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O emprego da linguagem figurada, como em "soprou-a no ouvido do irmão" (L.6), e a ausên...

Responda: O emprego da linguagem figurada, como em "soprou-a no ouvido do irmão" (L.6), e a ausência do discurso direto confirmam o que está evidente no trecho "O menino mais novo interrogou-o com os olhos" ...


1Q811 | Português, Analista Judiciário, TJ DF, CESPE CEBRASPE

Texto associado.
     Agora olhavam as lojas, as toldas, a mesa do leilão. E conferenciavam pasmados. Tinham percebido que
havia muitas pessoas no mundo. Ocupavam-se em descobrir uma enorme quantidade de objetos. Comunicaram
baixinho um ao outro as surpresas que os enchiam. Impossível imaginar tantas maravilhas juntas. O menino mais
novo teve uma dúvida e apresentou-a timidamente ao irmão. Seria que aquilo tinha sido feito por gente? O menino
mais velho hesitou, espiou as lojas, as toldas iluminadas, as moças bem vestidas. Encolheu os ombros. Talvez aquilo
tivesse sido feito por gente. Nova dificuldade chegou-lhe ao espírito, soprou-a no ouvido do irmão. Provavelmente
aquelas coisas tinham nomes. O menino mais novo interrogou-o com os olhos. Sim, com certeza as preciosidades
que se exibiam nos altares da igreja e nas prateleiras das lojas tinham nomes. Puseram-se a discutir a questão
intrincada. Como podiam os homens guardar tantas palavras? Era impossível, ninguém conservaria tão grande soma
de conhecimentos. Livres dos nomes, as coisas ficavam distantes, misteriosas. Não tinham sido feitas por gente.
E os indivíduos que mexiam nelas cometiam imprudência. Vistas de longe, eram bonitas. Admirados e medrosos,
falavam baixo para não desencadear as forças estranhas que elas porventura encerrassem.

Graciliano Ramos. Vidas secas. São Paulo: Martins, 1972, p.125.

No texto apresentado acima, dois personagens do romance Vidas Secas, o menino mais velho e o menino mais novo, deixam a fazenda em que seu pai trabalhava como vaqueiro, para irem à festa de Natal em uma pequena cidade.

Com base nessas informações e no fragmento do texto de Graciliano Ramos, julgue os itens subsequentes.
O emprego da linguagem figurada, como em "soprou-a no ouvido do irmão" (L.6), e a ausência do discurso direto confirmam o que está evidente no trecho "O menino mais novo interrogou-o com os olhos" (L.7), isto é, que em ambos os momentos a comunicação entre os dois personagens prescinde da linguagem verbal.
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💬 Comentários

Confira os comentários sobre esta questão.
Usuário
Por Edson Pereira de Lima em 31/12/1969 21:00:00
Significado de Prescindir

v.t.i. Não precisar de; dispensar, renunciar, recusar.
Não ter em consideração; abstrair.
Usuário
Por Patrícia Finelli em 31/12/1969 21:00:00
A ordem da questão afirma que a comunicação entre os dois personagens prescinde (dispensa, não requer) da linguagem verbal. O segundo trecho apresenta a ideia de interrogação não verbal, por meio de expressão facial (‘interrogou-o com os olhos’). Já o primeiro trecho indica que houve sim comunicação verbal (‘soprou-a no ouvido do irmão’), com o verbo ‘soprar’ significando falar, dizer em voz baixa.
eli fernando
Por eli fernando em 31/12/1969 21:00:00
ambos os momentos, significa que o enunciado afirma que nos dois momentos prescindi de linguagem verbal, o que não é verdade, apenas o segundo prescindiu. Ótima essa questão
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