(PUC SP) A doutrina calvinista estabelecia para seus adeptos uma vida regr...

(PUC SP) A doutrina calvinista estabelecia para seus adeptos uma vida regrada, disciplinada, dedicada ao trabalho, afastada do ócio, dos vícios e da ostentação. Esse código de conduta levou algu...


(PUC SP) A doutrina calvinista estabelecia para seus adeptos uma vida regrada, disciplinada, dedicada ao trabalho, afastada do ócio, dos vícios e da ostentação. Esse código de conduta levou alguns autores a considerar esses princípios do calvinismo como fatores que favoreceriam o processo de acumulação capitalista. Dentro dessa doutrina, apoiada numa interpretação particular da noção de onisciência divina, conformar-se a esse ideal de conduta não seria o caminho para a salvação, mas seus resultados visíveis - o sucesso material - dariam ao eleito a confirmação do estado de graça.

Esse código de conduta fundamentava-se no princípio doutrinário que pregava

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  • Sumaia Santana
    Sumaia Santana
    31/12/1969 • 21:00
    Gabarito: Alternativa B

    O texto descreve uma interpretação clássica do calvinismo dentro da história das ideias, especialmente quando ele é analisado a partir da sua relação com o surgimento do capitalismo moderno.

    No centro dessa doutrina está o princípio da predestinação, isto é, a ideia de que Deus, em sua onisciência, já determinou desde o início da criação quem será salvo e quem será condenado. Isso elimina a possibilidade de o indivíduo “comprar” ou “conquistar” a salvação por meio de ações religiosas tradicionais, como peregrinações, penitências ou doações — algo comum no catolicismo medieval.

    Diante disso, surge um problema existencial: se a salvação já está definida, como o fiel pode saber se faz parte dos eleitos? É aqui que entra a chamada “ética protestante”, associada ao calvinismo. Como não há garantia direta, o indivíduo passa a buscar sinais indiretos de sua eleição.

    Esses sinais seriam observados na própria vida cotidiana: disciplina rígida, rejeição ao ócio, controle dos prazeres, trabalho constante e sucesso material. O enriquecimento não é visto como objetivo de ostentação, mas como possível “indício” de que Deus abençoa aquele indivíduo. Isso gera uma mudança importante: o trabalho deixa de ser apenas necessidade econômica e passa a ter um valor moral e espiritual.

    Esse modo de vida, centrado na racionalização do comportamento, poupança e reinvestimento dos ganhos, foi interpretado por autores como Max Weber como um dos fatores culturais que favoreceram o desenvolvimento do capitalismo, especialmente o capitalismo moderno ocidental.
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