Todos bem sabem que o céu já caiu sobre os antigos, há muito tempo. Conheço u...

Todos bem sabem que o céu já caiu sobre os antigos, há muito tempo. Conheço um pouco dessas palavras a respeito da queda do céu. Escutei-as da boca dos homens mais velhos, quando era criança. Foi a...


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Todos bem sabem que o céu já caiu sobre os antigos, há muito tempo. Conheço um pouco dessas palavras a respeito da queda do céu. Escutei-as da boca dos homens mais velhos, quando era criança. Foi assim. No início, o céu ainda era novo e frágil.

Não é mentira! Eles viram espíritos mesmo e sabem conter a queda do céu!. Nossos ancestrais sabem fazer esse trabalho desde o primeiro tempo. Se não o tivessem feito, a abóbada celeste já teria despencado sobre nós há muito tempo. Mas apesar de todos esses esforços o céu continua instável e frágil, à mercê dos espíritos dos xamãs mortos que sempre querem recortá-lo.

KOPENAWA, D.; ALBERT, B. A queda do céu. Palavras de um xamã Yanomami. Tradução de Beatriz Perrone-Moisés. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

Para que o fragmento textual acima, sobre a cosmogonia Yanomami, seja considerado sob a perspectiva decolonial, um docente do Ensino Médio deverá abordá-lo em sala de aula como uma
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  • Marcos de Castro
    Marcos de Castro EQUIPE
    03/09/2026 • 20:02
    Vamos conversar um pouco sobre cosmogonias e como os mitos são tratados no campo das ciências humanas, especialmente numa perspectiva decolonial. A questão aborda o relato Yanomami sobre a 'queda do céu', uma narrativa que representa a visão de mundo desse povo, contando como eles compreendem a origem e a organização do cosmos. É importante lembrar que, sob uma ótica decolonial, a intenção é reconhecer e valorizar os saberes indígenas e suas formas próprias de entender o mundo, que não podem ser reduzidas a meras fábulas ou fantasia vazia.

    No Ensino Médio, quando o docente trabalha com textos como esse, sua função não deve ser desqualificar a narrativa como mito fantasioso, nem enquadrar a história indígena no molde da mitologia cristã. Tampouco deve tratar o texto apenas como uma descrição factual empírica nos moldes ocidentais, já que o conhecimento indígena mistura o simbólico, o espiritual e o político, não se preocupando com uma objetividade neutra à nossa maneira.

    Por isso, a melhor abordagem é justamente a que entende que essa narração é uma forma de explicar o mundo por intermédio dos mitos, que funcionam como estruturas argumentativas que carregam valores simbólicos, relações de poder e sentidos sociais dentro da cultura produziora. Dessa forma, o professor deve incentivar os alunos a compreenderem o texto respeitando seus elementos culturais e simbólicos, valorizando a pluralidade epistemológica e política dessa cosmogonia.

    Portanto, a alternativa correta é a letra D, que indica a necessidade de leitura dos mitos a partir dos seus elementos simbólicos e políticos, reconhecendo seu valor legitimado na comunidade que o produz.
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