Português - Noções Gerais de Compreensão e Interpretação de Texto - UECE

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Desempenho Global
8
Resoluções
46%
Média
Difícil
Dificuldade
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  • 📖 Texto associado

    TEXTO 1
    Pronominais
    Dê-me um cigarro
    Diz a gramática
    Do professor e do aluno
    E do mulato sabido
    Mas o bom negro e o bom branco
    Da Nação Brasileira
    Dizem todos os dias
    Deixa disso camarada
    Me dá um cigarro.

    ANDRADE, Oswald. Obras completas.
    Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.


    TEXTO 2
    Samba do Arnesto

    O Arnesto nos convidô prum samba,
    [ele mora no Brás
    Nóis fumo e não encontremos ninguém
    Nóis vortemo cuma baita duma reiva
    Da outra veiz nóis num vai mais
    Nóis não semos tatu!
    Outro dia encontremo com o Arnesto
    Que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos
    Isso não se faz, Arnesto, nóis não se importa
    Mais você devia ter ponhado um recado na
    [porta
    Anssim: “Ói, turma, num deu prá esperá
    A vez que isso num tem importância,
    [num faz má
    Depois que nóis vai, depois que nóis vorta
    Assinado em cruz porque não sei escrever
    Arnesto"


    BARBOSA, Adoniran, Gravações Elétricas
    Continental S/A, 1953.
    Os textos 1 e 2 se referem ao uso da variante informal da língua portuguesa. O uso dessa variante, em ambos os textos, justifica-se por mostrar ao leitor
  • 📖 Texto associado

    TEXTO 1
    Pronominais
    Dê-me um cigarro
    Diz a gramática
    Do professor e do aluno
    E do mulato sabido
    Mas o bom negro e o bom branco
    Da Nação Brasileira
    Dizem todos os dias
    Deixa disso camarada
    Me dá um cigarro.

    ANDRADE, Oswald. Obras completas.
    Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.


    TEXTO 2
    Samba do Arnesto

    O Arnesto nos convidô prum samba,
    [ele mora no Brás
    Nóis fumo e não encontremos ninguém
    Nóis vortemo cuma baita duma reiva
    Da outra veiz nóis num vai mais
    Nóis não semos tatu!
    Outro dia encontremo com o Arnesto
    Que pidiu descurpa mais nóis não aceitemos
    Isso não se faz, Arnesto, nóis não se importa
    Mais você devia ter ponhado um recado na
    [porta
    Anssim: “Ói, turma, num deu prá esperá
    A vez que isso num tem importância,
    [num faz má
    Depois que nóis vai, depois que nóis vorta
    Assinado em cruz porque não sei escrever
    Arnesto"


    BARBOSA, Adoniran, Gravações Elétricas
    Continental S/A, 1953.
    Sobre a explicação dada por Oswald de Andrade para o não emprego da ênclise na fala do português do Brasil, é correto afirmar que o autor
  • 📖 Texto associado
    TEXTO 3
    Meu Caro Amigo
    Chico Buarque


    Meu caro amigo, me perdoe, por favor
    Se eu não lhe faço uma visita
    Mas como agora apareceu um portador
    Mando notícias nessa fita

    Aqui na terra tão jogando futebol
    Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
    Uns dias chove, noutros dias bate o sol
    Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa
    [aqui tá preta

    Muita mutreta pra levar a situação
    Que a gente vai levando de teimoso e de
    [pirraça
    E a gente vai tomando que também sem a
    [cachaça

    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu não pretendo provocar
    Nem atiçar suas saudades
    Mas acontece que não posso me furtar
    A lhe contar as novidades

    É pirueta pra cavar o ganha-pão
    Que a gente vai cavando só de birra,
    [só de sarro
    E a gente vai fumando que, também,
    [sem um cigarro
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu quis até telefonar
    Mas a tarifa não tem graça
    Eu ando aflito pra fazer você ficar
    A par de tudo que se passa

    Muita careta pra engolir a transação
    Que a gente tá engolindo cada sapo no
    [caminho
    E a gente vai se amando que, também,
    [sem um carinho
    Ninguém segura esse rojão

    Meu caro amigo, eu bem queria lhe
    [escrever
    Mas o correio andou arisco

    Se me permitem, vou tentar lhe remeter
    Notícias frescas nesse disco
    A Marieta manda um beijo para os seus
    Um beijo na família, na Cecília e nas crianças
    O Francis aproveita pra também mandar
    [lembranças
    A todo o pessoal
    Adeus!


    BUARQUE, Chico. Phonogram, 1976.

    Considerando que a letra da canção “Meu caro amigo” foi escrita em 1976, um momento de repressão a qualquer denúncia ao governo e aos abusos estatais ou a manifestações contrárias ao regime, constata-se que Chico Buarque faz da música uma das principais formas de protestar indiretamente, para evitar a censura, espalhar uma mensagem de resistência e conscientizar a população. Fruto de uma parceria com Francis Hime, a canção foi criada como uma tentativa de burlar o regime por meio do envio de notícias do Brasil a seu amigo Augusto Boal, que vivia no exílio em Lisboa. Atente para o que se diz a seguir a respeito dessa canção e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
    ( ) A expressão “Muita mutreta pra levar a situação” (linha 36) revela o esforço do eu lírico para suportar as dificuldades. ( ) O eu lírico mostra que para segurar “esse rojão” (linhas 41, 51 e 61) o remetente da carta busca refúgio em prazeres momentâneos como a cachaça, o cigarro e o amor. ( ) O autor cita nomes de pessoas reais: Marieta, Francis e Cecília para organizar um discurso que fala de si próprio, passando a ideia da realidade dentro de uma ficção. ( ) O tom formal da mensagem permite identificar uma relação de distanciamento entre o emissor e o seu “caro amigo” (linhas 42, 52, 62).
    A sequência correta, de cima para baixo, é:
  • 📖 Texto associado
    Reinvenção

    A vida só é possível
    reinventada.


    Anda o sol pelas campinas
    e passeia a mão dourada
    pelas águas, pelas folhas...
    Ah! tudo bolhas
    que vem de fundas piscinas
    de ilusionismo... — mais nada.


    Mas a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    Vem a lua, vem, retira
    as algemas dos meus braços.

    Projeto-me por espaços
    cheios da tua Figura.
    Tudo mentira! Mentira
    da lua, na noite escura.

    Não te encontro, não te alcanço...
    Só — no tempo equilibrada,
    desprendo-me do balanço
    que além do tempo me leva.
    Só — na treva,
    fico: recebida e dada.

    Porque a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    MEIRELES, Cecília. Reinvenção. In. MEIRELES, Cecília.
    Vaga música. São Paulo: Global Editora, 1942.
    Ao tratar do tema da vida, o texto apresenta uma
  • 📖 Texto associado
    Reinvenção

    A vida só é possível
    reinventada.


    Anda o sol pelas campinas
    e passeia a mão dourada
    pelas águas, pelas folhas...
    Ah! tudo bolhas
    que vem de fundas piscinas
    de ilusionismo... — mais nada.


    Mas a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    Vem a lua, vem, retira
    as algemas dos meus braços.

    Projeto-me por espaços
    cheios da tua Figura.
    Tudo mentira! Mentira
    da lua, na noite escura.

    Não te encontro, não te alcanço...
    Só — no tempo equilibrada,
    desprendo-me do balanço
    que além do tempo me leva.
    Só — na treva,
    fico: recebida e dada.

    Porque a vida, a vida, a vida,
    a vida só é possível
    reinventada.

    MEIRELES, Cecília. Reinvenção. In. MEIRELES, Cecília.
    Vaga música. São Paulo: Global Editora, 1942.
    Sobre o poema “Reinvenção”, de Cecília Meireles, é correto afirmar que
  • 📖 Texto associado

    O Poeta da Roça


    Sou fio das mata, cantô da mão grosa
    Trabaio na roça, de inverno e de estio
    A minha chupana é tapada de barro
    Só fumo cigarro de paia de mio

    Sou poeta das brenha, não faço o papé
    De argum menestrê, ou errante cantô
    Que veve vagando, com sua viola
    Cantando, pachola, à percura de amô

    Não tenho sabença, pois nunca estudei
    Apenas eu seio o meu nome assiná
    Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
    E o fio do pobre não pode estudá

    Meu verso rastero, singelo e sem graça
    Não entra na praça, no rico salão
    Meu verso só entra no campo da roça e
    [dos eito
    E às vezes, recordando feliz mocidade
    Canto uma sodade que mora em meu peito.
    [...]
    Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
    Coberto de trapo e mochila na mão,
    Que chora pedindo o socorro dos home,
    E tomba de fome, sem casa e sem pão.

    E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
    Eu vivo contente e feliz com a sorte,
    Morando no campo, sem vê a cidade,
    Cantando as verdade das coisa do Norte.

    Adaptada de ASSARÉ, Patativa do.
    Cante lá que eu canto cá: Filosofia de um trovador
    nordestino. 2. Ed. Petrópolis: Vozes, 1978.
    No texto 6, a partir dos versos “Não tenho sabença, pois nunca estudei/Apenas eu seio o meu nome assiná/Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre/E o fio do pobre não pode estudá” (linhas 168-171) é correto inferir que a intenção do poeta é
  • 📖 Texto associado

    O Poeta da Roça


    Sou fio das mata, cantô da mão grosa
    Trabaio na roça, de inverno e de estio
    A minha chupana é tapada de barro
    Só fumo cigarro de paia de mio

    Sou poeta das brenha, não faço o papé
    De argum menestrê, ou errante cantô
    Que veve vagando, com sua viola
    Cantando, pachola, à percura de amô

    Não tenho sabença, pois nunca estudei
    Apenas eu seio o meu nome assiná
    Meu pai, coitadinho! vivia sem cobre
    E o fio do pobre não pode estudá

    Meu verso rastero, singelo e sem graça
    Não entra na praça, no rico salão
    Meu verso só entra no campo da roça e
    [dos eito
    E às vezes, recordando feliz mocidade
    Canto uma sodade que mora em meu peito.
    [...]
    Eu canto o mendigo de sujo farrapo,
    Coberto de trapo e mochila na mão,
    Que chora pedindo o socorro dos home,
    E tomba de fome, sem casa e sem pão.

    E assim, sem cobiça dos cofre luzente,
    Eu vivo contente e feliz com a sorte,
    Morando no campo, sem vê a cidade,
    Cantando as verdade das coisa do Norte.

    Adaptada de ASSARÉ, Patativa do.
    Cante lá que eu canto cá: Filosofia de um trovador
    nordestino. 2. Ed. Petrópolis: Vozes, 1978.
    A poesia de Patativa do Assaré, ao primeiro contato, demonstra uma preocupação em construir uma identidade sertaneja. No texto 6, esta característica é observável, de forma mais evidente, em
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