O mito da criação do universo e do homem, ensinado pelo mestre iniciador do Komo (que é sempre um
ferreiro) aos jovens circuncidados, revela-nos que quando Maa Ngala sentiu falta de um interlocutor, criou
o Primeiro Homem: Maa (...)
O Ser-Um chamou-se de Maa Ngala. Então ele criou a ‘Fan”, um ovo maravilhoso com nove divisões no qual
introduziu os nove estados fundamentais da existência. Quando o ovo primordial chocou, dele nasceram
vinte seres fabulosos que constituíram a totalidade do universo, a soma total das forças existentes do
conhecimento possível. Mas, aí!, nenhuma dessas vinte primeiras criaturas revelou-se apta a tornar-se
o interlocutor (kuma-nyon) que Maa Ngala havia desejado para si. Assim, ele tomou de uma parcela de
cada uma dessas vinte criaturas existentes e misturou-as; então, insuflando na mistura uma centelha de
seu próprio hálito ígneo, criou um novo Ser, o Homem, a quem, deu uma parte de seu próprio nome: Maa.
HAMPATÉ-BÂ, A. A tradição viva. In: KI-ZERBO, J. (ed.) História Geral da África I: metodologia
e pré-história da África. Brasília: UNESCO, 2011. p. 170-171 (adaptado).
Considerando-se que um professor de História da 2ª série do Ensino Médio tenha selecionado o mito de
criação apresentado acima para abordar o papel da oralidade entre diversos povos africanos, é correto
afirmar que, a partir desse texto, o docente poderá explicar que a tradição oral relaciona-se com