(UNIFESP-2007) Quando se diz, ao final do texto, que D. Severina concluiu ...

(UNIFESP-2007) Quando se diz, ao final do texto, que D. Severina concluiu que sim, significa que ela reconheceu que


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Havia cinco semanas que ali morava, e a vida era sempre a mesma, sair de manhã com o Borges, andar por audiências e cartórios, correndo, levando papéis ao selo, ao distribuidor, aos escrivães, aos oficiais de justiça. (…) Cinco semanas de solidão, de trabalho sem gosto, longe da mãe e das irmãs; cinco semanas de silêncio, porque ele só falava uma ou outra vez na rua; em casa, nada.

“Deixe estar, — pensou ele um dia — fujo daqui e não volto mais.”

Não foi; sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de D. Severina. Nunca vira outros tão bonitos e tão frescos. A educação que tivera não lhe permitira encará-los logo abertamente, parece até que a princípio afastava os olhos, vexado. Encarou-os pouco a pouco, ao ver que eles não tinham outras mangas, e assim os foi descobrindo, mirando e amando. No fim de três semanas eram eles, moralmente falando, as suas tendas de repouso.

Aguentava toda a trabalheira de fora, toda a melancolia da solidão e do silêncio, toda a grosseria do patrão, pela única paga de ver, três vezes por dia, o famoso par de braços.

Naquele dia, enquanto a noite ia caindo e Inácio estirava-se na rede (não tinha ali outra cama), D. Severina, na sala da frente, recapitulava o episódio do jantar e, pela primeira vez, desconfiou alguma cousa. Rejeitou a ideia logo, uma criança! Mas há ideais que são da família das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas tornam e pousam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu que entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E não era ela bonita? Esta outra ideia não foi rejeitada, antes afagada e beijada.

E recordou então os modos dele, os esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim.

Trecho do conto Uns braços

(UNIFESP-2007) Quando se diz, ao final do texto, que D. Severina concluiu que sim, significa que ela reconheceu que

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  • Equipe Gabarite
    Equipe Gabarite EQUIPE
    10/06/2026 • 05:01
    A questão apresenta um trecho do conto "Uns braços" que narra a rotina de Inácio e a percepção de D. Severina sobre ele. Ao final do texto, D. Severina passa a desconfiar algo relacionado a Inácio, antes rejeitando a ideia de que ele fosse uma criança, mas depois observando detalhes físicos, como o início de buço, e comportamentos que indicam sintomas. A conclusão "sim" a que ela chega está relacionada à ideia de que Inácio começava a amá-la, o que é uma interpretação do texto que indica um sentimento nascente, reconhecendo os sinais de seu afeto e não um julgamento crítico ou um conselho. Portanto, a alternativa correta é a que indica que D. Severina entendeu que Inácio começava a amá-la.
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