Conta o médico Fernandes Figueira, no livro “Velaturas” (com o pseudônimo de Alcides Flávio), que seu amigo Aluísio de Azevedo o consultou, durante a composição de “O homem”, sobre o envenenamento por estricnina; mas não seguiu as indicações recebidas. Apesar do escrúpulo informativo do naturalismo, desrespeitou os dados da ciência e deu ao veneno uma ação mais rápida e mais dramática, porque necessitava que assim fosse para o seu desígnio. (CANDIDO, 2000, p. 12.) Em “Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária”, Antônio Candido evoca o episódio envolvendo o escritor que introduziu o naturalismo na literatura brasileira para elucidar que:
✂️ A) A mimese (ou imitação do real) nem sempre é uma forma de poesia.
✂️ B) A fantasia às vezes modifica a ordem do mundo para torná-la mais insignificante.
✂️ C) Existe uma relação arbitrária e deformante estabelecida pelo trabalho artístico com a realidade.
✂️ D) Basta aferir a obra com a realidade exterior para entender a produção literária sem incorrer em simplificação causal.
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Considero-me um realista, mas sou realista não à maneira naturalista — que falseia a vida
— mas à maneira de nossa maravilhosa literatura popular, que transfigura a vida com a imaginação
para ser fiel à vida. [...] O que eu procuro atingir, portanto, é, se não a verdade do mundo, a verdade
de meu mundo, afinal inapreensível em sua totalidade, mas mesmo assim, ou por isso mesmo,
tentador e belo [...] Assim, sem exageros que acabem a ilusão consentida do público, é melhor não
apelar para as muletas do verismo nem esconder as traves da arquitetura teatral — sejam as do
autor, as do encenador ou as dos atores, pois todos nós temos as nossas; assim o público, vendo
que não pretendemos enganá-lo, que não queremos competir com a vida, aceita nossos andaimes
de papel, madeira e cola e pode, graças a essa generosidade, participar de nossa maravilhosa
realidade transfigurada.
SUASSUNA, Ariano. O santo e a porca . 26 ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 2012. p. 16-17.
Sobre o texto acima, da “nota do autor” de O santo e a porca , e a peça em si, é correto
afirmar que
✂️ A) com o claro objetivo de retratar a vida como ela é no sertão, Suassuna investe em um teatro
realista, que não “esconda as traves da arquitetura teatral”.
✂️ B) Suassuna recusa “apelar para as muletas do verismo”, motivo pelo qual a peça contém
elementos chamados “fantásticos”, como a porca falante.
✂️ C) faz parte da “generosidade” do leitor aceitar momentos da trama pouco verossímeis, como o
sumiço e a reaparição espontâneos da estátua de Santo Antônio.
✂️ D) há momentos da peça, como os disfarces múltiplos dos personagens, que dependem da “ilusão
consentida do público”.
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O cortiço (1890) e Dom Casmurro (1899) foram publicados na mesma década, porém apresentam
registros de linguagem diferentes, como se pode ver nos trechos abaixo. No bloco superior, estão listados nomes de personagens de O cortiço e de Dom Casmurro ; no
inferior, os trechos dos romances em que essas personagens são descritas. Associe adequadamente o bloco inferior ao bloco superior. 1 - Firmo (O cortiço)
2 - Escobar (Dom Casmurro)
3 - Jerônimo (O cortiço)
4 - José Dias (Dom Casmurro)
( ) [...] viera da terra, com a mulher e uma filhinha ainda pequena, tentar a vida no Brasil, na
qualidade de colono de um fazendeiro, em cuja fazenda mourejou durante dois anos, sem
nunca levantar a cabeça, e de onde afinal se retirou de mãos vazias e uma grande birra pela
lavoura brasileira. Para continuar a servir na roça tinha que sujeitar-se a emparelhar com os
negros escravos e viver com eles no mesmo meio degradante, encurralado como uma besta,
sem aspirações, nem futuro, trabalhando eternamente para outro. ( ) [...] era um mulato pachola, delgado de corpo e ágil como um cabrito; capadócio de marca,
pernóstico, só de maçadas, e todo ele se quebrando nos seus movimentos de capoeira. Teria
seus trinta e tantos anos, mas não parecia ter mais de vinte e poucos. Pernas e braços finos,
pescoço estreito, porém forte; não tinha músculos, tinha nervos. ( ) Era um rapaz esbelto, olhos claros, um pouco fugitivos, como as mãos, como os pés, como a
fala, como tudo. Quem não estivesse acostumado com ele podia acaso sentir-se mal, não
sabendo por onde lhe pegasse. Não fitava de rosto, não falava claro nem seguido; as mãos não
apertavam as outras, nem se deixavam apertar delas, porque os dedos, sendo delgados e
curtos, quando a gente cuidava tê-los entre os seus, já não tinha nada. ( ) [...] apareceu ali vendendo-se por médico homeopata; levava um Manual e uma botica. Havia
então um andaço de febres; [...] curou o feitor e uma escrava, e não quis receber nenhuma
remuneração. Então meu pai propôs-lhe ficar ali vivendo, com pequeno ordenado. [...] recusou,
dizendo que era justo levar a saúde à casa de sapé do pobre.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
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