David Castilho
EQUIPE
29/08/2026 • 19:01
Vamos analisar aqui um tema central nas discussões contemporâneas sobre métodos das Ciências Humanas: o chamado “giro linguístico”. Esse movimento revolucionou a forma como historiadores e antropólogos entendem seus objetos e fontes — não como meros espelhos do real ou bancos neutros de dados, mas como construções discursivas que também expressam exclusões, disputas e silenciamentos.
Começando pela alternativa A, a frase sugere que a crítica pós-estruturalista e o narrativismo defendem um abandono radical das fontes históricas como evidências, o que é um equívoco. Hayden White, por exemplo, não propõe descartar as fontes, mas chama atenção para o caráter narrativo e construído das representações históricas.
A alternativa B também está incorreta, pois trata o arquivo sob uma visão tradicional e positivista, diferente da abordagem foucaultiana. Para Foucault, o arquivo não é um reservatório neutro mas um sistema de enunciabilidade, que também exclui, organiza e constrói o que pode ser dito sobre o passado.
Na alternativa C, há uma confusão: apesar de o pós-estruturalismo enfatizar o papel da linguagem na constituição da realidade social, não chega a negar a materialidade dos fenômenos sociais, nem a afirmar literalmente que "fora do texto não há referente algum" (esta seria uma versão extremada e pouco precisa do construtivismo discursivo).
A letra D erra ao afirmar que a análise pós-estruturalista necessariamente "restitui as vozes subalternas" ou que Gayatri Spivak teria conseguido 'recuperar integralmente' o subalterno em seu ensaio. Pelo contrário, Spivak defende justamente a dificuldade — e até impossibilidade — de fazer o subalterno falar nos registros predominantes.
Por fim, a alternativa E está correta: segundo Jacques Derrida, a desconstrução mostra como todo texto é marcado por ambiguidades, adiamentos de sentido e multiplicidade interpretativa. A noção de différance indica justamente essa impossibilidade de fechamento definitivo: os significados são sempre provisórios, dependentes de relações, e escapam de um sentido único e totalmente presente.
Assim, o gabarito é a alternativa E.
Começando pela alternativa A, a frase sugere que a crítica pós-estruturalista e o narrativismo defendem um abandono radical das fontes históricas como evidências, o que é um equívoco. Hayden White, por exemplo, não propõe descartar as fontes, mas chama atenção para o caráter narrativo e construído das representações históricas.
A alternativa B também está incorreta, pois trata o arquivo sob uma visão tradicional e positivista, diferente da abordagem foucaultiana. Para Foucault, o arquivo não é um reservatório neutro mas um sistema de enunciabilidade, que também exclui, organiza e constrói o que pode ser dito sobre o passado.
Na alternativa C, há uma confusão: apesar de o pós-estruturalismo enfatizar o papel da linguagem na constituição da realidade social, não chega a negar a materialidade dos fenômenos sociais, nem a afirmar literalmente que "fora do texto não há referente algum" (esta seria uma versão extremada e pouco precisa do construtivismo discursivo).
A letra D erra ao afirmar que a análise pós-estruturalista necessariamente "restitui as vozes subalternas" ou que Gayatri Spivak teria conseguido 'recuperar integralmente' o subalterno em seu ensaio. Pelo contrário, Spivak defende justamente a dificuldade — e até impossibilidade — de fazer o subalterno falar nos registros predominantes.
Por fim, a alternativa E está correta: segundo Jacques Derrida, a desconstrução mostra como todo texto é marcado por ambiguidades, adiamentos de sentido e multiplicidade interpretativa. A noção de différance indica justamente essa impossibilidade de fechamento definitivo: os significados são sempre provisórios, dependentes de relações, e escapam de um sentido único e totalmente presente.
Assim, o gabarito é a alternativa E.