Texto I - questões 1 e 2

1 O ano de 2001 caracterizou-se por grandes desafios
para a economia brasileira, que levaram a mudanças
substanciais na formação de expectativas quanto ao
4 desempenho das principais variáveis econômicas. No início,
configurou-se um cenário promissor, com perspectivas de
crescimento real da economia brasileira oscilando entre
7 4% e 5%. A deterioração desse cenário ocorreu pela
combinação de fatores internos e externos, que desviaram
consideravelmente o crescimento real do produto interno
10 bruto (PIB) para 2,25%, até setembro de 2001, comparado
com igual período do ano anterior. No cenário interno, o
aumento da taxa SELIC no final de 2001 e o racionamento
13 energético contribuíram para a desaceleração da economia.
No cenário internacional, o agravamento da crise argentina
e o desaquecimento econômico dos Estados Unidos da
16 América (EUA), principalmente após os atentados
terroristas de 11 de setembro,aumentaram as preocupações
quanto ao contágio das tensões externas sobre a economia
19 nacional. Apesar dessas adversidades, o ano de 2001
terminou com reversão parcial do pessimismo instaurado
na economia brasileira. As políticas fiscal e monetária
22 contribuíram para fortalecer os fundamentos econômicos,
limitando os impactos inflacionários da depreciação
cambial.

Relatório do Banco do Brasil S.A. In: Correio Braziliense (com adaptações).

Com base no texto I, julgue os itens que se seguem.

O crescimento real do PIB brasileiro até setembro de 2001 foi 60% abaixo da maior expectativa de crescimento do início desse mesmo ano.


Com relação ao texto acima, julgue os itens de 15 a 24.

Mantêm-se a correção gramatical e o sentido original do texto ao se substituir "podem ser atribuídos aos qualificativos" (L.28-29) por atribuem aos qualificativos.

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Com referência às idéias e às estruturas lingüísticas do texto
acima, e considerando o atual cenário econômico-financeiro
mundial, julgue os itens de 21 a 29.

País classificado como emergente, com grande potencial de crescimento econômico, a Índia padece sob regime político autoritário, sem ter conhecido experiência democrática desde a independência, o que dificulta sua inserção na economia globalizada de hoje.

TEXTO
Esta ordem do mundo não a criou nenhum dos deuses, nem dos homens, mas sempre existiu e existe e há de existir: fogo sempre vivo, que se acende com medida e com medida se extingue.
Heráclito. Fragmento 30. In: Geoffrey Kirk et al. Os filósofos pré-socráticos. Trad. Carlos A. L. Fonseca. Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, 2010, p. 205 (com adaptações).
Tendo como referência o fragmento de texto apresentado, do filósofo pré-socrático Heráclito de Éfeso, que afirmava que o fogo seria o princípio de todas as coisas, julgue o item a seguir.
O fragmento de texto exemplifica uma cosmogonia que tem início no próprio mundo natural.

1 De olho no que julgam ser a maior oportunidade de negócios nos próximos anos em todo o mundo, as empreiteiras brasileiras articulam a formação de grandes consórcios a fim de 4 disputar com mais chances de vitória as licitações para a ampliação do canal do Panamá. O lobby que o presidente Fernando Henrique Cardoso fez pessoalmente em março, 7 durante visita ao Panamá, é uma clara manifestação de que as empresas brasileiras contam com boas chances de serem escolhidas.

Daniel Rittner. "Ampliação do canal do Panamá atrai empreiteiras". In: Valor Econômico, 3/5/2002, p. A12.

Considerando o texto acima, julgue os itens seguintes.

O pronome o, integrante da contração "no" (l.1), remete, pelos mecanismos de coesão textual, a "ampliação do canal do Panamá" (l.5).

            O desejo por igualdade em nossos dias, ensejado pela 

Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, marco da 

modernidade, segundo Axel Honneth, advém de uma busca por

 autorrespeito. Para Honneth, houve uma conversão de

 demandas por distribuição igualitária em demandas por mais

 dignidade e respeito. O autor descreve o campo de ação social

 como o lócus marcado pela permanente luta entre os sujeitos

 por conservação e reconhecimento. O conflito, diz ele, força os

 sujeitos a se reconhecerem mutuamente e impulsiona a criação

 de uma rede normativa. Quer dizer, o estabelecimento da figura

 do sujeito de direitos constitui um mínimo necessário para a

 perpetuação da sociedade, porque é pelo respeito mútuo de

 suas pretensões legítimas que as pessoas conseguem se

 relacionar socialmente.

            Nesse contexto, a Lei Maria da Penha teria o papel de 

assegurar o reconhecimento das mulheres em situação de 

violências (incluída a psicológica) pelo direito; afinal, é 

constatando as obrigações que temos diante do direito alheio 

que chegamos a uma compreensão de cada um(a) de nós com 

os sujeitos de direitos. De acordo com Honneth, as demandas por 

direitos — como aqueles que se referem à igualdade de gênero 

ou relacionados à orientação sexual —, advindas de um 

reconhecimento anteriormente denegado, criam conflitos 

práticos indispensáveis para a mobilidade social.

(Isadora Vier Machado. Da dor no corpo à dor na alma: uma leitura do conceito de violência psicológica da Lei Maria da Penha. Internet: (com adaptações).)

A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item a seguir. 
A inserção de vírgula após a expressão “entre os sujeitos” (l.7) manteria a correção gramatical e os sentidos do texto.

Texto para as questões 1 e 2
Geralmente, as oposições 1 não gostam dos governos.
Partido vencido contesta a eleição do vencedor, e partido
vencedor é simultaneamente vencido, e vice-versa. Tentam-se
4 acordos, dividindo os deputados; mas ninguém aceita
minorias. No antigo regímen iniciou-se uma representação de
minorias, para dar nas câmaras um recanto ao partido que
7 estava de baixo. Não pegou bem - ou porque a porcentagem
era pequena - ou porque a planta não tinha força bastante.
Continuou praticamente o sistema da lavra única.
10 (...) Sócrates aconselhava ao legislador que quando
houvesse de legislar tivesse em vista a terra e os homens. Ora,
os homens aqui amam o governo e a tribuna, gostam de
13 propor, votar, discutir, atacar, defender e os demais verbos, e
o partido que não folheia a gramática política acha
naturalmente que já não há sintaxe; ao contrário, o que tem a
16 gramática na mão julga a linguagem alheia obsoleta e
corrupta. O que estamosvendo é a impressão em dous
exemplares da mesma gramática.
Machado de Assis. A Semana. Obra completa,
v. III. Rio de Janeiro: Aguilar, 1973, p. 652-3.

Com referência ao texto, assinale a opção correta.

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Com referência às idéias e às estruturas lingüísticas do texto
acima, e considerando o atual cenário econômico-financeiro
mundial, julgue os itens de 21 a 29.

No atual estágio da economia mundial, os avanços tecnológicos e as facilidades de comunicação deles decorrentes propiciam a rápida circulação tanto das mercadorias quanto de capitais.

       Quando eu era criança (e isso aconteceu em outro tempo e em outro espaço), não era incomum ouvir a pergunta “Quão longe é daqui até lá?” respondida por um “Mais ou menos uma hora, ou um pouco menos se você caminhar rápido”. Num tempo ainda anterior à minha infância, suponho que a resposta mais comum teria sido “Se você sair agora, estará lá por volta do meio-dia” ou “Melhor sair agora, se você quiser chegar antes que escureça”. Hoje em dia, pode-se ouvir ocasionalmente essas respostas. Mas serão normalmente precedidas por uma solicitação para ser mais específico: “Você vai de carro ou a pé?”.
      “Longe” e “tarde”, assim como “perto” e “cedo”, significavam quase a mesma coisa: exatamente quanto esforço seria necessário para que um ser humano percorresse uma certa distância — fosse caminhando, semeando ou arando. Se as pessoas fossem instadas a explicar o que entendiam por “espaço” e “tempo”, poderiam ter dito que “espaço” é o que se pode percorrer em certo tempo, e que “tempo” é o que se precisa para percorrê-lo. Se não fossem muito pressionados, porém, não entrariam no jogo da definição. E por que deveriam? A maioria das coisas que fazem parte da vida cotidiana são compreendidas razoavelmente até que se precise defini-las; e, a menos que solicitados, não precisaríamos defini-las. O modo como compreendíamos essas coisas que hoje tendemos a chamar de “espaço” e “tempo” era não apenas satisfatório, mas tão preciso quanto necessário, pois era o wetware — os humanos, os bois e os cavalos — que fazia o esforço e punha os limites. Um par de pernas humanas pode ser diferente de outros, mas a substituição de um par por outro não faria uma diferença suficientemente grande para requerer outras medidas além da capacidade dos músculos humanos.


Zygmunt Bauman. A modernidade como história do tempo. In: Modernidade líquida. Plínio Dentzien (Trad.). Rio de Janeiro: Zahar, 2001 (com adaptações).

A respeito das ideias e dos aspectos linguísticos do texto anterior, julgue o item seguinte.

No trecho “Um par de pernas humanas pode ser diferente de outros, mas a substituição de um par por outro não faria uma diferença suficientemente grande para requerer outras medidas além da capacidade dos músculos humanos”, no último período do texto, a substituição de “mas” por entretanto manteria a correção gramatical e a coerência do texto.

Texto CB1A1-I
1 É impressionante como, em nosso tempo, somos
contraditórios no que diz respeito aos direitos humanos.
Em comparação a eras passadas, chegamos a um máximo
4 de racionalidade técnica e de domínio sobre a natureza,
o que permite imaginar a possibilidade de resolver grande
número de problemas materiais do homem, quem sabe,
7 inclusive, o da alimentação.
No entanto, a irracionalidade do comportamento
é também máxima, servida frequentemente pelos mesmos
10 meios que deveriam realizar os desígnios da racionalidade.
Assim, com a energia atômica, podemos, ao mesmo tempo,
gerar força criadora e destruir a vida pela guerra; com incrível
13 progresso industrial, aumentamos o conforto até alcançar
níveis nunca sonhados, mas excluímos dele as grandes
massas que condenamos à miséria; em muitos países,
16 quanto mais cresce a riqueza, mais aumenta a péssima
distribuição dos bens. Portanto, podemos dizer que os
mesmos meios que permitem o progresso podem provocar
19 a degradação da maioria.
Na Grécia antiga, por exemplo, teria sido impossível
pensar em uma distribuição equitativa dos bens materiais,
22 porque a técnica ainda não permitia superar as formas brutais
de exploração do homem, nem criar abundância para todos.
Em nosso tempo, é possível pensar nisso, mas o fazemos
25 relativamente pouco. Essa insensibilidade nega uma das
linhas mais promissoras da história do homem ocidental,
aquela que se nutriu das ideias amadurecidas no correr
28 dos séculos XVIII e XIX.
Essas ideias abriram perspectivas que pareciam
levar à solução dos problemas dramáticos da vida em
31 sociedade. E, de fato, durante muito tempo, acreditou-se que,
removidos uns tantos obstáculos, como a ignorância e os
sistemas despóticos de governo, as conquistas do progresso
34 seriam canalizadas no rumo imaginado pelos utopistas, porque
a instrução, o saber e a técnica levariam, necessariamente,
à felicidade coletiva. Contudo, mesmo onde esses obstáculos
37 foram removidos, a barbárie continuou entre os homens,
embora não mais se ache normal o seu elogio, como se todos
soubessem que ela é algo a ser ocultado e não proclamado.
Antonio Candido. Vários escritos. 3.ª ed. rev. e ampl.
São Paulo: Duas Cidades, 1995, p. 169-70 (com adaptações).
No texto CB1A1-I, indica o momento da produção textual a expressão

  A história da irrigação se confunde, na maioria das vezes, com a história da agricultura e da prosperidade econômica de inúmeros povos. Muitas civilizações antigas se originaram assim, em regiões áridas, onde a produção só era possível com o uso da irrigação.    

     O Brasil, dotado de grandes áreas agricultáveis localizadas em regiões úmidas, não se baseou, no passado, na irrigação, embora haja registro de que, já em 1589, os jesuítas praticavam a técnica na antiga Fazenda Santa Cruz, no estado do Rio de Janeiro. Também na região mais seca do Nordeste e nos estados de Minas Gerais e São Paulo, era utilizada em culturas de cana-de-açúcar, batatinha, pomares e hortas. Em cafezais, seu emprego iniciou-se na década de 50 do século passado, com a utilização da aspersão, que se mostrou particularmente interessante, especialmente nas terras roxas do estado de São Paulo.    

    A irrigação, de caráter suplementar às chuvas, tem sido aplicada na região Centro-Oeste do país, especialmente em culturas perenes.  

    Embora a região central do Brasil apresente boas médias anuais de precipitação pluviométrica, sua distribuição anual (concentrada no verão, sujeita a veranicos e escassa ou completamente ausente no inverno) permite, apenas, a prática de culturas anuais (arroz, milho, soja etc.), as quais podem se desenvolver no período chuvoso e encontrar no solo um suprimento adequado de água.    

    Já as culturas mais perenes (como café, citrus, cana-de-açúcar e pastagem) atravessam, no período seco, fases de sensível deficiência de água, pela limitada capacidade de armazenamento no solo, o que interrompe o desenvolvimento vegetativo e acarreta colheitas menores ou nulas.  

      A vantagem e a principal justificativa econômica da irrigação suplementar estão na garantia de safra, a despeito da incerteza das chuvas. 

  Na região Nordeste, a irrigação foi introduzida pelo governo federal e aparece vinculada ao abastecimento de água no Semiárido e a planos de desenvolvimento do vale do São Francisco. Ali, a irrigação é vista como importante medida para amenizar os problemas advindos das secas periódicas, que acarretam sérias consequências econômicas e sociais.    

    No contexto das estratégias nacionais de desenvolvimento, um programa de irrigação pode contribuir para o equacionamento de um amplo conjunto de problemas estruturais. Com relação à geração de empregos diretos, a agricultura irrigada nordestina é mais intensiva do que nas outras regiões do país. Na região semiárida, em especial no vale do São Francisco, a irrigação tem destacado papel a cumprir, como, aliás, já ocorre em importantes polos agroindustriais da região Nordeste.    

     A irrigação constitui-se em uma das mais importantes tecnologias para o aumento da produtividade agrícola. Aliada a ela, uma série de práticas agronômicas deve ser devidamente considerada.


Internet: (com adaptações). 

No que se refere aos aspectos linguísticos e às ideias do texto apresentado, julgue o item que se segue.

A ideia principal do texto é defender a técnica de irrigação na região Nordeste do Brasil, já que se trata de uma área semiárida.

1 A Venezuela, como a Argentina, ainda que de maneira distinta, recebe as duras lições de adaptações malsucedidas ao dilema entre a valorização do interno e a incorporação dos 4 valores externos. A presidência de Hugo Chávez, nos últimos anos, expunha a fratura a que, estruturalmente, está submetida a América Latina, inclusive o Brasil. A tensão entre a 7 administração para os de dentro, especialmente aqueles menos favorecidos pelo modelo de inserção aberta e liberal, e o agrado aos centros internacionais de poder, especialmente àqueles que 10 hegemonizam as relações internacionais do presente, levou ao descompasso social e político a que chegou a Venezuela.

José Flávio Sombra Saraiva. "A lógica da Venezuela". In: Correio Braziliense, Gabarito, 22/4/2002, p. 12.

Relativamente ao texto e ao assunto nele tratado, julgue os itens seguintes.

A crise argentina derivou, fundamentalmente, da recusa dos últimos governos do país em agradar "aos centros internacionais de poder", optando por não adotar o receituário neoliberal.

A morte do senador Edward Kennedy, aos 77 anos de
idade, encerra uma era nos EUA, marcada pela influência de uma
poderosa dinastia, sinônimo de história, idealismo, carisma e
tragédia. Ted Kennedy foi voz combativa contra ditaduras e
denunciou no Congresso norte-americano a tortura e os
assassinatos políticos no Brasil.
O Globo, 27/8/2009, capa (com adaptações).

Tendo o texto acima como referência inicial e considerando o tema
a que ele se refere bem como o cenário mundial contemporâneo,
julgue os itens que se seguem.

Infere-se do texto que Ted Kennedy era um político comprometido com a defesa do regime democrático e das liberdades públicas.

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Com relação às estruturas e às ideias do texto acima, assinale a opção correta.

Texto 2A1-I

    Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Era uma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nunca passou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para o edifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, toda aquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e o ar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegria até, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde era possível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia, talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.

     Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duas camisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda, quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha a gaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartas guardadas ali.

     Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as em ordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contava que andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que a parenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de um envelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo, mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, um pouco de presença a querer bem.

Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro,

Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).

Ainda com relação aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item subsequente.

No sétimo período do primeiro parágrafo, a forma “lhe” desempenha a função de complemento indireto da forma verbal “mostrasse” e funciona como elemento de coesão ao retomar o personagem da narrativa.

Texto 2A1-I

    Tinha de deixar aquela casa. Não sentia saudades. Era uma casa escura, com um cheiro doce e enjoado que nunca passou. Não tinha vista a não ser a da janela que dava para o edifício ao lado. E só via as cozinhas. Quando anoitecia, toda aquela vizinhança começava, ao mesmo tempo, a fazer bife, e o ar ficava cheirando a cebola e alho. Ia-se embora, com alegria até, porque o outro apartamento tinha uma janela de onde era possível ver o mar, não todo, mas um pedacinho que, lá um dia, talvez lhe mostrasse um navio passando. Claro, arejado.

     Mas era preciso levar suas poucas coisas. Uma calça, duas camisas, um rádio de cabeceira, talcos, dentifrícios, uma lavanda, quatro ou cinco toalhas. Cabia tudo em uma mala só. Mas tinha a gaveta. Tinha de desocupar aquela gaveta. Cinco ou seis cartas guardadas ali.

     Resolveu ler, a começar pela primeira, pondo-as em ordem pelas datas. Ela dizia tanto “te amo, te amo”... e contava que andara chorando na rua, que o fora esperar na estação, que a parenta já andava desconfiada de sua tristeza. No fundo de um envelope, o raminho de cabelo. Havia escurecido com o tempo, mas era um pedacinho de sua beleza e, de qualquer forma, um pouco de presença a querer bem.

Antônio Maria. Com vocês, Antônio Maria. Rio de Janeiro,

Paz e Terra, 1994, p. 83-84 (com adaptações).

Com referência às ideias e aos aspectos linguísticos do texto 2A1-I, julgue o item a seguir.

O vocábulo “até” (sétimo período do primeiro parágrafo), empregado no sentido de inclusive, poderia ser deslocado para o início do trecho “com alegria até”.

1 O portal bb.com.br alcançou a marca de5,3 milhões de clientes habilitados a realizar transaçõesvia Internet. A média mensal de transações para o4 segmento pessoa física foi de 36,3 milhões, crescimentode 36%. Para as 500 mil empresas cadastradas, o bancofornece o gerenciador financeiro, responsável pela7 média de 35 milhões de transações por mês.O BB oferece sítios especializados para seus diversospúblicos. Destaque para www.agronegocios-e.com.br e10 www.licitacoes-e.com.br.Folha de S. Paulo, 21/8/2003, p. C8 (com adaptações).A partir do texto acima e levando em conta o atual estágiode desenvolvimento da economia mundial, julgue os itenssubseqüentes.

G O dinamismo da atual economia globalizada também decorre da crescente utilização dos recursos da informática, os quais, entre outros aspectos, permitem a rápida circulação de capitais e a comunicação imediata entre os mercados.

Em uma inesperada e rara condenação pública à
violência no Tibete e à falta de liberdade de imprensa na China,
o presidente do Comitê Olímpico Internacional classificou como
crise as manifestações populares ocorridas em Londres, Paris e
São Francisco, por onde passou a tocha olímpica. Ele deixou
claro o desagrado da comunidade esportiva internacional com a
repressão ao Tibete e apelou à China para que cumpra o
compromisso moral de respeitar os direitos humanos.
O Parlamento Europeu sugeriu um boicote à abertura dos jogos
e exortou os líderes dos 27 países da União Européia (UE) a
tomar uma decisão conjunta.

O Globo, 11/4/2008, capa (com adaptações

Tendo o texto acima como referência inicial e considerando as
múltiplas ramificações do tema por ele abordado, julgue os itens
subseqüentes.

Infere-se do texto que, na atualidade, ao contrário do que ocorria no passado, há inédita apropriação política de eventos esportivos de grande repercussão junto à opinião pública, como é o caso dos Jogos Olímpicos.

    A diferenciação entre zonas centrais e regiões marginais — centros e periferias — encontra-se hoje em várias ordens de grandeza em comunidades, distritos, países e grupos inteiros de países. Numa cidade, a atividade comercial concentra-se geralmente numa zona determinada; em cada país há regiões nas quais se concentra mais fortemente a atividade econômica, do que em outras.

    A diferença entre regiões centrais e regiões periféricas está baseada em uma multiplicidade de contrastes — geográficos, econômicos e sociais — que, em toda a sua diversidade, também apresentam, em seu contexto, elementos comuns essenciais.

     Os centros são primariamente grandes cidades ou cidades de dimensão média, sendo periferias as zonas de economia rural. As aldeias constituem centros menores na periferia.

     Diante das periferias, os centros são, sob alguns aspectos, privilegiados. Sob perspectiva geométrica, a soma das distâncias entre o ponto central e quaisquer pontos do interior é menor do que entre um ponto da periferia (qualquer que seja esse ponto) e qualquer ponto no interior. Em torno de uma grande cidade (de uma megalópole), encontram-se as maiores artérias de circulação ordenadas de forma radial e não em círculos concêntricos. As vias de uma periferia à outra conduzem, por isso, com frequência através do centro — também quando isso exige maiores desvios.

     Para cada tipo de troca (como trânsito, comércio, turismo, transmissão de conhecimentos), os centros oferecem especiais vantagens. Eles dispõem de uma infraestrutura mais rica do que as regiões marginais, e os contatos sociais são mais densos. Hospitais, universidades, institutos de pesquisa, instituições culturais, museus, teatros, salas de concerto etc. encontram-se predominante ou exclusivamente em centros. As possibilidades de formação são mais diversificadas e de melhor qualidade. Mercados de centro se destacam por ofertas mais ricas do que os mercados das periferias. O nível de vida é mais alto, os salários são mais altos, mas também os custos de manutenção da vida são mais altos.

     Nos centros, com relação à vida social, vigora uma cultura pluralista, as pessoas são mais individualistas, mas também mais flexíveis do que nas periferias. No interior a cultura é mais fortemente presa à tradição, a mobilidade social é menor, a vida decorre mais calma e vagarosamente, e as pessoas se movimentam menos apressadamente. Quanto às atitudes mentais e intelectuais, elas também são, em geral, menos ágeis e, com frequência, mais conservadoras.

Thomas Kelssering. Dentro e fora. Centro e periferia. In: Ética, política e desenvolvimento humano: a justiça na era da globalização. Trad. Benno Dischinger. Caxias do Sul, RS: Educs, 2007, p. 171-2.

Julgue o item subsequente, relativo às ideias e às construções linguísticas do texto precedente. 
O sentido original do texto e a sua correção gramatical seriam mantidos se o período “Diante das periferias, os centros são, sob alguns aspectos, privilegiados” (início do quarto parágrafo) fosse reescrito do seguinte modo: Os centros são privilegiados em relação às periferias em alguns aspectos.

1 Terminou mais um round na luta entre palestinos e israelenses. E pode-se dizer que há um empate técnico. Feridos, os dois duelistas - Ariel Sharon e Yasser Arafat - seguem 4 para seus cantos do ringue a fim de avaliar os danos. Arafat deixou seu isolamento forçado de cinco meses - mas será que venceu? Sharon aparentemente se curvou às pressões 7 americanas - mas também não se pode dizer que o premier israelense tenha sido derrotado, na opinião de analistas.

Douglas McMillan. Round empatado. In: Jornal do Brasil, 2/5/2002, p. 7 (com adaptações).

A partir do texto acima, julgue os itens que se seguem.

Infere-se do texto que a complexidade da questão do Oriente Médio é de tal ordem que, no momento, não há certeza absoluta acerca de quem venceu o episódio entre palestinos e israelenses mencionado no texto.

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