Com base nas proposições desenvolvidas por Judith Butler em “Problemas de Gênero”
(2018) e “Desfazendo Gênero” (2022), assinale a alternativa que melhor expressa a articulação entre
performatividade, crítica ontológica e política do reconhecimento na constituição do sujeito de gênero
no interior da teoria queer .
✂️ a) A performatividade de gênero, tal como formulada por Butler, implica a recusa de toda forma de
agência subjetiva, uma vez que o sujeito é integralmente constituído pelas normas discursivas que
o precedem, não havendo fissura possível entre norma e repetição. ✂️ b) Em sua virada ética e política posterior, Butler abandona a crítica ontológica da identidade e adota
uma concepção universal de humanidade baseada na coabitação dos corpos e na solidariedade
abstrata entre sujeitos já reconhecidos como inteligíveis. ✂️ c) A teoria queer formulada por Butler converge com o humanismo existencialista ao propor que o
sujeito se constitui pela liberdade radical de se autodefinir, sendo a identidade de gênero uma
escolha existencial que se realiza fora das mediações normativas. ✂️ d) Butler propõe que o gênero, embora performativo e historicamente construído, deve ser fixado por
parâmetros reconhecíveis pelo Estado para que a luta política por cidadania plena possa ser eficaz,
mesmo que isso implique certa renaturalização estratégica da identidade. ✂️ e) A crítica butleriana à ontologia do gênero revela que a inteligibilidade do sujeito não decorre de um
fundamento anterior à linguagem, mas da repetição reconfigurável de normas reguladoras, sendo
que a agência se exerce precisamente na possibilidade de reinscrever e subverter tais normas.