O tema negro não é único ou obrigatório, nem se transforma em uma camisa de força para o autor afro-descendente, o que redundaria em visível empobrecimento. Por outro lado, nada obriga que a matéria ou o assunto negro estejam ausentes da escrita dos brancos, atraídos desde cedo pela busca do exótico e da cor local. Nas primeiras décadas do Modernismo, auge da moda primitivista e negrista na literatura e nas artes de vanguarda, ocorrem inúmeras apropriações, incorporadas a textos hoje clássicos, apesar da advertência de Oswald de Andrade contra a “macumba para turistas”. Por isto mesmo, é preciso enfatizar que a adoção da temática afro não deve ser considerada isoladamente e, sim, em sua interação com outros fatores, como autoria e ponto de vista.
Eduardo de Assis Duarte. Literatura afro-brasileira: um conceito em construção. In: Estudos de literatura brasileira contemporânea, n.º 31, 2008, p. 14 (com adaptações).
Considerando o texto acima e os diversos aspectos relacionados à literatura afro-brasileira, julgue o item.
No final do século XIX, obras como O bom crioulo e
O cortiço, identificadas pela historiografia como
naturalistas, trouxeram não só aquilo que o autor do
texto chama de tema negro, mas também a autoria e o
ponto de vista afro-descendentes.
“A representação do mundo, como o próprio mundo,
é operação dos homens; eles o descrevem do ponto
de vista que lhes é peculiar e que confundem com a
verdade absoluta.”
A afirmação de Simone de Beauvoir, em O segundo
sexo,
Considerando as especificidades das estéticas romântica e realista e suas consequências na caracterização
dos personagens, bem como na configuração e na posição dos narradores, associe os títulos dos romances e
seus respectivos autores aos trechos correspondentes.
1. Memórias de um sargento de milícias, Manuel Antônio
de Almeida
2. Memórias póstumas de Brás Cubas, Machado de
Assis
3. O crime do padre Amaro, Eça de Queirós
( ) “Cresci; e nisso é que a família não interveio; cresci
naturalmente, como crescem as magnólias e os
gatos. Talvez os gatos são menos matreiros, e,
com certeza, as magnólias são menos inquietas do
que eu era na minha infância. [...] Desde os cinco
anos merecera eu a alcunha de ‘menino diabo’;
e verdadeiramente não era outra coisa; fui dos
mais malignos do meu tempo, arguto, indiscreto,
traquinas e voluntarioso.”
( ) “Tornou-se muito medroso. Dormia com lamparina,
ao pé de uma ama velha. As criadas de resto feminizavam-no; achavam-no bonito, aninhavam-no no
meio delas, beijocavam-no, faziam-lhe cócegas, e
ele rolava por entre as saias, em contato com os
corpos, com gritinhos de contentamento. Às vezes,
quando a senhora marquesa saía, vestiam-no de
mulher, entre grandes risadas; ele abandonava-se,
meio nu, com os seus modos lânguidos, os olhos
quebrados, uma roseta escarlate nas faces.”
( ) “Passemos por alto sobre os anos que decorreram
desde o nascimento e batizado do nosso memorando, e vamos encontrá-lo já na idade de sete anos.
Digamos unicamente que durante todo este tempo
o menino não desmentiu aquilo que anunciara
desde que nasceu: atormentava a vizinhança com
um choro sempre em oitava alta; era colérico; tinha
ojeriza particular à madrinha, a quem não podia
encarar, e era estranhão até não poder mais.”
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de
cima para baixo, é