Colégio Naval - Português - Aluno do Colégio Naval

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Difícil
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  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá peias tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como Américo Pisca-Pisca, já caíram no ridículo, os reformadores da língua ainda gozam de muito prestígio. Durante muito tempo era possível usar a expressão “fulano não corre mais risco de vida”. Qualquer falante normal decodificava a expressão “risco de vida" como “ter a vida em risco”. E tudo ia muito bem, até que um desses reformadores da língua sentenciou, do alto da sua vã inteligência: “"não é risco de vida, é risco de morte”. Quer dizer que só ele teve essa brilhante percepção, todos os outros falantes da língua não passavam de obtusos irrecuperáveis, é o tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crítica de tal asneira. Desde então, todos os jornais propalam “o grande líder sicrano ainda corre o risco de morte”. E me desculpem, mas risco de morte é muito pernóstico.
    Assim como o reformador da natureza não entende nada da dinâmica do mundo natural, esses gramáticos que pretendem reformar o uso linguístico invocando sua pretensa racionalidade não percebem coisa alguma da lógica de funcionamento da língua. Como bem ensinou Saussure, fundador da linguística moderna, tudo na língua é convenção. A expressão “risco de vida", estava consagrada pelo uso e não se criava problemas na comunicação, porque nenhum falante, ao ouvir tal expressão, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A relação entre as formas linguísticas e o seu conteúdo é arbitrária e convencionada socialmente. Em Japonês, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "João o bolo comeu" em vez de “João comeu o bolo”, como em português. Se o nosso reformador da língua baixasse por lá, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto é muito mais lógico!
    Mas os ingênuos poderiam argumentar: o nosso oráculo gramatical não melhorou a língua tornando-a mais lógica? Não, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da expressão mais trivial “correr o risco de cair do cavalo”, a língua tem uma expressão mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construção dissonante amplia as possibilidades expressivas da língua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da língua. “Corrigir" risco de vida por risco de morte é substituir uma expressão mais sutil e sofisticada por sua versão mais imediata, trivial e óbvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela ação nefanda dos fariseus no templo democrático da língua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinião - adaptado.

    Em “Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica." (§1°), o vocábulo destacado pode ser substituído com equivalência semântica por:
  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá peias tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como AméricoPisca-Pisca, jca caruam no ridculo, os reformadores da lngua ainda gozam de muito prestgio. Durante muito tempo era possvel usar a express3o fulano no corre mais risco de vida. Qualquer falante normal decodificava a express3o risco de vida" como ter a vida em risco". E tudo ia muito bem, at que um desses reformadores da lngua sentenciou, do alto da sua v inteligncia: no risco de vida, digo risco de morte". Quer dizer que s ele teve essa brilhante percep, todos os outros falantes da lngua no passavam de obtusos irrecuperveis, tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crca de tal asneira. Desde ento, todos os jornais propalam o grande lder sicrano ainda corre o risco de morte". E me desculpem, mas risco de morte muito perntico.
    Assim como o reformador da natureza no entende nada da dinmica do mundo natural, esses gramticos que pretendem reformar o uso linguvo invocando sua pretensa racionalidade n percebem coisa alguma da lgica de funcionamento da lngua. Como bem ensinou Saussure, fundador da lingustica moderna, tudo na lngua conven. A express3o risco de vida", estava consagrada pelo uso e no se criava problemas na comunicao, porque nenhum falante, ao ouvir tal express3o, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A rela entre as formas lingusticas e o seu conteo arbitrria e convencionada socialmente. Em Japons, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "Joo o bolo comeu" em vez de Joo comeu o bolo", como em portugus. Se o nosso reformador da lngua baixasse por l, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto muito mais lgico!
    Mas os ings poderiam argumentar: o nosso orculo gramatical no melhorou a lngua tornando-a mais lgica? No, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da express3o mais trivial correr o risco de cair do cavalo", a lngua tem uma express3o mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construo dissonante amplia as possibilidades expressivas da lngua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da lngua. Corrigir" risco de vida por risco de morte substituir uma express3o mais sutil e sofisticada por sua verso mais imediata, trivial e bvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela ao nefanda dos fariseus no templo democrtico da lngua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinio - adaptado.

    Analise as afirmativas abaixo.

    I- "Quer dizer que só ele teve essa brilhante percepção[...]’’ (§2°)
    II- "É o tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda.” (§2°)
    III- "[...] esses gramáticos que pretendem reformar o uso linguístico[...]” (§3°)
    IV- "[...] tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto é muito mais lógico!" (§4°)

    Está correto afirmar que NÃO complementam o verbo os vocábulos destacados em:
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  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá peias tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como Américo Pisca-Pisca, já caíram no ridículo, os reformadores da língua ainda gozam de muito prestígio. Durante muito tempo era possível usar a expressão “fulano não corre mais risco de vida”. Qualquer falante normal decodificava a expressão “risco de vida" como “ter a vida em risco”. E tudo ia muito bem, até que um desses reformadores da língua sentenciou, do alto da sua vã inteligência: “"não é risco de vida, é risco de morte”. Quer dizer que só ele teve essa brilhante percepção, todos os outros falantes da língua não passavam de obtusos irrecuperáveis, é o tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crítica de tal asneira. Desde então, todos os jornais propalam “o grande líder sicrano ainda corre o risco de morte”. E me desculpem, mas risco de morte é muito pernóstico.
    Assim como o reformador da natureza não entende nada da dinâmica do mundo natural, esses gramáticos que pretendem reformar o uso linguístico invocando sua pretensa racionalidade não percebem coisa alguma da lógica de funcionamento da língua. Como bem ensinou Saussure, fundador da linguística moderna, tudo na língua é convenção. A expressão “risco de vida", estava consagrada pelo uso e não se criava problemas na comunicação, porque nenhum falante, ao ouvir tal expressão, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A relação entre as formas linguísticas e o seu conteúdo é arbitrária e convencionada socialmente. Em Japonês, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "João o bolo comeu" em vez de “João comeu o bolo”, como em português. Se o nosso reformador da língua baixasse por lá, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto é muito mais lógico!
    Mas os ingênuos poderiam argumentar: o nosso oráculo gramatical não melhorou a língua tornando-a mais lógica? Não, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da expressão mais trivial “correr o risco de cair do cavalo”, a língua tem uma expressão mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construção dissonante amplia as possibilidades expressivas da língua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da língua. “Corrigir" risco de vida por risco de morte é substituir uma expressão mais sutil e sofisticada por sua versão mais imediata, trivial e óbvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela ação nefanda dos fariseus no templo democrático da língua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinião - adaptado.

    É correto afirmar que em “ "Corrigir’ risco de vida por risco de morte é substituir uma expressão mais sutil e sofisticada por sua versão mais imediata, trivial e óbvia.”(§5°) a oração destacada exerce função sintática de:
  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá peias tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como AméricoPisca-Pisca, j caron no ridculo, os reformadores da lngua ainda gozam de muito prestgio. Durante muito tempo era possvel usar a expresso fulano no corre mais risco de vida. Qualquer falante normal decodificava a expresso "risco de vida" como "ter a vida em risco". E tudo ia muito bem, at que um desses reformadores da lngua sentenciou, do alto da sua v inteligencia: "no "risco de vida", risco de morte". Quer dizer que s ele teve essa brilhante percepo, todos os outros falantes da lngua no passavam de obtusos irrecuperveis, o tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crtica de tal asneira. Desde ento, todos os jornais propalam "o grande lder sicrano ainda corre o risco de morte". E me desculpem, mas risco de morte muito perntico.
    Assim como o reformador da natureza no entende nada da dinmica do mundo natural, esses gramticos que pretendem reformar o uso lingustico invocando sua pretensa racionalidade no percebem coisa alguma da lgica de funcionamento da lngua. Como bem ensinou Saussure, fundador da lingustica moderna, tudo na lngua conveno. A expresso "risco de vida", estava consagrada pelo uso e no se criava problemas na comunicao, porque nenhum falante, ao ouvir tal expresso, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A relao entre as formas lingusticas e o seu contedo arbitrria e convencionada socialmente. Em Japons, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "Jo o bolo comeu" em vez de Jo comeu o bolo, como em portugus. Se o nosso reformador da lngua baixasse por l, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto muito mais lgico!
    Mas os inguos poderiam argumentar: o nosso orculo gramatical no melhorou a lngua tornando-a mais lgica? No, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da expresso mais trivial "correr o risco de cair do cavalo", a língua tem uma expresso mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construo dissonante amplia as possibilidades expressivas da lngua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da lngua. "Corrigir" risco de vida por risco de morte substituir uma expresso mais sutil e sofisticada por sua verso mais imediata, trivial e bvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela aa nefanda dos fariseus no templo democrtico da língua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinio - adaptado.

    Ao apresentar que A relao entre as formas lingusticas e o seu contedo arbitrria e convencionada socialmente () o autor demonstra que:
  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá peias tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como AméricoPisca-Pisca, já caíram no ridculo, os reformadores da lngua ainda gozam de muito prestgio. Durante muito tempo era possvel usar a expresso 4fulano no corre mais risco de vida4. Qualquer falante normal decodificava a expresso 4risco de vida" como 4ter a vida em risco4. E tudo ia muito bem, at que um desses reformadores da lngua sentenciou, do alto da sua v intelligence: 4no risco de vida, risco de morte4. Quer dizer que s ele teve essa brilhante percepo, todos os outros falantes da lngua no passavam de obtusos irrecuperveis, o tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crtica de tal asneira. Desde ento, todos os jornais propalam 4o grande lder sicrano ainda corre o risco de morte4. E me desculpem, mas risco de morte muito pernstico.
    Assim como o reformador da natureza no entende nada da dinmica do mundo natural, esses gramticos que pretendem reformar o uso lingustico invocando sua pretensa racionalidade no percebem coisa alguma da lgica de funcionamento da lngua. Como bem ensinou Saussure, fundador da lingustica moderna, tudo na lngua conveno. A expresso 4risco de vida", estava consagrada pelo uso e no se criava problemas na comunicao, porque nenhum falante, ao ouvir tal expresso, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A relao entre as formas lingusticas e o seu contedo arbitrria e convencionada socialmente. Em Japons, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "Joo o bolo comeu" em vez de 4Joo comeu o bolo4, como em portugus. Se o nosso reformador da lngua baixasse por l, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto muito mais lgico!
    Mas os inguos poderiam argumentar: o nosso orculo gramatical no melhorou a lngua tornando-a mais lgica? No, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da expresso mais trivial 4correr o risco de cair do cavalo4, a lngua tem uma expresso mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construo dissonante amplia as possibilidades expressivas da lngua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da lngua. 4Corrigir" risco de vida por risco de morte substituir uma expresso mais sutil e sofisticada por sua verso mais imediata, trivial e bvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela ao nefanda dos fariseus no templo democrtico da lngua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinio - adaptado.

    Analise os enunciados abaixo e assinale a opo correta.

    I- 4Se os reformadores da natureza, como Amrico Pisca - Pisca, j caaram no ridculo, os reformadores da lngua ainda gozam de muito prestgio.4 (2)
    II- 4Se o nosso reformador da lngua baixasse por l, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto muito mais lgico.4 (4)
  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá pelas tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como Américo Pisca-Pisca, já caíram no ridículo, os reformadores da língua ainda gozam de muito prestígio. Durante muito tempo era possível usar a expressão “fulano não corre mais risco de vida”. Qualquer falante normal decodificava a expressão “risco de vida" como “ter a vida em risco”. E tudo ia muito bem, até que um desses reformadores da língua sentenciou, do alto da sua vã inteligência: “"não é risco de vida, é risco de morte”. Quer dizer que só ele teve essa brilhante percepção, todos os outros falantes da língua não passavam de obtusos irrecuperáveis, é o tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crítica de tal asneira. Desde então, todos os jornais propalam “o grande líder sicrano ainda corre o risco de morte”. E me desculpem, mas risco de morte é muito pernóstico.
    Assim como o reformador da natureza não entende nada da dinâmica do mundo natural, esses gramáticos que pretendem reformar o uso linguístico invocando sua pretensa racionalidade não percebem coisa alguma da lógica de funcionamento da língua. Como bem ensinou Saussure, fundador da linguística moderna, tudo na língua é convenção. A expressão “risco de vida", estava consagrada pelo uso e não se criava problemas na comunicação, porque nenhum falante, ao ouvir tal expressão, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A relação entre as formas linguísticas e o seu conteúdo é arbitrária e convencionada socialmente. Em Japonês, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "João o bolo comeu" em vez de “João comeu o bolo”, como em português. Se o nosso reformador da língua baixasse por lá, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto é muito mais lógico!
    Mas os ingênuos poderiam argumentar: o nosso oráculo gramatical não melhorou a língua tornando-a mais lógica? Não, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da expressão mais trivial “correr o risco de cair do cavalo”, a língua tem uma expressão mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construção dissonante amplia as possibilidades expressivas da língua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da língua. “Corrigir" risco de vida por risco de morte é substituir uma expressão mais sutil e sofisticada por sua versão mais imediata, trivial e óbvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela ação nefanda dos fariseus no templo democrático da língua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinião - adaptado.

    A partir da mensagem transmitida pelo texto, depreende-se que o autor:
  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá peias tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como Américo Pisca-Pisca, já caíram no ridículo, os reformadores da língua ainda gozam de muito prestígio. Durante muito tempo era possível usar a expressão “fulano não corre mais risco de vida”. Qualquer falante normal decodificava a expressão “risco de vida" como “ter a vida em risco”. E tudo ia muito bem, até que um desses reformadores da língua sentenciou, do alto da sua vã inteligência: “"não é risco de vida, é risco de morte”. Quer dizer que só ele teve essa brilhante percepção, todos os outros falantes da língua não passavam de obtusos irrecuperáveis, é o tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crítica de tal asneira. Desde então, todos os jornais propalam “o grande líder sicrano ainda corre o risco de morte”. E me desculpem, mas risco de morte é muito pernóstico.
    Assim como o reformador da natureza não entende nada da dinâmica do mundo natural, esses gramáticos que pretendem reformar o uso linguístico invocando sua pretensa racionalidade não percebem coisa alguma da lógica de funcionamento da língua. Como bem ensinou Saussure, fundador da linguística moderna, tudo na língua é convenção. A expressão “risco de vida", estava consagrada pelo uso e não se criava problemas na comunicação, porque nenhum falante, ao ouvir tal expressão, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A relação entre as formas linguísticas e o seu conteúdo é arbitrária e convencionada socialmente. Em Japonês, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "João o bolo comeu" em vez de “João comeu o bolo”, como em português. Se o nosso reformador da língua baixasse por lá, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto é muito mais lógico!
    Mas os ingênuos poderiam argumentar: o nosso oráculo gramatical não melhorou a língua tornando-a mais lógica? Não, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da expressão mais trivial “correr o risco de cair do cavalo”, a língua tem uma expressão mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construção dissonante amplia as possibilidades expressivas da língua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da língua. “Corrigir" risco de vida por risco de morte é substituir uma expressão mais sutil e sofisticada por sua versão mais imediata, trivial e óbvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela ação nefanda dos fariseus no templo democrático da língua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinião - adaptado.

    Na sentença “Lá pelas tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do teu nariz,” (§1°), a sequência destacada significa:
  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá peias tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como AméricoPisca-Pisca, jca caram no ridculo, os reformadores da lngua ainda gozam de muito prestgio. Durante muito tempo era possvel usar a expresso fulano no corre mais risco de vida. Qualquer falante normal decodificava a expresso risco de vida" como ter a vida em risco. E tudo ia muito bem, at que um desses reformadores da lngua sentenciou, do alto da sua v inteligente: "no risco de vida, risco de morte". Quer dizer que s ele teve essa brilhante percepo, todos os outros falantes da lngua no passavam de obtusos irrecuperveis, o tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crtica de tal asneira. Desde ento, todos os jornais propalam o grande lder sicrano ainda corre o risco de morte". E me desculpem, mas risco de morte muito perntico.
    Assim como o reformador da natureza no entende nada da dinmica do mundo natural, esses gramticos que pretendem reformar o uso lingustico invocando sua pretensa racionalidade no percebem coisa alguma da lgica de funcionamento da lngua. Como bem ensinou Saussure, fundador da lingustica moderna, tudo na lngua conveno. A expresso risco de vida", estava consagrada pelo uso e no se criava problemas na comunicao, porque nenhum falante, ao ouvir tal expresso, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A relao entre as formas lingusticas e o seu contedo arbitrria e convencionada socialmente. Em Japons, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "Joo o bolo comeu" em vez de Joo comeu o bolo", como em portugus. Se o nosso reformador da lngua baixasse por l, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto muito mais lgico!
    Mas os inguos poderiam argumentar: o nosso orculo gramatical no melhorou a lngua tornando-a mais lgica? No, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da expresso mais trivial correr o risco de cair do cavalo", a lngua tem uma expresso mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construo dissonante amplia as possibilidades expressivas da lngua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da lngua. Corrigir" risco de vida por risco de morte substituir uma expresso mais sutil e sofisticada por sua verso mais imediata, trivial e bvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela ao nefanda dos fariseus no templo democrtico da lngua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinio - adaptado.

    Assinale a opo em que a concordncia entre verbo e sujeito no est de acordo com as prescries normativas da Lngua Portuguesa.
  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá peias tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como AméricoPisca-Pisca, já caíram no ridículo, os reformadores da lngua ainda gozam de muito prestgio. Durante muito tempo era possvel usar a expresso fulano no corre mais risco de vida. Qualquer falante normal decodificava a expresso risco de vida" como ter a vida em risco". E tudo ia muito bem, at que um desses reformadores da lngua sentenciou, do alto da sua v intelligence: "no risco de vida, risco de morte". Quer dizer que s ele teve essa brilhante percepo, todos os outros falantes da lngua n passavam de obtusos irrecuperveis, o tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crtica de tal asneira. Desde ento, todos os jornais propalam o grande lder sicrano ainda corre o risco de morte". E me desculpem, mas risco de morte muito pernstico.
    Assim como o reformador da natureza no entende nada da dinmica do mundo natural, esses gramticos que pretendem reformar o uso lingustico invocando sua pretensa racionalidade no percebem coisa alguma da lgica de funcionamento da lngua. Como bem ensinou Saussure, fundador da lingustica moderna, tudo na lngua conveno. A expresso risco de vida", estava consagrada pelo uso e no se criava problemas na comunicao, porque nenhum falante, ao ouvir tal expresso, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A relao entre as formas lingusticas e o seu contedo arbitrria e convencionada socialmente. Em Japons, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "Jo o bolo comeu" em vez de Jo comeu o bolo", como em portugus. Se o nosso reformador da lngua baixasse por l, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto muito mais lgico!
    Mas os inguos poderiam argumentar: o nosso orculo gramatical no melhorou a lngua tornando-a mais lgica? No, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da expresso mais trivial correr o risco de cair do cavalo", a lngua tem uma expresso mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construo dissonante amplia as possibilidades expressivas da lngua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da lngua. Corrigir" risco de vida por risco de morte substituir uma expresso mais sutil e sofisticada por sua verso mais imediata, trivial e bvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela ao nefanda dos fariseus no templo democrtico da lngua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinio - adaptado.

    No trecho "Como bem ensinou Saussure, fundador da lingustica moderna, tudo na lngua conveno" ( 46), o emprego das vrgulas se justifica por

  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá peias tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como AméricoPisca-Pisca, já ca-ram no rid-culo, os reformadores da lngua ainda gozam de muito prestgio. Durante muito tempo era possivel usar a express
  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá peias tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como AméricoPisca-Pisca, já caíram no ridículo, os reformadores da lngua ainda gozam de muito prestgio. Durante muito tempo era possvel usar a expresso fulano no corre mais risco de vida. Qualquer falante normal decodificava a expresso risco de vida" como ter a vida em risco". E tudo ia muito bem, at que um desses reformadores da lngua sentenciou, do alto da sua v intelligence: no risco de vida, risco de morte". Quer dizer que s ele teve essa brilhante percepo, todos os outros falantes da lngua no passavam de obtusos irrecuperveis, tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crtica de tal asneira. Desde ento, todos os jornais propalam o grande lder sicrano ainda corre o risco de morte". E me desculpem, mas risco de morte muito perntico.
    Assim como o reformador da natureza no entende nada da dinmica do mundo natural, esses gramticos que pretendem reformar o uso lingustico invocando sua pretensa racionalidade no percebem coisa alguma da lgica de funcionamento da lngua. Como bem ensinou Saussure, fundador da lingustica moderna, tudo na lngua conveno. A expresso risco de vida", estava consagrada pelo uso e no se criava problemas na comunicao, porque nenhum falante, ao ouvir tal expresso, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A relao entre as formas lingusticas e o seu contedo arbitrria e convencionada socialmente. Em Japons, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "Joo o bolo comeu" em vez de Joo comeu o bolo", como em portugus. Se o nosso reformador da lngua baixasse por l, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto muito mais lgico!
    Mas os inguos poderiam argumentar: o nosso orculo gramatical no melhorou a lngua tornando-a mais lgica? No, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da expresso mais trivial correr o risco de cair do cavalo", a lngua tem uma expresso mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construo dissonante amplia as possibilidades expressivas da lngua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da lngua. Corrigir" risco de vida por risco de morte substituir uma expresso mais sutil e sofisticada por sua verso mais imediata, trivial e bvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela ao nefanda dos fariseus no templo democrtico da lngua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinio - adaptado.

    Assinale a opo que demonstra a reescrita do perodo Como bem ensinou Saussure, fundador da lingustica moderna, tudo na lngua conveno. ( 3), sem que haja qualquer alterao de valor semntico.
  • Correndo risco de vida

    Em uma de suas histórias geniais, Monteiro Lobato nos apresenta o reformador da natureza, Américo PiscaPisca. Questionando o perfeito equilíbrio do mundo natural, Américo Pisca-Pisca apontava um desequilíbrio flagrante no fato de uma enorme árvore, como a jabuticabeira, sustentar frutos tão pequeninos, enquanto a colossal abóbora é sustentada pelo caule fino de uma planta rasteira. Satisfeito com sua grande descoberta, Américo deita-se sob a sombra de uma das jabuticabeiras e adormece. Lá pelas tantas, uma frutinha lhe cai bem na ponta do seu nariz. Aturdido, o reformador se dá conta de sua lógica.
    Se os reformadores da natureza, como AméricoPisca-Pisca, jca caram no ridculo, os reformadores da lngua ainda gozam de muito prestgio. Durante muito tempo era possvel usar a expresso fulano no corre mais risco de vida. Qualquer falante normal decodificava a expresso risco de vida" como ter a vida em risco. E tudo ia muito bem, at m que um desses reformadores da lngua sentenciou, do alto da sua v inteligentea: no risco de vida, risco de morte". Quer dizer que s ele teve essa brilhante percepo, todos os outros falantes da lngua no passavam de obtusos irrecuperveis, tipo de sujeito que acredita ter inventado a roda. E impressiona a fortuna crtica de tal asneira. Desde ent todos os jornais propalam o grande lder sicrano ainda corre o risco de morte". E me desculpem, mas risco de morte muito perntico.
    Assim como o reformador da natureza no entende nada da dinmica do mundo natural, esses gramticos que pretendem reformar o uso lingustico invocando sua pretensa racionalidade no percebem coisa alguma da lgica de funcionamento da lngua. Como bem ensinou Saussure, fundador da lingustica moderna, tudo na lngua conveno. A expreso risco de vida", estava consagrada pelo uso e no se criava problemas na comunicao, porque nenhum falante, ao ouvir tal expresso, pensava que o sujeito corra risco de viver.
    A relao entre as formas lingusticas e o seu contedo arbitrria e convencionada socialmente. Em Japons, por exemplo, o objeto precede o verbo. Diz-se "Joo o bolo comeu" em vez de Joo comeu o bolo, como em portugus. Se o nosso reformador da lngua baixasse por l, tentaria convencer os japoneses de que o verbo preceder o seu objeto muito mais lgico!
    Mas os ing os poderiam argumentar: o nosso orculo gramatical no melhorou a lngua tornando-a mais lgica? No, meus caros, ele a empobreceu. Pois, ao lado da expresso mais trivial correr o risco de cair do cavalo", a lngua tem uma expresso mais sofisticada: correr risco de vida. Tal construo dissonante amplia as possibilidades expressivas da lngua, criando um veio que pode vir a ser explorado por poetas e demais criadores da lngua. Corrigir" risco de vida por risco de morte substituir uma expresso mais sutil e sofisticada por sua verso mais imediata, trivial e bvia. E um recurso expressivo passou a correr risco de vida pela ao nefanda dos fariseus no templo democrtico da lngua.

    LUCCHESI, Dante. Correndo risco de vida. ATarde, 17 set.2006, p.3, Opinio - adaptado.

    Assinale a opo em que o pronome tono exerce funo pleonstica.
  • Palavra

    Peguei meu filho no colo (naquele tempo ainda dava), apertei-o com força e disse que só o soltaria se ele dissesse a palavra mágica.
    E ele disse: - Mágica.
    Foi solto em seguida.
    Um adulto teria procurado outra palavra, uma encantação que o libertasse.
    Ele não teve dúvida. Me entendeu mal, mas acertou. Disse o que eu pedi. (Não, não hoje ele não se dedica às ciências exatas. É cantor e compositor)
    Nenhuma palavra era mais mágica do que a palavra “mágica”.
    Quem tem o chamado dom da palavra cedo ou tarde se descobre um impostor. Ou se regenera, e passa a usar a palavra com economia e precisão, ou se refestela na impostura: Nabokov e seus borboleteios, Borges e seus labirintos.
    Impostura no bom sentido, claro - nada mais fascinante do que ver um bom mágico em ação. Você está ali pelos truques, não pelo seu desmascaramento.
    Mas quem quer usar a palavra não para fascinar, mas para transmitir um pensamento ou apenas contar uma história, tem um desafio maior, o de fazer mágica sem truques. Não transformar o lenço em pomba, mas usar o lenço para dar o recado, um “ lençocorreio”. Cuidando o tempo todo, para que as palavras não se tornem mais importante do que o recado e o artifício - a impostura - não apareça e não atrapalhe.
    (...)

    Noblat.oglobo.globo.com/crônicas/notícia/2017/02/palavra. html - adaptado.

    Assinale a opção em que os termos destacados retomam o mesmo vocábulo.
  • Palavra

    Peguei meu filho no colo (naquele tempo ainda dava), apertei-o com força e disse que só o soltaria se ele dissesse a palavra mágica.
    E ele disse: - Mágica.
    Foi solto em seguida.
    Um adulto teria procurado outra palavra, uma encantação que o libertasse.
    Ele não teve dúvida. Me entendeu mal, mas acertou. Disse o que eu pedi. (Não, não hoje ele não se dedica às ciências exatas. É cantor e compositor)
    Nenhuma palavra era mais mágica do que a palavra “mágica”.
    Quem tem o chamado dom da palavra cedo ou tarde se descobre um impostor. Ou se regenera, e passa a usar a palavra com economia e precisão, ou se refestela na impostura: Nabokov e seus borboleteios, Borges e seus labirintos.
    Impostura no bom sentido, claro - nada mais fascinante do que ver um bom mágico em ação. Você está ali pelos truques, não pelo seu desmascaramento.
    Mas quem quer usar a palavra não para fascinar, mas para transmitir um pensamento ou apenas contar uma história, tem um desafio maior, o de fazer mágica sem truques. Não transformar o lenço em pomba, mas usar o lenço para dar o recado, um “ lençocorreio”. Cuidando o tempo todo, para que as palavras não se tornem mais importante do que o recado e o artifício - a impostura - não apareça e não atrapalhe.
    (...)

    Noblat.oglobo.globo.com/crônicas/notícia/2017/02/palavra. html - adaptado.

    Assinale a opção em que o termo destacado pode ser substituído por um pronome demonstrativo, sem prejuízo ao sentido veiculado, retomando um termo já apresentado.
  • Palavra

    Peguei meu filho no colo (naquele tempo ainda dava), apertei-o com força e disse que só o soltaria se ele dissesse a palavra mágica.
    E ele disse: - Mágica.
    Foi solto em seguida.
    Um adulto teria procurado outra palavra, uma encantação que o libertasse.
    Ele não teve dúvida. Me entendeu mal, mas acertou. Disse o que eu pedi. (Não, não hoje ele não se dedica às ciências exatas. É cantor e compositor)
    Nenhuma palavra era mais mágica do que a palavra “mágica”.
    Quem tem o chamado dom da palavra cedo ou tarde se descobre um impostor. Ou se regenera, e passa a usar a palavra com economia e precisão, ou se refestela na impostura: Nabokov e seus borboleteios, Borges e seus labirintos.
    Impostura no bom sentido, claro - nada mais fascinante do que ver um bom mágico em ação. Você está ali pelos truques, não pelo seu desmascaramento.
    Mas quem quer usar a palavra não para fascinar, mas para transmitir um pensamento ou apenas contar uma história, tem um desafio maior, o de fazer mágica sem truques. Não transformar o lenço em pomba, mas usar o lenço para dar o recado, um “ lençocorreio”. Cuidando o tempo todo, para que as palavras não se tornem mais importante do que o recado e o artifício - a impostura - não apareça e não atrapalhe.
    (...)

    Noblat.oglobo.globo.com/crônicas/notícia/2017/02/palavra. html - adaptado.

    Assinale a opção que apresenta a mensagem revelada pelo texto.
  • Palavra

    Peguei meu filho no colo (naquele tempo ainda dava), apertei-o com força e disse que só o soltaria se ele dissesse a palavra mágica.
    E ele disse: - Mágica.
    Foi solto em seguida.
    Um adulto teria procurado outra palavra, uma encantação que o libertasse.
    Ele não teve dúvida. Me entendeu mal, mas acertou. Disse o que eu pedi. (Não, não hoje ele não se dedica às ciências exatas. É cantor e compositor)
    Nenhuma palavra era mais mágica do que a palavra “mágica”.
    Quem tem o chamado dom da palavra cedo ou tarde se descobre um impostor. Ou se regenera, e passa a usar a palavra com economia e precisão, ou se refestela na impostura: Nabokov e seus borboleteios, Borges e seus labirintos.
    Impostura no bom sentido, claro - nada mais fascinante do que ver um bom mágico em ação. Você está ali pelos truques, não pelo seu desmascaramento.
    Mas quem quer usar a palavra não para fascinar, mas para transmitir um pensamento ou apenas contar uma história, tem um desafio maior, o de fazer mágica sem truques. Não transformar o lenço em pomba, mas usar o lenço para dar o recado, um “ lençocorreio”. Cuidando o tempo todo, para que as palavras não se tornem mais importante do que o recado e o artifício - a impostura - não apareça e não atrapalhe.
    (...)

    Noblat.oglobo.globo.com/crônicas/notícia/2017/02/palavra. html - adaptado.

    Em "Não transformar o lenço em pomba, mas usar o lenço para dar o recado, um lencocorreio", o autor utiliza-se da formação de palavras por meio do processo de:
  • Assinale a opção na qual o acento gráfico das palavras NÃO se justifica pela mesma função.
  • No enunciado "O pensamento do candidato em sucesso pessoal é refletido em dedicação”, os termos destacados exercem, respectivamente a função sintática de:
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