O trecho do 5.º parágrafo – … a [enchente] de 1811, que com o desabamento...

O trecho do 5.º parágrafo – … a [enchente] de 1811, que com o desabamento de uma parte do Morro do Castelo… – está corretamente reescrito, segundo a norma-padrão, em:


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Chuvas com lembranças

      Começam a cair uns pingos de chuva. Tão leves e raros que
nem as borboletas ainda perceberam, e continuam a pousar, às
tontas, de jasmim em jasmim. As pedras estão muito quentes, e
cada gota que cai logo se evapora. Os meninos olham para o céu
cinzento, estendem a mão – vão fazer outra coisa. (Como deseja-
riam pular em poças d’água! – Mas a chuva não vem...)
      Nas terras secas, tanta gente a esta hora está procurando, também,
no céu um sinal de chuva! E nas terras inundadas, quanta
gente estará suspirando por um raio de sol!
      Penso em chuvas de outrora: chuvas matinais, que molham
cabelos soltos, que despencam as flores das cercas, que entram
pelos cadernos escolares e vão apagar a caprichosa caligrafia dos
exercícios!
      Chuvas de viagens: tempestade na Mantiqueira, quando nem
os ponteiros do para-brisa dão vencimento à água; quando
apenas se vê, na noite, a paisagem súbita e fosfórea mostrada pelos
relâmpagos.
      Chuvas antigas, nesta cidade nossa, de eternas enchentes:
a de 1811, que com o desabamento de uma parte do Morro do
Castelo soterrou várias pessoas, arrastou pontes, destruiu
caminhos e causou tal pânico em toda a cidade que durante sete dias
as igrejas e capelas estiveram abertas, acesas, com os sacerdotes
e o povo a pedirem a misericórdia divina.
      Chuvas modernas, sem igrejas em prece, mas com as ruas
igualmente transformadas em rios, os barracos a escorregarem
pelos morros; barreiras, pedras, telheiros a soterrarem pobre gente!
      Por enquanto, caem apenas algumas gotas aqui e ali, que
nem as borboletas percebem. Os meninos esperam em vão pelas
poças d’água onde pulariam contentes. Tudo é apenas calor e
céu cinzento, um céu de pedra onde os sábios e avisados tantas
coisas liam, outrora...
      “São Jerônimo, Santa Bárbara Virgem, lá no céu está escrito,
entre a cruz e a água benta: Livrai-nos, Senhor, desta tormenta!”

(Cecília Meireles, Escolha o seu sonho. Adaptado)

O trecho do 5.º parágrafo – … a [enchente] de 1811, que com o desabamento de uma parte do Morro do Castelo… – está corretamente reescrito, segundo a norma-padrão, em:

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Veja comentários detalhados e resoluções exclusivas para entender o gabarito desta questão.

  • Letícia Cunha
    Letícia Cunha
    31/12/1969 • 21:00
    Gabarito: d)

    Vamos analisar as opções para entender por que a letra d) é a correta.

    No trecho original, temos "que com o desabamento de uma parte do Morro do Castelo...". A questão quer que a frase seja reescrita segundo a norma-padrão, usando "devido a" para indicar causa.

    O problema principal está no uso da expressão "devido a" que exige a preposição "a" seguida de artigo definido feminino "a" (ou contraído "à") para concordar com o substantivo feminino que vem depois.

    Vamos ver as opções:

    a) "devido um desabamento" — está errado porque falta a preposição "a" antes de "um desabamento".

    b) "devido à uma parte" — incorreto, pois "à" é a contração da preposição "a" com o artigo definido feminino "a", mas aqui temos o artigo indefinido "uma". Não se usa a contração com artigo indefinido.

    c) "devido o desabamento" — falta a preposição "a" antes do artigo definido "o", e além disso, "desabamento" é masculino, então a preposição "a" não se contraí com "o" (mas com "o" forma "ao").

    d) "devido ao desabamento" — correto, pois "devido a" + artigo definido masculino "o" = "devido ao", concordando com "desabamento" (masculino).

    e) "devido à um desabamento" — errado, mesma razão da b), não se contrai com artigo indefinido.

    Portanto, a forma correta é a da alternativa d): "devido ao desabamento de uma parte do Morro do Castelo...".
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