Leia o trecho abaixo do artigo “Natureza & Cultura, versão
americanista – Um sobrevoo”, de Renato Sztutman.
“(…) seres não humanos que se veem sob forma humana
deveriam ver os humanos sob forma não humana, uma vez que a
humanidade é uma posição e não uma substância, uma
propriedade intrínseca a certa porção de seres. Um porco do
mato, por exemplo, se vê como humano enquanto vê o humano
como jaguar ou como espírito predador. Ora, todos esses
existentes são, potencialmente, humanos (partilham a mesma
condição de humanidade [humanity]) apesar de não serem todos
da espécie humana (humankind). São todos sujeitos dotados de
comportamento, intencionalidade e consciência, estando
inseridos em redes de parentesco e afinidade, fazendo festas,
bebendo cauim, reportando-se a chefes, fazendo guerra,
pintando e decorando seus corpos. O que está em jogo, aqui,
portanto, é a diferença entre perspectivas, o que nos envia a uma
filosofia ameríndia da diferença.”
Esse trecho descreve o modo de relação entre humanos e não
humanos característico da forma de pensamento ameríndio
denominada:
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Em um dos seus artigos, o antropólogo José Reginaldo Gonçalves
discute os chamados “bens inalienáveis”. Diz ele:
“Os interesses mobilizados pela possibilidade de comprar e
vender livremente determinados bens eram vistos como um
meio nefasto de descaracterização desses bens e de perda de sua
autenticidade. A busca da autenticidade confundia-se, de certo
modo, com uma constante e obsessiva proteção contra os efeitos
de mercado.”
Essa reflexão ajuda a problematizar a oposição entre as seguintes
arenas de valoração:
✂️ A) mercadorias e objetos sagrados;
✂️ B) patrimônio e mercado;
✂️ C) religião e laicidade;
✂️ D) patrimônio e religião;
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O Ensaio sobre a dádiva de Marcel Mauss foi publicado
originalmente na revista Année Sociologique (1923-1924), sendo
considerado uma obra central para a teoria antropológica. A respeito das noções de dom, troca e reciprocidade mobilizadas
no ensaio citado, é correto afirmar que:
✂️ A) os contratos firmados entre diferentes clãs e tribos mediante
a troca de presentes nas sociedades arcaicas configuravam
um sistema de dons entre indivíduos que antecedia a
economia de mercado;
✂️ B) as trocas cerimoniais que materializavam os sistemas da
dádiva eram uma forma de escambo de presentes e
prestações de serviços úteis, com o fim de atender as
necessidades materiais dos envolvidos;
✂️ C) o sistema de reciprocidade inerente ao modelo de dom e
contra-dom extrapolava a esfera econômica,
apresentando-se como a materialização de dádivas altruístas
inerentes à vida religiosa;
✂️ D) a lógica tradicional das trocas pressupunha uma abstração
simbólica dos bens e serviços em circulação,
desassociando-os de seus proprietários e valorando-os por
sua raridade ou natureza utilitária;
✂️ E) a circulação de objetos, pessoas e serviços mobilizava
também uma troca constante de matéria espiritual em um
sistema em que tudo poderia ser objeto de troca e nada
poderia ser recusado.
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