Leia o excerto:
... indivíduos costumam ensinar trinômio de 2° grau
dando como exemplo a trajetória de um projétil de canhão. Mas estou quase certo que não dizem, nem sequer
sugerem, que aquele belíssimo instrumental matemático,
que é o trinômio de 2° grau, é o que dá a certos indivíduos — artilheiros profissionais, que provavelmente foram
os melhores alunos de matemática da sua turma — a
capacidade de dispararem uma bomba mortífera de um
canhão para atingir uma população de gente, de seres
humanos, carne e osso, emoções e desejos, e matá-los,
destruir suas casas e templos, destruir árvores e animais
que estejam por perto, poluir qualquer lagoa ou rio que
esteja nos arredores. A mensagem implícita acaba sendo: aprenda bem o trinômio do 2° grau e você será capaz
de fazer isso. Somente quem faz um bom curso de matemática tem suficiente base teórica para apontar canhões
sobre populações.
(Ubiratan D’ambrósio. Etnomatemática – elo entre as tradições e a modernidade, 2015. Adaptado)
O exemplo dado por D’ Ambrósio tem como intenção