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Responda: A partir da frase que finaliza o Texto II – “Acho que piorei de estojo e de vida” (?. 41-42) –, constata-se que o autor


1Q708256 | Português, Interpretação de Textos, Administrador, UFRJ, CESGRANRIO, 2019

Texto associado.
Texto II
                                   Estojo escolar

        Noite dessas, ciscando num desses canais a
cabo, vi uns caras oferecendo maravilhas eletrôni-
cas, bastava telefonar e eu receberia um notebook
capaz de me ajudar a fabricar um navio, uma estação
espacial.
        Minhas necessidades são mais modestas: tenho
um PC mastodôntico, contemporâneo das cavernas
da informática. E um laptop da mesma época que co-
meça a me deixar na mão. Como pretendo viajar es-
ses dias, habilitei-me a comprar aquilo que os caras
anunciavam como o top do top em matéria de com-
putador portátil.
        No sábado, recebi um embrulho complicado que
necessitava de um manual de instruções para ser
aberto. Depois de mil operações sofisticadas para
minhas limitações, retirei das entranhas de isopor o
novo notebook e coloquei-o em cima da mesa. De
repente, como vem acontecendo nos últimos tempos,
houve um corte na memória e vi diante de mim o meu
primeiro estojo escolar. Tinha 5 anos e ia para o jar-
dim de infância.
        Era uma caixinha comprida, envernizada, com
uma tampa que corria nas bordas do corpo principal.
Dentro, arrumados em divisões, havia lápis coloridos,
um apontador, uma lapiseira cromada, uma régua de
20 cm e uma borracha para apagar meus erros.
        Da caixinha vinha um cheiro gostoso, cheiro que
nunca esqueci e que me tonteava de prazer. Fechei o
estojo para proteger aquele cheiro, que ele ficasse ali
para sempre, prometi-me economizá-lo. Com avare-
za, só o cheirava em momentos especiais.
        Na tampa que protegia estojo e cheiro havia
gravado um ramo de rosas muito vermelhas que se
destacavam do fundo creme. Amei aquele ramalhete
– olhava aquelas rosas e achava que nada podia ser
mais bonito.
        O notebook que agora abro é negro, não tem ro-
sas na tampa e, em matéria de cheiro, é abominável.
Cheira vilmente a telefone celular, a cabine de avião,
ao aparelho de ultrassonografia onde outro dia uma
moça veio ver como sou por dentro. Acho que piorei
de estojo e de vida.
CONY, C. H. Crônicas para ler na escola. São Paulo: Objetiva,
2009. Disponível em:/fz12039806.htm>. Acesso em: 23 jul. 2019.

A partir da frase que finaliza o Texto II – “Acho que piorei de estojo e de vida” (?. 41-42) –, constata-se que o autor
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💬 Comentários

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Letícia Cunha
Por Letícia Cunha em 31/12/1969 21:00:00
Gabarito: a) A frase “Acho que piorei de estojo e de vida” sugere um tom de melancolia e reflexão sobre uma perda ou mudança negativa. Isso indica que o autor está expressando um sentimento nostálgico, lamentando uma situação passada que era melhor.

A nostalgia é um sentimento de saudade e apego ao que já foi, e a frase final do texto reforça essa ideia, mostrando que o autor percebe uma piora tanto em seu estojo (objeto simbólico) quanto em sua vida, o que é típico de um comportamento nostálgico.

As outras alternativas não se encaixam tão bem. Por exemplo, não há indicação clara de apego forte ao objeto (b), nem de carregar objetos inusitados (c), nem de cuidado extremo com pertences (d), nem de egoísmo (e). A frase é mais um lamento do que uma descrição de comportamento ou característica pessoal.

Portanto, a alternativa correta é a) comportava-se de modo nostálgico.
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