncias.
    7.     A casa onde vivem os ricos, representativa de uma tradição moderna de elegância e conforto minimalista, é mal-assombrada,
    a julgar pelas visões do filho menor.
    8.     O que se instila na parábola de Bong Joon-ho é um conservadorismo estético. É fato que o estado político, social e econômico
    do mundo desautorizou as ambições da modernidade. A casa da família rica, em seu empenho modernista, não só não resolve a
    desigualdade econômica como a esconde, encobre, transforma-a em fantasma.
    9.     Mesmo ironizando o projeto modernista, o cineasta não rompe, por razões táticas, com as regras do sistema de entre-
    tenimento que acompanha essa mesma ordem desigual. É como se o discurso artístico também precisasse reduzir-se ao mais básico
    e consensual entendimento das coisas (as metáforas imediatamente reconhecíveis por todos), evitando as contradições e o mistério
    que são a matéria de uma arte de ruptura.
    10.    Em “Parasita” não há desejo de ruptura nem revolução. Com a ponderação típica de um conto moral, ele nos exorta a salvar o
    que ainda não desmoronou.
    (Adaptado de: CARVALHO, Bernardo. Disponível em: www.folha.uol.com.br)
    Entre as razões que levaram “Parasita” a ser classificado como conservador, está o fato de que o filme
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