Como é a rotina de uma família indígena? As famílias acordam cedo, entre quatro e cinco da manhã.
Em seguida tomam banho e se juntam para realizar a primeira refeição do dia. Depois, uns vão pescar,
outros vão caçar, outros vão para a roça e outros, ainda, para a escola. No início da tarde, todos
começam a chegar de seus afazeres. Quem foi pescar chega com o seu peixe. Quem foi para roça já
chega com a sua fruta ou sua mandioca. Quem foi para escola já estudou e está de volta a sua casa.
Todo o serviço básico do dia está resolvido. Então, o resto do dia é pra interagir com a família, com
a comunidade e — por que não? — pendurar a rede na beira do rio, aproveitar a vida e apreciar a
natureza. Se a vida pode ser mais simples e ter menos sofrimento, por que se matar de trabalhar?
Não estou dizendo que sou contra trabalhar oito horas por dia; estou apenas lembrando que são
filosofias de vida diferentes. Tampouco estou dizendo que uma filosofia de vida é melhor que a outra.
Cada sociedade vai avaliar o que é melhor. Acontece que os povos indígenas avaliam, do ponto de
vista filosófico e cosmológico, que a forma de vida que eles querem é esta: bem-viver.
BANIWA, G. L. A inclusão da temática indígena na escola. In: RUSSO, K.; PALADINO, M. (org.).
Ciências, tecnologias, artes e povos indígenas no Brasil: subsídios e debates a partir da
Lei n. 11.645/2008. Rio de Janeiro: Garamond, 2016 (adaptado).
Estaria em conformidade com as ideias apresentadas no texto a elaboração de uma proposta educacional que