Essa atmosfera de loucura e irrealidade, criada
pela aparente ausência de propósitos, é a verdadeira
cortina de ferro que esconde dos olhos do mundo
todas as formas de campos de concentração. Vistos de
fora, os campos e o que neles acontece só podem ser
descritos com imagens extraterrenas, como se a vida
fosse neles separada das finalidades deste mundo.
Mais que o arame farpado, é a irrealidade dos detentos
que ele confina que provoca uma crueldade tão incrível
que termina levando à aceitação do extermínio como
solução perfeitamente normal.
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo:
Cia. das Letras, 1989 (adaptado).
A partir da análise da autora, no encontro das
temporalidades históricas, evidencia-se uma crítica à
naturalização do(a)