TRT 12ª Região - FCC - Português: 13 questões de Interpretação

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    Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom
    nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens
    de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige
    uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva
    nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e
    pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão
    social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que
    a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,
    é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,
    fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente
    retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,
    fantasias.
    Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase
    todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático
    nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos
    empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são
    a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,
    sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma
    democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade
    e competência - que deveriam existir nos dois ou mais
    lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,
    por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa
    tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em
    lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-
    lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,
    uma vez instalada, empolga menos que a novela. De
    noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,
    do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,
    portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há
    muitos séculos que é encenada essa situação de confronto
    irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos
    antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia
    sem final infeliz - ou, talvez, sem final.
    As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles
    são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em
    melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são
    afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens
    más são menos numerosas, mas são indispensáveis.
    Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim
    deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas
    punidas, nem sair todas impunes.


    * ágon - elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam
    jogos sacros e lutas; luta.

    (Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro. O Estado de S.
    Paulo, C2+música, D17, 11 de setembro de 2010, com
    adaptações.)

    De acordo com o texto,
  • 📖 Texto associado ▼

    O crescimento das cidades médias, aquelas com mais
    de 100.000 e menos de 500.000 habitantes, é o grande fenômeno
    nacional. Na próxima década, a catarinense Joinville, a
    gaúcha Caxias do Sul, Niterói e Campos dos Goytacazes, no
    Rio de Janeiro, e Santos e São José do Rio Preto, em São Paulo,
    devem ombrear com Londrina, no Paraná. No sertão nordestino,
    a pernambucana Petrolina e a paraibana Campina Grande
    já se comportam como metrópoles. Há vários casos de cidades
    médias que crescem a um ritmo chinês, como a paulista
    Hortolândia, a paraense Marabá e Angra dos Reis e Cabo Frio,
    estas no Rio de Janeiro. Um estudo da socióloga Diana Motta e
    do economista Daniel da Mata, ambos do Instituto de Pesquisa
    Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, nos últimos dez anos,
    elas se converteram no verdadeiro motor do desenvolvimento
    brasileiro. Para se ter uma ideia, entre 2002 e 2007 o produto
    interno bruto cresceu a uma taxa de 4% ao ano. O das cidades
    médias contribuiu, emmédia, 5,4% ao ano - quase o dobro do
    crescimento verificado nos municípios grandes. Donas de um
    parque industrial e um setor de serviços mais pujantes, elas
    respondem, agora, por 28% da economia nacional.
    Hoje, um em cada quatro brasileiros vive em cidades
    médias. O dinamismo constatado pelos dois pesquisadores é um sinal inequívoco de progresso. "A evolução das cidades
    médias indica que o Brasil está superando uma deficiência histórica:
    a concentração da riqueza nos grandes centros situados
    ao longo do litoral", diz o economista Danilo Igliori, da Universidade
    de São Paulo. No século XVII, frei Vicente do Salvador,
    considerado o primeiro historiador do país, condenava o
    modelo de ocupação do território. "Contentam-se de andar arranhando
    (as terras) ao longo do mar como caranguejos",
    escreveu em sua História do Brazil, publicada em 1630. Somente
    durante o milagre econômico dos anos 70 o governo
    federal percebeu que algumas cidades médias tinham setornado
    polos econômicos regionais, atraíam contingentes de
    imigrantes e precisavam adotar políticas específicas para não
    enfrentar processos de favelização semelhantes aos vividos por
    São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto rendeu frutos. Embora
    abriguem bolsões de pobreza, esses municípios obtiveram
    melhores resultados na preservação de seu tecido urbano.
    Em meados dos anos 90, os investidores depararam
    com capitais estranguladas e resolveram interiorizar suas operações
    industriais e comerciais. Hoje, de cada real produzido
    nas fábricas brasileiras, 44 centavos são provenientes de unidades
    instaladas em cidades médias. Um dos resultados da
    expansão econômica foi o aumento vertiginoso do setor de serviços.
    Tais mudanças conferiram tanta independência às cidades
    médias que 60% delas não precisam ter maiores vínculos
    com a região metropolitana da capital de seu Estado.



    (ESPECIAL CIDADES MÉDIAS. Veja, 1 de setembro de 2010,
    pp. 78-80, comadaptações.)

    - quase o dobro do crescimento verificado nos municípios grandes. (1° parágrafo)

    Considerando-se o contexto, a afirmativa acima constitui

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    Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom
    nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens
    de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige
    uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva
    nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e
    pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão
    social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que
    a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,
    é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,
    fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente
    retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,
    fantasias.
    Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase
    todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático
    nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos
    empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são
    a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,
    sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma
    democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade
    e competência - que deveriam existir nos dois ou mais
    lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,
    por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa
    tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em
    lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-
    lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,
    uma vez instalada, empolga menos que a novela. De
    noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,
    do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,
    portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há
    muitos séculos que é encenada essa situação de confronto
    irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos
    antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia
    sem final infeliz - ou, talvez, sem final.
    As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles
    são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em
    melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são
    afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens
    más são menos numerosas, mas são indispensáveis.
    Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim
    deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas
    punidas, nem sair todas impunes.


    * ágon - elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam
    jogos sacros e lutas; luta.

    (Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro. O Estado de S.
    Paulo, C2+música, D17, 11 de setembro de 2010, com
    adaptações.)

    Conclui-se do texto que democracia
  • 📖 Texto associado ▼

    Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom
    nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens
    de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige
    uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva
    nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e
    pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão
    social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que
    a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,
    é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,
    fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente
    retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,
    fantasias.
    Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase
    todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático
    nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos
    empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são
    a norma e não a exceção. Ela é o único regime em quedivergir,
    sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma
    democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade
    e competência - que deveriam existir nos dois ou mais
    lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,
    por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa
    tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em
    lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-
    lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,
    uma vez instalada, empolga menos que a novela. De
    noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,
    do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,
    portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há
    muitos séculos que é encenada essa situação de confronto
    irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos
    antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia
    sem final infeliz - ou, talvez, sem final.
    As novelas recompensam,em geral, os bons. Mas eles
    são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em
    melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são
    afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens
    más são menos numerosas, mas são indispensáveis.
    Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim
    deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas
    punidas, nem sair todas impunes.


    * ágon - elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam
    jogos sacros e lutas; luta.

    (Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro. O Estado de S.
    Paulo, C2+música, D17, 11 de setembro de 2010, com
    adaptações.)

    De acordo com o texto,

  • 📖 Texto associado ▼

    O crescimento das cidades médias, aquelas com mais
    de 100.000 e menos de 500.000 habitantes, é o grande fenômeno
    nacional. Na próxima década, a catarinense Joinville, a
    gaúcha Caxias do Sul, Niterói e Campos dos Goytacazes, no
    Rio de Janeiro, e Santos e São José do Rio Preto, em São Paulo,
    devem ombrear com Londrina, no Paraná. No sertão nordestino,
    a pernambucana Petrolina e a paraibana Campina Grande
    já se comportam como metrópoles. Há vários casos de cidades
    médias que crescem a um ritmo chinês, como a paulista
    Hortolândia, a paraense Marabá e Angra dos Reis e Cabo Frio,
    estas no Rio de Janeiro. Um estudo da socióloga Diana Motta e
    do economista Daniel da Mata, ambos do Instituto de Pesquisa
    Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, nos últimos dez anos,
    elas se converteram no verdadeiro motor do desenvolvimento
    brasileiro. Para se ter uma ideia, entre 2002 e 2007 o produto
    interno bruto cresceu a uma taxa de 4% ao ano. O das cidades
    médias contribuiu, emmédia, 5,4% ao ano - quase o dobro do
    crescimento verificado nos municípios grandes. Donas de um
    parque industrial e um setor de serviços mais pujantes, elas
    respondem, agora, por 28% da economia nacional.
    Hoje, um em cada quatro brasileiros vive em cidades
    médias. O dinamismo constatado pelos dois pesquisadores é um sinal inequívoco de progresso. "A evolução das cidades
    médias indica que o Brasil está superando uma deficiência histórica:
    a concentração da riqueza nos grandes centros situados
    ao longo do litoral", diz o economista Danilo Igliori, da Universidade
    de São Paulo. No século XVII, frei Vicente do Salvador,
    considerado o primeiro historiador do país, condenava o
    modelo de ocupação do território. "Contentam-se de andar arranhando
    (as terras) ao longo do mar como caranguejos",
    escreveu em sua História do Brazil, publicada em 1630. Somente
    durante o milagre econômico dos anos 70 o governo
    federal percebeu que algumas cidades médias tinham setornado
    polos econômicos regionais, atraíam contingentes de
    imigrantes e precisavam adotar políticas específicas para não
    enfrentar processos de favelização semelhantes aos vividos por
    São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto rendeu frutos. Embora
    abriguem bolsões de pobreza, esses municípios obtiveram
    melhores resultados na preservação de seu tecido urbano.
    Em meados dos anos 90, os investidores depararam
    com capitais estranguladas e resolveram interiorizar suas operações
    industriais e comerciais. Hoje, de cada real produzido
    nas fábricas brasileiras, 44 centavos são provenientes de unidades
    instaladas em cidades médias. Um dos resultados da
    expansão econômica foi o aumento vertiginoso do setor de serviços.
    Tais mudanças conferiram tanta independência às cidades
    médias que 60% delas não precisam ter maiores vínculos
    com a região metropolitana da capital de seu Estado.



    (ESPECIAL CIDADES MÉDIAS. Veja, 1 de setembro de 2010,
    pp. 78-80, comadaptações.)

    ... elas se converteram no verdadeiro motor do desenvolvimento brasileiro. (1° parágrafo)

    O segmento que embasa com propriedade o que foi afirmado acima, considerando-se o contexto, está em:

  • Esses mesmos princípios (...) aplicam-se às comunicações oficiais: elas devem sempre permitir uma única interpretação e ser estritamente impessoais e uniformes, o que exige o uso de certo nível de linguagem.

    As observações acima estão inteiramente respeitadas em:

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    O crescimento das cidades médias, aquelas com mais
    de 100.000 e menos de 500.000 habitantes, é o grande fenômeno
    nacional. Na próxima década, a catarinense Joinville, a
    gaúcha Caxias do Sul, Niterói e Campos dos Goytacazes, no
    Rio de Janeiro, e Santos e São José do Rio Preto, em São Paulo,
    devem ombrear com Londrina, no Paraná. No sertão nordestino,
    a pernambucana Petrolina e a paraibana Campina Grande
    já se comportam como metrópoles. Há vários casos de cidades
    médias que crescem a um ritmo chinês, como a paulista
    Hortolândia, a paraense Marabá e Angra dos Reis e Cabo Frio,
    estas no Rio de Janeiro. Um estudo da socióloga Diana Motta e
    do economista Daniel da Mata, ambos do Instituto de Pesquisa
    Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, nos últimos dez anos,
    elas se converteram no verdadeiro motor do desenvolvimento
    brasileiro. Para se ter uma ideia, entre 2002 e 2007 o produto
    interno bruto cresceu a uma taxa de 4% ao ano. O das cidades
    médias contribuiu, em média, 5,4% ao ano - quase o dobro do
    crescimento verificado nos municípios grandes. Donas de um
    parque industrial e um setor de serviços mais pujantes, elas
    respondem, agora, por 28% da economia nacional.
    Hoje, um em cada quatro brasileiros vive em cidades
    médias. O dinamismo constatado pelos dois pesquisadores é um sinal inequívoco de progresso. "A evolução das cidades
    médias indica que o Brasil está superando uma deficiência histórica:
    a concentração da riqueza nos grandes centros situados
    ao longo do litoral", diz o economista Danilo Igliori, da Universidade
    de São Paulo. No século XVII, frei Vicente do Salvador,
    considerado o primeiro historiador do país, condenava o
    modelo de ocupação do território. "Contentam-se de andar arranhando
    (as terras) ao longo do mar como caranguejos",
    escreveu em sua História do Brazil, publicada em 1630. Somente
    durante o milagre econômico dos anos 70 o governo
    federal percebeu que algumas cidades médias tinham se tornado
    polos econômicos regionais, atraíam contingentes de
    imigrantes e precisavam adotar políticas específicas para não
    enfrentar processos de favelização semelhantes aos vividos por
    São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto rendeu frutos. Embora
    abriguem bolsões de pobreza, esses municípios obtiveram
    melhores resultados na preservação de seu tecido urbano.
    Em meados dos anos 90, os investidores depararam
    com capitais estranguladas e resolveram interiorizar suas operações
    industriais e comerciais. Hoje, de cada real produzido
    nas fábricas brasileiras, 44 centavos são provenientes de unidades
    instaladas em cidades médias. Um dos resultados da
    expansão econômica foi o aumento vertiginoso do setor de serviços.
    Tais mudanças conferiram tanta independência às cidades
    médias que 60% delas não precisam ter maiores vínculos
    com a região metropolitana da capital de seu Estado.



    (ESPECIAL CIDADES MÉDIAS. Veja, 1 de setembro de 2010,
    pp. 78-80, com adaptações.)

    A afirmativa INCORRETA em relação a cada um dos segmentos transcritos do 1° parágrafo é:
  • 📖 Texto associado ▼

    Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom
    nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens
    de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige
    uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva
    nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e
    pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão
    social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que
    a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,
    é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,
    fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente
    retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,
    fantasias.
    Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase
    todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático
    nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos
    empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são
    a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,
    sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma
    democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade
    e competência - que deveriam existir nos dois ou mais
    lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,
    por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa
    tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em
    lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-
    lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,
    uma vez instalada, empolga menos que a novela. De
    noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,
    do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,
    portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há
    muitos séculos que é encenada essa situação de confronto
    irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos
    antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia
    sem final infeliz - ou, talvez, sem final.
    As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles
    são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em
    melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são
    afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens
    más são menos numerosas, mas são indispensáveis.
    Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim
    deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas
    punidas, nem sair todas impunes.


    * ágon - elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam
    jogos sacros e lutas; luta.

    (Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro. O Estado de S.
    Paulo, C2+música, D17, 11 de setembro de 2010, com
    adaptações.)

    A expressão em que preenche corretamente a lacuna da frase:
  • 📖 Texto associado ▼

    Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom
    nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens
    de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige
    uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva
    nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e
    pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão
    social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que
    a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,
    é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,
    fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente
    retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,
    fantasias.
    Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase
    todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático
    nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos
    empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são
    a norma e não a exceção. Ela é o único regime em quedivergir,
    sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma
    democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade
    e competência - que deveriam existir nos dois ou mais
    lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,
    por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa
    tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em
    lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-
    lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,
    uma vez instalada, empolga menos que a novela. De
    noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,
    do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,
    portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há
    muitos séculos que é encenada essa situação de confronto
    irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos
    antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia
    sem final infeliz - ou, talvez, sem final.
    As novelas recompensam,em geral, os bons. Mas eles
    são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em
    melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são
    afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens
    más são menos numerosas, mas são indispensáveis.
    Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim
    deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas
    punidas, nem sair todas impunes.


    * ágon - elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam
    jogos sacros e lutas; luta.

    (Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro. O Estado de S.
    Paulo, C2+música, D17, 11 de setembro de 2010, com
    adaptações.)

    Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor, é sim ... (1° parágrafo)

    O emprego da expressão grifada acima assinala uma

  • 📖 Texto associado ▼

    O crescimento das cidades médias, aquelas com mais
    de 100.000 e menos de 500.000 habitantes, é o grande fenômeno
    nacional. Na próxima década, a catarinense Joinville, a
    gaúcha Caxias do Sul, Niterói e Campos dos Goytacazes, no
    Rio de Janeiro, e Santos e São José do Rio Preto, em São Paulo,
    devem ombrear com Londrina, no Paraná. No sertão nordestino,
    a pernambucana Petrolina e a paraibana Campina Grande
    já se comportam como metrópoles. Há vários casos de cidades
    médias que crescem a um ritmo chinês, como a paulista
    Hortolândia, a paraense Marabá e Angra dos Reis e Cabo Frio,
    estas no Rio de Janeiro. Um estudo da socióloga Diana Motta e
    do economista Daniel da Mata, ambos do Instituto de Pesquisa
    Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, nos últimos dez anos,
    elas se converteram no verdadeiro motor do desenvolvimento
    brasileiro. Para se ter uma ideia, entre 2002 e 2007 o produto
    interno bruto cresceu a uma taxa de 4% ao ano. O das cidades
    médias contribuiu, emmédia, 5,4% ao ano - quase o dobro do
    crescimento verificado nos municípios grandes. Donas de um
    parque industrial e um setor de serviços mais pujantes, elas
    respondem, agora, por 28% da economia nacional.
    Hoje, um em cada quatro brasileiros vive em cidades
    médias. O dinamismo constatado pelos dois pesquisadores é um sinal inequívoco de progresso. "A evolução das cidades
    médias indica que o Brasil está superando uma deficiência histórica:
    a concentração da riqueza nos grandes centros situados
    ao longo do litoral", diz o economista Danilo Igliori, da Universidade
    de São Paulo. No século XVII, frei Vicente do Salvador,
    considerado o primeiro historiador do país, condenava o
    modelo de ocupação do território. "Contentam-se de andar arranhando
    (as terras) ao longo do mar como caranguejos",
    escreveu em sua História do Brazil, publicada em 1630. Somente
    durante o milagre econômico dos anos 70 o governo
    federal percebeu que algumas cidades médias tinham setornado
    polos econômicos regionais, atraíam contingentes de
    imigrantes e precisavam adotar políticas específicas para não
    enfrentar processos de favelização semelhantes aos vividos por
    São Paulo e Rio de Janeiro. O projeto rendeu frutos. Embora
    abriguem bolsões de pobreza, esses municípios obtiveram
    melhores resultados na preservação de seu tecido urbano.
    Em meados dos anos 90, os investidores depararam
    com capitais estranguladas e resolveram interiorizar suas operações
    industriais e comerciais. Hoje, de cada real produzido
    nas fábricas brasileiras, 44 centavos são provenientes de unidades
    instaladas em cidades médias. Um dos resultados da
    expansão econômica foi o aumento vertiginoso do setor de serviços.
    Tais mudanças conferiram tanta independência às cidades
    médias que 60% delas não precisam ter maiores vínculos
    com a região metropolitana da capital de seu Estado.



    (ESPECIAL CIDADES MÉDIAS. Veja, 1 de setembro de 2010,
    pp. 78-80, comadaptações.)

    Em relação ao assunto do texto, é correto afirmar:

  • 📖 Texto associado ▼

    Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom
    nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens
    de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige
    uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva
    nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e
    pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão
    social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que
    a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,
    é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,
    fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente
    retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,
    fantasias.
    Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase
    todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático
    nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos
    empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são
    a norma e não a exceção. Ela é o único regime em quedivergir,
    sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma
    democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade
    e competência - que deveriam existir nos dois ou mais
    lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,
    por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa
    tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em
    lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-
    lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,
    uma vez instalada, empolga menos que a novela. De
    noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,
    do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,
    portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há
    muitos séculos que é encenada essa situação de confronto
    irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos
    antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia
    sem final infeliz - ou, talvez, sem final.
    As novelas recompensam,em geral, os bons. Mas eles
    são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em
    melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são
    afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens
    más são menos numerosas, mas são indispensáveis.
    Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim
    deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas
    punidas, nem sair todas impunes.


    * ágon - elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam
    jogos sacros e lutas; luta.

    (Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro. O Estado de S.
    Paulo, C2+música, D17, 11 de setembro de 2010, com
    adaptações.)

    A referência, no 1° parágrafo, aos retratos retocados e coloridos

  • 📖 Texto associado ▼

    Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom
    nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens
    de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige
    uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva
    nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e
    pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão
    social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que
    a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,
    é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,
    fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente
    retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,
    fantasias.
    Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase
    todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático
    nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos
    empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são
    a norma e não a exceção. Ela é o único regime em que divergir,
    sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma
    democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade
    e competência - que deveriam existir nos dois ou mais
    lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,
    por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa
    tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em
    lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-
    lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,
    uma vez instalada, empolga menos que a novela. De
    noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,
    do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,
    portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há
    muitos séculos que é encenada essa situação de confronto
    irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos
    antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia
    sem final infeliz - ou, talvez, sem final.
    As novelas recompensam, em geral, os bons. Mas eles
    são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em
    melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são
    afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens
    más são menos numerosas, mas são indispensáveis.
    Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim
    deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas
    punidas, nem sair todas impunes.


    * ágon - elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam
    jogos sacros e lutas; luta.

    (Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro. O Estado de S.
    Paulo, C2+música, D17, 11 de setembro de 2010, com
    adaptações.)

    No 1° parágrafo, o autor
  • 📖 Texto associado ▼

    Gilda de Mello e Souza dizia que o Brasil é muito bom
    nas novelas. Para ter público, a novela precisa dispor de personagens
    de todas as classes sociais, explicava ela, o que exige
    uma trama complexa. Acrescento: a mobilidade social é decisiva
    nas novelas e se dá sobretudo pelo amor entre ricos e
    pobres. Provavelmente as novelas exibam casos de ascensão
    social pelo amor - genuíno ou fingido - em proporção maior que
    a vida real .... Mas a novela não é um retrato do Brasil, ou melhor,
    é sim, mas como aqueles retratos antigos do avô e da avó,
    fotografados em preto e branco, mas, depois, cuidadosamente
    retocados e coloridos. O fundo é real. A tela: ideais, sonhos,
    fantasias.
    Novelas vivem de conflitos. Eles são movidos, quase
    todos, pela oposição do bem e do mal. Esse confronto dramático
    nos empolga. Talvez por isso a democracia não nos
    empolgue tanto, no seu dia a dia: porque, nela, os conflitos são
    a norma e não a exceção. Ela é o único regime em quedivergir,
    sem ter de se explicar e justificar, é legítimo. Quando uma
    democracia funciona bem, não escolhemos em razão da honestidade
    e competência - que deveriam existir nos dois ou mais
    lados em concorrência - mas com base nos valores que preferimos,
    por exemplo, liberalismo ou socialismo. Mas nossa
    tendência, mesmo nas democracias, é converter as eleições em
    lutas do bem contra o mal. É demonizar o adversário, transformá-
    lo em inimigo. Creio que isso explica por que a democracia,
    uma vez instalada, empolga menos que a novela. De
    noite, dá mais prazer reeditar o *ágon milenar do bem e do mal,
    do que aceitar que os conflitos fazem parte essencial da vida e,
    portanto, as duas partes podem ter alguma razão. Aliás, há
    muitos séculos que é encenada essa situação de confronto
    irremediável entre dois lados que têm razão: desde os gregos
    antigos, tem o nome de tragédia. A democracia é uma tragédia
    sem final infeliz - ou, talvez, sem final.
    As novelas recompensam,em geral, os bons. Mas eles
    são bons só na vida privada. É difícil alguém se empenhar em
    melhorar a cidade, a sociedade. As personagens boas são
    afetuosas, solidárias, mas não têm vida pública. As personagens
    más são menos numerosas, mas são indispensáveis.
    Condimentam a trama. Seu destino é mais variado, e assim
    deve ser, se quisermos uma boa novela. Não podem ser todas
    punidas, nem sair todas impunes.


    * ágon - elemento de origem grega: assembleia; local onde se realizam
    jogos sacros e lutas; luta.

    (Trecho do artigo de Renato Janine Ribeiro. O Estado de S.
    Paulo, C2+música, D17, 11 de setembro de 2010, com
    adaptações.)

    O fundo é real. A tela: ideais, sonhos, fantasias. (final do 1° parágrafo)

    Com outras palavras, o sentido do que se diz acima está corretamente reproduzido em:

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