No século XX, com as etapas de industrialização do Brasil, o
país passou por uma grande transformação populacional e
territorial, o que obrigou o Estado a realizar pesquisas que
apresentassem o quadro nacional. O Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE) cumpriu com esses propósitos,
consolidando-se como órgão estatal brasileiro estratégico na
gestão territorial (urbana e rural). Leia o trecho a seguir:
O estudo Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do
Brasil constitui um quadro de referência da urbanização no
País. Tal quadro foi obtido a partir de critérios que privilegiaram
a integração entre os municípios. A identificação e a
delimitação das maiores aglomerações de população no País
têm sido objeto de estudo do IBGE desde a década de 1960,
quando o fenômeno da urbanização se intensificou, e assumiu,
ao longo dos anos, formas cada vez mais complexas. A
necessidade de fornecer conhecimento atualizado desses
recortes impõe a identificação e a delimitação de formas
urbanas que surgem a partir de cidades de diferentes
tamanhos, face à crescente expansão urbana, não só nas
áreas de economia mais avançada, mas também no Brasil
como um todo.
(Fonte: IBGE, 2022. Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas no Brasil.
Os estudos voltados aos arranjos populacionais e
concentrações urbanas no Brasil podem ser importantes para
melhorar os conhecimentos sobre determinadas cidades, bem
como seus limites e relações. Por isso, pode-se dizer que
essas pesquisas urbanas ajudam, principalmente:
a) Na gestão territorial intraurbana das cidades, visto que
podemos delimitar os setores censitários e ter uma visão mais
detalhada dos bairros e seus serviços disponíveis.
b) No reconhecimento de áreas urbanas e possíveis limites
intermunicipais, fenômenos de conurbação e aspectos de
morfologia urbana, além de permitir possíveis classificações
de hierarquia urbana.
c) Na melhoria de estudos técnicos voltados à gestão de bacias
hidrográficas em ambientes urbanos, indicando onde instalar
estações de tratamento e bombeamento.
d) Na diferenciação de áreas urbanas rurais e áreas rurais
urbanas, permitindo diagnosticar processos de verticalização
na paisagem, gentrificação e segregação socioespacial em
áreas pericentrais.
e) Na produção de imagens de satélite em escala urbana,
utilizando aerofotogrametria, propiciando base material para a
produção de mapas de classificação de uso e ocupação do
solo.