Começou a aparecer uma clara contradição entre os
clamores da sociedade e as disposições do governo
provisório, estabelecido pela Duma, após a Revolução
de Fevereiro de 1917, na Rússia. Enquanto uns reivindicavam aquilo que lhes parecia de direito, o outro não
dava nenhuma demonstração de que desejava, de fato,
atender àqueles pleitos. De um lado, movimentos sociais
vibrantes, cada vez menos cautelosos, mais críticos e
exigentes. De outro, um governo insensível, apegado a
seus próprios critérios. Como consequência, as crises foram se sucedendo. A primeira explodiu em abril, menos
de dois meses depois da derrubada da autocracia.
(Daniel Aarão Reis Filho, As revoluções russas. Em: Daniel Aarão Reis Filho,
Jorge Ferreira e Celeste Zenha (orgs.). Século XX.
O tempo das crises: revoluções, fascismos e guerras. V. 2.. Adaptado)
A crise citada foi provocada