A vertente norte-americana do desenvolvimento do Serviço Social difunde-se no Brasil e em toda a América Latina a partir da década de 1940. Vinculada ao processo de organização da cultura dominante, funda-se em uma visão psicologista da questão social, reduzida às suas manifestações individuais. O processo de ajuda psicossocial no Serviço Social parte do ponto de vista de que a questão social constitui-se um problema moral, justificando uma intervenção, via assistência social individualizada, direcionada para a reforma moral e a
Questionamentos ao Serviço Social tradicional desenvolvido na América Latina desde sua origem, fundamentaram o Movimento de Reconceituação, construído por segmentos expressivos de profissionais intelectuais em seus diferentes países. Datado dos fins da década de 1960, o movimento por mudanças foi determinante na criação das condições objetivas e subjetivas que impulsionaram seus protagonistas a propor e avançar na construção de uma alternativa ao Serviço Social na América Latina, necessária ao desenvolvimento da profissão. O eixo avaliativo em torno do caráter pragmatista do Serviço Social assumiu centralidade na criação de uma nova cultura dos assistentes sociais e de um processo de formação
O que alguns juristas e cientistas sociais estão chamando de “judicialização dos conflitos sociais” ou, ainda, “judicialização da política”, traduz a tendência de transferir para um poder estatal, no caso do Judiciário, a responsabilidade de atendimento das demandas, no lugar de fortalecer a perspectiva de garantia de direitos positivados. Em se tratando do atendimento de crianças e adolescentes, Fávero (2020) afirma que a judicialização tem se intensificado, em detrimento da efetivação do Sistema de Garantia de Direitos da Criança e do Adolescente (SGDCA), expressando-se basicamente em duas direções: pela busca individual do acesso a direitos fundamentais; por responsabilizações e punições de adolescentes, jovens e famílias, e, também, por
Uma das vertentes teóricas, da qual Iamamoto (2021) faz parte, entende o Serviço Social como uma especialização do trabalho coletivo, inserida na divisão social e técnica do trabalho. Mesmo nos diferentes espaços sócio-ocupacionais, a exemplo do sociojurídico, a profissão é analisada a partir das suas condições históricas e considerada como partícipe do processo de produção de valor e de mais-valia ou de sua distribuição na sociedade capitalista. Atravessada por tensões e interesses de classes, a profissão situa-se, predominantemente, no campo político-ideológico, respondendo tanto a demandas do capital como do trabalho e só pode fortalecer um ou outro polo
As diferentes configurações do Serviço Social nos vários países da América Latina são tributárias das relações entre as classes e destas com o Estado, em suas refrações nas expressões da questão social e na política social pública. Também são resultados de iniciativas de assistentes sociais na institucionalização e no desenvolvimento do Serviço Social nos respectivos países, diversidades essas que se apresentam na formação acadêmica, na prática profissional, na produção científica e nas formas de representação político-corporativas de assistentes sociais. Distintas matrizes de conhecimento presidem a análise do Serviço Social e a ação de assistentes sociais, forjando
A profissionalização do Serviço Social configurou-se como um processo no qual seus agentes se inseriram em atividades laborais, a partir de condições que determinaram sua dinâmica, organização, recursos e objetivos. Como profissionais assalariados, em grande parte pelas instituições do aparelho de Estado, nas três esferas de poder, essa força de trabalho transformada em mercadoria, só pode atuar por meio dos instrumentos de trabalho que, não sendo sua propriedade, são colocados à disposição pelos empregadores institucionais: infraestrutura humana, material e financeira para o desenvolvimento de programas, projetos, serviços, benefícios. Esse processo de requisições institucionais, postas aos assistentes sociais, faz com que o exercício profissional, nesses contextos,