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1Q375315 | Português, Interpretação de Textos, VUNESP, 2020

Leia o texto, para responder à questão .



        Se a vida é um vale de lágrimas, por que não processar os pais por nos terem trazido ao mundo?

      Se o leitor nunca pensou nessa hipótese, isso pode significar duas coisas. Primeiro, que é uma pessoa sã. Segundo, que nunca leu a saga do indiano Raphael Samuel, 27, que tentou processar os progenitores, segundo o jornal “The Guardian”.

      Sim, Samuel confessa que tem uma excelente relação com eles. Mas há, digamos, um “pecado original” que o rapaz não pode perdoar: ele nasceu sem dar o seu consentimento. Uma indenização, ainda que simbólica, seria uma forma de fazer doutrina: quando queremos ter filhos, é importante ter o consentimento deles.

      Por essa altura, o leitor inteligente que lê as minhas colunas já deve ter feito uma pergunta fundamental: como obter esse consentimento? E, já agora, em que fase?

      A ciência terá aqui uma palavra importante. Mas, conhecendo o narcisismo da espécie e a tendência irresistível de marchar pelas causas mais improváveis, não é de excluir que adolescentes de todas as idades, frustrados com a vida e com a necessidade de escovar os dentes, encontrem em Raphael Samuel um modelo (de negócio).

      Antigamente, os pais poupavam para a universidade dos filhos. Hoje, convém poupar primeiro para a indenização que eles nos vão pedir.

      No limite, ver o filho a pedir uma indenização aos pais por ter nascido faz tanto sentido como pedir uma indenização ao filho por ele não querer estar cá. Quem disse que só o filho pode ter razões de queixa?

      O problema dos cálculos meramente utilitaristas é que eles são dotados de uma espantosa flexibilidade. E da mesma forma que os filhos avaliam os seus danos por terem nascido, os pais podem atuar da mesma forma.

      Investiram tudo no delfim – patrimônio genético, tempo, dinheiro, sanidade e expectativas legítimas de que ele seria um adulto.

      Mas o ingrato, no fim das contas, ainda quer fazer contas. Se isso não é motivo para uma indenização pesada, só um anjo nos pode salvar.


(João Pereira Coutinho, Alô, filho, você quer mesmo sair?

Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br.

Acesso em: 15.11.2019. Adaptado)

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💬 Comentários

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Rodrigo Ferreira
Por Rodrigo Ferreira em 31/12/1969 21:00:00
Gabarito: e) A alternativa correta é 'Caso o leitor nunca tenha pensado'.

No texto, o autor apresenta uma hipótese condicional para introduzir a reflexão: 'Se o leitor nunca pensou nessa hipótese, isso pode significar duas coisas'. A alternativa 'e' usa a conjunção condicional 'Caso' seguida do verbo no presente do subjuntivo 'tenha pensado', que é a forma adequada para expressar uma condição incerta ou hipotética.

As outras alternativas apresentam problemas de concordância, tempo verbal ou inadequação do conectivo. Por exemplo, a alternativa 'a' está incorreta porque 'À medida que' indica simultaneidade ou progressão, não condição. A alternativa 'b' usa 'Contudo', que é adversativo, não condicional. A alternativa 'c' usa 'Pois', que é explicativo, e não condicional. A alternativa 'd' usa 'Apesar de que', que é uma construção inadequada, pois o correto seria 'Apesar de' ou 'Embora', e ainda assim o verbo 'pense' no presente do subjuntivo não se encaixa bem.

Portanto, a alternativa 'e' é a única que expressa corretamente a condição hipotética proposta no texto, respeitando a norma culta da língua portuguesa.
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