Questões de Português - Interpretação de Textos - Bahiagás (FCC)

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Desempenho Global
10
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33%
Média
Difícil
Dificuldade
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    João Gilberto ? "Há tanta coisa bonita a ser consertada"

    O início de uma vida artística é definidor. Por mais que a
    arte e a vida venham a mudar, e a negar as suas origens, o
    começo permanece como referência. No caso de João Gilberto,
    mais de meio século depois, o início de sua obra é um atestado
    de coerência.

    O disco que inicia a bossa nova é um compacto simples
    que ele gravou em julho de 1958. De um lado, havia Chega de
    Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Do outro, Bim
    Bom, dele mesmo. Não era nem a primeira gravação de João
    Gilberto nem o primeiro disco de bossa nova. Ele já havia
    gravado dois compactos com os Garotos da Lua, em 1951, e
    outro, solo, no ano seguinte.
    A batida da bossa nova, por sua vez, aparecera no LP
    Canção do Amor Demais, gravado em abril de 1958 por Elizeth
    Cardoso. Nele, João Gilberto tocava violão em Chega de
    Saudade e Outra Vez. Apesar das treze faixas serem todas de
    Jobim e Vinicius, o LP não é de bossanova. A "Divina" era uma
    cantora presa ao samba-canção, com suas ênfases óbvias e
    gastas.

    A cápsula da invenção surge mesmo no compacto de
    1958. A criação se dá em dois planos. Chega de Saudade havia
    sido composta por Jobim como um chorinho. Pois João Gilberto
    o transformou num samba enxuto, no qual o violão deixa de ser
    um mero acompanhante para dividir o primeiro plano com a voz.
    A letra é interpretada como quem fala, de modo íntimo. A
    melodia (de fundamento europeu) se amalgama à harmonia
    (com inspiração do jazz americano) e ao ritmo (que vem da
    África e se condensa no samba) para dar origem a outra coisa:
    um som que é uma arte.
    No outro lado do disco está o segundo plano inventivo, o
    do João Gilberto compositor, autor de Bim Bom, a canção que
    não tem nada de baião. A letra oscila entre a negativa absoluta
    e a afirmação de um resíduo solitário: "só isso", "não", "nada",
    "não" de novo, e outra vez "só". O que resta, de concreto, são
    duas palavras,"baião" e "coração".
    Em qual instância o criador se manifesta mais: na
    interpretação que transforma Chega de Saudade de chorinho
    em samba, ou na autoria de Bim Bom? Desde 1958, João
    Gilberto segue as duas estratégias, mas dá preferência à
    primeira delas. Ele recompõe músicas tradicionais e
    contemporâneas. Trabalha com tudo, de sambas a boleros. Em
    português, inglês, italiano ou francês. Subtrai notas, altera o
    andamento, introduz silêncios, junta versos e muda as letras. O
    que resulta é algo bem distante do original. João Gilberto retira
    os andaimes da música-matriz para torná-la mais direta,
    objetiva e clara.

    Quando se pergunta a João Gilberto por que não
    compõe mais, sua explicação é singela e generosa: "Mas há
    tanta coisa bonita a ser consertada!". Ele prefere o trabalho
    modesto de polir a beleza que já existe a satisfazer o seu "eu"
    autoral.

    (Mario Sergio Conti, Bravo, Março/2010)

    É correto afirmar que o título do artigo ? "Há tanta coisa bonita a ser consertada ?, tomado à frase de João Gilberto,

  • 📖 Texto associado

    João Gilberto ? "Há tanta coisa bonita a ser consertada"

    O início de uma vida artística é definidor. Por mais que a
    arte e a vida venham a mudar, e a negar as suas origens, o
    começo permanece como referência. No caso de João Gilberto,
    mais de meio século depois, o início de sua obra é um atestado
    de coerência.

    O disco que inicia a bossa nova é um compacto simples
    que ele gravou em julho de 1958. De um lado, havia Chega de
    Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Do outro, Bim
    Bom, dele mesmo. Não era nem a primeira gravação de João
    Gilberto nem o primeiro disco de bossa nova. Ele já havia
    gravado dois compactos com os Garotos da Lua, em 1951, e
    outro, solo, no ano seguinte.
    A batida da bossa nova, por sua vez, aparecera no LP
    Canção do Amor Demais, gravado em abril de 1958 por Elizeth
    Cardoso. Nele, João Gilberto tocava violão em Chega de
    Saudade e Outra Vez. Apesar das treze faixas serem todas de
    Jobim e Vinicius, o LP não é de bossanova. A "Divina" era uma
    cantora presa ao samba-canção, com suas ênfases óbvias e
    gastas.

    A cápsula da invenção surge mesmo no compacto de
    1958. A criação se dá em dois planos. Chega de Saudade havia
    sido composta por Jobim como um chorinho. Pois João Gilberto
    o transformou num samba enxuto, no qual o violão deixa de ser
    um mero acompanhante para dividir o primeiro plano com a voz.
    A letra é interpretada como quem fala, de modo íntimo. A
    melodia (de fundamento europeu) se amalgama à harmonia
    (com inspiração do jazz americano) e ao ritmo (que vem da
    África e se condensa no samba) para dar origem a outra coisa:
    um som que é uma arte.
    No outro lado do disco está o segundo plano inventivo, o
    do João Gilberto compositor, autor de Bim Bom, a canção que
    não tem nada de baião. A letra oscila entre a negativa absoluta
    e a afirmação de um resíduo solitário: "só isso", "não", "nada",
    "não" de novo, e outra vez "só". O que resta, de concreto, são
    duas palavras,"baião" e "coração".
    Em qual instância o criador se manifesta mais: na
    interpretação que transforma Chega de Saudade de chorinho
    em samba, ou na autoria de Bim Bom? Desde 1958, João
    Gilberto segue as duas estratégias, mas dá preferência à
    primeira delas. Ele recompõe músicas tradicionais e
    contemporâneas. Trabalha com tudo, de sambas a boleros. Em
    português, inglês, italiano ou francês. Subtrai notas, altera o
    andamento, introduz silêncios, junta versos e muda as letras. O
    que resulta é algo bem distante do original. João Gilberto retira
    os andaimes da música-matriz para torná-la mais direta,
    objetiva e clara.

    Quando se pergunta a João Gilberto por que não
    compõe mais, sua explicação é singela e generosa: "Mas há
    tanta coisa bonita a ser consertada!". Ele prefere o trabalho
    modesto de polir a beleza que já existe a satisfazer o seu "eu"
    autoral.

    (Mario Sergio Conti, Bravo, Março/2010)

    Está correta, clara e coerente a redação da seguinte frase:

  • 📖 Texto associado

    João Gilberto ? "Há tanta coisa bonita a ser consertada"

    O início de uma vida artística é definidor. Por mais que a
    arte e a vida venham a mudar, e a negar as suas origens, o
    começo permanece como referência. No caso de João Gilberto,
    mais de meio século depois, o início de sua obra é um atestado
    de coerência.

    O disco que inicia a bossa nova é um compacto simples
    que ele gravou em julho de 1958. De um lado, havia Chega de
    Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Do outro, Bim
    Bom, dele mesmo. Não era nem a primeira gravação de João
    Gilberto nem o primeiro disco de bossa nova. Ele já havia
    gravado dois compactos com os Garotos da Lua, em 1951, e
    outro, solo, no ano seguinte.
    A batida da bossa nova, por sua vez, aparecera no LP
    Canção do Amor Demais, gravado em abril de 1958 por Elizeth
    Cardoso. Nele, João Gilberto tocava violão em Chega de
    Saudade e Outra Vez. Apesar das treze faixas serem todas de
    Jobim e Vinicius, o LP não é de bossanova. A "Divina" era uma
    cantora presa ao samba-canção, com suas ênfases óbvias e
    gastas.

    A cápsula da invenção surge mesmo no compacto de
    1958. A criação se dá em dois planos. Chega de Saudade havia
    sido composta por Jobim como um chorinho. Pois João Gilberto
    o transformou num samba enxuto, no qual o violão deixa de ser
    um mero acompanhante para dividir o primeiro plano com a voz.
    A letra é interpretada como quem fala, de modo íntimo. A
    melodia (de fundamento europeu) se amalgama à harmonia
    (com inspiração do jazz americano) e ao ritmo (que vem da
    África e se condensa no samba) para dar origem a outra coisa:
    um som que é uma arte.
    No outro lado do disco está o segundo plano inventivo, o
    do João Gilberto compositor, autor de Bim Bom, a canção que
    não tem nada de baião. A letra oscila entre a negativa absoluta
    e a afirmação de um resíduo solitário: "só isso", "não", "nada",
    "não" de novo, e outra vez "só". O que resta, de concreto, são
    duas palavras,"baião" e "coração".
    Em qual instância o criador se manifesta mais: na
    interpretação que transforma Chega de Saudade de chorinho
    em samba, ou na autoria de Bim Bom? Desde 1958, João
    Gilberto segue as duas estratégias, mas dá preferência à
    primeira delas. Ele recompõe músicas tradicionais e
    contemporâneas. Trabalha com tudo, de sambas a boleros. Em
    português, inglês, italiano ou francês. Subtrai notas, altera o
    andamento, introduz silêncios, junta versos e muda as letras. O
    que resulta é algo bem distante do original. João Gilberto retira
    os andaimes da música-matriz para torná-la mais direta,
    objetiva e clara.

    Quando se pergunta a João Gilberto por que não
    compõe mais, sua explicação é singela e generosa: "Mas há
    tanta coisa bonita a ser consertada!". Ele prefere o trabalho
    modesto de polir a beleza que já existe a satisfazer o seu "eu"
    autoral.

    (Mario Sergio Conti, Bravo, Março/2010)

    O início de uma vida artística é definidor. (1º parágrafo)

    De acordo com o contexto, a frase acima deve ser corretamente entendida como reconhecimento

  • 📖 Texto associado

    A região da Chapada Diamantina, Bahia, pode ficar sem
    onças-pintadas em um prazo de nove anos e meio. Já para a
    área de Bom Jesus da Lapa, o prognóstico é ainda pior: a
    extinção da espécie pode ocorrer em aproximadamente três
    anos. Para evitar um destino trágico, é preciso proteger mais
    áreas e tentar conectar, por meio de corredores ecológicos ?
    ligação entre áreas de uso menos intensivo para garantir a
    sobrevivência da espécie ?, os grupos que hoje estão isolados.
    Os dados são do Centro Nacional de Pesquisa e
    Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), órgão ligado
    ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
    do Ministério do Meio Ambiente. O Cenap avalia que a onçapitada
    está criticamente ameaçada na Caatinga. A estimativa é
    de que existam no bioma 356 animais, divididos em cinco áreas.
    Desse total, apenas cerca da metade está em idade reprodutiva
    (descontam-se os animais mais jovens e os muito velhos).
    Dessa forma, o número restante, 178,deixa a espécie em
    situação crítica ? um dos critérios para a classificação é haver
    menos de 250 animais.
    Uma analista ambiental afirma que a situação na Mata

    Atlântica é também extremamente grave. Uma estimativa
    preliminar, baseada em informações de diversos pesquisadores,
    indica a existência de 170 indivíduos maduros no bioma. Ela
    conta que é muito difícil encontrar vestígios do animal e mais
    raro ainda vê-lo.

    Os estudos confirmam que a população de onçaspintadas
    vem caindo a cada ano. Entre as ameaças, tanto na
    Caatinga quanto na Mata Atlântica, estão a alteração e a perda
    de hábitat, provocadas pelo desmatamento e a falta de
    alimento. Na Caatinga, parte da população se alimenta de tatus
    e porcos-do-mato e acaba havendo competição por essas
    presas. Também faltam matas contínuas para garantir a
    sobrevivência da onça-pintada. Outro conflito é que, ao matar
    rebanhos, elas podem incomodar fazendeiros e serem
    perseguidas.

    Para o Ibama, aespécie é considerada vulnerável,
    porque sua situação é melhor em outros biomas e regiões. O
    quadro é mais tranquilo no Pantanal e na Amazônia. É por isso
    que o presidente do Instituto Onça-pintada defende ações
    regionalizadas. "Cada bioma tem um problema diferente". A
    onça, explica, é uma espécie guarda-chuva. Ao fazer um
    esforço para sua preservação, várias outras espécies que estão
    no mesmo ecossistema se beneficiam. Ele acredita ser melhor
    investir na Amazônia onde, por haver grandes áreas de floresta
    intocadas, as populações de onças-pintadas conseguiram se
    manter, para garantir a sobrevivência do animal. Por isso, é
    importante evitar a degradação e o desmatamento.

    (Afra Balazina. O Estado de S. Paulo, Vida&, A26, 24
    de janeiro de 2010, com adaptações)

    Por isso, é importante evitar a degradação e o desmatamento. (final do texto)

    Com a conclusão transcrita acima, o autor

  • 📖 Texto associado

    A região da Chapada Diamantina, Bahia, pode ficar sem
    onças-pintadas em um prazo de nove anos e meio. Já para a
    área de Bom Jesus da Lapa, o prognóstico é ainda pior: a
    extinção da espécie pode ocorrer em aproximadamente três
    anos. Para evitar um destino trágico, é preciso proteger mais
    áreas e tentar conectar, por meio de corredores ecológicos ?
    ligação entre áreas de uso menos intensivo para garantir a
    sobrevivência da espécie ?, os grupos que hoje estão isolados.
    Os dados são do Centro Nacional de Pesquisa e
    Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), órgão ligado
    ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
    do Ministério do Meio Ambiente. O Cenap avalia que a onçapitada
    está criticamente ameaçada na Caatinga. A estimativa é
    de que existam no bioma 356 animais, divididos em cinco áreas.
    Desse total, apenas cerca da metade está em idade reprodutiva
    (descontam-se os animais mais jovens e os muito velhos).
    Dessa forma, o número restante, 178,deixa a espécie em
    situação crítica ? um dos critérios para a classificação é haver
    menos de 250 animais.
    Uma analista ambiental afirma que a situação na Mata

    Atlântica é também extremamente grave. Uma estimativa
    preliminar, baseada em informações de diversos pesquisadores,
    indica a existência de 170 indivíduos maduros no bioma. Ela
    conta que é muito difícil encontrar vestígios do animal e mais
    raro ainda vê-lo.

    Os estudos confirmam que a população de onçaspintadas
    vem caindo a cada ano. Entre as ameaças, tanto na
    Caatinga quanto na Mata Atlântica, estão a alteração e a perda
    de hábitat, provocadas pelo desmatamento e a falta de
    alimento. Na Caatinga, parte da população se alimenta de tatus
    e porcos-do-mato e acaba havendo competição por essas
    presas. Também faltam matas contínuas para garantir a
    sobrevivência da onça-pintada. Outro conflito é que, ao matar
    rebanhos, elas podem incomodar fazendeiros e serem
    perseguidas.

    Para o Ibama, aespécie é considerada vulnerável,
    porque sua situação é melhor em outros biomas e regiões. O
    quadro é mais tranquilo no Pantanal e na Amazônia. É por isso
    que o presidente do Instituto Onça-pintada defende ações
    regionalizadas. "Cada bioma tem um problema diferente". A
    onça, explica, é uma espécie guarda-chuva. Ao fazer um
    esforço para sua preservação, várias outras espécies que estão
    no mesmo ecossistema se beneficiam. Ele acredita ser melhor
    investir na Amazônia onde, por haver grandes áreas de floresta
    intocadas, as populações de onças-pintadas conseguiram se
    manter, para garantir a sobrevivência do animal. Por isso, é
    importante evitar a degradação e o desmatamento.

    (Afra Balazina. O Estado de S. Paulo, Vida&, A26, 24
    de janeiro de 2010, com adaptações)

    Pressupõe-se corretamente do texto que

  • 📖 Texto associado

    A região da Chapada Diamantina, Bahia, pode ficar sem
    onças-pintadas em um prazo de nove anos e meio. Já para a
    área de Bom Jesus da Lapa, o prognóstico é ainda pior: a
    extinção da espécie pode ocorrer em aproximadamente três
    anos. Para evitar um destino trágico, é preciso proteger mais
    áreas e tentar conectar, por meio de corredores ecológicos ?
    ligação entre áreas de uso menos intensivo para garantir a
    sobrevivência da espécie ?, os grupos que hoje estão isolados.
    Os dados são do Centro Nacional de Pesquisa e
    Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), órgão ligado
    ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
    do Ministério do Meio Ambiente. O Cenap avalia que a onçapitada
    está criticamente ameaçada na Caatinga. A estimativa é
    de que existam no bioma 356 animais, divididos em cinco áreas.
    Desse total, apenas cerca da metade está em idade reprodutiva
    (descontam-se os animais mais jovens e os muito velhos).
    Dessa forma, o número restante, 178,deixa a espécie em
    situação crítica ? um dos critérios para a classificação é haver
    menos de 250 animais.
    Uma analista ambiental afirma que a situação na Mata

    Atlântica é também extremamente grave. Uma estimativa
    preliminar, baseada em informações de diversos pesquisadores,
    indica a existência de 170 indivíduos maduros no bioma. Ela
    conta que é muito difícil encontrar vestígios do animal e mais
    raro ainda vê-lo.

    Os estudos confirmam que a população de onçaspintadas
    vem caindo a cada ano. Entre as ameaças, tanto na
    Caatinga quanto na Mata Atlântica, estão a alteração e a perda
    de hábitat, provocadas pelo desmatamento e a falta de
    alimento. Na Caatinga, parte da população se alimenta de tatus
    e porcos-do-mato e acaba havendo competição por essas
    presas. Também faltam matas contínuas para garantir a
    sobrevivência da onça-pintada. Outro conflito é que, ao matar
    rebanhos, elas podem incomodar fazendeiros e serem
    perseguidas.

    Para o Ibama, aespécie é considerada vulnerável,
    porque sua situação é melhor em outros biomas e regiões. O
    quadro é mais tranquilo no Pantanal e na Amazônia. É por isso
    que o presidente do Instituto Onça-pintada defende ações
    regionalizadas. "Cada bioma tem um problema diferente". A
    onça, explica, é uma espécie guarda-chuva. Ao fazer um
    esforço para sua preservação, várias outras espécies que estão
    no mesmo ecossistema se beneficiam. Ele acredita ser melhor
    investir na Amazônia onde, por haver grandes áreas de floresta
    intocadas, as populações de onças-pintadas conseguiram se
    manter, para garantir a sobrevivência do animal. Por isso, é
    importante evitar a degradação e o desmatamento.

    (Afra Balazina. O Estado de S. Paulo, Vida&, A26, 24
    de janeiro de 2010, com adaptações)

    A onça, explica, é uma espécie guarda-chuva. (último parágrafo)

    Considerando-se o contexto, a comparação acima se justifica pelo fato de que

  • 📖 Texto associado

    João Gilberto ? "Há tanta coisa bonita a ser consertada"

    O início de uma vida artística é definidor. Por mais que a
    arte e a vida venham a mudar, e a negar as suas origens, o
    começo permanece como referência. No caso de João Gilberto,
    mais de meio século depois, o início de sua obra é um atestado
    de coerência.

    O disco que inicia a bossa nova é um compacto simples
    que ele gravou em julho de 1958. De um lado, havia Chega de
    Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Do outro, Bim
    Bom, dele mesmo. Não era nem a primeira gravação de João
    Gilberto nem o primeiro disco de bossa nova. Ele já havia
    gravado dois compactos com os Garotos da Lua, em 1951, e
    outro, solo, no ano seguinte.
    A batida da bossa nova, por sua vez, aparecera no LP
    Canção do Amor Demais, gravado em abril de 1958 por Elizeth
    Cardoso. Nele, João Gilberto tocava violão em Chega de
    Saudade e Outra Vez. Apesar das treze faixas serem todas de
    Jobim e Vinicius, o LP não é de bossanova. A "Divina" era uma
    cantora presa ao samba-canção, com suas ênfases óbvias e
    gastas.

    A cápsula da invenção surge mesmo no compacto de
    1958. A criação se dá em dois planos. Chega de Saudade havia
    sido composta por Jobim como um chorinho. Pois João Gilberto
    o transformou num samba enxuto, no qual o violão deixa de ser
    um mero acompanhante para dividir o primeiro plano com a voz.
    A letra é interpretada como quem fala, de modo íntimo. A
    melodia (de fundamento europeu) se amalgama à harmonia
    (com inspiração do jazz americano) e ao ritmo (que vem da
    África e se condensa no samba) para dar origem a outra coisa:
    um som que é uma arte.
    No outro lado do disco está o segundo plano inventivo, o
    do João Gilberto compositor, autor de Bim Bom, a canção que
    não tem nada de baião. A letra oscila entre a negativa absoluta
    e a afirmação de um resíduo solitário: "só isso", "não", "nada",
    "não" de novo, e outra vez "só". O que resta, de concreto, são
    duas palavras,"baião" e "coração".
    Em qual instância o criador se manifesta mais: na
    interpretação que transforma Chega de Saudade de chorinho
    em samba, ou na autoria de Bim Bom? Desde 1958, João
    Gilberto segue as duas estratégias, mas dá preferência à
    primeira delas. Ele recompõe músicas tradicionais e
    contemporâneas. Trabalha com tudo, de sambas a boleros. Em
    português, inglês, italiano ou francês. Subtrai notas, altera o
    andamento, introduz silêncios, junta versos e muda as letras. O
    que resulta é algo bem distante do original. João Gilberto retira
    os andaimes da música-matriz para torná-la mais direta,
    objetiva e clara.

    Quando se pergunta a João Gilberto por que não
    compõe mais, sua explicação é singela e generosa: "Mas há
    tanta coisa bonita a ser consertada!". Ele prefere o trabalho
    modesto de polir a beleza que já existe a satisfazer o seu "eu"
    autoral.

    (Mario Sergio Conti, Bravo, Março/2010)

    O segmento cujo sentido está corretamente expresso em outras palavras é:

  • 📖 Texto associado

    A região da Chapada Diamantina, Bahia, pode ficar sem
    onças-pintadas em um prazo de nove anos e meio. Já para a
    área de Bom Jesus da Lapa, o prognóstico é ainda pior: a
    extinção da espécie pode ocorrer em aproximadamente três
    anos. Para evitar um destino trágico, é preciso proteger mais
    áreas e tentar conectar, por meio de corredores ecológicos ?
    ligação entre áreas de uso menos intensivo para garantir a
    sobrevivência da espécie ?, os grupos que hoje estão isolados.
    Os dados são do Centro Nacional de Pesquisa e
    Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), órgão ligado
    ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
    do Ministério do Meio Ambiente. O Cenap avalia que a onçapitada
    está criticamente ameaçada na Caatinga. A estimativa é
    de que existam no bioma 356 animais, divididos em cinco áreas.
    Desse total, apenas cerca da metade está em idade reprodutiva
    (descontam-se os animais mais jovens e os muito velhos).
    Dessa forma, o número restante, 178,deixa a espécie em
    situação crítica ? um dos critérios para a classificação é haver
    menos de 250 animais.
    Uma analista ambiental afirma que a situação na Mata

    Atlântica é também extremamente grave. Uma estimativa
    preliminar, baseada em informações de diversos pesquisadores,
    indica a existência de 170 indivíduos maduros no bioma. Ela
    conta que é muito difícil encontrar vestígios do animal e mais
    raro ainda vê-lo.

    Os estudos confirmam que a população de onçaspintadas
    vem caindo a cada ano. Entre as ameaças, tanto na
    Caatinga quanto na Mata Atlântica, estão a alteração e a perda
    de hábitat, provocadas pelo desmatamento e a falta de
    alimento. Na Caatinga, parte da população se alimenta de tatus
    e porcos-do-mato e acaba havendo competição por essas
    presas. Também faltam matas contínuas para garantir a
    sobrevivência da onça-pintada. Outro conflito é que, ao matar
    rebanhos, elas podem incomodar fazendeiros e serem
    perseguidas.

    Para o Ibama, aespécie é considerada vulnerável,
    porque sua situação é melhor em outros biomas e regiões. O
    quadro é mais tranquilo no Pantanal e na Amazônia. É por isso
    que o presidente do Instituto Onça-pintada defende ações
    regionalizadas. "Cada bioma tem um problema diferente". A
    onça, explica, é uma espécie guarda-chuva. Ao fazer um
    esforço para sua preservação, várias outras espécies que estão
    no mesmo ecossistema se beneficiam. Ele acredita ser melhor
    investir na Amazônia onde, por haver grandes áreas de floresta
    intocadas, as populações de onças-pintadas conseguiram se
    manter, para garantir a sobrevivência do animal. Por isso, é
    importante evitar a degradação e o desmatamento.

    (Afra Balazina. O Estado de S. Paulo, Vida&, A26, 24
    de janeiro de 2010, com adaptações)

    Entre as causas que expõem as onças a risco de extinção, só NÃO se encontra

  • 📖 Texto associado

    João Gilberto ? "Há tanta coisa bonita a ser consertada"

    O início de uma vida artística é definidor. Por mais que a
    arte e a vida venham a mudar, e a negar as suas origens, o
    começo permanece como referência. No caso de João Gilberto,
    mais de meio século depois, o início de sua obra é um atestado
    de coerência.

    O disco que inicia a bossa nova é um compacto simples
    que ele gravou em julho de 1958. De um lado, havia Chega de
    Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Do outro, Bim
    Bom, dele mesmo. Não era nem a primeira gravação de João
    Gilberto nem o primeiro disco de bossa nova. Ele já havia
    gravado dois compactos com os Garotos da Lua, em 1951, e
    outro, solo, no ano seguinte.
    A batida da bossa nova, por sua vez, aparecera no LP
    Canção do Amor Demais, gravado em abril de 1958 por Elizeth
    Cardoso. Nele, João Gilberto tocava violão em Chega de
    Saudade e Outra Vez. Apesar das treze faixas serem todas de
    Jobim e Vinicius, o LP não é de bossanova. A "Divina" era uma
    cantora presa ao samba-canção, com suas ênfases óbvias e
    gastas.

    A cápsula da invenção surge mesmo no compacto de
    1958. A criação se dá em dois planos. Chega de Saudade havia
    sido composta por Jobim como um chorinho. Pois João Gilberto
    o transformou num samba enxuto, no qual o violão deixa de ser
    um mero acompanhante para dividir o primeiro plano com a voz.
    A letra é interpretada como quem fala, de modo íntimo. A
    melodia (de fundamento europeu) se amalgama à harmonia
    (com inspiração do jazz americano) e ao ritmo (que vem da
    África e se condensa no samba) para dar origem a outra coisa:
    um som que é uma arte.
    No outro lado do disco está o segundo plano inventivo, o
    do João Gilberto compositor, autor de Bim Bom, a canção que
    não tem nada de baião. A letra oscila entre a negativa absoluta
    e a afirmação de um resíduo solitário: "só isso", "não", "nada",
    "não" de novo, e outra vez "só". O que resta, de concreto, são
    duas palavras,"baião" e "coração".
    Em qual instância o criador se manifesta mais: na
    interpretação que transforma Chega de Saudade de chorinho
    em samba, ou na autoria de Bim Bom? Desde 1958, João
    Gilberto segue as duas estratégias, mas dá preferência à
    primeira delas. Ele recompõe músicas tradicionais e
    contemporâneas. Trabalha com tudo, de sambas a boleros. Em
    português, inglês, italiano ou francês. Subtrai notas, altera o
    andamento, introduz silêncios, junta versos e muda as letras. O
    que resulta é algo bem distante do original. João Gilberto retira
    os andaimes da música-matriz para torná-la mais direta,
    objetiva e clara.

    Quando se pergunta a João Gilberto por que não
    compõe mais, sua explicação é singela e generosa: "Mas há
    tanta coisa bonita a ser consertada!". Ele prefere o trabalho
    modesto de polir a beleza que já existe a satisfazer o seu "eu"
    autoral.

    (Mario Sergio Conti, Bravo, Março/2010)

    Afirma-se corretamente que os dois planos da criação (4º parágrafo) em João Gilberto correspondem à

  • 📖 Texto associado

    A região da Chapada Diamantina, Bahia, pode ficar sem
    onças-pintadas em um prazo de nove anos e meio. Já para a
    área de Bom Jesus da Lapa, o prognóstico é ainda pior: a
    extinção da espécie pode ocorrer em aproximadamente três
    anos. Para evitar um destino trágico, é preciso proteger mais
    áreas e tentar conectar, por meio de corredores ecológicos ?
    ligação entre áreas de uso menos intensivo para garantir a
    sobrevivência da espécie ?, os grupos que hoje estão isolados.
    Os dados são do Centro Nacional de Pesquisa e
    Conservação de Mamíferos Carnívoros (Cenap), órgão ligado
    ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
    do Ministério do Meio Ambiente. O Cenap avalia que a onçapitada
    está criticamente ameaçada na Caatinga. A estimativa é
    de que existam no bioma 356 animais, divididos em cinco áreas.
    Desse total, apenas cerca da metade está em idade reprodutiva
    (descontam-se os animais mais jovens e os muito velhos).
    Dessa forma, o número restante, 178,deixa a espécie em
    situação crítica ? um dos critérios para a classificação é haver
    menos de 250 animais.
    Uma analista ambiental afirma que a situação na Mata

    Atlântica é também extremamente grave. Uma estimativa
    preliminar, baseada em informações de diversos pesquisadores,
    indica a existência de 170 indivíduos maduros no bioma. Ela
    conta que é muito difícil encontrar vestígios do animal e mais
    raro ainda vê-lo.

    Os estudos confirmam que a população de onçaspintadas
    vem caindo a cada ano. Entre as ameaças, tanto na
    Caatinga quanto na Mata Atlântica, estão a alteração e a perda
    de hábitat, provocadas pelo desmatamento e a falta de
    alimento. Na Caatinga, parte da população se alimenta de tatus
    e porcos-do-mato e acaba havendo competição por essas
    presas. Também faltam matas contínuas para garantir a
    sobrevivência da onça-pintada. Outro conflito é que, ao matar
    rebanhos, elas podem incomodar fazendeiros e serem
    perseguidas.

    Para o Ibama, aespécie é considerada vulnerável,
    porque sua situação é melhor em outros biomas e regiões. O
    quadro é mais tranquilo no Pantanal e na Amazônia. É por isso
    que o presidente do Instituto Onça-pintada defende ações
    regionalizadas. "Cada bioma tem um problema diferente". A
    onça, explica, é uma espécie guarda-chuva. Ao fazer um
    esforço para sua preservação, várias outras espécies que estão
    no mesmo ecossistema se beneficiam. Ele acredita ser melhor
    investir na Amazônia onde, por haver grandes áreas de floresta
    intocadas, as populações de onças-pintadas conseguiram se
    manter, para garantir a sobrevivência do animal. Por isso, é
    importante evitar a degradação e o desmatamento.

    (Afra Balazina. O Estado de S. Paulo, Vida&, A26, 24
    de janeiro de 2010, com adaptações)

    ... por haver grandes áreas de floresta intocadas, as populações de onças-pintadas conseguiram se manter ... (último parágrafo)

    No segmento transcrito acima observam-se, respectivamente,

  • 📖 Texto associado

    João Gilberto ? "Há tanta coisa bonita a ser consertada"

    O início de uma vida artística é definidor. Por mais que a
    arte e a vida venham a mudar, e a negar as suas origens, o
    começo permanece como referência. No caso de João Gilberto,
    mais de meio século depois, o início de sua obra é um atestado
    de coerência.

    O disco que inicia a bossa nova é um compacto simples
    que ele gravou em julho de 1958. De um lado, havia Chega de
    Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Do outro, Bim
    Bom, dele mesmo. Não era nem a primeira gravação de João
    Gilberto nem o primeiro disco de bossa nova. Ele já havia
    gravado dois compactos com os Garotos da Lua, em 1951, e
    outro, solo, no ano seguinte.
    A batida da bossa nova, por sua vez, aparecera no LP
    Canção do Amor Demais, gravado em abril de 1958 por Elizeth
    Cardoso. Nele, João Gilberto tocava violão em Chega de
    Saudade e Outra Vez. Apesar das treze faixas serem todas de
    Jobim e Vinicius, o LP não é de bossanova. A "Divina" era uma
    cantora presa ao samba-canção, com suas ênfases óbvias e
    gastas.

    A cápsula da invenção surge mesmo no compacto de
    1958. A criação se dá em dois planos. Chega de Saudade havia
    sido composta por Jobim como um chorinho. Pois João Gilberto
    o transformou num samba enxuto, no qual o violão deixa de ser
    um mero acompanhante para dividir o primeiro plano com a voz.
    A letra é interpretada como quem fala, de modo íntimo. A
    melodia (de fundamento europeu) se amalgama à harmonia
    (com inspiração do jazz americano) e ao ritmo (que vem da
    África e se condensa no samba) para dar origem a outra coisa:
    um som que é uma arte.
    No outro lado do disco está o segundo plano inventivo, o
    do João Gilberto compositor, autor de Bim Bom, a canção que
    não tem nada de baião. A letra oscila entre a negativa absoluta
    e a afirmação de um resíduo solitário: "só isso", "não", "nada",
    "não" de novo, e outra vez "só". O que resta, de concreto, são
    duas palavras,"baião" e "coração".
    Em qual instância o criador se manifesta mais: na
    interpretação que transforma Chega de Saudade de chorinho
    em samba, ou na autoria de Bim Bom? Desde 1958, João
    Gilberto segue as duas estratégias, mas dá preferência à
    primeira delas. Ele recompõe músicas tradicionais e
    contemporâneas. Trabalha com tudo, de sambas a boleros. Em
    português, inglês, italiano ou francês. Subtrai notas, altera o
    andamento, introduz silêncios, junta versos e muda as letras. O
    que resulta é algo bem distante do original. João Gilberto retira
    os andaimes da música-matriz para torná-la mais direta,
    objetiva e clara.

    Quando se pergunta a João Gilberto por que não
    compõe mais, sua explicação é singela e generosa: "Mas há
    tanta coisa bonita a ser consertada!". Ele prefere o trabalho
    modesto de polir a beleza que já existe a satisfazer o seu "eu"
    autoral.

    (Mario Sergio Conti, Bravo, Março/2010)

    A "Divina" era uma cantora presa ao samba-canção, com suas ênfases óbvias e gastas.

    No contexto do terceiro parágrafo, a frase acima deve ser atribuída a

  • 📖 Texto associado

    João Gilberto ? "Há tanta coisa bonita a ser consertada"

    O início de uma vida artística é definidor. Por mais que a
    arte e a vida venham a mudar, e a negar as suas origens, o
    começo permanece como referência. No caso de João Gilberto,
    mais de meio século depois, o início de sua obra é um atestado
    de coerência.

    O disco que inicia a bossa nova é um compacto simples
    que ele gravou em julho de 1958. De um lado, havia Chega de
    Saudade, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Do outro, Bim
    Bom, dele mesmo. Não era nem a primeira gravação de João
    Gilberto nem o primeiro disco de bossa nova. Ele já havia
    gravado dois compactos com os Garotos da Lua, em 1951, e
    outro, solo, no ano seguinte.
    A batida da bossa nova, por sua vez, aparecera no LP
    Canção do Amor Demais, gravado em abril de 1958 por Elizeth
    Cardoso. Nele, João Gilberto tocava violão em Chega de
    Saudade e Outra Vez. Apesar das treze faixas serem todas de
    Jobim e Vinicius, o LP não é de bossanova. A "Divina" era uma
    cantora presa ao samba-canção, com suas ênfases óbvias e
    gastas.

    A cápsula da invenção surge mesmo no compacto de
    1958. A criação se dá em dois planos. Chega de Saudade havia
    sido composta por Jobim como um chorinho. Pois João Gilberto
    o transformou num samba enxuto, no qual o violão deixa de ser
    um mero acompanhante para dividir o primeiro plano com a voz.
    A letra é interpretada como quem fala, de modo íntimo. A
    melodia (de fundamento europeu) se amalgama à harmonia
    (com inspiração do jazz americano) e ao ritmo (que vem da
    África e se condensa no samba) para dar origem a outra coisa:
    um som que é uma arte.
    No outro lado do disco está o segundo plano inventivo, o
    do João Gilberto compositor, autor de Bim Bom, a canção que
    não tem nada de baião. A letra oscila entre a negativa absoluta
    e a afirmação de um resíduo solitário: "só isso", "não", "nada",
    "não" de novo, e outra vez "só". O que resta, de concreto, são
    duas palavras,"baião" e "coração".
    Em qual instância o criador se manifesta mais: na
    interpretação que transforma Chega de Saudade de chorinho
    em samba, ou na autoria de Bim Bom? Desde 1958, João
    Gilberto segue as duas estratégias, mas dá preferência à
    primeira delas. Ele recompõe músicas tradicionais e
    contemporâneas. Trabalha com tudo, de sambas a boleros. Em
    português, inglês, italiano ou francês. Subtrai notas, altera o
    andamento, introduz silêncios, junta versos e muda as letras. O
    que resulta é algo bem distante do original. João Gilberto retira
    os andaimes da música-matriz para torná-la mais direta,
    objetiva e clara.

    Quando se pergunta a João Gilberto por que não
    compõe mais, sua explicação é singela e generosa: "Mas há
    tanta coisa bonita a ser consertada!". Ele prefere o trabalho
    modesto de polir a beleza que já existe a satisfazer o seu "eu"
    autoral.

    (Mario Sergio Conti, Bravo, Março/2010)

    Ele prefere o trabalho modesto de polir a beleza que já existe a satisfazer o seu "eu" autoral. (último parágrafo)

    Ao se reescrever a frase acima, mantêm-se a correção, a clareza e o sentido originais em:

  • 📖 Texto associado

    Nos últimos anos, a discussão sobre o aquecimento
    global e suas consequências se tornou onipresente entre
    governos, empresas e cidadãos. É louvável que todos queiram
    salvar o planeta, mas o debate sobre como fazê-lo chegou ao
    patamar da irracionalidade. Entre cientistas e ambientalistas,
    estabeleceu-se uma espécie de fervor fanático e doutrinário
    pelas conclusões pessimistas do Painel Intergovernamental
    sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU. Segundo
    elas, ou se tomam providências radicais para cortar as
    emissões de gases do efeito estufa decorrentes da atividade
    humana, ou o mundo chegará ao fim do século XXI à beira de
    uma catástrofe. Nos últimos três meses, numa reviravolta
    espetacular, a doutrina do aquecimento global vem se
    desmanchando na esteira de uma série de escândalos.
    Descobriu-se que muitas das pesquisas que dão sustentação
    aos relatórios emitidos pelo IPCC não passam de especulação
    sem base científica. Pior que isso: os cientistas queconduzem
    esses estudos manipularam dados para amparar suas
    conclusões.

    A reputação do IPCC sofreu um abalo tectônico no início
    do ano quando se descobriu um erro grosseiro numa das
    pesquisas que compõem seu último relatório, divulgado em
    2007. O texto afirma que as geleiras do Himalaia podem
    desaparecer até 2035, por causa do aquecimento global. O
    derretimento traria consequências devastadoras para bilhões de
    pessoas na Ásia, que dependem da água produzida pelo degelo
    nas montanhas. Os próprios cientistas que compõem o IPCC
    reconheceram que a previsão não tem o menor fundamento
    científico e foi elaborada com base em uma especulação. O
    mais espantoso é que tal previsão tenha sido tratada como
    verdade incontestável por três anos, desde a publicação do
    documento.

    Os relatórios do IPCC são elaborados por 3000
    cientistas de todo o mundo e, por enquanto, formam o melhor
    conjunto de informações disponível para estudar os fenômenos
    climáticos. O erroestá em considerá-lo infalível e, o que é pior,
    transformar suas conclusões em dogmas.

    (Okky de Souza. Veja, 24 de fevereiro de 2010, pp. 94-95,
    com adaptações)

    Conclui-se corretamente do texto que seu autor

  • 📖 Texto associado

    Nos últimos anos, a discussão sobre o aquecimento
    global e suas consequências se tornou onipresente entre
    governos, empresas e cidadãos. É louvável que todos queiram
    salvar o planeta, mas o debate sobre como fazê-lo chegou ao
    patamar da irracionalidade. Entre cientistas e ambientalistas,
    estabeleceu-se uma espécie de fervor fanático e doutrinário
    pelas conclusões pessimistas do Painel Intergovernamental
    sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgão da ONU. Segundo
    elas, ou se tomam providências radicais para cortar as
    emissões de gases do efeito estufa decorrentes da atividade
    humana, ou o mundo chegará ao fim do século XXI à beira de
    uma catástrofe. Nos últimos três meses, numa reviravolta
    espetacular, a doutrina do aquecimento global vem se
    desmanchando na esteira de uma série de escândalos.
    Descobriu-se que muitas das pesquisas que dão sustentação
    aos relatórios emitidos pelo IPCC não passam de especulação
    sem base científica. Pior que isso: os cientistas queconduzem
    esses estudos manipularam dados para amparar suas
    conclusões.

    A reputação do IPCC sofreu um abalo tectônico no início
    do ano quando se descobriu um erro grosseiro numa das
    pesquisas que compõem seu último relatório, divulgado em
    2007. O texto afirma que as geleiras do Himalaia podem
    desaparecer até 2035, por causa do aquecimento global. O
    derretimento traria consequências devastadoras para bilhões de
    pessoas na Ásia, que dependem da água produzida pelo degelo
    nas montanhas. Os próprios cientistas que compõem o IPCC
    reconheceram que a previsão não tem o menor fundamento
    científico e foi elaborada com base em uma especulação. O
    mais espantoso é que tal previsão tenha sido tratada como
    verdade incontestável por três anos, desde a publicação do
    documento.

    Os relatórios do IPCC são elaborados por 3000
    cientistas de todo o mundo e, por enquanto, formam o melhor
    conjunto de informações disponível para estudar os fenômenos
    climáticos. O erroestá em considerá-lo infalível e, o que é pior,
    transformar suas conclusões em dogmas.

    (Okky de Souza. Veja, 24 de fevereiro de 2010, pp. 94-95,
    com adaptações)

    Identifica-se uma opinião e não simplesmente um fato no trecho:

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