“Pergunta: Pode propriamente um filósofo, co...

“Pergunta: Pode propriamente um filósofo, com boa consciência, comprometer-se a ter diariamente algo para ensinar? E a ensiná-lo diante de qualquer um que queira ou...


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“Pergunta: Pode propriamente um filósofo, com boa consciência, comprometer-se a ter diariamente algo para ensinar? E a ensiná-lo diante de qualquer um que queira ouvir? Ele não tem de se dar a aparência de saber mais do que sabe? Não tem de falar, diante de um auditório desconhecido, sobre coisas das quais somente com o amigo mais próximo poderia falar sem perigo? E, em geral: não se despoja de sua mais esplêndida liberdade, a de seguir seu gênio, quando este chama e para onde este chama? — Por estar comprometido a pensar publicamente, em horas determinadas, sobre algo pré-determinado. E isto diante de jovens! Um tal pensar não está de antemão como que emasculado? E se ele sentisse um dia: Hoje não consigo pensar nada, não me ocorre nada que preste — E apesar disso teria de se apresentar e parecer pensar!” NIETZSCHE, Friedrich. Schopenhauer como educador. 1.ed. Tradução de Rubens Rodrigues Torres Filho. São Paulo: Abril Cultural, 1974, p. 88. Coleção Os pensadores.

Usufruindo o texto como indicação inicial, bem como pensando o papel social do filósofo no mundo contemporâneo à luz da História da Filosofia, marque a alternativa correta.

Analisando...
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  • Ingrid Nunes
    Ingrid Nunes EQUIPE
    25/08/2026 • 15:01
    Vamos analisar esse texto do Nietzsche e as alternativas relacionadas ao papel do filósofo. O texto traz uma crítica à obrigatoriedade do ensino filosófico formal, questionando se o filósofo pode, com autenticidade, comprometer-se a ensinar todos os dias algo novo, para qualquer pessoa, em horários e temas pré-determinados. Surge a reflexão sobre a liberdade e a autenticidade do pensamento filosófico diante das exigências institucionais e educativas.

    Agora, nas alternativas, a letra A mistura perspectivas, citando Sócrates, Descartes e Kant. Sócrates realmente tinha uma função pedagógica, dialogando, provocando e ensinando, mas a parte sobre Descartes e Kant está confusa e não há clareza no que seria 'papel atitudinal', além de forçar uma relação entre especulação filosófica e maus frutos, sem respaldo textual ou histórico.

    A letra B fala sobre Byung-Chul Han, filósofo contemporâneo crítico das redes sociais e da sociedade do desempenho. Han realmente argumenta que, diante do excesso de informações e estímulos, as pessoas passam da hiperatividade para uma hiperpassividade, perdendo a capacidade contemplativa e reflexiva, típica do pensamento filosófico verdadeiro. Esse ponto está correto, pois destaca a tarefa do filósofo de recuperar o pensamento atento, reflexivo e contemplativo, o que se conecta bem ao texto de Nietzsche sobre as dificuldades e exigências do filosofar autêntico, não guiado por cronogramas externos.

    A alternativa C sugere que Pascal vê o filósofo como naturalizador — porém, Pascal, na verdade, é crítico à razão filosófica, mostrando os limites do pensamento filosófico, sem atribuir ao filósofo o papel de naturalizar construções sociais. A menção ao legado genealógico de Nietzsche é pertinente, pois de fato ele propõe ao filósofo esse papel de rastrear, investigar e desnaturalizar valores, mas a descrição do papel atribuído a Pascal está equivocada.

    Por fim, a opção D traz Sílvio Gallo enfatizando o alinhamento do papel do filósofo com demandas do Mercado e Tecnologia, voltado à adaptação e dinamismo do trabalho segundo diretrizes da OCDE. Isso não encontra respaldo na obra do autor nem corresponde à perspectiva da filosofia enquanto crítica e reflexão.

    Com base nisso, a alternativa B é a correta, pois descreve de modo fiel uma preocupação central da filosofia contemporânea — o resgate da atenção e da contemplação —, alinhando-se tanto ao espírito da questão de Nietzsche quanto aos desafios atuais para o papel do filósofo.
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