1Q939696 | Português, Interpretação de Textos, Prova de Conhecimentos Gerais, UEA, VUNESP, 2019Texto associado. Leia o trecho de A hora da estrela, de Clarice Lispector, para responder à questãoDe dia usava saia e blusa, de noite dormia de combinação. Uma colega de quarto não sabia como avisar-lhe que seu cheiro era murrinhento. E como não sabia, ficou por isso mesmo, pois tinha medo de ofendê-la. Nada nela era iridescente1 , embora a pele do rosto entre as manchas tivesse um leve brilho de opala. Mas não importava. Ninguém olhava para ela na rua, ela era café frio.E assim se passava o tempo para a moça esta. Assoava o nariz na barra da combinação. Não tinha aquela coisa delicada que se chama encanto. Só eu a vejo encantadora. Só eu, seu autor, a amo. Sofro por ela. E só eu é que posso dizer assim: “que é que você me pede chorando que eu não lhe dê cantando”? Essa moça não sabia que ela era o que era, assim como um cachorro não sabe que é cachorro. Daí não se sentir infeliz. A única coisa que queria era viver. Não sabia para quê, não se indagava. Quem sabe, achava que havia uma gloriazinha em viver. Ela pensava que a pessoa é obrigada a ser feliz. Então era. Antes de nascer ela era uma ideia? Antes de nascer ela era morta? E depois de nascer ela ia morrer? Mas que fina talhada de melancia. (A hora da estrela, 1998.) 1 iridescente: colorido como o arco-íris. No segundo parágrafo, a referência a um cachorro serve para afirmar que a personagem tinha ✂️ a) dificuldades em se comunicar. ✂️ b) pouca experiência na vida. ✂️ c) pouca educação formal. ✂️ d) dificuldades com temas complexos. ✂️ e) pouca consciência de si mesma. Resolver questão 🗨️ Comentários 📊 Estatísticas 📁 Salvar 🧠 Mapa Mental 🏳️ Reportar erro