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A contradição a que se refere a primeira frase do texto está corretamente apontada e...

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1Q159012 | Português, Assistente Administrativo, EBSERH, IBFC

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Plataforma

O Rio vive uma contradição no carnaval que parece não ter saída. Não vai longe o tempo em que reclamava da decadência da folia nas ruas. O carnaval tinha se transformado no desfile de escolas de samba, uma festa elitista que se resumia ao que acontecia nos limites do Sambódromo e que era vista por apenas 30 mil pessoas que pagavam caro para participar da brincadeira. E que só durava duas noites. Para quem se diz o maior carnaval do mundo, convenhamos que é muito pouco mesmo. Agora, quando os blocos voltaram a animar as ruas da cidade durante toda a folia e ainda nas semanas que a antecedem, o Rio continua reclamando. Tem bloco demais, tem gente demais, tem pouco banheiro, tem muito banheiro... Carnaval é festa espontânea. Quanto mais organizado, pior. Chico Buarque fala sobre isso no ótimo samba "Plataforma". "Não põe corda no meu bloco/ Nem vem com teu carro-chefe/ Não dá ordem ao pessoal", já dizia ele num disco de antigamente. Bem, como antigamente as letras de Chico sempre queriam dizer outra coisa, é capaz de ele não estar falando de organização do carnaval. Mas à certa altura ele é explícito: "Por passistas à vontade que não dancem o minueto". Para quem está chegando agora, pode parecer o samba do crioulo doido. Mas o compositor faz uma referência ao desfile do Salgueiro de 1963, quando "Xica da Silva" foi apresentada à avenida. A escola "inovou" apresentando uma ala com 12 pares de nobres que dançavam o minueto. Foi um escândalo. Não pode. Passista tem que desfilar livre, leve e solto. Falando disso agora, quando passistas não têm a menor importância, quando eles mal são vistos na avenida, percebese que o minueto era o de menos. Mas isso é escola de samba, e o assunto aqui é carnaval de rua (faz tempo que escola de samba não é carnaval de rua). Com o renascimento dos blocos, o Rio recuperou a alegria do carnaval nas calçadas, no asfalto, na areia. E agora? Basta dar uma olhada nas cartas dos leitores aqui do jornal. Reclama um leitor: "Para os moradores de Ipanema, (o carnaval de rua 2011) transformou-se num tormento. Ruas bloqueadas até para o trânsito de pedestres, desrespeito à Lei do Silêncio, atos de atentado ao pudor e, por vezes, de vandalismo". Escreve outro, sobre os mijões, figura que ficou tão popular no período quanto a colombina e o pierrô: "A Guarda Municipal deveria agir com mais atenção e no rigor da lei. Está muito sem ação." Mais um: "Com que direito a prefeitura coloca esses banheiros horrorosos nas avenidas da orla, onde se paga dos IPTUs mais caros do mundo, ocupando vagas de carros que já são tão poucas?" Como se vê, e voltando a citar o samba do Chico, o carioca tem o peito do contra e mete bronca quando o assunto é carnaval. Mas carnaval de rua muito organizado... não sei, não. É como botar o pessoal que sai nos blocos para dançar o minueto. Carnaval de rua e organização não combinam.

(Artur Xexéo. Revista O Globo, dezembro de 2011)

A contradição a que se refere a primeira frase do texto está corretamente apontada em:

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💬 Comentários

Confira os comentários sobre esta questão.
Letícia Cunha
Por Letícia Cunha em 31/12/1969 21:00:00
Gabarito: c) A questão pede para identificar a contradição mencionada na primeira frase do texto. A alternativa c apresenta uma contradição clara: as pessoas reclamavam do fim do carnaval de rua, mas quando ele voltou a ter força, isso gerou insatisfação. Ou seja, há um conflito entre o desejo pelo retorno do carnaval e a reação negativa à sua volta, o que caracteriza uma contradição.

As outras alternativas não apresentam contradições evidentes. Por exemplo, a alternativa a fala que as escolas de samba fazem mais sucesso do que os blocos, embora sejam mais populares, o que não é necessariamente contraditório, pois popularidade e sucesso podem ser entendidos de formas diferentes.

A alternativa b apenas destaca que Chico Buarque não é sambista, mas foi feliz ao falar sobre o Carnaval, sem contradição.

A alternativa d aponta que os blocos de rua renasceram e já causam transtornos, o que é uma sequência lógica, não contraditória.

A alternativa e fala que, apesar da existência dos blocos e escolas, o carnaval permanece melancólico, o que é uma constatação, não uma contradição.

Portanto, a alternativa c é a que melhor representa a contradição mencionada no texto, confirmando o gabarito oficial.
Equipe Gabarite
Por Equipe Gabarite em 31/12/1969 21:00:00
Gabarito: c) A questão pede para identificar a contradição mencionada na primeira frase do texto. A alternativa c) apresenta uma contradição clara: as pessoas reclamavam do fim do carnaval de rua, mas quando ele voltou a ter força, isso gerou insatisfação. Ou seja, há uma oposição entre o desejo pelo retorno e a reação negativa ao retorno, o que caracteriza uma contradição.

As outras alternativas não apresentam contradição tão evidente. Por exemplo, a alternativa a) fala que as escolas de samba fazem mais sucesso do que os blocos, embora sejam mais populares, o que não é uma contradição, mas uma comparação.

A alternativa b) apenas destaca que Chico Buarque, apesar de não ser sambista, foi feliz ao falar sobre o Carnaval, o que não é contraditório.

A alternativa d) fala que os blocos de rua renasceram e já causam transtornos, o que é uma sequência lógica, não uma contradição.

A alternativa e) menciona que apesar da existência dos blocos e escolas, o carnaval permanece melancólico, o que é uma oposição, mas não uma contradição direta como a alternativa c).

Portanto, a alternativa c) é a que melhor representa a contradição mencionada no texto.
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