Técnico de Apoio Administrativo - Português - Prova SESAPI 2011

Simulado com questões de prova: Técnico de Apoio Administrativo - Português - Prova SESAPI 2011 . Resolva online grátis, confira o gabarito e baixe o PDF!


Desempenho Global
534
Resoluções
46%
Média
Difícil
Dificuldade
  • 📖 Texto associado
    O prazer da leitura

    “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
    teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
    as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
    aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
    a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
    “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
    música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
    ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
    uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
    não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
    começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
    conhecimento das partes.

    Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
    quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
    moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
    palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
    começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
    a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
    sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
    compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
    das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
    de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
    pessoa que o está lendo.

    No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
    alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
    nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
    sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
    me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
    eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
    extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
    ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
    Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
    experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
    responder questionários de interpretação.

    Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
    Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
    disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
    citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
    aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
    aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
    palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
    estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
    elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...

    Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
    As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
    domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
    acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
    não produz prazer: queremos que ela termine logo.

    Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
    estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
    leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
    E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
    música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
    esquecer.

    Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
    a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
    sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
    beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
    as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
    crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
    são sensíveis à sua beleza.

    (Rubem Alves. Texto disponível em:
    http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
    05/11/2011. Adaptado.)
    O Texto 1 pode ser visto como uma “ação de linguagem”, pela qual o autor pretendeu:
  • 📖 Texto associado
    O prazer da leitura

    “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
    teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
    as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
    aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
    a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
    “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
    música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
    ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
    uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
    não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
    começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
    conhecimento das partes.

    Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
    quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
    moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
    palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
    começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
    a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
    sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
    compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
    das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
    de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
    pessoa que o está lendo.

    No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
    alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
    nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
    sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
    me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
    eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
    extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
    ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
    Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
    experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
    responder questionários de interpretação.

    Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
    Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
    disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
    citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
    aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
    aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
    palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
    estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
    elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...

    Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
    As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
    domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
    acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
    não produz prazer: queremos que ela termine logo.

    Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
    estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
    leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
    E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
    música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
    esquecer.

    Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
    a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
    sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
    beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
    as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
    crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
    são sensíveis à sua beleza.

    (Rubem Alves. Texto disponível em:
    http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
    05/11/2011. Adaptado.)
    Na verdade, no primeiro parágrafo do Texto, o autor:
  • 📖 Texto associado
    O prazer da leitura

    “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
    teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
    as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
    aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
    a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
    “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
    música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
    ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
    uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
    não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
    começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
    conhecimento das partes.

    Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
    quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
    moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
    palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
    começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
    a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
    sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
    compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
    das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
    de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
    pessoa que o está lendo.

    No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
    alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
    nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
    sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
    me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
    eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
    extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
    ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
    Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
    experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
    responder questionários de interpretação.

    Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
    Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
    disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
    citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
    aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
    aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
    palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
    estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
    elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...

    Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
    As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
    domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
    acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
    não produz prazer: queremos que ela termine logo.

    Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
    estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
    leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
    E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
    música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
    esquecer.

    Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
    a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
    sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
    beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
    as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
    crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
    são sensíveis à sua beleza.

    (Rubem Alves. Texto disponível em:
    http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
    05/11/2011. Adaptado.)
    O trecho que justifica a aproximação que o autor propõe entre a aprendizagem da leitura e a outra da música consta na alternativa:
  • 📖 Texto associado
    O prazer da leitura

    “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
    teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
    as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
    aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
    a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
    “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
    música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
    ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
    uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
    não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
    começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
    conhecimento das partes.

    Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
    quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
    moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
    palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
    começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
    a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
    sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
    compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
    das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
    de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
    pessoa que o está lendo.

    No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
    alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
    nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
    sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
    me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
    eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
    extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
    ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
    Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
    experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
    responder questionários de interpretação.

    Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
    Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
    disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
    citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
    aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
    aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
    palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
    estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
    elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...

    Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
    As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
    domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
    acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
    não produz prazer: queremos que ela termine logo.

    Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
    estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
    leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
    E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
    música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
    esquecer.

    Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
    a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
    sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
    beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
    as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
    crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
    são sensíveis à sua beleza.

    (Rubem Alves. Texto disponível em:
    http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
    05/11/2011. Adaptado.)
    Observe o trecho: “Todo mundo sabe que não é assim
    que se ensina música. A mãe pega o nenezinho e o
    embala, cantando uma canção de ninar. Os dois itens
    sublinhados têm em comum o fato de:
  • 📖 Texto associado
    O prazer da leitura

    “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
    teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
    as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
    aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
    a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
    “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
    música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
    ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
    uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
    não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
    começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
    conhecimento das partes.

    Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
    quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
    moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
    palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
    começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
    a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
    sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
    compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
    das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
    de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
    pessoa que o está lendo.

    No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
    alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
    nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
    sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
    me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
    eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
    extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
    ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
    Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
    experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
    responder questionários de interpretação.

    Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
    Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
    disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
    citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
    aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
    aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
    palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
    estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
    elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...

    Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
    As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
    domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
    acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
    não produz prazer: queremos que ela termine logo.

    Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
    estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
    leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
    E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
    música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
    esquecer.

    Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
    a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
    sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
    beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
    as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
    crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
    são sensíveis à sua beleza.

    (Rubem Alves. Texto disponível em:
    http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
    05/11/2011. Adaptado.)
    Nos trechos: “Leitura é coisa perigosa: vicia...”; “Ler literatura é fazer amor com as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as crianças saibam os nomes das letras.”, predomina:
  • 📖 Texto associado
    O prazer da leitura

    “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
    teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
    as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
    aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
    a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
    “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
    música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
    ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
    uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
    não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
    começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
    conhecimento das partes.

    Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
    quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
    moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
    palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
    começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
    a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
    sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
    compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
    das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
    de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
    pessoa que o está lendo.

    No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
    alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
    nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
    sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
    me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
    eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
    extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
    ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
    Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
    experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
    responder questionários de interpretação.

    Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
    Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
    disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
    citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
    aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
    aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
    palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
    estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
    elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...

    Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
    As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
    domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
    acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
    não produz prazer: queremos que ela termine logo.

    Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
    estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
    leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
    E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
    música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
    esquecer.

    Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
    a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
    sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
    beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
    as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
    crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
    são sensíveis à sua beleza.

    (Rubem Alves. Texto disponível em:
    http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
    05/11/2011. Adaptado.)
    Observe o trecho: “Existe uma incompatibilidade total entre a experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de responder questionários de interpretação.” Nesse ponto do texto, o autor:
  • 📖 Texto associado
    O prazer da leitura

    “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
    teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
    as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
    aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
    a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
    “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
    música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
    ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
    uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
    não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
    começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
    conhecimento das partes.

    Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
    quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
    moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
    palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
    começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
    a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
    sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
    compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
    das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
    de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
    pessoa que o está lendo.

    No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
    alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
    nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
    sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
    me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
    eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
    extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
    ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
    Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
    experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
    responder questionários de interpretação.

    Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
    Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
    disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
    citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
    aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
    aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
    palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
    estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
    elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...

    Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
    As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
    domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
    acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
    não produz prazer: queremos que ela termine logo.

    Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
    estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
    leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
    E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
    música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
    esquecer.

    Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
    a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
    sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
    beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
    as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
    crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
    são sensíveis à sua beleza.

    (Rubem Alves. Texto disponível em:
    http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
    05/11/2011. Adaptado.)
    Observe o trecho: “Se aquele que lê é um artista, se
    ele domina a técnica, se ele está possuído pelo texto –
    a beleza acontece.” A propósito do segmento em
    destaque, podemos dizer que:

    1) a recorrência da conjunção ‘se’ torna o texto
    menos adequado aos padrões da escrita.

    2) se trata de uma repetição com a função de
    enfatizar a ideia expressa.
    3) a conjunção repetida poderia também ter um
    sentido de temporalidade (‘quando...’).

    4) repetir palavras é, sempre, um recurso não
    recomendado para textos em norma culta.

    Estão corretas:
  • 📖 Texto associado
    O prazer da leitura

    “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
    teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
    as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
    aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
    a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
    “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
    música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
    ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
    uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
    não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
    começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
    conhecimento das partes.

    Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
    quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
    moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
    palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
    começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
    a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
    sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
    compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
    das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
    de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
    pessoa que o está lendo.

    No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
    alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
    nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
    sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
    me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
    eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
    extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
    ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
    Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
    experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
    responder questionários de interpretação.

    Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
    Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
    disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
    citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
    aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
    aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
    palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
    estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
    elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...

    Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
    As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
    domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
    acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
    não produz prazer: queremos que ela termine logo.

    Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
    estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
    leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
    E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
    música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
    esquecer.

    Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
    a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
    sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
    beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
    as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
    crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
    são sensíveis à sua beleza.

    (Rubem Alves. Texto disponível em:
    http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
    05/11/2011. Adaptado.)
    “Foram forçados a aprender tantas coisas sobre
    gramática, que não houve tempo para serem iniciados
    na beleza musical do texto literário.
    ” Analisando esse
    trecho do texto, percebemos uma relação semânticotextual
    de:
  • 📖 Texto associado
    O prazer da leitura

    “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
    teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
    as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
    aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
    a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
    “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
    música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
    ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
    uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
    não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
    começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
    conhecimento das partes.

    Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
    quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
    moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
    palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
    começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
    a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
    sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
    compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
    das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
    de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
    pessoa que o está lendo.

    No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
    alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
    nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
    sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
    me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
    eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
    extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
    ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
    Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
    experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
    responder questionários de interpretação.

    Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
    Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
    disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
    citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
    aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
    aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
    palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
    estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
    elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...

    Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
    As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
    domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
    acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
    não produz prazer: queremos que ela termine logo.

    Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
    estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
    leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
    E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
    música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
    esquecer.

    Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
    a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
    sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
    beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
    as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
    crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
    são sensíveis à sua beleza.

    (Rubem Alves. Texto disponível em:
    http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
    05/11/2011. Adaptado.)
    No texto aparece a afirmação de que: “não houve
    tempo para [os alunos] serem iniciados na beleza
    musical do texto literário”. Do ponto de vista da
    concordância verbal, o uso do verbo haver também
    estaria correto em:
  • 📖 Texto associado
    O prazer da leitura

    “Alfabetizar“, palavra aparentemente inocente, contém uma
    teoria de como se aprende a ler. Aprende-se a ler aprendendose
    as letras do alfabeto. Primeiro as letras, as sílabas. Depois,
    aparecem as palavras... E assim era. Se é assim que se ensina
    a ler, imagino que o ensino da música deveria se chamar
    “dorremizar”: aprender o dó, o ré, o mi... Juntam-se as notas, e a
    música aparece! Todo mundo sabe que não é assim que se
    ensina música. A mãe pega o nenezinho e o embala, cantando
    uma canção de ninar. O que o nenezinho ouve é a música, e
    não cada nota, separadamente! A aprendizagem da música
    começa como percepção de uma totalidade – e nunca com o
    conhecimento das partes.

    Isso é verdadeiro também sobre aprender a ler. Tudo começa
    quando a criança fica fascinada com as coisas maravilhosas que
    moram dentro do livro. Não são as letras, as sílabas e as
    palavras que fascinam. É a estória. A aprendizagem da leitura
    começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê, e
    a criança escuta com prazer; a criança se volta para aqueles
    sinais misteriosos chamados letras. Deseja decifrá-los,
    compreendê-los – porque eles são a chave que abre o mundo
    das delícias que moram no livro! Deseja autonomia: ser capaz
    de chegar ao prazer do texto sem precisar da mediação da
    pessoa que o está lendo.

    No primeiro momento, o professor, no ato de ler para os seus
    alunos, é o mediador que os liga ao prazer do texto. Confesso
    nunca ter tido prazer algum em aulas de gramática ou de análise
    sintática. Não foi nelas que aprendi as delícias da literatura. Mas
    me lembro com alegria das aulas de leitura. Na verdade, não
    eram aulas. Eram concertos. A professora lia, e nós ouvíamos
    extasiados. Ninguém falava. Antes de ler Monteiro Lobato, eu o
    ouvi. E o bom era que não havia provas sobre aquelas aulas.
    Era prazer puro. Existe uma incompatibilidade total entre a
    experiência prazerosa de leitura e a experiência de ler a fim de
    responder questionários de interpretação.

    Onde se encontra o prazer do texto, o seu poder de seduzir?
    Tive a resposta para essa questão acidentalmente. Alguém me
    disse que havia lido um lindo poema de Fernando Pessoa, e
    citou o primeiro verso. Fiquei feliz porque eu também amava
    aquele poema. Aí ele começou a lê-lo. Estremeci. O poema –
    aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As
    palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa
    estava errada! A música estava errada! Todo texto tem dois
    elementos: as palavras, com o seu significado. E a música...

    Percebi, então, que todo texto literário é uma partitura musical.
    As palavras são as notas. Se aquele que lê é um artista, se ele
    domina a técnica, se ele está possuído pelo texto – a beleza
    acontece. Mas, se aquele que lê não domina a técnica, a leitura
    não produz prazer: queremos que ela termine logo.

    Assim, quem ensina a ler tem de ser um artista. Deveria ser
    estabelecida em nossas escolas a prática de “concertos de
    leitura”. Ouvindo, os alunos experimentariam os prazeres do ler.
    E aconteceria com a leitura o mesmo que acontece com a
    música: depois de ser picado pela sua beleza é impossível
    esquecer.

    Leitura é coisa perigosa: vicia... Se os jovens não gostam de ler,
    a culpa não é deles. Foram forçados a aprender tantas coisas
    sobre gramática, que não houve tempo para serem iniciados na
    beleza musical do texto literário. Ler literatura é fazer amor com
    as palavras. E essa transa literária se inicia antes que as
    crianças saibam os nomes das letras. Sem saber ler, elas já
    são sensíveis à sua beleza.

    (Rubem Alves. Texto disponível em:
    http://www.rubemalves.com.br/oprazerdaleitura.htm. Acesso em
    05/11/2011. Adaptado.)
    Observe ainda a concordância verbal adotada no seguinte trecho: “O poema – aquele poema que eu amava – estava horrível na sua leitura. As palavras que ele lia eram as palavras certas. Mas alguma coisa estava errada!”. Também teria sido correto dizer:

COMENTÁRIOS (7)

  • Vivian Cristine Assunção  Alfredo
    Vivian Cristine Assunção Alfredo
    01/05/2012 • 16:55
    60%. Partes fáceis, mas parte puxadas(especialmente em gramática).
  • andre pinheiro
    andre pinheiro
    02/07/2012 • 09:36
    Nao fiz essa, pois aqui nao apareceu o texto?
  • joão luiz de araujo
    joão luiz de araujo
    18/10/2013 • 19:05
    broquei mais um pouquinho de atenção gabaritava. 90% show de bola!
  • Fabiane Brito Furtado
    Fabiane Brito Furtado
    05/11/2013 • 16:11
    Bem complexa.
    Só 50%
  • Bruna vitorino
    Bruna vitorino
    29/11/2014 • 23:32
    errei 3, o bom que mostra q tenho q estudar mais.
  • eduardo cesar da silva
    eduardo cesar da silva
    06/01/2015 • 16:52
    80% marquei a certa e depois mudei.humm! interpretação é o bicho.prefiro gramática.
  • janelise charao vitor
    janelise charao vitor
    15/03/2018 • 10:31
    muito bom, se estivesse mais atenta, gabaritava.

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