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No contexto da Crise do Antigo Regime, se havia barreiras de ordem material à difusão das ideias ilustradas (analfabetismo, marginalização do povo da vida política, deficiência dos meios de comunicação), o maior entrave advinha, no entanto, da própria essência dessas ideias, incompatíveis, sob muitos aspectos, com a realidade brasileira. Na Europa, o liberalismo era uma ideologia burguesa voltada contra as Instituições do Antigo Regime, os excessos do poder real, os privilégios da nobreza, os entraves do feudalismo ao desenvolvimento da economia.

(Emília Viotti da Costa, Da monarquia à república: momentos decisivos. Adaptado)

No Brasil, segundo Emília Viotti da Costa,
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  • Equipe Gabarite
    Equipe Gabarite EQUIPE
    01/10/2026 • 16:02
    Vamos analisar essa questão que trata do liberalismo no Brasil durante o periodo colonial, especialmente em relação ao contexto da Crise do Antigo Regime e as ideias iluministas. É importante lembrar que o Iluminismo e o liberalismo surgiram na Europa como uma crítica ao Antigo Regime, focando na luta contra o absolutismo, a nobreza privilegiada e o feudalismo, favorecendo a ascensão da burguesia e a economia capitalista.

    No Brasil, a realidade era distinta. O liberalismo não se espalhou da mesma forma que na Europa, porque a sociedade brasileira estava estruturada em torno da escravidão, do latifúndio e do monopólio colonial, instituições essas que eram parte fundamental da economia e da estrutura social local. A elite brasileira que defendia ideias liberais o fazia de forma limitada, buscando sobretudo a autonomia administrativa e econômica dentro do sistema monárquico e colonial, sem pretender abolir a escravidão ou o latifúndio, que eram pilares centrais do poder econômico.

    Agora, vamos avaliar as alternativas. A letra (a) fala que os principais difusores do liberalismo estavam vinculados às lideranças católicas que não aceitavam críticas ao absolutismo. Isso não condiz: as lideranças católicas geralmente defendiam o status quo, não eram porta-vozes liberais.

    A alternativa (b) associa o liberalismo a Pernambuco e diz que defendiam o fim do tráfico negreiro e da escravidão; porém, o processo da abolição foi muito lento e não esteve no centro das pautas dos liberais coloniais na época, que eram principalmente ligados à autonomia e ao comércio.

    A letra (c) aponta que as classes médias urbanas preconizavam a república independente e a abolição da escravidão, o que não se encaixa exatamente no contexto colonial brasileiro, já que essas ideias eram pouco difundidas e a república só foi proclamada em 1889.

    A alternativa (d) indica que a elite do Centro-Sul aceitava algumas ideias iluministas, como a liberdade de expressão, mas não combatia o monopólio comercial colonial, o que é correto. Isso mostra uma aceitação parcial dos ideais liberais, mas sem romper com as bases econômicas do sistema colonial.

    Por fim, a alternativa (e) revela que os adeptos das ideias liberais estavam vinculados às elites rurais interessadas em garantir a liberdade de comércio e autonomia administrativa, mas sem abrir mão do latifúndio e da escravidão. Essa alternativa está mais alinhada com a realidade histórica do Brasil colonial, onde a elite queria mudanças que favorecessem seus interesses econômicos, sem alterar profundamente a estrutura social.

    Portanto, a alternativa correta é a letra e.
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