Para o melhoramento genético de uma planta, o produtor pode realizar numerosos eventos de auto-polinização até que o fenótipo desejado seja encontrado. Alternativamente, o produtor pode recorrer à técnica de duplicação de haplóides (DH). Para tal, obtém-se gametas da planta que são cruzados com gametas de uma outra espécie da planta. Após a fertilização, os cromossomos da 2a espécie são seletivamente eliminados, gerando um embrião haplóide. O embrião haplóide é então transferido para um meio com nutrientes para regeneração da planta. Como as plantas haplóides são estéreis, é necessário duplicar o complemento de cromossomos com colchicina. Isso produz um conjunto de plantas diplóides, férteis e homozigóticas. Essas linhagens são então plantadas num cultivar para que as características desejadas sejam selecionadas. Esse método de melhoramento de plantas apresenta a seguinte vantagem sobre o método tradicional de reprodução heterossexual:
✂️ a) as linhagens de plantas DH, sendo completamente homozigóticas, não geram a diversidade decorrente da recombinação e assim exibem genótipos que podem sempre ser facilmente selecionados em função do fenótipo desejado; ✂️ b) sendo diplóides, as plantas DH possuem o dobro dos genes da planta haplóide, o que aumenta a proporção dos caracteres de interesse; o genoma diplóide é também vantajoso por diluir os defeitos em genes recessivos; ✂️ c) nas plantas DH, o processo de deriva gênica é mais intenso, o que produz uma diversidade genotípica muito maior que nas plantas heterozigóticas; tal situação facilita a seleção dos fenótipos desejados; ✂️ d) por ser diplóide, há uma produção maior de pólen numa planta DH que também é mais resistente ao processo de dispersão por insetos, o que incrementa a fertilização das outras plantas do cultivar; ✂️ e) como as plantas DH apresentam a eliminação seletiva de cromossomos, é mais fácil selecionar os fenótipos desejados, já que as gerações futuras da planta são progressivamente menos férteis.