Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova,
seja velha, é um ser muito compreensivo, que dança
conforme a música: se está no Maracanã, numa decisão
de título, ela rola e quiçá com um ar dramático, mantendo
sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés de Gérson
ou nas mãos de um gandula. Em compensação, num
racha de menino, ninguém é mais sapeca: ela corre
para cá, corre para lá, quiçá no meio-fio, para de estalo
no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer
entre mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela
calçada. Parece um bichinho.
NOGUEIRA, A. Peladas. Os melhores da crônica brasileira .
Rio de Janeiro: José Olympio, 1977 (fragmento).
O texto expressa a visão do cronista sobre a bola de
futebol. Entre as estratégias escolhidas para dar colorido
a sua expressão, identifica-se, predominantemente,
uma função da linguagem caracterizada pela intenção
do autor em
✂️ a) manifestar o seu sentimento em relação ao objeto bola. ✂️ b) buscar influenciar o comportamento dos adeptos do
futebol. ✂️ c) descrever objetivamente uma determinada realidade. ✂️ d) explicar o significado da bola e as regras para seu uso. ✂️ e) ativar e manter o contato dialógico com o leitor.