Em uma sala de aula de Ensino Médio, uma professora de Língua Portuguesa constatou que suas alunas
negras se autodeclaravam pardas. Ela também observou que seus alunos, de forma geral e recorrentemente,
reproduziam visões colonialistas historicamente difundidas. Para refletir sobre essas questões, ela elaborou
um plano de aula centrado em textos de autoras africanas que enfatizavam a mesma perspectiva que
a escritora moçambicana Paulina Chiziane trabalha no seguinte poema.
Liberta-te
As campanhas coloniais colocaram-te uma venda nos olhos
Resiste. Não te deixes apagar e luta com o que te ofusca
Reconhece-te. Estás presente em todas as maravilhas do mundo.
A maior intenção da escravatura era esta
Reduzir-te. Animalizar-te. Diabolizar-te
O interesse do colonialismo, racismo, era este
Apagar-te para que nunca te levantes do chão
Reconheça-te, africano, nas religiões que dominam o mundo
Na riqueza do mundo. Nas matérias-primas de todas as tecnologias
Mata os fantasmas e anula o estigma com que te descrevem
Que determinava a raça de Deus e o espaço geográfico da sabedoria.
CHIZIANE, P. O canto dos escravizados. Belo Horizonte: Nandyala, 2018. p. 124-125.
A partir de uma correlação entre a situação apresentada e o poema, para que a professora cumpra
seu propósito, o plano de aula deve