Texto 1
A utilidade de uma coisa faz dela um valor de uso. Essa utilidade condicionada pelas propriedades do
corpo da mercadoria, pois ela não existe sem esse corpo. O seu caráter não depende do fato de a
apropriação de suas qualidades úteis custar muito ou pouco trabalho aos homens. O valor de uso se
efetiva apenas no uso ou no consumo. O valor de troca aparece inicialmente como a relação quantitativa,
a proporção na qual valores de uso de um tipo são trocados por valores de uso de outro tipo, uma relação
que se altera constantemente no tempo e no espaço. Na própria relação de troca das mercadorias, seu
valor de troca apareceu-nos como algo completamente independente de seus valores de uso. No entanto,
abstraindo-se agora o valor de uso dos produtos do trabalho, obteremos seu valor.
MARX, K. O Capital: crítica da economia política. Livro 1, cap. 1. São Paulo: Boitempo, 2011 (adaptado).
Texto 2
Portanto, o único elemento que era comum a todas as mercadorias e diretamente comparável em
termos quantitativos era o tempo de trabalho necessário para sua produção. Quando Marx considerou,
abstratamente, as mercadorias, ignorando todas assuas diferenças e peculiaridades, elasforam reduzidas
às incorporações materiais do trabalho em sua produção. As mercadorias, assim consideradas por Marx,
eram definidas como valores.
HUNT, E. K. História do pensamento econômico: uma perspectiva crítica. Rio de Janeiro: Campus, 1982 (adaptado).
Considerando os textos apresentados, de acordo com a perspectiva marxista, avalie as afirmações a seguir.
I. O elemento comum às mercadorias que se apresenta na relação de troca ou no valor de troca das
mercadorias é o seu valor.
II. O conceito de valor presente na obra de Marx decorre de bases teóricas utilitaristas.
III. A quantidade de trabalho socialmente necessária ou o tempo de trabalho socialmente necessário
para a produção da mercadoria determinam a grandeza de seu valor.
IV. O valor da força de trabalho, assim como ocorre com as demais mercadorias, é determinado pela
quantidade de trabalho socialmente necessária para sua (re)produção.
Logo após a Segunda Guerra Mundial, as Nações Unidas criaram a Comissão Econômica para a
América Latina e o Caribe (CEPAL), a fim de promover o desenvolvimento da região. Foi nesse
contexto que Raul Prebisch (1901-1986), presidente do Banco Central da Argentina, a partir do final
dos anos 1940, contribuiu com uma nova abordagem analítica.
VELOSO, F. et al. Desenvolvimento Econômico: uma perspectiva brasileira. São Paulo: GEN Atlas, 2012 (adaptado).
A respeito do desenvolvimento da América Latina, na perpectiva do pensamento cepalino, assinale a
opção correta.
O desenvolvimento, no sentido em que o tomamos, é um fenômeno distinto, inteiramente estranho ao
que pode ser observado no fluxo circular ou na tendência para o equilíbrio. É uma mudança espontânea
e descontínua nos canais do fluxo, perturbação do equilíbrio, que altera e desloca para sempre o estado
de equilíbrio previamente existente.
É o produtor que, via de regra, inicia a mudança econômica, e os consumidores são educados por ele, se
necessário; são, por assim dizer, ensinados a querer coisas novas, ou coisas que diferem em um aspecto
ou outro daquelas que tinham o hábito de usar. Portanto, apesar de ser permissível e até necessário
considerar as necessidades dos consumidores como uma força independente e, de fato, fundamental na
teoria do fluxo circular, devemos tomar uma atitude diferente quando analisamos a mudança.
Produzir significa combinar materiais e forças que estão ao nosso alcance. Produzir outras coisas, ou
as mesmas coisas com método diferente, significa combinar diferentemente esses materiais e forças.
Na medida em que “novas combinações” podem, com o tempo, originar-se das antigas por ajuste
contínuo mediante pequenas etapas, há certamente mudança, possivelmente crescimento, mas não um
fenômeno novo nem um desenvolvimento em nosso sentido.
SCHUMPETER, J. A. A teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico.
São Paulo: Abril Cultural, 1997 (adaptado).
Considerando o processo de desenvolvimento econômico, segundo Schumpeter, assinale a opção correta.
Uma das formas de analisar o processo de
crescimento econômico de um país é pela
elaboração de modelos formais de crescimento.
(i) O primeiro modelo específico de crescimento
surgiu na década de 1930; neste primeiro modelo,
de tradição keynesiana, tem-se o investimento
líquido como a chave para o crescimento
econômico, porém não se define como obtê-lo.
(ii) Posteriormente, foi formulado um modelo que
trouxe mudanças para a análise do crescimento,
permitindo a substituição de capital por trabalho
e introduzindo a contabilidade do crescimento
e a análise de produtividade total dos fatores;
neste modelo, no entanto, há uma limitação: o
motor do crescimento é exógeno. Na década de
1980, dois novos modelos vencem esta limitação,
ao considerarem, respectivamente, (iii) os gastos
em pesquisa e desenvolvimento e (iv) os gastos
com capital humano como fatores-chave para o
crescimento econômico.
As descrições apresentadas em (i), (ii), (iii) e (iv) no
texto referem-se, respectivamente, aos modelos
teóricos de
Após a introdução do Plano Real, em 1994,
a sobrevalorização cambial, aliada à abertura da
economia, incentivou sobremaneira o aumento das
importações, que passaram de US$ 25,8 bilhões
em 1993 para US$ 61,5 bilhões em 1997, o que
representou um aumento de 143% em apenas quatro
anos. O quadro das exportações, em contrapartida,
apresentava uma situação diferente, evoluiu de
US$ 38,7 bilhões em 1993 para US$ 53,0 bilhões
em 1997, ou seja, as exportações cresceram
37% no período. O reflexo na balança de transações
correntes foi dramático: o déficit de US$ 592 milhões
em 1993 evoluiu para US$ 33,4 bilhões em 1997,
o equivalente a aproximadamente 4,2% do Produto
Interno Bruto (PIB). DE LACERDA, A. C. et al. Economia Brasileira. 6. ed.
São Paulo: Saraiva, 2018 (adaptado).
Considerando o período abordado no texto,
de 1993 a 1997, avalie as afirmações a seguir.
I. O déficit da balança comercial brasileira
resultou na sobrevalorização do real em
relação ao dólar.
II. A necessidade de financiamento externo era
equivalente ao déficit comercial brasileiro.
III. Os gastos domésticos da economia brasileira
eram maiores que o PIB.
IV. Os gastos da economia brasileira com
investimentos eram maiores que a
poupança doméstica.
A curva de Phillips, em sua forma moderna, enuncia que a taxa de inflação depende de três forças:
inflação esperada; desvio do desemprego em relação à taxa natural, também chamada de desemprego
cíclico; e choques de oferta. Essas três forças estão expressas na equaçãoπ= πe
– β(u – un
) + v,
em que πé a inflação,πea inflação esperada, (u – un) corresponde ao desemprego cíclico, βmede a relação entre inflação e desemprego, e v mede o choque de oferta.
MANKIW, N. G. Macroeconomia. São Paulo: Editora Atlas, 2021 (adaptado). Quanto à curva de Phillips, avalie as afirmações a seguir.
I. A relação entre inflação e desemprego é negativa e expressa pelo valor deβ.
II. A curva de Phillips é usada para as seguintes finalidades: descrever o lado da demanda da economia
em modelos macroeconômicos; medir o impacto do desvio do produto em relação ao seu nível
potencial na taxa de inflação; medir a inércia inflacionária; e realizar previsões.
III. Os modelos de curva de Phillips têm como objetivo medir a expectativa de inflação, a partir das
variáveis da equação relacionadas à inflação e ao desemprego.
IV. As expectativas das famílias e empresas, no Regime de Metas de Inflação, repercutem nas decisões
de política monetária.
A partir de 1999, a política monetária brasileira, a exemplo do que ocorre em vários países emergentes
e desenvolvidos, passou a ser realizada no contexto do Regime de Metas de Inflação (RMI).
A ideia por trás desse arcabouço é que o Banco Central (Bacen) se compromete a alcançar determinada
meta anual de inflação. Nesse sentido, essa passa a ser uma regra a ser seguida pela autoridade
monetária, aumentando-se a credibilidade da política monetária, o que serve para reduzir ou “ancorar”
as expectativas de inflação dos agentes privados. O principal instrumento utilizado é a taxa básica
de juros, definida como a taxa de juros da Selic para títulos públicos federais. A meta de inflação,
determinada com dois anos de antecedência pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é balizada
pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que constitui o índice oficial. Existe uma
margem de tolerância que permite que a variação anual do índice esteja 2% abaixo ou acima da meta
estipulada. Outra característica do RMI é sua transparência. No caso brasileiro, após a reunião do
Comitê de Política Monetária (Copom), o Bacen publica, em seu portal, a Ata do Copom, que apresenta
todos os indicadores econômicos analisados por seus integrantes.
VASCONCELLOS, M. S.; GAMBOA, U. M. de; TUROLLA, A. Macroeconomia para gestão empresarial. 1. ed.
São Paulo: Saraiva, 2016 (adaptado).
Considerando as informações apresentadas, ao que se refere ao RMI, avalie as afirmações a seguir.
I. O RMI foi implementado no Brasil em 1999, com a autonomia operacional do Bacen, que foi
transformada em independência, de fato, após a crise financeira internacional de 2008.
II. A discricionariedade constitui princípio básico de funcionamento da política monetária do RMI,
pois permite mudanças na taxa de juros para o alcance da meta, conforme a perspectiva keynesiana
de funcionamento adequado da política monetária.
III. O RMI vem-se mostrando, no Brasil e em outros países em que foi implementado, uma estratégia
de política de combate à inflação alternativa ao que se praticava no passado, como, por exemplo,
o cumprimento das metas de agregados monetários e(ou) a ancoragem cambial.
A partir de meados da década de 1970, os mercados financeiros iniciaram um processo de
transformação que, décadas depois, ainda prossegue. As origens dessas modificações remetem
ao colapso do sistema monetário internacional criado na conferência de Bretton Woods em
1944. Nessa conferência, os países mais importantes do mundo capitalista decidiram organizar
as relações monetárias internacionais em torno de um sistema de taxas de câmbio fixas,
ancorado no dólar norte-americano, cujo valor, por sua vez, era fixado com relação ao ouro.
Esse sistema funcionou de forma bastante satisfatória durante mais de vinte anos, mas começou a dar
sinais de esgotamento ao final dos anos 1960.
CARDIM DE CARVALHO, F. J. et al. Economia Monetária e Financeira: Teoria e Política.
2. ed. Rio de Janeiro: Campus-Elsevier, 2012 (adaptado).
Com relação às mudanças do sistema monetário internacional ocorridas após a Segunda Guerra Mundial,
avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I. As taxas de câmbio, antes fixas, passaram a ser flutuantes com o colapso do Sistema de
Bretton Woods, o que modificou a forma como os países desenvolvidos conduziam a sua
política monetária.
PORQUE
II. O sistema de Bretton Woods era regido pelo padrão dólar-ouro, apenas os Estados Unidos tinham
total autonomia de política monetária, o que gerou pressão para que houvesse uma alteração de
regime cambial.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
A publicação da obra A Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda, em 1936, por John Maynard
Keynes, foi fundamental para que os economistas se deparassem com duas das principais abordagens
acerca da relação entre investimento e poupança. A visão mais convencional se alicerçava na hipótese
de que a poupança prévia seria condição necessária para a realização do investimento; por outro lado,
para Keynes, a poupança era resultado do investimento.
As correntes do pensamento econômico apresentam visões distintas sobre as relações entre o
investimento (I) e a poupança (S). Considerando o exposto, avalie as afirmações a seguir.
I. O comportamento dos poupadores não condiciona a realização de investimentos, de acordo com
a abordagem neoclássica.
II. O investimento determina a poupança, pois, ao estimular a demanda agregada, ele induz um
aumento na renda e na poupança, segundo o princípio da demanda efetiva de Keynes.
III. O investimento, no mercado de fundos emprestáveis, é determinado pela poupança, e a taxa de
juros é responsável pela igualdade entre poupança e investimento (S = I), no modelo clássico,
de acordo com a Lei de Say.
IV. A taxa de juros, para o modelo clássico, é determinada pela produtividade marginal do capital
e pela preferência intertemporal dos indivíduos; tal análise difere da perspectiva de Keynes,
que analisa a taxa de juros como resultante da preferência por liquidez, dada a oferta de moeda.
Maria Luísa foi a um mercado para adquirir apenas dois bens: água e suco de frutas. Nesse mercado,
o preço do litro do suco de frutas é igual a 3 vezes o preço do litro da água. Sabe-se que ela adquiriu
2 litros de água e 6 litros de suco de frutas, mas não se sabe a quantidade de dinheiro que ela possuía
para realizar as compras.
Assuma que a função utilidade de Maria Luísa seja expressa pela equação U (x1,x2) = xa1xb2 , em que x1
e x2 são os bens de consumo — água e suco de frutas, respectivamente — e a e b são os parâmetros da
função, em que 0 < {a,b} < 1. Considere ainda que p1 e p2 sejam os preços do litro da água e do suco
de frutas, respectivamente, e R é a quantidade de recursos monetários à disposição de Maria Luísa.
Considerando o exposto, avalie as afirmações a seguir.
I. A relação entre a e b na cesta de consumo ótima deve respeitar a seguinte igualdade:
b = 6a.
II. A função de demanda de Maria Luísa por água é expressa pela equação: x1 = a /a +b. R/p1 .
III. Se b = 1 - a, pode-se dizer que Maria Luísa preferiria comprar 3 litros de água e 9 litros de suco
de frutas.
IV. A relação entre o preço do suco e a quantidade de recursos monetários a disposição de Maria Luísa
na cesta que maximiza sua utilidade é p2 =R/20 .
Em um país com alta mobilidade de capitais e câmbio administrado pelo Banco Central em certo
intervalo de variação (bandas cambiais), os agentes econômicos, quando pressentem a iminência de
uma crise cambial, buscam converter seu capital em moeda estrangeira e(ou) manter sua riqueza fora
do país. Diante de uma fuga de capitais, o Banco Central tem alguns mecanismos de defesa para conter
a especulação cambial e evitar perda nas reservas internacionais.
Nesse contexto, a melhor aplicação dessas medidas em uma suposta crise cambial consiste em
Em 1974, durante o Governo Geisel, foi adotado
um modelo de ajuste estrutural, materializado
no II Plano Nacional de Desenvolvimento (PND).
Tratava-se de um ousado plano de investimentos
públicos e privados que seria implementado
ao longo do período de 1974 a 1979, em que se
propunha avançar na linha do desenvolvimento da
estrutura produtiva brasileira.
Considerando o contexto apresentado, avalie as
afirmações a seguir.
I. Os investimentos especificados no II PND
foram dirigidos aos setores identificados,
em 1974, como os grandes pontos de
“estrangulamentos” que explicavam a
restrição estrutural e externa ao crescimento
da economia brasileira: infraestrutura; bens
de produção (capital e insumos); energia; e
bens de exportação.
II. O II PND focou sobretudo em mecanismos
de financiamento privados, haja vista a
magnitude dos investimentos planejados,
o fato de estes serem de longo prazo e a
fragilidade das fontes de financiamento
público e externo para contribuir com
o plano.
III. O II PND contemplava investimentos no
setor energético, como: a exploração e a
produção de petróleo e derivados, bem
como a pesquisa nessa área; a ampliação
da capacidade de geração de energia
hidrelétrica; e o desenvolvimento de fontes
de energia alternativas, como o álcool
combustível.
Texto 1
O Mercosul é um acordo regional de comércio criado em 1991. A grande maioria das exportações
brasileiras para o Mercosul é de produtos industrializados. Para o resto do mundo, o Brasil
majoritariamente vende commodities.
Texto 2
O Mercosul atua como canal de cooperação Sul-Sul de caráter inter-regional. No que se refere às
relações econômicas externas, o bloco desempenha um papel fundamental nos diálogos com outros
grupos de países. Sua atuação coletiva ganhou destaque depois da assinatura do Protocolo de Ouro Preto,
quando foram negociados diversos acordos. Isso favoreceu a estratégia brasileira de maiores contatos
com outros mercados sul-americanos.
SARAIVA, M. G. As estratégias de cooperação Sul-Sul nos marcos da política externa brasileira de 1993 a 2007.
Revista Brasileira de Política Internacional, v. 50, p. 42-59, 2007 (adaptado).
Considerando os textos apresentados, avalie as afirmações a seguir.
I. O Mercosul pode ser considerado um mercado comum, pois as barreiras ao comércio internacional
são eliminadas entre seus países-membros, com algumas exceções, e há livre circulação de fatores
de produção entre eles.
II. O Brasil obtém vantagem ao exportar seus produtos para o Mercosul, uma vez que, em
comparação com os produtos primários exportados, os industrializados acionam uma cadeia
produtiva mais extensa e complexa, o que gera mais empregos e renda e contribui para o
desenvolvimento do País.
III. A liberalização completa no âmbito do Mercosul seria benéfica para o Brasil no curto prazo,
na medida em que as exportações dos produtos mais competitivos aumentariam; porém, no
longo prazo, se houver desemprego, falências e crise nos países do bloco, haverá recessão e,
consequentemente, a corrente comercial para o Mercosul reduzirá.
O chamado "Consenso de Washington" predominou como receituário de política econômica durante a
década de 1990. Entre suas propostas, incluía-se a liberalização comercial e financeira. Nesse mesmo
período, observou-se uma predominância, para um conjunto grande de países, de medidas de maior
flexibilidade para o fluxo de capitais estrangeiros.
Considerando as implicações da adoção do aumento do grau de mobilidade de capitais em determinado
país e o referencial teórico do modelo IS-LM-BP para uma pequena economia aberta, avalie as afirmações
a seguir.
I. O aumento do grau de mobilidade de capitais, preconizado pelo Consenso de Washington, sob o
regime de taxas de câmbio flutuantes, aumenta o poder da política fiscal de amortizar choques
exógenos sobre a demanda agregada.
II. A adoção de perfeita mobilidade de capitais resultará em uma política fiscal sem efeito sobre o
produto no novo equilíbrio, se o regime cambial for o de taxa de câmbio fixa.
III. A política monetária expansionista, supondo-se o regime de taxa de câmbio flutuante e a adoção
de perfeita mobilidade de capitais, é capaz de aumentar o produto no novo equilíbrio.
É bom observar que um produto acabado oferece sempre, a partir desse instante, um mercado para
outros produtos, equivalente a todo o montante de seu valor. Com efeito, quando o último produtor
acaba seu produto, seu maior desejo é vendê-lo para que o valor desse produto não fique ocioso em suas
mãos. Por outro lado, porém, ele tem igual pressa de desfazer-se do dinheiro que sua venda propicia, para
que o valor do dinheiro não fique ocioso. Ora, não é possível desfazer-se do dinheiro senão procurando
comprar um produto qualquer. Vê-se, portanto, que o fato da criação de um produto abre, a partir desse
mesmo instante, um mercado para outros produtos.
SAY, J. B. Tratado de Economia. In: Os Economistas. São Paulo. Abril Cultural, 1983 (adaptado).
Com base no texto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I. A Lei de Say afirma que haverá sempre demanda suficiente para absorver a produção corrente
independente do seu nível.
PORQUE
II. As condições para a existência de demanda pelas mercadorias, entendidas como vontade e
capacidade de comprar, estão determinadas em seu próprio ato de produção.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
TEXTO 1
Pela metade do século XIX, a força de trabalho da economia brasileira era, basicamente, constituída
por uma massa de escravizados que talvez não alcançasse 2 milhões de indivíduos. Qualquer
empreendimento que se pretendesse realizar teria de chocar-se com a inelasticidade da oferta de
trabalho. O primeiro censo demográfico, realizado em 1872, indica que nesse ano havia no Brasil
aproximadamente 1,5 milhão de indivíduos escravizados. Considera-se que, no começo do século,
havia um pouco mais de 1 milhão de escravizados e que, nos primeiros cinquenta anos do século XIX,
foram importados, muito provavelmente, mais de meio milhão de escravizados.
FURTADO, C. Formação Econômica do Brasil. 34. ed. São Paulo: Cia das Letras, 2007 (adaptado).
TEXTO 2
No sistema de parceria, os colonos eram contratados na Europa, e sua viagem era paga, bem como o
transporte até as fazendas. Todas as despesas relativas ao transporte e à manutenção eram adiantamentos
que deveriam ser pagos a partir do momento em que os colonos pudessem se sustentar pelo próprio
trabalho. Eram cobrados juros sobre os adiantamentos e, a cada família, era atribuída certa quantidade
de pés de café para cultivar e colher.
VIGNOLI, F. A imigração e a formação do mercado de trabalho. In: MARQUES, R. M.; REGO, J. M (org.). FormaçãoEconômica do Brasil.
São Paulo: Editora Saraiva, 2007 (adaptado).
Considerando os textos apresentados, avalie as afirmações a seguir.
I. A inelasticidade de oferta de trabalho a que se refere o Texto 1 está associada à taxa de mortalidade
da população escravizada, sendo tal taxa superior à taxa de natalidade dessa população.
II. O sistema de parceria, inicialmente, foi subvencionado pelo Estado brasileiro, que financiou
a imigração, responsabilizando-se pelo recrutamento, pelo transporte e pela distribuição dos
trabalhadores.
III. O sistema de parceria, tratado no Texto 2, representou uma das experiências iniciais de imigração
e, por ter sido bem sucedido, transformou-se na base da contratação de novos trabalhadores
egressos do exterior.
IV. Os dois textos tratam de um mesmo episódio histórico: a transição do trabalho escravo para o
trabalho livre no Brasil.