Para responder à questão, leia o poema “Urge o tempo” de Gonçalves Dias (1823-1864).
Urge o tempo, os anos vão correndo,
Mudança eterna os seres afadiga!
O tronco, o arbusto, a folha, a flor, o espinho,
Quem vive, o que vegeta, vai tomando
Aspectos novos, nova forma, enquanto
Gira no espaço e se equilibra a terra.
Tudo se muda, tudo se transforma;
O espírito, porém, como centelha,
Que vai lavrando solapada e oculta,
Até que enfim se torna incêndio e chamas,
Quando rompe os andrajos morredouros,
Mais claro brilha, e aos céus consigo arrasta
Quanto sentiu, quanto sofreu na terra.
Tudo se muda aqui! Somente o afeto,
Que se gera e se nutre em almas grandes,
Não acaba, nem muda; vai crescendo,
Co’o tempo avulta, mais aumenta em forças
E a própria morte o purifica e alinda.
Semelha estátua erguida entre ruínas,
Firme na base, intacta, inda mais bela
Depois que o tempo a rodeou de estragos.
DIAS, Gonçalves. Cantos. São Paulo: Martins Fontes, 2000.
Por dêixis entende-se a característica da linguagem humana que
consiste em fazer um enunciado referir-se a uma situação
definida, real ou imaginária, que pode ser: a) quanto aos
participantes do ato de enunciação (1ª pessoa – o que fala; 2ª
pessoa – aquele a quem se dirige a fala; 3ª pessoa – todo assunto
da comunicação, que não sejam a 1ª e a 2ª pessoas); b) quanto
ao momento da enunciação (dêixis temporal); c) quanto ao lugar
onde ocorre a ação, estado ou processo (dêixis espacial). Os
chamados dêiticos, portanto, são termos linguísticos cuja
interpretação depende da pessoa, do lugar e do momento em
que são enunciados.
Verifica-se um exemplo de dêixis espacial no seguinte verso:
Verifica-se um exemplo de dêixis espacial no seguinte verso: