Texto associado. Leia os trechos da Seção II do Ensaio sobre o Entendimento Humano (1748), de D. Hume, citados abaixo para responder à questão seguinte.
“Cada um admitirá prontamente que há uma diferença considerável entre as percepções do espírito, quando uma pessoa sente a dor do calor excessivo ou o prazer do calor moderado, e quando depois recorda em sua memória esta sensação ou a antecipa por meio de sua imaginação. (...)”
“Podemos observar uma distinção semelhante em todas as outras percepções do espírito. Um homem à mercê dum ataque de cólera é estimulado de maneira muito diferente da de um outro que apenas pensa nessa emoção. Se vós me dizeis que certa pessoa está amando, compreendo facilmente o que quereis dizer-me e formo uma concepção precisa de sua situação, porém nunca posso confundir esta ideia com as desordens e as agitações reais da paixão. Quando refletimos sobre nossas sensações e impressões passadas, nosso pensamento é um reflexo fiel e copia seus objetos com veracidade, porém as cores que emprega são fracas e embaçadas em comparação com aquelas que revestiam nossas percepções originais. (...) E as impressões diferenciam-se das idéias, que são as percepções menos vivas, das quais temos consciência, quando refletimos sobre quaisquer das sensações ou dos movimentos acima mencionados.”
(HUME, D. Ensaio sobre o entendimento humano. Trad. Anoar Aiex.
Versão eletrônica. Disponível em:
<http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/cv000027.p
df >. Acesso em: 04/ago/2021. p.10).
Explorando ainda um pouco mais a metáfora do
espelho, podemos especular sobre a razão para
que o reflexo ou a cópia ser, no pensamento,
“embaçada”, com “cores mais fracas” do que os
materiais originais. Além disso, já na seção III do
Ensaio sobre o entendimento humano, Hume
passa a tratar das associações entre as ideias e
falará de princípios de associação como princípios
de funcionamento do próprio entendimento. Sobre
as implicações destes desenvolvimentos para a
Epistemologia e para a própria ideia de Ciência,
assinale a alternativa evidentemente incorreta .
✂️ a) O ideal clássico de Ciência como conhecimento
universal e necessário se fundava sobre a
Metafísica e se estendia sobre toda a realidade. A
ideia de necessidade precisa ser revista na medida
em que o foco da atividade científica se desloca dos
objetos externos para o interior do próprio
pensamento e para os padrões de funcionamento
do entendimento ✂️ b) A investigação científica que segue o caminho do
empírico implica também no modo de conceber a
própria atividade da mente nos produtos por ela
produzidos como conhecimentos. Se a mente é
passiva na captação do “não sei o que” que nos
afeta nas experiências, já não podemos ser
ingênuos quanto à sua interferência nos seus
produtos ✂️ c) O ceticismo da Ciência que vemos em Hume, que
desloca o problema da causalidade e da
necessidade (e da liberdade) do campo da
metafísica para o interior do próprio campo da
atividade racional, estabelece um novo fundamento
para a ciência moderna, a saber, as ciências
morais, pois na medida em que os sentimentos são
postos como o maior grau de certeza que as
ciências podem alcançar, os princípios de
funcionamento da mente assumem o carácter de
universalidade que faltava ao sujeito racional ✂️ d) Os três princípios de funcionamento do
entendimento para Hume são os princípios da
lógica, a saber: o princípio de contradição (ou não-contradição), o da identidade e o do terceiro
excluído. Sendo assim, não há mudança no caráter
de universalidade ou de necessidade da Ciência,
ainda que o ponto de partida seja a experiência